Brasil Torcidas antifascistas assumem linha de frente da mobilização contra Bolsonaro e atraem oposição

06:30  02 junho  2020
06:30  02 junho  2020 Fonte:   brasil.elpais.com

Gaviões e outras torcidas fazem protesto antifascismo na Paulista

  Gaviões e outras torcidas fazem protesto antifascismo na Paulista Gaviões e outras torcidas fazem protesto antifascismo na PaulistaO movimento foi convocado por coletivos antifascistas da torcida do Corinthians e lideranças da Gaviões da Fiel, mas também reúne outros grupos, como do Palmeiras e do Santos. “Ditadura nunca mais!” e “Democracia” são alguns dos gritos dos manifestantes, de acordo com vídeos compartilhados nas redes sociais.

As torcidas têm um poder único de mobilização e por isso a participação política é tão importante, defende a Anatorg. Segundo a entidade, o pontapé No último dia 17, os antifascistas de Porto Alegre impediram atos pró- Bolsonaro e a favor da intervenção militar. O grupo entoou a frase “recua

Na tarde do último domingo, Bolsonaro sobrevoou de helicóptero o ato na Praça dos Três Poderes e chegou a montar um cavalo da Polícia Militar diante dos militantes. Na capital paulista, membros de torcidas organizadas de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos protestaram contra Bolsonaro

Grupo de torcedoras antifascismo protesta na avenida Paulista. © Fornecido por EL PAÍS Grupo de torcedoras antifascismo protesta na avenida Paulista.

Desde o início da quarentena imposta pela pandemia de coronavírus, nenhuma manifestação crítica ao Governo de Jair Bolsonaro havia gerado tanto barulho nas ruas como o ato convocado por torcidas antifascistas na avenida Paulista, neste domingo. Em defesa da democracia, coletivos originários do futebol também realizaram protesto coordenado em pelo menos outras 15 cidades, a exemplo de Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, onde torcedores dos principais clubes cariocas engrossaram marcha contra o racismo.

Bolsonaro divulga vídeo com militar da 2ª Guerra: ‘Verdadeiros antifascistas’

  Bolsonaro divulga vídeo com militar da 2ª Guerra: ‘Verdadeiros antifascistas’ Tenente Carlos Santiago de Amorim. 'Legítimos heróis' da liberdade

No Rio de Janeiro, de manhã, grupos pró e contra Bolsonaro ficaram frente a frente na praia de Copacabana. O grupo de oposição a Bolsonaro se apresentava como antifascista – assim como os manifestantes de Membros de torcidas organizadas antifascistas de Atlético Mineiro, Cruzeiro

Do lado de Bolsonaro , um grupo de cerca de 30 bolsonaristas com tochas e máscaras fez no sábado um protesto em frente ao Supremo, usando estética Esse mesmo movimento de junção, afirma, começa a se manifestar na "opinião pública ilustrada", que percebeu que a lógica de Bolsonaro é

A articulação do movimento partiu de grupos identificados com o antifascismo, embora lideranças de torcidas organizadas como Gaviões da Fiel e Torcida Jovem do Santos, que já repudiou a presença de Bolsonaro na Vila Belmiro e se posicionou contra sua candidatura na eleição presidencial, tenham apoiado e participado dos atos. Também endossou os protestos a Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), que conta com mais de 200 afiliadas e faz questão de frisar que a manifestação “não é de direita ou esquerda”, mas em oposição a movimentos ultraconservadores, supremacistas e fascistas.

“Nosso protesto surgiu de uma organização autônoma de torcedores membros da Gaviões”, conta Danilo Pássaro, 27, líder do movimento corintiano Somos pela Democracia. “Temos uma preocupação em comum com a escalada autoritária no país, a partir de uma onda de agressões contra profissionais da saúde e jornalistas, incentivando a ruptura dos limites da Constituição, legitimada pelo presidente da República. Por isso, mesmo nesse período de pandemia, assumimos o risco e resolvemos travar essa disputa nas ruas para defender a democracia.” Foi acordado entre os grupos participantes que eles não se identificariam com símbolos ou bandeiras, para que a manifestação não fosse associada a torcidas organizadas.

