Brasil População de rua teme fome durante pandemia

18:26  25 março  2020
18:26  25 março  2020 Fonte:   dw.com

Devido ao coronavírus, Sakai adapta treinos, mas teme por futuro do UFC São Paulo

  Devido ao coronavírus, Sakai adapta treinos, mas teme por futuro do UFC São Paulo Por conta da pandemia de coronavírus pelo mundo, o futuro do UFC está em xeque a ponto de seus próximos eventos terem sido cancelados. Após o card de Brasília, no último sábado (14), o Brasil é esperado para receber mais uma edição nos próximos meses – em São Paulo, no dia 9 de maio. E []Por conta da pandemia de coronavírus pelo mundo, o futuro do UFC está em xeque a ponto de seus próximos eventos terem sido cancelados. Após o card de Brasília, no último sábado (14), o Brasil é esperado para receber mais uma edição nos próximos meses - em São Paulo, no dia 9 de maio.

Equipes de promoção de saúde da prefeitura carioca têm feito contato com a população de rua para transmitir mensagens sobre cuidados básicos de Entretanto, o maior temor de Paulo e de outras pessoas que vivem em situação de rua é a fome . Além de receber ajuda de diversos moradores da

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos do governo federal, emitiu nota pública nesta segunda-feira (23) para pedir que o Estado garanta os direitos da população em situação de rua , mesmo diante da crise provocada pelo coronavírus no país.

Sem acesso a cuidados de prevenção, moradores de rua do Rio ficam expostos a coronavírus. Com comércio fechado e suspensão de projetos sociais, conseguir comida fica mais difícil. Nas favelas, falta de água preocupa.

  População de rua teme fome durante pandemia © DW/J. Soares
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Sobre o edredom que Célia Regina Figueiredo, de 47 anos, usa como cama, havia um panfleto amassado. Eram instruções entregues por um projeto social que distribui cafés da manhã a pessoas em situação de rua no Rio de Janeiro. Por precaução, os alimentos passarão a ser entregues em kits, e os voluntários usarão máscaras de proteção. Foi a única orientação recebida por Célia e outras pessoas que habitam as ruas da Lapa, bairro que atrai turistas do mundo inteiro, sobre o novo coronavírus. "O Estado fala: fica dentro de casa. E nós, que moramos na rua? A precaução que estou tomando é deitar no chão e continuar aqui", diz.

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População de rua no Rio teme passar fome durante pandemia de coronavírus. Sem acesso a cuidados de prevenção, moradores de rua do Rio ficam expostos a coronavírus.

Diante do fechamento de escolas para frear a pandemia de covid-19, professores se preocupam com alunos que ficarão sem refeição oferecida pelo governo. No entanto, permaneceram na escola porque, de outro modo, certamente dormiriam com fome ."

A situação exposta por Célia revela a distância entre as orientações das autoridades de saúde e a realidade dos brasileiros que vivem em quadro de vulnerabilidade social. Equipes de promoção de saúde da prefeitura carioca têm feito contato com a população de rua para transmitir mensagens sobre cuidados básicos de higiene e locais que podem ser procurados para essa finalidade. Entretanto, o alcance do trabalho parece limitado pela viabilidade das soluções apresentadas.

"Tem um lugar da prefeitura onde a gente pode ir se higienizar, mas é para um grupo pequeno de pessoas, e não acho que seja um lugar muito bom para quem é tranquilo e de paz", comenta Eduardo Guimarães, de 30 anos.

“Vizinho" de Célia, ele endossa que ninguém do grupo que vive sob a marquise do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foi procurado por representantes do poder público para receber orientações. “Estamos vivendo por Deus, que nos protege e guarda. A gente deita e dorme todos os dias na calçada, onde todo vírus e bactéria vive. Se nada me pegou até hoje, acredito que essa doença não vá chegar à minha pessoa."

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Uma pandemia é uma epidemia de doença infecciosa que se espalha entre a população localizada numa grande região geográfica como, por exemplo, um continente, ou mesmo o Planeta Terra. De acordo com a Organização Mundial da Saúde

A irmã de Cristiano Ronaldo, Kátia Aveio, partilhou uma foto da família, onde o goleador português mostra que a paragem devido ao coronavírus não está a afetar a sua condição física. Uma pessoa jovem saudável, que pratica exercício tem menos vulnerabilidade a doenças.

Eduardo acompanha o noticiário sobre o avanço da pandemia no Brasil pelas capas dos jornais expostas em uma banca na calçada onde ele expõe para venda objetos variados que garimpa no lixo. A repercussão dos casos iniciais em pessoas do mundo político e de maior renda transmite a impressão de que o problema está distante do seu universo.

Célia lê folheto sobre pandemia: © DW/J. Soares Célia lê folheto sobre pandemia:

"A gente tem falado que essa doença só pega fresco", diverte-se Paulo dos Santos, de 28 anos. Apesar do bom humor, o morador das ruas da Glória, bairro contínuo à Lapa, está preocupado. "Quem tem emprego consegue ir pra clínica particular. O morador de rua que pegar isso vai morrer."

Entretanto, o maior temor de Paulo e de outras pessoas que vivem em situação de rua é a fome. Além de receber ajuda de diversos moradores da região, ele conta com as quentinhas entregues por clientes de um restaurante para se alimentar diariamente. "São oito horas da noite e estou almoçando. Não costuma ser assim."

PT quer “seguro quarentena” para metade da população durante pandemia

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"Assegurada a prestação dos serviços essenciais à população , as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil No mesmo dia, foi reconhecido o estado de calamidade pública no país em razão da pandemia de coronavírus (veja no vídeo abaixo).

