Brasil 'Moro, Valeixo sai esta semana. Está decidido', escreveu Bolsonaro ao então ministro

01:51  24 maio  2020
01:51  24 maio  2020 Fonte:   estadao.com.br

Saraiva revela que recebeu ligação de Ramagem com convite para assumir PF

  Saraiva revela que recebeu ligação de Ramagem com convite para assumir PF Amigo de Alexandre Ramagem, atual chefe da Abin e que chegou a ser nomeado para a PF, Saraiva diz que foi convidado para assumir a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, afirmou, nesta quarta-feira (13/5), em depoimento prestado em Brasília, que recebeu, no ano passado, a ligação de Alexandre Ramagem, atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), convidado para assumir a unidade da corporação em solo carioca.

Está decidido ', escreveu Bolsonaro ao então ministro ; veja. 'Estadão' teve acesso a novas mensagens, trocadas pouco antes da reunião ministerial de 22 de BRASÍLIA - Mensagens enviadas pelo presidente Jair Bolsonaro ao então ministro da Justiça, Sérgio Moro , comprovam que partiu

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro , anunciou no fim da manhã desta sexta-feira (24) a sua Moro confirmou que não assinou, tampouco concordou, com a troca de Valeixo , já que não Melhores fotos da semana em que 'Batman' participa de manifestação em apoio de Bolsonaro .

O presidente Jair Bolsonaro, em frente ao Palacio da Alvorada © Gabriela Biló/Estadão O presidente Jair Bolsonaro, em frente ao Palacio da Alvorada

BRASÍLIA - Mensagens enviadas pelo presidente Jair Bolsonaro ao então ministro da Justiça, Sérgio Moro, comprovam que partiu do chefe do Executivo a decisão de intervir na Polícia Federal e trocar o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo. “Moro, Valeixo sai esta semana”, escreveu o presidente, às 6h26 do dia 22 de abril. “Está decidido”, afirmou ele em outra mensagem, enviada na sequência, encerrando a conversa. “Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio (sic)”.

A resposta de Moro foi enviada 11 minutos depois, às 06h37m. “Presidente, sobre esse assunto precisamos conversar pessoalmente. Estou ah disposição para tanto”, disse o ex-juiz da Lava Jato. A série de quatro mensagens obtidas pelo Estadão consta do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal para ter acesso a informações de investigações sigilosas contra seus filhos e amigos, como acusou Moro.

Zambelli diz que Bolsonaro não confiava em Maurício Valeixo na PF

  Zambelli diz que Bolsonaro não confiava em Maurício Valeixo na PF De acordo com a deputada, o presidente não confiava em Valeixo por ele ter sido indicado por Moro, que segundo ela, ''era desarmamentista''De acordo com Zambelli, no começo de abril, Moro e o presidente Jair Bolsonaro tiveram discussões envolvendo a liberação do uso de armas. POr conta disso, o presidente teria levantando desconfiança em relação a Valeixo, pois a PF é responsável pela emissão de registro de cursos de tiro e liberação da posse e porte de armas pelo país. “Por esta mesma razão, o presidente não confiaria no delegado Valeixo, então diretor-geral da Polícia Federal, órgão responsável pela emissão de registros e porte de armas”, declarou a parlamentar.

Como Bolsonaro anda por baixo, Sergio Moro aproveita para sair por cima. Sabendo que seu ex- ministro tem tudo para virar o herói dos bolsonaristas arrependid Quem é Maurício Valeixo , braço direito de Moro e exonerado por Bolsonaro do comando da PF https

A reunião entre Bolsonaro e ministros foi citada pelo ex- ministro Sergio Moro , que diz ter sofrido pressão do presidente, nesse compromisso oficial, para trocar ocupantes de cargos de direção na Além do presidente Bolsonaro , estavam presentes o vice, Hamilton Mourão, Moro e outros ministros .

Mensagem de Bolsonaro a Moro © Reprodução Mensagem de Bolsonaro a Moro

O diálogo mostra, ainda, que a decisão do presidente de mudar o comando da PF já tinha sido tomada horas antes da reunião ministerial ocorrida naquele mesmo dia 22 de abril, a partir das 10 horas, no Palácio do Planalto. O vídeo com o conteúdo do encontro foi tornado público nesta sexta-feira por decisão do ministro do Supremo Celso de Mello, relator do inquérito que pode ter como desfecho até mesmo o afastamento do presidente.

A resposta de Moro a Bolsonaro © Reprodução A resposta de Moro a Bolsonaro

A conversa contraria duas versões que Bolsonaro tem dado em sua defesa e ajuda a explicar a posição de Moro na reunião ministerial, quando foi constrangido pelo presidente a fazer mudanças na corporação. A mensagem deixa claro, ainda, que Bolsonaro já havia decidido pela demissão de Valeixo de forma unilateral e sugere, quando Bolsonaro não lhe deixa alternativas, que a relação de confiança com o seu então ministro da Justiça havia sido quebrada.

