Brasil Interesses políticos e descaso social alimentaram Revolta da Vacina em 1904

14:10  12 outubro  2020
14:10  12 outubro  2020 Fonte:   poder360.com.br

AstraZeneca impôs restrições ao Brasil na vacina da covid, segundo acordo revelado

  AstraZeneca impôs restrições ao Brasil na vacina da covid, segundo acordo revelado Dados do Memorando de Entendimento entre a Fiocruz e a AstraZeneca, assinado em 31 de julho revelam que o acordo da empresa estrangeira com o governo brasileiro impôs condições sobre a venda da futura vacina contra a covid-19. As condições envolvem manter a patente sobre o imunizante, pagamento de royalties, e caso a vacina britânica não apresente resultado, não haverá reembolso do valor investido pelo governo. Além disso, as doses da vacina que foram liberadas para ser produzidas na fábrica da Fiocruz poderão ser vendidas apenas no mercado brasileiro, impedindo que o Brasil exporte a outros países.

A Revolta da Vacina, célebre insurreição popular que transformou as ruas do Rio de Janeiro em palco de atos de vandalismo, saques, incêndios Documentos históricos guardados no Arquivo do Senado mostram que interesses políticos não declarados se aproveitaram da questão de saúde pública e

Em 2 de janeiro de 1904 estourou uma revolta do povo banto dos hereros contra os colonizadores alemães no então Sudoeste Africano Alemão, a atual Namíbia. Em carta ao governador da colônia, Theodor von Leutwein, ele anunciou uma violenta repressão: "Conheço muitas tribos africanas.

A Revolta da Vacina, célebre insurreição popular que transformou as ruas do Rio de Janeiro em palco de atos de vandalismo, saques, incêndios, pancadarias, tiroteios e mortes durante 6 dias ininterruptos de 1904, não foi motivada apenas pela lei que forçava toda a população a se vacinar contra a varíola, com pena de prisão para quem fugisse dos vacinadores.

Documentos do Arquivo do Senado mostram que interesses políticos não declarados se aproveitaram da questão de saúde pública e fustigaram os cariocas a partir com tudo para o quebra-quebra. Na imagem, bonde tombado por manifestantes da Revolta da Vacina © Casa de Oswaldo Cruz Documentos do Arquivo do Senado mostram que interesses políticos não declarados se aproveitaram da questão de saúde pública e fustigaram os cariocas a partir com tudo para o quebra-quebra. Na imagem, bonde tombado por manifestantes da Revolta da Vacina

Documentos históricos guardados no Arquivo do Senado mostram que interesses políticos não declarados se aproveitaram da questão de saúde pública e fustigaram os cariocas a partir com tudo para o quebra-quebra.

Anvisa alerta sobre falsa vacina de Oxford contra a Covid vendida no Rio de Janeiro

  Anvisa alerta sobre falsa vacina de Oxford contra a Covid vendida no Rio de Janeiro A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que recebeu uma denúncia de venda de uma falsa vacina contra a Covid-19 em Niterói, no Rio de Janeiro. De acordo com a reguladora, uma empresa está vendendo o imunizante falsificado e dizendo que se trata da vacina em desenvolvimento pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca. […]“A Anvisa recebeu a denúncia sobre a suposta comercialização irregular da vacina contra a Covid-19 por meio de seus canais oficiais, indicando que estaria sendo disponibilizada por uma empresa localizada em Niterói/RJ a vacina de Oxford contra a Covid-19.

vacina em 1905 ela durou 1 semana e acbou sendo reprimida pela policia, marinha, bombeiros e exercito, os revoltosos foram presos e obrigados a trabalhos forçados no acre, a lei foi temporariamente revogada.

Na esfera pessoal, em vez da missão do negócio, entram em jogo os seus valores e a sua visão de mundo, que contempla não apenas quem você é , mas A capacidade de decidir com assertividade e segurança são sinais positivos em um líder, que reúne condições para engajar o restante da equipe

Antes de se tornar lei, o projeto da vacinação compulsória foi discutido e votado no Senado e na Câmara. No Senado, os maiores adversários da medida foram o médico Barata Ribeiro e o militar Lauro Sodré, ambos senadores do Distrito Federal (status da cidade do Rio de Janeiro na época), que fizeram de tudo para derrubar o projeto do governo federal.

Para Barata Ribeiro, essa era uma “lei de exceção” que atentava contra “direitos e liberdades individuais”. Num discurso no Palácio Conde dos Arcos, a 1ª sede do Senado, ele atacou:

“Desde o dia em que for decretada essa lei, mandarei fechar o portão da minha casa e lá só penetrarão os vacinadores para vacinar meus filhos e netos se passarem por cima do meu corpo morto. Onde quer que me encontre, estará o esforço da minha razão, da minha ciência e da minha consciência contra a intervenção do governo nesse assunto de competência exclusiva da liberdade individual”.