Gato durante atendimento com médico veterinário (Foto: Divulgação/Prefeitura da Serra). A mudança de rotina por causa da pandemia do novo coronavírus Marcelle destacou ainda que os efeitos da pandemia também serão sentidos pelos moradores de rua que tem animais e cuidam como podem

Diversas ONGs e instituições religiosas que organizavam distribuição de alimentos suspenderam atividades a fim de repensar a estratégia mais segura de realizar as entregas. Há muitos idosos atuando nesses projetos, o que implica a necessidade de conseguir novos voluntários e garantir a proteção de todos, inclusive os beneficiários das iniciativas, que costumam se aglomerar nos locais das refeições.

O fechamento de estabelecimentos comerciais na cidade a partir desta terça-feira (24/03) deve tornar a vida da população de rua ainda mais difícil em meio à pandemia. Além de comprar alimentos nesses locais, os pontos de comércio representam a única forma de conseguirem água – não filtrada – para hidratação e higienização.

Procurada pela DW Brasil, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio informa que segue em planejamento para estruturar ações de atenção à população de rua. O órgão avalia a utilização do Sambódromo como ponto de acolhimento e oferta de serviços de higiene. Há outras medidas previstas, como a distribuição de 4 mil kits de higiene; a abertura de 400 vagas em hotéis para idosas, gestantes e mães com crianças em situação de rua e a distribuição de 20 mil cestas básicas para trabalhadores informais, não necessariamente em situação de rua.

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O presidente Jair Bolsonaro regulamentou, por meio de medida provisória e decreto, os serviços essenciais que não devem ser interrompidos durante o período de combate ao coronavírus, e também estabeleceu novos procedimentos para simplificar as compras públicas destinadas ao enfrentamento

Durante esse evento, a população em situação de rua foi caracterizada como um grupo populacional heterogêneo, composto por pessoas com diferentes realidades, mas que tem em comum a condição de pobreza absoluta, vínculos interrompidos ou fragilizados e falta de habitação convencional regular

A atual gestão da prefeitura do Rio não atualizou, nos últimos quatro anos, o levantamento da população de rua da cidade. Um levantamento da Defensoria Pública Estadual estima que sejam ao menos 15 mil pessoas.

Favelas sem água

A confirmação de um caso do novo coronavírus na Cidade de Deus no último domingo acendeu o alerta da vulnerabilidade nas favelas cariocas. O desabastecimento de água é um problema recorrente nas favelas cariocas e se agrava durante o verão. Carregar baldes de água em longas subidas e descidas faz parte da rotina dos moradores.

Um levantamento da Defensoria Pública estima que o problema afete 30 bairros da capital. No contexto atual, a falta de água torna impossível a manutenção dos cuidados preventivos básicos contra o coronavírus. Algumas comunidades chegaram a ficar dois meses desabastecidas, como no Morro dos Prazeres. Moradora da comunidade e ativista da Rede de Comunidades Saudáveis, Cris dos Prazeres relata enfrentar dificuldades para construir mensagens que se adequem à realidade da favela.

"Imagina uma mulher de 23 anos desempregada com quatro crianças sem creche num cômodo de seis metros quadrados. Como vou falar para ela não sair de casa?”, questiona.

Euardo Guimarães ao lado da esposa: © DW/J. Soares Euardo Guimarães ao lado da esposa:

Com a frágil presença do Estado nesses territórios, moradores têm se mobilizado entre si para receber doações e levar orientações em uma linguagem próxima ao universo de seus vizinhos. No Complexo do Alemão, onde vivem cerca de 70 mil pessoas, o gabinete de crise formado pelos coletivos Voz das Comunidades, Papo Reto, Ocupa Alemão e Instituto Raízes em Movimento criou até um funk para ser tocado nas rádios comunitárias e carros de som.

Aposta política de Shinzo Abe nos Jogos também é adiada em um ano

  Aposta política de Shinzo Abe nos Jogos também é adiada em um ano Para Shinzo Abe, o primeiro-ministro japonês, os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 eram uma grande aposta para simbolizar a reconstrução de seu país. Em 2016, Shinzo Abe se liberou parcialmente da imagem de homem frio durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio, onde apareceu disfarçado de Super Mario saindo de um cano, em referência ao popular personagem de videogame japonês da Nintendo. A brincadeira, orquestrada para a simbólica entrega da bandeira olímpica da Rio-2016 para Tóquio-2020, mostrou o compromisso pessoal do político com a organização do evento, que serviria de ponto de exclamação de seu mandato.

"Tá ligado no coronavírus? Deixa eu te passar a visão. Essa doença triste que afetou nosso mundão. Vamos ter consciência e fazer toda a prevenção para nossa comunidade. Lave as mãos frequentemente, com água e sabão. Evite sair de casa para não ter aglomeração", diz a letra.

Atuar junto às populações mais vulneráveis em contextos de crises e emergências é especialidade da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). Com experiência em diferentes países da África e América Central, a promotora de saúde Lia Gomes explica que a adaptação das diretrizes de prevenção ao público-alvo das mensagens é fundamental para uma estratégia bem-sucedida.

"Cada peculiaridade de um contexto e cada especificidade de um grupo vulnerável demanda uma adaptação única das orientações", afirma. A promotora de saúde lembra ainda que o investimento maior em prevenção neste momento inicial significa menor sobrecarga e demanda por recursos nos sistemas de saúde, seja em leitos ou tratamento.

"Na MSF sempre se parte do principio de que é preciso escutar e engajar as pessoas que vivem a crise na estruturação de uma resposta a ela. Para além da preocupação com os grupos de risco da doença, a prioridade é sempre dada àqueles em situação de maior vulnerabilidade, o que, para nós, está relacionado ao acesso a comida, água e condições seguras de higiene", detalha.

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Autor: João Soares (do Rio de Janeiro)

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