Brasil Para analistas, comunicação do governo Bolsonaro sobre COVID-19 é 'pouco transparente'

02:26  07 junho  2020
02:26  07 junho  2020 Fonte:   msn.com

Ministro da Secretaria de Governo diz que comparar Brasil à Alemanha de Hitler é "inoportuno e infeliz"

  Ministro da Secretaria de Governo diz que comparar Brasil à Alemanha de Hitler é Ministro da Secretaria de Governo diz que comparar Brasil à Alemanha de Hitler é "inoportuno e infeliz"BRASÍLIA (Reuters) - O ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, rebateu nesta segunda-feira um comentário do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelado na véspera que comparou a situação do Brasil, "guardadas as devidas proporções", com o que ocorreu na Alemanha nazista com Adolf Hitler.

Com o avanço da covid - 19 no Brasil, o governo de Jair Bolsonaro vem diminuindo a transparência dos dados sobre a epidemia, passando a atrasar a divulgação destas informações, e nesta O secretário de Comunicação do governo federal, Fábio Wajngarten, testou positivo para o coronavírus.

© Reprodução/Twitter @secomvc Tuíte da Secretaria de Comunicação do governo . A mudança na abordagem também ocorreu após cobranças de Bolsonaro e de um recado à imprensa do ministro da Secretaria de Governo , Luiz Eduardo ' Bolsonaro se aproveita da Covid - 19 para eliminar indígenas'.

O presidente Jair Bolsonaro gesticula positivamente chegar ao Palácio do Planalto, em Brasília, em 24 de maio de 2020, em meio à pandemia de coronavírus. © EVARISTO SA O presidente Jair Bolsonaro gesticula positivamente chegar ao Palácio do Planalto, em Brasília, em 24 de maio de 2020, em meio à pandemia de coronavírus.

Enquanto o Brasil se tornava o terceiro país do mundo com mais mortes por COVID-19, o governo atrasava o divulgação dos balanços oficiais e deixava o número de mortes em segundo plano, em uma estratégia de comunicação considerada por analistas como "pouco transparente".

Cemitério de Nossa Senhora Aparecida, onde vítimas do COVID-19 são enterradas diariamente, no bairro de Taruma, em Manaus, Brasil, em 2 de junho de 2020, durante a pandemia de coronavírus. © Michael DANTAS Cemitério de Nossa Senhora Aparecida, onde vítimas do COVID-19 são enterradas diariamente, no bairro de Taruma, em Manaus, Brasil, em 2 de junho de 2020, durante a pandemia de coronavírus.

O presidente Jair Bolsonaro minimiza a gravidade do novo coronavírus desde o início da pandemia. Em abril, demitiu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e 27 dias depois, seu sucessor, Nelson Teich, renunciou por divergências sobre como enfrentar a crise.

Gilmar Mendes critica atraso do governo em divulgar dado diário da covid-19

  Gilmar Mendes critica atraso do governo em divulgar dado diário da covid-19 O Correio revelou que a ordem para que as informações sejam publicadas apenas às 22h, e não às 19h, como estava ocorrendo, partiu do presidente Jair Bolsonaro e é vista como definitiva. "Na pandemia, a divulgação de dados oficiais envolve, além do dever de prestar contas, uma questão de saúde pública", escreveu Gilmar.Ainda de acordo com o ministro, as informações devem estar abertas aos veículos de comunicação ds forma ordenada, para auxiliar no combate a pandemia.

A pandemia de COVID - 19 é uma pandemia em curso de COVID - 19 , uma doença respiratória aguda causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). A doença foi identificada pela primeira vez em Wuhan, na província de Hubei, República Popular da China

O Ministério da Saúde retirou, do site oficial sobre a pandemia do novo coronavírus, os dados acumulados sobre o número de infectados e mortos pela Covid - 19 . Desde a tarde deste sábado (6), o portal exibe apenas os resultados das últimas 24 horas.

Paciente internada no Hospital Público Ernesto Che Guevara, na cidade de Marica, Rio de Janeiro, Brasil, em 5 de junho de 2020. © Mauro Pimentel Paciente internada no Hospital Público Ernesto Che Guevara, na cidade de Marica, Rio de Janeiro, Brasil, em 5 de junho de 2020.