Fórum dos Leitores

  Fórum dos Leitores Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. PauloMesmice

A ética protestante e o "espírito" do capitalismo (no original em alemão Die protestantische Ethik und der 'Geist' des Kapitalismus) é uma obra produzida por Max Weber (1864-1920), considerado um dos fundadores do pensamento sociológico. Trata-se do seu livro mais lido e mais conhecido.

A coceira na vagina pode ter entre suas causas desde candidíase, menopausa ou alergia ao sabonete. Veja tratamentos e cuidados para coceira vaginal . No entanto, se alguma bactéria ou fungo se aloja na vagina e passa a se desenvolver, ocorre o desequilíbrio da flora vaginal e temos uma infecção.

Embora sendo médico e confessando que ele próprio e seus filhos e netos já estavam devidamente vacinados contra a varíola, Barata Ribeiro argumentou que o governo não poderia impor às pessoas uma medida sanitária que, segundo ele, ainda carecia de comprovação científica.

“Todas as estatísticas demonstram que a profilaxia da inoculação da vacina não tem efeitos gerais e absolutos. Há casos de indivíduos que, mesmo vacinados, contraíram a varíola. E também afirmo que muitas vezes a vacina produz verdadeiro envenenamento. Se não é de efeitos gerais e absolutos, não poderá ser oferecida como meio de defesa social garantida nem servir de base a leis de coação. Entreguemos ao critério de cada 1 a adoção de tal recurso. Isso, porém, não querem suas excelências [governo e senadores governistas]. Fazem-se árbitros dos corpos alheios.”

O senador Lauro Sodré, por sua vez, afirmou que o erro do governo não era oferecer a vacina à população, mas sim torná-la compulsória.

'Não será comprada', diz Bolsonaro sobre vacina chinesa

  'Não será comprada', diz Bolsonaro sobre vacina chinesa Em texto, Bolsonaro desautoriza o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Mensagem foi publicada no Facebook, em resposta a um comentário sobre o anúncio do Ministério da Saúde sobre aquisição de 46 milhões de doses da Coronavac , vacina da farmacêutica chinesa Sinovac que será produzida pelo Instituto Butantã. "Presidente, a China é uma ditadura, não compre essa vacina, por favor. Eu só tenho 17 anos e quero ter um futuro, mas sem interferência da Ditadura chinesa", comentou um usuário. O presidente respondeu: "NÃO SERÁ COMPRADA", em caixa alta.

cularam uma revolta em Salvador, a qual foi descoberta antes de sua eclosão. Em fevereiro. de 1814, a revolta uniu cativos de distintos meios profissionais: escravos de armações pesqueiras e de propriedades rurais próximas a Itapuã, tam- bém liderados por haussás, incendiaram casas e

Em média, nos últimos cinco anos, mais de meio milhão de negócios foram registrados no Brasil por ano. Gestão social e Desenvolvimento Local: uma perspectiva a partir da cidadania delibertiva. Anais do XXVIII ENANPAD – Encontro Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração.

“Onde estão os clamores [pela vacinação obrigatória]? Por acaso essa lei é tão necessária assim? Pois então não basta a disseminação da vacina? Não basta que as atuais autoridades de higiene, com os recursos que têm nas mãos, propaguem o uso da vacinação? Por que essa medida de violência? Por que esse vexame que a lei vai levar ao público?”

Sodré conseguia falar diretamente com as massas. Ele estava tão decidido a deter o governo que, durante 1 comício para trabalhadores no Centro das Classes Operárias, anunciou a criação da Liga contra a Vacina Obrigatória e dela se tornou presidente.

“Trata-se de uma liga que, por todos os meios, realizará a obra de opor embargos e criar embaraços à realização dessa lei inconstitucional e, como tal, combatida no Congresso e na imprensa. É uma lei que não representa mais do que o resultado de 1 capricho, que não posso deixar de qualificar de criminoso, do senhor presidente da República.”

Não se pode dizer que a preocupação de Barata Ribeiro e Lauro Sodré tenha sido exatamente o bem-estar da população carioca. Ao incitar o motim popular, os 2 senadores defendiam seus próprios objetivos políticos. Barata Ribeiro, que anos antes havia ocupado a prefeitura do Rio de Janeiro, tentava enfraquecer Francisco Pereira Passos, o prefeito em 1904. Na visão do senador, a capital federal vivia sob uma ditadura.

Autoridades criticam Bolsonaro por veto à compra da vacina chinesa

  Autoridades criticam Bolsonaro por veto à compra da vacina chinesa Acordo previa 46 milhões de doses. Vacina é desenvolvida pela SinovacA reportagem do Poder360 apurou que Bolsonaro enviou mensagens a ministros com o seguinte teor: “Alerto que não compraremos vacina da China. Bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre covid-19“. O presidente e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), são desafetos políticos.