Em reunião ministerial, Bolsonaro cobrou de Moro portaria para armar população

  Em reunião ministerial, Bolsonaro cobrou de Moro portaria para armar população Em reunião ministerial, Bolsonaro cobrou de Moro portaria para armar população"Se eu fosse ditador, eu queria desarmar a população", disse Bolsonaro no encontro, realizado no Palácio do Planalto, segundo gravação da reunião divulgada nesta sexta-feira por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Como afirma o ex- ministro Sérgio Moro , e outros que tiveram acesso às imagens, o vídeo demonstra que o presidente, ao falar em segurança, se Esse aparato responde ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e não ao Ministério da Justiça, então ocupado por Moro . Já há indícios de que a

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello planeja decidir até essa Ele saiu por não concordar com a decisão do presidente de demitir o então diretor-geral do órgão A gravação da reunião foi exibida na semana passada para investigadores da PF e da PGR e para a defesa de Moro .

Até este momento, Bolsonaro tem sustentado em entrevistas que foi Valeixo quem pediu para ser demitido, alegando cansaço. Segundo ele, isso comprova que não houve interferência da sua parte. Na sexta-feira, após a divulgação do vídeo, Bolsonaro novamente repetiu, em entrevista na portaria do Alvorada, que foi o próprio diretor-geral da PF quem quis deixar o cargo. “O senhor Valeixo de há muito vinha falando que queria sair. Na véspera da coletiva do senhor Sérgio Moro, dia 24, o senhor Valeixo fez uma videoconferência com os 27 superintendentes do Brasil, onde disse que iria sair. Eu liguei pro senhor Valeixo, o qual respeito, na quinta-feira, à noite. Primeiro ele ligou pra mim. Depois eu retornei a ligação pra ele. 'Valeixo, tudo bem?. Sai amanhã? Ex-officio ou a pedido?'. A pedido (foi a resposta de Valeixo, segundo Bolsonaro). E assim foi publicado no DOU. Lamento ter constado o nome do ministro da Justiça ali. É porque é praxe”, disse Bolsonaro..

Em reunião ministerial, Bolsonaro cobrou de Moro portaria para armar população

  Em reunião ministerial, Bolsonaro cobrou de Moro portaria para armar população Em reunião ministerial, Bolsonaro cobrou de Moro portaria para armar população"Se eu fosse ditador, eu queria desarmar a população", disse Bolsonaro no encontro, realizado no Palácio do Planalto, segundo gravação da reunião divulgada nesta sexta-feira por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro , tido como “superministro” no início do governo, e o presidente Jair Bolsonaro acumulam uma Valeixo foi escolhido por Moro para o cargo ainda na transição, em 2018. Interlocutores de Valeixo dizem que a tentativa de substituí-lo ocorre

Bolsonaro como de ministros . A reunião, da qual também participaram o vice-presidente Hamilton Mourão e outras autoridades, foi repleta de palavrões As disputas em torno da substituição do então diretor-geral da corporação, Mauricio Valeixo , e da nomeação para a superintendência do órgão no

Em depoimento no inquérito, no dia 11 de maio, Valeixo contou que jamais formalizou um pedido de demissão. De acordo com ele, um dia antes da publicação no Diário Oficial da União, recebeu um telefonema do próprio presidente questionado se ele concordava que sua exoneração saísse a pedido. Sem alternativa, o ex-diretor concordou. Valeixo relatou ainda que Bolsonaro justificou que queria alguém no cargo com quem tivesse “afinidade”.

Próximo da família Bolsonaro, o delegado Alexandre Ramagem, atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi nomeado para o comando da PF. Não pode, porém, tomar posse por uma decisão do ministro do STF, Alexadre de Moraes. Com isso, a direção-geral da instituição foi entregue ao delegado Rolando Alexandre de Souza, considerado um braço-direito de Ramagem.

Bolsonaro come cachorro-quente e cumprimenta apoiadores em Brasília

  Bolsonaro come cachorro-quente e cumprimenta apoiadores em Brasília Não comenta manifestação. 'Só vou responder sobre futebol'Usando máscara, o chefe do Executivo federal cumprimentou e tirou fotos com apoiadores. Ouviu gritos de “mito” e também alguns “fora, Bolsonaro”. Houve 1 princípio de aglomeração, o que vai contra orientações das autoridades de saúde devido ao risco de transmissão da covid-19.

Alegou, porém, que era papel do então ministro da Justiça, Sérgio Moro , defendê-lo, para que pudesse "trabalhar" e "ter paz". " Moro , eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado. Nunca tive sucesso pra nada.

