Brasil Sociólogo Frank Furedi explica por que vivemos uma 'cultura do medo'

11:33  21 maio  2020
11:33  21 maio  2020 Fonte:   estadao.com.br

Cuba aumenta testes enquanto casos de coronavírus caem

  Cuba aumenta testes enquanto casos de coronavírus caem Cuba aumenta testes enquanto casos de coronavírus caemHAVANA (Reuters) - Cuba começou os testes em massa para o novo coronavírus nesta semana mesmo com o número de infecções em queda no país, e com moradores do país enfrentando dificuldades para se deslocarem em busca de itens de primeira necessidade.

Frank Lee Morris (Washington, D.C., 1 de setembro de 1926 — escapou da prisão no dia 11 de junho de 1962 e nunca mais foi visto) foi um ladrão de bancos que angariou a reputação de "cérebro da fuga" pelas suas escapadas de presídio, sendo a mais famosa a fuga da inexpugnável Alcatraz, em 1962.

É um medo antecipado de uma situação que não tem por que chegar a ocorrer. Com fatores agravantes como as máscaras, o medo do contágio e a sensação de que a qualquer momento alguém pode cometer uma irresponsabilidade, como desrespeitar as regras de distanciamento físico.

No dia 24 de abril, a Sociometrica, uma equipe de inteligência artificial italiana, detectou um aumento incomum de uma determinada palavra das redes sociais de todo o mundo. Não era para menos: com o crescimento exponencial da pandemia do coronavírus, esse vocábulo só poderia ser um: “medo”.

Mesmo com o seu decréscimo de 62% a 45% nos dez dias seguintes, ainda assim esse termo continuou a prosperar nas mentes dos internautas, competindo com “tristeza” e “esperança”. Contudo, a sua persistência indica também um outro evento mais perturbador: o de que talvez já vivemos permanentemente em uma “cultura do medo” – e da qual não teremos mais como escapar.

O que foi a Democracia Corinthiana?

  O que foi a Democracia Corinthiana? Termo foi criado em palestra na PUC-SP e marcou não só o futebol mas também a sociedade brasileira com ícones como Sócrates, Casagrande e outrosAfonsinho virou símbolo da luta pelo passe livre; Paulo César Caju convivia com as pautas engajadas e cobrava por mobilização; Reinaldo, de punho erguido, falava pelo direito ao voto; e a Democracia Corinthiana, já nos anos 1980, foi uma experiência marcante nesse contexto de um futebol que questiona.

Jorge & Mateus - A Hora é Agora - [DVD Ao Vivo em Jurerê] - (Clipe Oficial) - Продолжительность: 5:27 Jorge & Mateus Oficial 36 764 807 просмотров.

Sociólogo de Botequim. 524,374 likes · 14,340 talking about this. Puxe uma cadeira aí, vamos conversar Atualmente um terço da população brasileira (62,6 milhões de pessoas) vive de empregos informais e autônomos. São profissionais liberais que ganham por dia e trabalho executado.

Esta é a tese proposta pelo sociólogo anglo-húngaro Frank Furedi em seu inquietante livro How Fear Works – Culture of Fear at the 21st Century (Bloomsbury, R$ 89,67) e que vem muito a calhar nesta era da covid-19, plena de isolamento social. Furedi já lidou com o tema no passado, mas também possui outros interesses, como a história cultural da Grande Guerra. Sua grande obsessão, entretanto, é a cultura do medo, já dissecada em um tomo de mesmo título, publicado no final da década de 1980, o que lhe deu certos ares proféticos na imprensa inglesa. De fato, ele viu muita coisa que vários se recusaram a perceber: a emergência de uma “teleologia da perdição”, cuja perspectiva crescente sufoca o ser humano não só no modo como exerce a sua liberdade individual, mas sobretudo na forma como ele constrói a sua personalidade, perdendo a chance de cultivar as virtudes da coragem e da esperança no confronto com os impasses da vida.

