Moda Moda masculina e performance política na Casa de Criadores 46

04:45  07 dezembro  2019
04:45  07 dezembro  2019 Fonte:   lilianpacce.com.br

Coleção masculina vence o 16º FAAP Moda

  Coleção masculina vence o 16º FAAP Moda Coleção masculina vence o 16º FAAP ModaA aluna Ana Clara Watanabe foi a vencedora da 16ª edição do FAAP Moda. A grande final - realizada ontem (5/11) - movimentou o campus da instituição com a presença de importantes nomes do mundo da moda.

Por Giuliana Mesquita com fotos Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Vestindo o tempo – 70 anos de moda italiana

  Vestindo o tempo – 70 anos de moda italiana As 45 peças selecionadas pertencem aos colecionadores Enrico Quinto e Paolo Tinarelli , detentores de um arquivo com seis mil itens, entre vestimentas e acessórios, atualmente fonte de inspiração para numerosas casas de moda. A mostra, dividida em três núcleos, aborda estilistas, criações e eventos que colaboraram para a projeção da moda italiana desde os anos 1950 até os dias atuais.

A Casa de Criadores é um dos eventos de moda mais interessantes do país, principalmente por ser independente e por pouco se apegar a regras tradicionais do mercado. Isso significa que muito do que é mostrado em sua passarela tem conteúdo crítico, subversivo e com forte inclinação à quebra de padrões. Em tempos obscuros como os que o Brasil vive, nesta edição 46 que aconteceu entre 26 e 30/11, marcas e estilistas criaram coleções e desfiles que lembram como a moda pode ser uma ferramenta de protesto e  resistência.

Abrindo a semana, Rober Dognani homenageou Elloanígena Onassis, drag queen e performer ícone da noite paulistana do fim dos anos 1990. O estilista visitou seu apartamento, percorrendo fotos, looks e momentos históricos de uma época bastante particular de efervescência na cena cultural LGBTQI+ paulistana. Dognani transformou a passarela do galpão no bairro Barra Funda, em SP, na porta da boate A Lôca dos velhos tempos (não sua nova versão higienizada), com Zezé Araújo de hostess, set criado por Zé Pedro, palhaços Bozo dançando Vogue ao som de cantos líricos e drags e nomes importantes da noite, como Bianca Dellafancy, Johnny Luxo e Marina Dias.

Todos os looks, incluindo os de látex sob tule, o vestido de ovo frito, o macacão de boquinhas e os pompons gigantes, foram inspirados em visuais já usados por Elloanígena. Em tempos de um governo preconceituoso que tenta impor regras até de cores de menina e de menino, existe uma subversão enorme ao homenagear uma personagem que não se prende a regras binárias de vestimenta e cria algo completamente novo, fora de qualquer padrão esperado até para drag queens.

No quarto episódio da websérie, João Braga traz curiosidades da moda em 1930

  No quarto episódio da websérie, João Braga traz curiosidades da moda em 1930 No quarto episódio da websérie, João Braga traz curiosidades da moda em 1930Para ter sofisticação, as mulheres precisavam utilizar recursos, como o uso de acessórios e estampas, entre outros elementos. A época também ficou marcada pela redescoberta das curvas femininas, além do retorno das saias com comprimento até a batata da perna, o uso de chapéus com aba larga e cabelos longos e coloridos.

Ainda sobre desfiles que usaram o descontentamento sociopolítico como combustível estão a Estamparia Social e a Vicenta Perrotta. No primeiro, roupas criadas e estampadas por egressos do sistema carcerário, um projeto criado por Robson Sanchez. As camisetas estampadas com a frase “Por Trás de Cada Preso Há uma Vida” passam sua mensagem com uma clareza crua, doída, mostrando que, muitas vezes, o óbvio precisa ser dito.

No segundo, uma apresentação com mais de cem modelos, em sua maioria trans e travestis que, além de desfilarem, participaram de toda a coleção e a concepção do desfile. A Vicenta criou um projeto para capacitar e ensinar essas mulheres trans a costurar e criar roupas, e assim tirá-las da marginalização.

Essa edição 46 da Casa de Criadores também chamou a atenção pela força das coleções masculinas. Em sua primeira apresentação no line-up oficial (na última edição, ele roubou os holofotes do Projeto Lab), Bispo dos Anjos segue sua investigação por uma moda masculina que resgata códigos femininos e os ressignifica. “A gente colocou o homem nessa caixa na sociedade contemporânea, mas aqui eu exploro peças que eles sempre vestiram historicamente”, conta o estilista Hudson Bispo.