Em outras palavras, TIC consistem em TI bem como quaisquer formas de transmissão de informações[1] e correspondem a todas as tecnologias que interferem e medeiam os processos informacionais e comunicativos dos seres.

Interesses coletivos, para os fins da Lei n. 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), são um tipo de interesse transindividual ou metaindividual, isto é , pertencem a um grupo, classe ou categoria determinável de pessoas, que são reunidas entre si pela mesma relação jurídica básica.

Permita-me vossa excelência 1 conselho? Faça-nos o serviço de levar para São Paulo o senhor Pereira Passos. É o maior serviço que vossa excelência pode fazer ao Distrito Federal –disse a 1 senador paulista, num tom que, aparentemente bem-humorado, revelava animosidade.

Para ele, os cariocas tinham mesmo que se insubordinar:

“Aconselho ao povo que resista até a morte.”

Charge retrata os senadores Barata Ribeiro e Lauro Sodré, inimigos da vacinação obrigatória © Biblioteca Nacional Digital Charge retrata os senadores Barata Ribeiro e Lauro Sodré, inimigos da vacinação obrigatória

O senador Lauro Sodré, que era tenente-coronel do Exército e professor da Escola Militar da Praia Vermelha, estava entre os fardados descontentes com os rumos que os civis deram à República –em especial a partilha do poder federal entre as oligarquias de alguns poucos Estados, tendo São Paulo à frente. Na visão do grupo de Sodré, bom mesmo era o tempo dos militares Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, os primeiros presidentes. Atiçando a população contra a vacina obrigatória, o senador militar buscava desestabilizar o presidente Rodrigues Alves.

“Nas minhas palavras, o que há é apenas o grito de uma consciência em revolta contra as misérias da hora presente. Não vejo nessa lei da vacinação obrigatória senão as tendências da época para 1 abastardamento do regime republicano, convertido nesse produto teratológico que aí está. Regime da liberdade em que imperam os tiranos. Regime de igualdade em que predominam os mais odiosos preconceitos, convertendo muitos dos nossos Estados em propriedades de famílias dinásticas. Regime de fraternidade em que o ódio dos que governam fulmina e mata, apunhala, encarcera e assassina os que são governados. Todos os senadores conhecem muitos dos antigos republicanos de boa origem e alta estirpe que já se sentem desamparados e desejosos de sair desta situação seja como for, ou pela regeneração da República, ou pela Monarquia.

Morre brasileiro que participava dos testes da vacina de Oxford

  Morre brasileiro que participava dos testes da vacina de Oxford O voluntário que participava dos testes da vacina de Oxford era um médico de 28 anos e morador do Rio de Janeiro .A agência não informou se o voluntário tomou a vacina fabricada pela farmacêutica AstraZeneca ou o placebo. Em nota, a Anvisa disse ter sido notificada do óbito em 19 de outubro, e que foi informada que o comitê independente que acompanha o caso sugeriu o prosseguimento do estudo. O caso “permanece em avaliação”, segundo o órgão.A vacina desenvolvida de Oxford é a principal aposta do governo Jair Bolsonaro contra à covid-19.

Na mesma linha de Barata Ribeiro, Lauro Sodré disse que o povo tinha que se opor à vacinação obrigatória, ainda que fosse “à bala”.

“Contra lei vexatória, é permitido até apelar para o direito de resistência. E o governo é que terá inteira responsabilidade dos desastres que vão provir necessariamente da execução dessa lei.”

Na campanha contra seus adversários particulares, os senadores Barata Ribeiro e Lauro Sodré acabaram ganhando o apoio fortuito do colega Ruy Barbosa (BA), que aparentemente não tinha nenhum interesse político na questão da vacina obrigatória. O respeitado senador jurista jogou lenha na fogueira:

“A natureza reservou as minhas veias ao meu domínio privativo. Posso abri-las, se me apraz, ao meu facultativo [médico]. Mas lanceta oficial, sob uma imposição legislativa, não as penetrará enquanto a certeza científica não me tranquilizar. A vacina não é inofensiva. Há dúvidas graves a esse respeito. Logo, não têm nome, na categoria dos crimes do poder, a temeridade, a violência, a tirania daquele que se aventura a me envenenar com a introdução, no meu sangue, de 1 vírus em cuja influência existem os mais bem fundados receios de que seja condutora da moléstia ou da morte. O Estado mata, em nome da lei, os grandes criminosos, mas não pode, em nome da saúde pública, impor o suicídio aos inocentes.”