Bolsonaro diz que manifestantes de grupos “antifascistas” são “marginais”

  Bolsonaro diz que manifestantes de grupos “antifascistas” são “marginais” Falou no Palácio da Alvorada. Deu a declaração na 3ª feira“Agradeço de coração a essas pessoas que estão nas ruas apoiando o nosso governo”, disse ao chegar no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

PM usa bombas de gás lacrimogêneo. Atos diante do Masp, em São Paulo. Manifestantes contra o presidente Jair Bolsonaro entraram em confronto neste domingo (31.mai.2020) na avenida Paulista, em São Paulo, em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo).

No Rio de Janeiro, a torcida organizada do Flamengo foi às ruas fazer frente às manifestações fascistas. A última ameaça do clã presidencial partiu do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), após aliados do seu pai serem alvos de uma ação da Polícia Federal contra fake news.

No início de maio, o movimento iniciou a contra-ofensiva às manifestações insufladas por apoiadores bolsonaristas com um ato reunindo cerca de 70 torcedores corintianos na Paulista, no mesmo horário do protesto de ultradireitistas. A repercussão despertou o apoio de torcidas antifascistas dos rivais Palmeiras, São Paulo e Santos e inspirou o surgimento de mais coletivos semelhantes, como a Resistência Alvinegra, que mobilizou cerca de 200 torcedores atleticanos no centro de Belo Horizonte em dois fins de semana consecutivos. Criada há cinco anos, a Resistência Azul Popular (RAP), formada por cruzeirenses, avalia aderir ao movimento nacional, mas ainda discute um plano de ação sobre como se manifestar em segurança durante a vigência das medidas de isolamento social e evitar embates com grupos de extrema direita.

Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, houve registros de confusões entre torcedores antifascistas e bolsonaristas, seguidas de repressão policial. Na avenida Paulista, a tensão se estabeleceu quando o protesto das torcidas já havia acabado, após alguns manifestantes ultraconservadores exibirem símbolos suspeitos de apologia ao nazismo como forma de provocação. A Polícia Militar de São Paulo encaminhou imagens ao Ministério Público para investigar os responsáveis pelo início do tumulto, além de determinar se as bandeiras expostas pelo grupo que apoia Bolsonaro são, de fato, relacionadas a movimentos neonazistas.

Governo teme que atos de rua cresçam e se tornem pró-impeachment

  Governo teme que atos de rua cresçam e se tornem pró-impeachment Gesto Bolsonaro, que classificou manifestantes de ‘marginais’, refletiu a preocupação expressada por aliados nas redes sociaisBRASÍLIA - O Palácio do Planalto teme que manifestações de rua em defesa da democracia e contra o governo federal cresçam e se tornem atos pró-impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Após a escalada de tensão dos últimos dias, Bolsonaro deu na quarta-feira, 3, uma espécie de ordem unida e chamou manifestantes contrários a seu governo de “marginais” e “terroristas”. O gesto refletiu a preocupação expressada por aliados do governo nas redes sociais.

Apoiadora de Bolsonaro se intimidou com as centenas de antifascistas do Cortinhians e de outras torcidas que organizaram ato para fazer frente Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma apoiadora de Bolsonaro se impressionando com a quantidade de antifascistas na avenida Paulista

Nada de partidinhos de carteira nem figurinhas carimbadas. O poder só pode pertencer ao povo. Temos que nos unir para nos fortalecer com as extremas esquerdas independentes e radicais e seremos milhões. A luta revolucionária nos aguarda!