Desde a saída de Mandetta, que divulgava os números de casos às 17h e concedia entrevistas coletivas diárias, o governo foi alterando sua maneira de informar sobre a doença, que já deixou mais de 600.000 infectados e 35.000 mortos no Brasil.

Esta semana, a divulgação do balanço, que já ocorria às 19h, passou para as 22h. "Acabou matéria no Jornal Nacional", disse Bolsonaro na sexta-feira a jornalistas  que questionaram o atraso na divulgação dos números.

O formato também foi modificado, dando mais destaque ao número de recuperados do que ao número de mortos e passou a incluir apenas os registros das últimas 24 horas.

Governo Jair Bolsonaro quer tornar mortos por Covid-19 invisíveis, dizem secretários de Saúde

  Governo Jair Bolsonaro quer tornar mortos por Covid-19 invisíveis, dizem secretários de Saúde Governo Jair Bolsonaro quer tornar mortos por Covid-19 invisíveis, dizem secretários de SaúdeSÃO PAULO (Reuters) - O governo Jair Bolsonaro busca tornar invisíveis os mortos pela Covid-19 no país, disseram neste sábado secretários de Saúde dos Estados ao rebaterem declarações dadas pelo empresário Carlos Wizard, secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, de que os dados das secretarias são "fantasiosos".

Infectado pela Covid - 19 , o cacique Ninawa, da tribo Huni Kui, teme o avanço da doença entre seu povo. O cacique Raoni acusou o presidente Jair Bolsonaro de se aproveitar da pandemia do novo coronavírus para "eliminar seu povo".

Infectado pela Covid - 19 , o cacique Ninawa, da tribo Huni Kui, teme o avanço da doença entre seu povo. O cacique Raoni acusou o presidente Jair Bolsonaro de se aproveitar da pandemia do novo coronavírus para "eliminar seu povo".

O portal oficial de dados saiu do ar na sexta-feira e voltou no sábado apenas com números parciais do último dia, restringindo à população o acesso a cifras totais da pandemia.

A divulgação completa, Bolsonaro disse no Twitter, "não retrata o momento do país".

"Não informar significa o Estado ser mais nocivo do que a doença, ser mais nocivo do que o vírus", declarou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta neste sábado (6), durante transmissão nas redes sociais, afirmando que o apagão de informação favorecerá a proliferação de 'fake news'.

- "Placar da Vida" -

A estratégia de destacar o número de recuperados e relativizar o número de mortes está refletida no "Placar da Vida", uma publicação da Secretaria de Comunicação da Presidência que desde abril conta os casos de "infectados", de "brasileiros salvos" e "pacientes em recuperação", sem incluir as mortes.

Em 19 de maio, quando o Brasil superou pela primeira vez o registro de 1.000 mortes em 24 horas, os internautas criticaram essa publicação, fazendo memes com uma analogia do resultado da semifinal da Copa do Mundo de 2014, quando a Alemanha arrasou o Brasil por 7-1 : "É como dizer um gol do Brasil, 52% de posse de bola, 18 finalizações".

AO VIVO | Notícias sobre o coronavírus, os protestos sociais e a crise no Brasil e no mundo

  AO VIVO | Notícias sobre o coronavírus, os protestos sociais e a crise no Brasil e no mundo AO VIVO | Notícias sobre o coronavírus, os protestos sociais e a crise no Brasil e no mundoPrimeiro, comunicou em um boletim enviado à imprensa 12.581 novos casos e 1.382 mortes por covid-19 registradas nas últimas 24 horas. Uma hora depois, a plataforma oficial da pasta trazia outros números: 525 óbitos registrados em um dia e 18.912 pessoas infectadas entre sábado e domingo. O Governo não esclareceu a divergência dos dados.

Bolsonaro não confirmou que é dele a ordem para que os dados, antes entregues por volta das 19h, sejam apresentados apenas às 22h. Desde a saída de Mandetta, a comunicação do Ministério da Saúde tem sido esvaziada pelo ' Bolsonaro se aproveita da Covid - 19 para eliminar indígenas'.

Infectado pela Covid - 19 , o cacique Ninawa, da tribo Huni Kui, teme o avanço da doença entre seu povo. O cacique Raoni acusou o presidente Jair Bolsonaro de se aproveitar da pandemia do novo coronavírus para "eliminar seu povo".

