Brasil Mourão quer criar agência nacional para monitorar o desmatamento

21:36  18 setembro  2020
21:36  18 setembro  2020 Fonte:   poder360.com.br

"Governo Bolsonaro pratica nacionalismo seletivo na Amazônia"

  Para antropóloga, clima de conspiração e ataques a ambientalistas propagados por militares no governo são parte de "projeto de privatização das florestas". Presidente, afirma ela, confunde política com guerra. © Reuters/U. Marcelino Atenta ao desmonte de órgãos de fiscalização ambiental e aos ataques por parte do governo federal direcionados à pesquisa e entidades que defendem uma exploração sustentável da Amazônia, a antropóloga e socióloga Andréa Zhouri vê semelhanças entre o momento atual e o período da ditadura militar.

O presidente Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, que deve propor a criação da agência © Sergio Lima/Poder360 28.ago.2020 O presidente Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, que deve propor a criação da agência

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta 6ª feira (18.set.2020) que pretende propor ao presidente Jair Bolsonaro, ao Conselho Nacional da Amazônia Legal e ao Congresso Nacional a criação de uma Agência Nacional de Monitoramento do Desmatamento.

Segundo ele, é preciso integrar os diferentes sistemas do governo federal que mensuram, a partir de imagens de satélites, as queimadas e ações ilegais de desmate no Brasil.

Comissão criada pelo governo francês conclui que acordo Mercosul-UE é incompatível com Pacto Verde europeu

  Comissão criada pelo governo francês conclui que acordo Mercosul-UE é incompatível com Pacto Verde europeu A comissão de especialistas criada pelo governo francês para avaliar os impactos ambientais e sanitários do acordo Mercosul-União Europeia concluiu que ele pode acelerar o desmatamento na América do Sul e não oferece garantias suficientes de combate às mudanças climáticas, informa o jornal Le Monde nesta quinta-feira (17). Os especialistas franceses que assinam o documento de 194 páginas, obtido pelo Le Monde, tecem duras conclusões sobre as implicações práticas do tratado de livre-comércio assinado em junho do ano passado, após 20 anos de negociações.

“Temos de melhorar o monitoramento e o alerta. O Prodes e o Deter [sistemas do Inpe] são bons sistemas, mas eles ainda têm falhas. Precisamos de uma agência, a exemplo dos Estados Unidos, que têm a NRO, a National Reconnaisance Office, subordinada ao Ministério da Defesa norte-americano. Nós precisamos de uma agência que integre os nossos sistemas e, com isso, ter 1 custo menor sendo mais eficiente”, afirmou.

As declarações foram dadas em debate virtual promovido pelo Iree (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa). O evento também teve participação dos ex-ministros do governo Michel Temer Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) e Raul Jungmann (Defesa).

Questionado se a proposta seria de, assim como nos Estados Unidos, subordinar a agência ao Ministério da Defesa, o vice-presidente disse que ainda não há definição. Mourão não descartou a possibilidade de o órgão ter 1 caráter civil.

França reitera oposição ao acordo entre UE e Mercosul, que acelera desmatamento na Amazônia em 5%

  França reitera oposição ao acordo entre UE e Mercosul, que acelera desmatamento na Amazônia em 5% A França reiterou sua oposição ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul da maneira como foi elaborado e considera o desmatamento na região amazônica um problema "maior" das negociações. A informação foi divulgada pelo governo nesta sexta-feira (18). Depois de receber relatório de 184 páginas de um comitê de especialistas independentes, presidido pelo economista Stefan Ambec, alertando para os riscos ambientais que a entrada em vigor desse acordo poderia acarretar, o governo francês apresentou três "exigências" para dar continuidade às negociações. Entre elas está o respeito ao Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

“Pode ser uma agência civil ou estar dentro da estrutura do Ministério da Defesa. Isso vai ser discutido no Conselho [Nacional da Amazônia Legal] e submetido ao presidente da República e ao Congresso Nacional”, disse.

Assista ao evento na íntegra (1h05min):

Como o governo monitora o desmatamento na Amazônia hoje

  • Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real): desde 2004 o sistema possibilita a pesquisa dos alertas de desmatamento por municípios. O Deter produz alertas diários sobre o desmatamento aos órgãos de controle e fiscalização;
  • Deter-B: O projeto identifica e mapeia, em tempo quase real, desmatamentos e demais alterações na cobertura florestal com área mínima próxima a 1 hectare;
  • Prodes (Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia): o programa executa o monitoramento da floresta amazônica brasileira também por satélite, mas com imagens de maior resolução do que o Deter (com resolução espacial de 30 metros).

Críticas à França

Durante o debate, Mourão também afirmou que a Amazônia sofre “cobiça por parte de atores da área internacional”. Ele criticou 1 suposto silêncio em relação ao desmatamento e ao garimpo ilegal na Guiana Francesa, território ultramarino da França.

França reitera oposição ao acordo Mercosul-UE

  França reitera oposição ao acordo Mercosul-UE Após receber relatório de especialistas, governo em Paris diz que continua contra pacto comercial com sul-americanos devido a motivos ambientais, formulando três "exigências", incluindo o respeito ao Acordo de Paris. © Greenpeace/Christian Braga Destruição da Amazônia: relatório diz que pacto com Mercosul pode acelerar o desmatamento na América do Sul O governo francês anunciou nesta sexta-feira (18/09) que mantém sua oposição ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul devido a motivos ambientais e formulou três "exigências", incluindo Paris anunciou sua pos

“Fazemos parte da Pan-Amazônia, em que somos 9 países que têm a floresta em seu território e 1 deles é a França, uma vez que a Guiana é ultramarina. Por lá, temos desmatamento ilegal e garimpo, mas ninguém fala disso. Isso não é comentado”, declarou.

“Eu sempre lembro que, quando a vida na terra começou, a Europa tinha 7% das florestas do mundo. Hoje, tem 0,1%. O Brasil representava 8%, hoje representa 28%. Mais de 1/4 das florestas estão aqui. Quando se fala de desmatamento, temos que olhar a dimensão que é a Amazônia. O Pará é 3 vezes o tamanho da Alemanha. A cidade de Altamira é maior que Portugal”, disse.

O vice-presidente ainda comentou uma declaração do primeiro-ministro da França, Emmanuel Macron. O francês afirmou, também nesta 6ª (18.set), que mantém sua oposição ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em função do desmatamento na floresta amazônica. Mourão minimizou a fala, dizendo que trata-se apenas de uma “opinião” de Macron.

“É uma opinião do primeiro-ministro francês de que o acordo Mercosul-União Europeia não deve ser ratificado pelo parlamento francês pela questão desmatamento”, disse.

ONGs e agronegócio se unem contra desmatamento na Amazônia .
Grupo apresenta propostas ao governo Bolsonaro para uma redução rápida e permanente do desmatamento da Floresta Amazônica, argumentando que perdas para o Brasil são ambientais e econômicas. © Reuters/U. Marcelino Fiscais do Ibama em área queimada na Floresta Amazônica, no Amazonas, em agosto de 2020 Uma coalizão formada por 230 organizações não governamentais (ONG) e empresas ligadas ao agronegócio enviou nesta terça-feira (15/09) ao governo federal um conjunto de propostas para combater o desmatamento na Amazônia.

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