Daniel Filho sobre Regina Duarte: “Eu a considero a namoradinha do Bolsonaro”

  Daniel Filho sobre Regina Duarte: “Eu a considero a namoradinha do Bolsonaro” Daniel Filho sobre Regina Duarte: “Eu a considero a namoradinha do Bolsonaro”Sem rodeios, Daniel foi direto ao ponto e disse que a atriz  deve estar apaixonada por Jair Bolsonaro. “Eu a considero a namoradinha do Bolsonaro hoje. Será que ela se apaixonou pelo Bolsonaro? Estamos todos preocupados e lamentando o que a Regina está fazendo. Será que ela realmente acha que o Brasil vai melhorar com o Bolsonaro? Essa pandemia, então, arrebenta tudo, e ela se une a um assassino. Que é tão perigoso quanto foi a ditadura”, afirmou ele.

É a forma de conhecimento do tradicional (hereditário), da cultura , do senso comum, sem compromisso com uma apuração ou análise metodológica. Não pressupõe reflexão, é uma forma de apreensão passiva, acrítica e que, além de subjetiva, é superficial.

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Em How Fear Works, Furedi expande esse argumento para a situação contemporânea. Sem saber que, meses depois, a cultura do medo iria se impregnar em todos nós por causa do coronavírus, ele afirma que viver em temor se tornou a única regra constante, de campanhas políticas às discussões sobre o terrorismo islâmico. Sua conclusão é ainda mais horripilante: se esse tipo de cultura persistir no modo como educamos a nossa psique, a consequência duradoura é que ela “promoverá continuamente a ideia de que a nossa segurança depende do fato de que devemos abandonar nossas liberdades, e a celebração de um princípio da precaução nos deu uma perda de critério sobre nossas chances de assumirmos riscos. A liberdade de realizar experimentos científicos e de inovar geralmente será restringida pelo imperativo da segurança e pela preocupação com seus possíveis efeitos colaterais”.

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A referência empírica procura explicar o problema vem sendo explicado no ponto de vista metodológico. Revisão histórica vai buscar recuperar a evolução de um conceito, tema, abordagem ou outros aspectos que visam explicar os fatores determinantes de um objeto de estudo.

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Aqui, a primeira vítima dessa nova cultura é justamente a liberdade de expressão. Nas palavras de Furedi, “essa união entre uma imaginação iliberal e o medo” mina por dentro o risco de se discutir quaisquer assuntos com precisão, em particular dentro das universidades, das redações da grande mídia e no mercado editorial. Pensar sem amarras será uma atividade a ser destruída pelas regras dos comitês de burocratas que afirmarão sem hesitar de que a liberdade deve ser abandonada em lugar de “considerações éticas”. Isso já acontece em vários campi universitários da Europa, dos EUA e do Brasil, onde se discutem formas de censurar discursos que possam agredir ou ofender pessoas mais sensíveis. De acordo com esse ponto de vista, a censura é justificada como uma forma de terapia pública que protegeria os desvalidos e os necessitados em termos psíquicos.

O dilema exposto por Furedi é um desses temas subterrâneos da história das ideias, sendo abordado por clássicos como Jean Delumeau ( História do Medo no Ocidente) até Christopher Lasch ( O Eu Mínimo e A Cultura do Narcisismo), passando pelo incontornável Thomas Hobbes e o clássico dos clássicos sobre a cultura do medo: Leviatã, publicado em 1651. Infelizmente pouco citado no trabalho de Furedi, o tratado sobre a tensão que há entre segurança e liberdade individual, escrito por um homem que testemunhou uma guerra civil e uma peste que quase dizimaram o seu país, ainda é o principal responsável pela “teleologia da perdição” na qual estamos mergulhados nessas últimas décadas.

"Rastreador" de COVID-19, o novo emprego na Bélgica

  Na ausência de acordo político para implementar um aplicativo anticoronavírus, as pessoas que testaram positivo para o novo vírus são contatadas por telefone para rastrear seus contatos, dando origem a uma nova profissão: "rastreador de COVID-19". Mas, "à medida que o desconfinamento progredir, o número de contatos fornecidos aumentará", juntamente com o trabalho dos rastreadores, estima Xavier Brenez, diretor geral da Mutualités Libres, para quem um aplicativo móvel será um "complemento".

Dor e mudança: a cultura da vitimização ● Luiz Felipe Pondé | Palestra - Продолжительность: 1:15:02 Saber Filosófico 602 341 просмотр. BandNews FM AO VIVO - 23/12/2019 Rádio BandNews FM 1 860 зрителей.