"Em termos de comunicação pública, não podemos dizer que essa mudança serve aos interesses da sociedade; está claramente voltada para interesses políticos", diz Fernando Nogueira, professor da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas.

"Ao tentar transformar os boletins médicos em um 'placar da vida', você cria uma realidade paralela e subjetiva. É como se a empresa responsável pelo Titanic dissesse: 'bem, nós salvamos tantas pessoas'", diz Thomas Traumann, secretário de comunicação durante a presidência de Dilma Rousseff (2011-2016).

"Em uma situação tão séria, esse tipo de comunicação tem pouca credibilidade, é ineficaz e não muito transparente", diz Nogueira, para quem a estratégia é "personalista".

"O presidente não fala como chefe de Estado. Quando perguntado sobre as mortes, ele responde: 'O que você quer que eu faça?' Como se esperasse que ele fosse ao hospital para salvar alguém", diz ele.

- Inconsistências -

O general Eduardo Pazuello, que assumiu provisoriamente o Ministério da Saúde há três semanas e foi oficializado na qualidade de interino, não comparece às coletivas de imprensa da pasta.

Câmara deve votar projeto que obriga governo a ser transparente em dados sobre covid-19

  Câmara deve votar projeto que obriga governo a ser transparente em dados sobre covid-19 Detalhes sobre casos, capacidade do sistema de saúde e uso de recursos públicos terão de ser publicados em um portal único na internet . A decisão de Maia ocorre após o Ministério da Saúde atrasar a divulgação dos números de novos casos e mortes causados pela covid-19 no País e omitir dados com o histórico de contaminação da doença. Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados, os veículos de comunicação O Estado de S. Paulo, Folha de S.

Infectado pela Covid - 19 , o cacique Ninawa, da tribo Huni Kui, teme o avanço da doença entre seu povo. O cacique Raoni acusou o presidente Jair Bolsonaro de se aproveitar da pandemia do novo coronavírus para "eliminar seu povo".

Infectado pela Covid - 19 , o cacique Ninawa, da tribo Huni Kui, teme o avanço da doença entre seu povo. O cacique Raoni acusou o presidente Jair Bolsonaro de se aproveitar da pandemia do novo coronavírus para "eliminar seu povo".

"É importante ser consistente na apresentação de dados de forma técnica, no prazo e com a regularidade esperada. Ao frustrar as expectativas, você destrói sua credibilidade", diz Nogueira.

O médico João Gabbardo, que foi secretário executivo de Mandetta, evitou comentar a administração atual, mas enfatizou que seu trabalho, juntamente com o ex-ministro, "era caracterizado pela transparência".

"Todo mundo tinha a informação, todo mundo sabia o que estava acontecendo", disse ele à AFP.

Para Traumann, a estratégia de comunicação não traz resultados positivos para o governo. "Se você observar qualquer pesquisa depois de março, verá que a desaprovação [do governo] aumenta significativamente de 30% para, em algumas pesquisas, 50%". Em matéria de gestão do coronavírus, a desaprovação do governo chega a 70%.

"Na área pública, tudo se comunica, não apenas a mensagem. Oficializar um ministro interino, por exemplo, comunica de forma evidente as prioridades, assim como atrasar os números e não conceder entrevistas coletivas diárias", disse Nogueira.

Até o momento, a Secretaria de Comunicação da Presidência e o Ministério da Saúde não responderam aos pedidos de entrevistas da AFP.

pr/js/jc/mvv

Brasil tem 41.058 mortos por covid-19, segundo consórcio de veículos de imprensa .
País já soma 805.649 pessoas infectadas pelo coronavírus; nas últimas 24 horas, foram registrados 30.465 novos casos de contaminação e 1.261 óbitosSÃO PAULO - O Brasil já soma 41.058 mortes causadas pelo novo coronavírus e 805.649 pessoas infectadas, segundo levantamento conjunto feito pelos veículos de comunicação Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL e divulgado na noite desta quinta-feira, 11. Dados atualizados até as 20h mostram que, nas últimas 24 horas, foram registrados 1.261 novos óbitos e 30.465 casos de contaminação pela covid-19. O País segue como o terceiro do mundo com mais mortos pelo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

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