Websérie: Quinto episódio destaca identidades distintas que influenciaram a moda da década de 1940

  Websérie: Quinto episódio destaca identidades distintas que influenciaram a moda da década de 1940 Websérie: Quinto episódio destaca identidades distintas que influenciaram a moda da década de 1940Segundo o professor da FAAP, o primeiro momento ocorreu de 1939 a 1945 (período da Segunda Guerra Mundial), quando houve uma masculinização da moda feminina, consequência da economia daquele momento. "A mulher passou a usar duas peças e roupas mais esmirradas, porque havia o racionamento de tecido e não tinha condições de fazer grandes gastos", afirmou João Braga.

Babados, transparências, camisolas, volumes exagerados, comprimentos míni, decotes profundos: tudo é usado por eles sem medo de preconceitos e do adjetivo “afeminado” usado como xingamento. Interessante perceber que a Bispo dos Anjos é uma das primeiras marcas a questionar as regras da indumentária feminina e masculina colocando homens vestindo códigos delas. Afinal, colocar mulheres usando roupas largas, detalhes esportivos, moletons amplos e tênis é a forma mais fácil de subverter essas regras, né?

O mesmo aconteceu com Felipe Fanaia, que depois de um hiato de algumas temporadas volta mostrando a camisaria que é sucesso em sua loja Das Haus. Especializado em streetwear, preferiu olhar para fora das ruas ao criar essa nova coleção e cativar um novo público. Não espere ver, no entanto, peças básicas e heteronormativas: a coleção de camisas do estilista é extravagante, volumosa, com babados e ombros arredondados combinados a saias de tule enormes, slipdresses estampados e vestidos transparentes. O casting também foi destaque: apenas modelos mais velhos, inclusão mais que necessária no mundinho da moda que sempre focou tanto em adolescentes recém saídos da puberdade.

Websérie: Sexto episódio destaca a volta do glamour à moda feminina na década de 1950

  Websérie: Sexto episódio destaca a volta do glamour à moda feminina na década de 1950 Websérie: Sexto episódio destaca a volta do glamour à moda feminina na década de 1950Segundo o professor João Braga, esse período foi um momento muito importante no século 20: "Foi o último suspiro de sofisticação da moda para o século 20. Depois, as coisas vão mudar significativamente", afirma.

Ainda sobre moda masculina, destacam-se também os desfiles de Igor Dadona que, como em uma volta às origens em tempos difíceis, revisitou suas modelagens e peças antigas e entregou uma coleção coesa, colorida e cheia de peças desejo, e Mateus Cardoso, com detalhes interessantes e novas modelagens para eles.

Em uma semana de moda que sempre focou tanto em performances e discursos, muitas vezes vemos as roupas serem deixadas de lado. Nessa temporada, parece que o jogo virou. No desfile de Weider Silveiro, o estilista se inspirou em Londres e na África para criar peças de alfaiataria e peças de upcycling propositalmente maiores que as modelos.

Na Koia, outra marca vinda do Projeto LAB, uma coleção com camisas de proporções interessantes, que brinca com peças leves e estruturadas. Já na Rócio Canvas, o minimalismo chique e atemporal do estilista Diego Malicheski. Nos três exemplos, peças bem acabadas, com modelagens interessantes e uma história por trás da roupa que não as ofusca, mas eleva sua importância.

No masculino, quem também se destacou, só que negativamente, foi Rafael Caetano. Conhecido por suas roupas pensadas para um público gay que adora brilhos, peças coloridas, transparência e paetês, ele chamou o youtuber e cantor Fernando Escarião para performar na passarela. O problema foi seu comportamento, inadequado e incômodo, ao assediar os modelos que desfilavam as peças de Caetano enquanto cantava.
Muito se fala sobre as lutas LGBTQI+ nos desfiles da Casa de Criadores, mas o que aconteceu nessa passarela foi um desserviço, ao colocar um homem gay performando comportamentos héteros perversos e que as mulheres lutam contra. Em um desfile composto apenas de homens malhados, em sua grande maioria brancos, heteronormativos e mais dentro do padrão impossível, esse problema se multiplica, já que exclui muita gente de uma luta que é pra ser unida e inclusiva.

Tendências da moda de óculos para o Verão 2020 .
Tendências da moda de óculos para o Verão 2020 , né? Afinal, a gente precisa saber o modelo ideal para arrasar entre os amigos e familiares no período mais esperado do ano.Tendências de óculos para o Verão 20201- Ócúlos retrôO modelo tem tudo para continuar sendo o acessório inseparável das mulheres mais descoladas.© Reprodução/Pinterest2- Óculos redondoA peça tem sido bastante usado pelas celebridades e é uma opção diferente para ousar nesta temporada.

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