Partidos de esquerda não ficaram indiferentes à mobilização. Enquanto o PT de São Paulo celebrou a marcha puxada pelas torcidas antifascistas, os deputados federais pelo PSOL, Sâmia Bomfim (SP) e Glauber Braga (RJ), participaram dos atos na Paulista. “Ao usar a realidade da pandemia para avançar com seu projeto autoritário, Bolsonaro coloca o Brasil no limite. O ato das torcidas organizadas em São Paulo foi resultado disso: o povo não aguenta mais”, disse a parlamentar psolista, que ainda criticou a ação da polícia na dispersão do protesto. “A PM agiu de forma brutalmente repressiva contra as torcidas organizadas e acariciou os fascistas, como os vídeos podem demonstrar.” Em imagens captadas por manifestantes, uma mulher bolsonarista que carregava um taco de beisebol e provocou torcedores é escoltada por um policial.

Em trincheira oposta, políticos alinhados a Bolsonaro subiram o tom contra as manifestações das torcidas. Nesta segunda-feira, o filho do presidente e deputado federal, Eduardo Bolsonaro, protocolou ação na Procuradoria-Geral da República contra Sâmia Bomfim e Glauber Braga, insinuando envolvimento dos parlamentares em supostos “atos criminosos com grupo Antifa”. Assim como Donald Trump, que enfrenta protestos de movimentos antirracistas nos Estados Unidos, a família Bolsonaro sugere classificar coletivos antifascistas como organizações terroristas. Em 2015, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio, hoje rompido com o bolsonarismo, propôs acabar com as torcidas organizadas, por considerá-las grupos criminosos em projeto de lei que tramita no Congresso. “Aqui eles [antifas] se fantasiam de torcida organizada, mas todos sabemos que querem é desordem, baderna e confronto com manifestações pacíficas”, escreveu Eduardo Bolsonaro.

Manifestantes antirracismo e contra Bolsonaro convocam ato no Rio

  Manifestantes antirracismo e contra Bolsonaro convocam ato no Rio Grupos que militam pela igualdade de direitos a negros e torcedores dos principais times do futebol carioca planejam protesto para domingo“O momento é de unificar pautas e ocupar as ruas contra o racismo e pela democracia”, explica o texto.

O método científico refere-se a um aglomerado de regras básicas dos procedimentos que produzem o conhecimento científico, quer um novo conhecimento, quer uma correção (evolução) ou um aumento na área de incidência de conhecimentos anteriormente existentes.

A Linha Maginot (em francês: ligne Maginot) foi uma linha de fortificações e de defesa construída pela França ao longo de suas fronteiras com a Alemanha e a Itália, após a Primeira Guerra Mundial, mais precisamente entre 1930 e 1936.

No Rio, o deputado federal Daniel Silveira (PSL), que acompanhou manifestação pró-Bolsonaro na praia de Copacabana, gravou um vídeo pregando repressão violenta a movimentos antifascistas de torcedores. “Vocês [antifas] vão pegar um ‘polícia’ zangado no meio da multidão, levar um [tiro] no meio da caixa do peito e chamar a gente de truculento. Eu estou torcendo pra isso. Quem sabe não seja eu o sortudo. Não adianta nem falar que foi homicídio. Vai ser legítima defesa”, ameaçou o deputado, que, ao longo do protesto, filmou a conversa com um policial que prometeu queimar a faixa de torcedores do Flamengo estampada com os dizeres “Democracia Rubro-Negra”. A PM do Rio de Janeiro informou em nota que a atitude do agente “não reflete a postura da corporação, que se mantém imparcial, sempre zelando pela democracia”.

A oposição a Bolsonaro não é consenso nas torcidas organizadas e gerou desconforto entre membros que preferem evitar a associação a movimentos antifascistas. Uma das maiores organizadas do São Paulo, a Dragões da Real afirmou que, embora se considere uma organização antifa, não pretende orientar seus sócios a seguirem uma orientação política específica. “O que nos une é o São Paulo Futebol Clube. Fora disso, cada um que escolha seu caminho. Não se pratica democracia com ato antidemocrático.” A Torcida Jovem do Flamengo adota a mesma linha, informando que “não irá impor nem incentivar nenhum de seus integrantes que se manifestem contra ou a favor de qualquer espectro ou vertente política”, por se posicionar como uma instituição apartidária.