Bolsonaro tem criticado medidas de isolamento determinados por prefeitos e governadores e chegou a pedir que seu então ministro da Justiça, Sérgio Moro , se posicionasse contra prisões de pessoas que furaram as restrições e acabaram presas em praias e parques.

A troca de mensagens foi retirada do celular do ex-ministro Sérgio Moro. O aparelho foi entregue por ele na ocasião do seu depoimento nesse inquérito.

Na sexta-feira, o ministro Celso de Mello encaminhou à Procuradoria Geral da República um pedido de partidos de oposição para que o celular de Bolsonaro fosse apreendido em busca de mais provas da suposta interferência dele na PF. A reação do Planalto veio do ministro do Gabiente de Segurança Intitucional (GSI), general Augusto Heleno, que, em nota, ameaçou dizendo que uma decisão favorável a esse pedido poderia ter “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

"Isso é caso superado", diz Onyx sobre novas mensagens de Bolsonaro

  "Isso é caso superado", diz Onyx sobre novas mensagens de BolsonaroO novo trecho da conversa consta no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura se Bolsonaro interferiu na PF para ter acesso a informações de investigações sigilosas contra seus filhos e amigos, como acusou o ex-ministro Sérgio Moro.

Três horas depois dos diálogos obtidos pelo Estadão na qual Bolsonaro dá a ordem para mudar a PF ocorreria a reunião ministerial tornada pública ontem na qual Bolsonaro afirma claramente que desejava troca na “segurança” do Rio.

“Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, disse Bolsonaro.

Em outro momento, Bolsonaro diz que não pode ser “surpreendido com notícias”. “Pô, eu tenho a PF que não me dá informações”, reclamou. O presidente disse ainda que ia interferir em todos os ministérios. “E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô! Não é ameaça, não é uma … uma extrapolação da minha parte. É uma verdade”, afirmou Bolsonaro, olhando para o lado onde estava Moro.

Próximo da família Bolsonaro, o delegado Alexandre Ramagem, atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi nomeado para o comando da PF. Entretanto, não pode tomar posse por uma decisão do ministro do STF, Alexadre de Moraes. Com isso, a direção-geral da instituição foi entregue ao delegado Rolando Alexandre de Souza, considerado um braço-direito de Ramagem.

Senadores afirmam que mensagem de Bolsonaro a Moro é fake news

  Senadores afirmam que mensagem de Bolsonaro a Moro é fake news Senadores afirmam que mensagem de Bolsonaro a Moro é fake newsAs mensagens integram o inquérito presidido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello que investiga se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal para ter acesso a investigações –conforme acusou Moro.

Troca de mensagens

O novo diálogo revelado pelo Estadão ocorreu um dia antes de Bolsonaro, em 23 de abril, enviar a Moro o link de uma notícia do site “O Antagonista”, com a manchete: “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas. “Mais um motivo para a troca”, diz o presidente. A matéria faz referência ao inquérito das fake news, conduzido no Supremo Tribunal Federal. Em seguida, Moro explica ao presidente que as diligências foram determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

No dia seguinte, em 24 de abril, o DOU trouxe a exoneração “a pedido” de Valeixo e Moro se demitiu durante uma coletiva de imprensa. A imagem com o diálogo foi revelada pelo ex-ministro no mesmo dia pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, e confirmada pelo Estadão.

Em 5 de maio, Bolsonaro exibiu o seu celular com mensagens trocadas por ele e Moro na tarde do dia 22 de abril para dizer que o ex-ministro havia mudado de versão sobre a tentativa de interferência na PF. “Isso é uma mentira deslavada”, disso

A imagem mostra que mostra que ele enviou o mesmo link da matéria do Antagonista sobre a investigação de aliados. Moro respondeu: “Isso é fofoca. Tem um DPF (diretor da Polícia Federal) atuando por requisição no inquérito das fake news e que foi requisitado pelo Min (ministro) Alexandre. Não tem como negar o atendimento a requisição do STF”, escreveu Moro.

As mensagens enviadas na manhã do dia 22 de abril, em que Bolsonaro avisa Moro que demitirá Valeixo , não foram mostradas pelo presidente.

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Moro quer apuração de 'circunstâncias anormais' envolvendo decreto que exonerou Valeixo .
Secretaria-Geral da Presidência admitiu à Polícia Federal que inseriu a assinatura do ex-ministro, mas alegou que foi por 'procedimento técnico'; documento foi republicado sem assinatura de Moro após acusações"A respeito do decreto de exonerac?a?o do ex-Diretor-Geral da Poli?cia Federal, Dr. Mauri?cio Valeixo, a Defesa do ex-Ministro Se?rgio Moro informa que na?o houve coleta de assinaturas fi?sicas nem eletro?nicas de nenhuma das autoridades com atribuic?a?o para o ato", afirmou o advogado Rodrigo Sánchez Rios, que defende Moro.

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