Brasil Propostas polêmicas para Renda Cidadã aumentam tensão

23:06  28 setembro  2020
23:06  28 setembro  2020 Fonte:   estadao.com.br

Paulo Nunes detona jogadores do Palmeiras que pediram por jogo contra o Flamengo: 'Inadmissível'

  Paulo Nunes detona jogadores do Palmeiras que pediram por jogo contra o Flamengo: 'Inadmissível' Ídolo do clube ainda citou a questão de saúde pública sobre o não adiamento da partidaEm sua participação no 'Troca de Passes' desta quinta-feira, o ex-jogador Paulo Nunes criticou a atitude dos jogadores alviverdes. Ele classificou a carta como 'lamentável' e ainda citou que os próprios atletas correm de serem contaminados.

Depois de tanto vaivém, o governo optou por duas medidas extremamente polêmicas para bancar o Renda Cidadã e pouca disposição para enfrentar a tarefa de passar a tesoura nos gastos para compensar despesas maiores com a transferência de renda aos mais pobres.

De um lado, o governo propõe criar um gasto permanente, o novo programa social, usando recursos do Fundeb, o fundo para educação que está fora do teto de gastos, a regra que proíbe que despesas cresçam em ritmo superior à inflação.

Renda Cidadã, substituto do Bolsa Família, será pago com precatórios e dinheiro do Fundeb

  Renda Cidadã, substituto do Bolsa Família, será pago com precatórios e dinheiro do Fundeb Promessa da equipe econômica para impulsionar a geração de empregos no pós-pandemia, a desoneração da folha de pagamento financiada com uma nova CPMF ficou para um segundo momento por falta de acordoA proposta do novo programa social, anunciada pouco mais de dez dias depois de o presidente Jair Bolsonaro ter dito que continuaria com o Bolsa Família até 2022, não foi bem recebida no Congresso, que vê uma espécie de calote por parte do governo.

Essa tentativa já foi feita na votação do novo Fundeb e rejeitada por razões diversas: retira recursos que foram ampliados por votação estrondosa do Congresso e, na prática, “burla” o teto de gastos para arrumar recursos para a vitrine do presidente Jair Bolsonaro, o programa que vai substituir o auxílio emergencial dado na pandemia aos mais vulneráveis e o Bolsa Família.

A proposta de adiar o pagamento de parte dos precatórios é ainda mais crítica. Não à toa pouco depois do anúncio já está sendo chamada de “calote temporário”. O governo simplesmente propõe financiar um programa permanente com base em uma despesa judicial líquida e certa. A dívida não deixa de existir. Esse é o ponto que participantes do mercado financeiro já questionam.

Líder do governo diz que Renda Cidadã é postergação de dívida

  Líder do governo diz que Renda Cidadã é postergação de dívida Líder do governo diz que Renda Cidadã é postergação de dívida“Essa foi a solução que foi encontrada para nós podermos fazer isso dentro do teto. Obviamente, não temos muitas alternativas de corte de despesas nesta monta que é necessária, de qualquer forma, É, de fato, uma postergação de pagamento de débitos”, afirmou.

A pergunta que foi feita à coluna: por que com tanta despesa para remanejar vão em cima de uma pagamento de uma dívida judicial líquida e certa?

Nas duas propostas, não há compromisso de ajuste, o que na prática é o motivo por trás da ideia da equipe econômica de insistir com a manutenção do teto.

Os líderes envolvidos chegaram a falar em medidas duras para financiar o Renda Cidadã, em conversas internas e fechadas à imprensa, promovidas por instituições financeiras. Por isso, a frustração com a proposta é o temor de agravamento da crise fiscal.

Criou-se uma expectativa de algo melhor do lado das despesas, que não chegou. A resposta é tensão. Do mercado, que quer o teto vivinho. Para quem defende mais recursos para a transferência de renda, nova constatação da perda de rumo.

Depois do anúncio de hoje, aumenta a desconfiança de que o fracasso do Renda Cidadã pode abrir as portas da flexibilização do teto e saída do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Usar verba de precatórios para custear Renda Cidadã é inconstitucional, diz OAB

  Usar verba de precatórios para custear Renda Cidadã é inconstitucional, diz OAB Usar verba de precatórios para custear Renda Cidadã é inconstitucional, diz OABEm nota (íntegra –42KB), a Comissão Especial de Precatórios do Conselho Federal da OAB disse que o STF (Supremo Tribunal Federal) já declarou a inconstitucionalidade da ampliação do prazo de pagamentos dos precatórios.

Tem gente que até desconfia que essa é uma estratégia já desenhada por líderes e não apenas resultado de falhas no desenho das medidas.

Para piorar, o governo não conseguiu acordo para emplacar o novo tributo sobre transações financeiras, a nova CPMF repaginada pela equipe econômica para desonerar a folha Até então, a tentativa do governo era fechar um acordo hoje para incluir a CPMF na proposta de reforma tributária.

Os estudos do ministro da Economia, Paulo Guedes, não convenceram os líderes dos partidos que apoiam o governo porque a rejeição é grande ao novo tributo. A espera de mais respostas do governo e dos líderes que tomaram a dianteira do anúncio.

*É JORNALISTA , REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA NA SUCURSAL DE BRASÍLIA.

Bastidor: Jantar de Maia e Guedes tem guisado de bode e promessa de corte de gastos 'no músculo' .
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, buscou um tom amistoso e destacou pontos de convergência com o ministro Paulo GuedesMaia buscou um tom amistoso e destacou pontos de convergência com o Guedes. Assim como já tinha feito no café da manhã com o presidente Jair Bolsonaro, voltou a defender o teto de gastos, a regra constitucional que proíbe que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação, e disse que não bastará "cortar só gordura" para conseguir tirar o Renda Cidadã do papel. Segundo relatos de uma pessoa presente, o presidente da Câmara defendeu que será preciso "cortar no músculo" e teve o apoio dos demais convidados.

—   Compartilhe notícias nas redes sociais
usr: 3
Isto é interessante!