Pela democracia! Torcidas de Corinthians e Palmeiras explicam protestos e prometem mais atos

  Pela democracia! Torcidas de Corinthians e Palmeiras explicam protestos e prometem mais atos Pela democracia! Torcidas de Corinthians e Palmeiras explicam protestos e prometem mais atosMarcos ‘Gama’, 75 anos, líder do coletivo ‘Porcomunas’, uma torcida antifascista do Palmeiras, e Danilo Pássaro, 27 anos, líder do movimento ‘Somos Democracia’, do Corinthians, conversaram com o LANCE! sobre o momento pelo qual passa o Brasil em meio à maior pandemia sanitária recente, o coronavírus, os protestos que acontecem país afora a favor e contra o presidente em exercício, Jair Bolsonaro, e como as torcidas de futebol se encontram para lutar juntas.

Novos atos, protesto em Curitiba e manifestos contra o Governo

Se as organizadas preferem se descolar dos protestos, as torcidas antifascistas planejam aumentar a frequência e a magnitude dos atos com a adesão de movimentos sociais e partidários que se opõem ao Governo Bolsonaro. Neste fim de semana, um manifesto em prol da democracia, que já foi firmado pelos ex-jogadores Casagrande, Raí e Tostão, ultrapassou a marca de 200.000 assinaturas. Para o próximo domingo, cidades como Manaus e Rio articulam manifestações similares à da Paulista.

“Nossa pauta é ampla, não tem viés político-partidário”, diz Danilo Pássaro. “A maior parte do povo brasileiro é favorável à democracia. Convocamos todos os cidadãos democratas para que se juntem a essa luta.” A articulação nacional das Torcidas Antifascistas Unidas ressalta que orienta manifestantes a usar máscaras, luvas e óculos de proteção contra o coronavírus, além de recomendar a torcedores que convivem com pessoas do grupo de risco a participar dos protestos políticos apenas pelas redes sociais.

Nesta segunda, houve uma manifestação em Curitiba que derivou mais uma vez em repressão policial e quebra-quebra, em uma mostra de que a chama dos protestos antifascistas e anti-Bolsonaro, misturados aos atos antirracistas na esteira do movimento nos EUA, devem seguir. Gabriel Fidgan, organizador do protesto na capital do Paraná, afirma que o ato antirracista terminava sem incidentes quando, na “dispersão de alguns poucos, houve vandalismo contra o patrimônio público”, o que “representa a presença organizada de infiltrados que desejam a criminalização do movimento”. Fidgan também criticou o excesso de uso da força pela polícia.

História das organizadas mistura amor esportivo e interesse político

  História das organizadas mistura amor esportivo e interesse político Relação das torcidas com a política é antiga, passou pela luta contra a ditadura e voltou a ganhar força nos últimos anosNovamente neste domingo novas manifestações estão previstas pelo Brasil, em um movimento que volta a expor à sociedade a ligação entre torcidas organizadas e políticas. Embora o ativismo desses grupos esteja na gênese ligado ao futebol, historicamente a formação dessa classe sempre esteve ligada à pautas políticas. Questões como a ditadura militar e as eleições diretas foram algumas das bandeiras levantadas no passado.

Em paralelo ao movimentos de rua, o fim de semana também viu crescer outro front contra o Governo, com manifestos que criticam as manifestações autoritárias do Governo e pregações contra os demais poderes. Em um deles, o “Somos 70%”, faz alusão à maioria que não apoia Bolsonaro. Já o “Basta!” foi organizado por advogados e outros representantes do universo jurídico. O “Estamos Juntos”, por sua vez, foi assinado por artistas e intelectuais, mas também políticos de vários matizes, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). O texto fala da importância de uma frente comum contra o Planalto. “Como aconteceu no movimento Diretas Já, é hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum”, diz o texto. As movimentações são mais um sintoma da escalada da crise institucional, mas também evidenciam que não será tão simples construir uma frente antibolsonarista ampla. Nesta segunda, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os manifestos por não frisar o suficiente, em sua visão, a defesa do direitos dos trabalhadores e por incluir nomes que apoiaram Bolsonaro.

Colaborou Isadora Rupp, de Curitiba.

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