Harry (Henry James) e Beth (Geraldine Hakewill) queriam um lugar diferente para passar as férias. Então, eles alugam um barco rumo a uma ilha deserta.

Até hoje, a revolução psicológica provocada por Hobbes na sensibilidade ocidental não foi adequadamente compreendida. Ele não apenas fez uma reviravolta no nosso modo de fazer política; Hobbes criou uma nova forma de encarar o mundo. Como notou Leo Strauss, se antes a humanidade acreditava em um Bem Supremo (summum bonum), no qual a vida terrena tinha um sentido além deste “vale de lágrimas”, a partir de agora o ser humano era obrigado a se dirigir somente para um Mal Supremo (summum malum), comprovado pela marcha horripilante das chacinas da História. Na prática, isso nos fez romper os laços com qualquer possibilidade de transcendência – e mais: incutiu nas nossas mentes o medo da morte.

Essa violência é explicitada diante dos nossos olhos com as guerras, os holocaustos e as torturas – todas demonstrações de uma mecânica do medo que infectou o Ocidente como um todo. É claro que uma pandemia contribui ainda mais para isso. E é neste ponto que o diagnóstico de Furedi começa a mostrar um certo descolamento das ambiguidades do mundo real.

Sem dúvida, a “cultura do medo” provoca todas essas consequências indesejadas, habilmente analisadas pelo sociólogo, especialmente a respeito das nossas liberdades individuais. Mas essa crítica só passa a fazer sentido em um mundo que exista em condições normais de pressão e temperatura. Quando nos encontramos no domínio do Extremistão – aquele território do real, antevisto por Nassim Taleb, onde tudo está conectado e cada ato nosso tem um impacto imprevisto –, essa mesma cultura passa a ser absolutamente irrelevante para a nossa sobrevivência.

Chelsea libera Kanté dos treinos por temor ao coronavírus

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É o que aconteceu com a emergência da peste do coronavírus. Infelizmente, depois dela, quem passou a ter razão foi Thomas Hobbes. Trocamos, sim, a nossa liberdade por um pouco mais de segurança – e o que era a educação para enfrentar a vida com coragem tornou-se uma educação que rejeita o exagero dessa mesma virtude: a temeridade. Aqui, Furedi dá a impressão de ser o último estoico iluminista na Terra, uma espécie de John Wayne intelectual que, em vez de sacar uma arma para se proteger, logo grita aos quatro ventos o famoso dito de Immanuel Kant – Sapere Aude! (Ousar conhecer!) – e acredita que tudo ficará bem. Não, não ficará, especialmente neste mundo pós-pandemia. Apesar da sua lucidez, Furedi se esquece que a verdadeira fortaleza individual surge não de querer enfrentar o medo de maneira abstrata, mas sim de reconhecer, dentro de si, a nossa fragilidade intrínseca e saber que, como diria um apóstolo de uma época distante, “quando sou fraco, então, é que sou forte”.

Admitir a nossa vulnerabilidade diante de um vírus que não se importa com o nosso saber ou com a nossa coragem não é se render à “cultura do medo”. É nada mais nada menos que ter a plena noção da nossa insignificância diante dos mistérios do mundo – algo que, por um lado, é maravilhoso e, por outro, é assustador. H.P. Lovecraft, que entendia muito bem de horror metafísico, escreveu certa vez que “a coisa mais misericordiosa do mundo é a incapacidade da mente humana em correlacionar todo o seu conteúdo. Vivemos em uma ilha plácida da ignorância em meio a mares negros de infinito, e não se pensou que íamos viajar longe. As ciências, cada uma progredindo em direção à parte, até o momento pouco dano nos causaram; mas algum dia a junção do conhecimento dissociado abrirá perspectivas tão apavorantes da realidade, e da posição temível que nela temos, que ou ficaremos loucos com a revelação ou fugiremos da luz mortal na paz e segurança de uma nova idade de trevas”. A notável obra de Frank Furedi deseja justamente impedir que isso aconteça conosco; porém, antes de tudo, ele precisa impedir que seja trucidado pela mesma mecânica do medo que diagnosticou entre nós.

*MARTIM VASQUES DA CUNHA É AUTOR DO LIVRO ‘A TIRANIA DOS ESPECIALISTAS’ (CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, 2019).

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