Charge mostra deputado Barbosa Lima, contrário à vacinação obrigatória © Biblioteca Nacional Digital Charge mostra deputado Barbosa Lima, contrário à vacinação obrigatória

A maioria dos senadores ficou indignada com a resistência desses poucos colegas ao projeto de lei. A imunização contra a varíola era feita no Brasil havia exatamente 100 anos, desde a época de D. João 6º. Nos tempos da Colônia e do Império, para os congressistas, até fazia sentido questionar sua eficácia e segurança, mas não em plena República. Como a adesão à vacina não era expressiva, as epidemias arrasavam as cidades do Brasil de tempos em tempos, deixando 1 rastro de sequelados (indivíduos cegos ou com o rosto deformado pelas cicatrizes da doença) e mortos.

Anvisa nega influências externas e diz que não há data para conclusão de estudos com vacinas

  Anvisa nega influências externas e diz que não há data para conclusão de estudos com vacinas Adotando um tom técnico após críticas de Bolsonaro à 'vacina chinesa', Antônio Barra afirmou que 'pouco importa de onde veio a vacina e qual é seu país de origem' e que o dever da agência é fornecer respostas sobre qualidade do produto“A Anvisa não participa de compra feita pelo governo federal, de nenhum medicamento ou insumo, como também as políticas públicas são de competência do Ministério da Saúde, então, para nós pouco importa de onde veio a vacina e qual é seu país de origem. Nosso dever constitucional é fornecer a resposta de que esses produtos têm ou não têm qualidade, segurança e eficácia”, disse.

O senador Alfredo Ellis (SP), que também era médico, rebateu o argumento de que cada indivíduo deveria ser livre para decidir sobre a vacinação:

“Entendo que a liberdade individual tem por limite a liberdade e o direito da coletividade. Um cidadão não pode, recusando-se ao cumprimento de uma medida dessa ordem, constituir-se 1 perigo para a comunhão. Do mesmo modo que cidadão qualquer não pode criar animais daninhos que possam atacar a vida das pessoas, manter em sua propriedade focos de infecção prejudiciais aos seus vizinhos ou ter depósito de dinamite, também não tem o direito de constituir-se em 1 foco de epidemia, que pode muito bem irradiar-se, sacrificando muitos dos seus semelhantes.”

De acordo com ele, a vacinação obrigatória era realmente uma medida extrema e violenta, porém necessária:

“Essa medida, naturalmente, deve ser obrigatória não para as classes pensantes, porque estas não precisam de semelhante medida, mas para as classes ignorantes, para os que não leem, porque, se não forem obrigatórias a vacinação e a revacinação, não aceitarão a medida. Por que razão dá-se 1 remédio amargo a uma criança? A criança não compreende a necessidade que há, o valor do medicamento, a razão de sua aplicação. Muitas vezes 1 pai é forçado a empregar mesmo a violência aplicando 1 medicamento que não é agradável à criança, mas ele o faz convicto de que, assim procedendo, salvará a vida do filho. O caso é o mesmo. Se se aplica a vacina, processo que, aliás, não é doloroso, é para salvar justamente as populações de 1 mal certo e perigoso. Amputa-se uma perna por quê? Sacrifica-se 1 membro por quê? Para salvar a vida.”

Charge mostra resistência popular à vacina obrigatória © Biblioteca Nacional Digital Charge mostra resistência popular à vacina obrigatória

O senador Manoel Duarte (AL), outro médico, citou campanhas contra a varíola organizadas com sucesso no exterior:

“Demonstrei, por dados estatísticos colhidos em Paris, que, na ocasião do cerco dessa cidade pelos alemães, enquanto a população se via a braços com uma epidemia de varíola que fez mais de 15.000 vítimas, o exército sitiante, que tinha como efetivas a vacinação e a revacinação, registrou poucos praças atacados da moléstia e 1 número limitadíssimo de óbitos. A Alemanha, fundada nas experiências dolorosas de 1 sem número de epidemias devastadoras, estabeleceu a obrigatoriedade da vacina e, com grande pasmo de outras nações, extinguiu a moléstia por completo.”

‘Para nós, pouco importa de onde vem a vacina’, diz presidente da Anvisa

  ‘Para nós, pouco importa de onde vem a vacina’, diz presidente da Anvisa Agência responsável pelo registro. Antônio Barra se reuniu com Doria. Vacina de Oxford não foi interrompida“Para nós, pouco importa de onde vem a vacina ou qual é o seu país de origem. O nosso dever constitucional é fornecer a resposta de que esses produtos têm ou não a eficácia”, disse Barra. O diretor-presidente afirmou ainda que é dever da Anvisa a dedicação integral ao trabalho técnico e científico.

Ele admitiu que os cientistas não conseguiam explicar exatamente como a vacina agia no organismo, mas afirmou que isso não a descredenciava. Para o senador, o fato de ela ser efetiva contra o avanço da varíola era suficiente para que se adotasse a obrigatoriedade.

“Creio na existência da vacina, porque o consenso dos povos atesta a eficácia desse meio. Também não nego que existam o calor e a eletricidade, embora não conheça a sua natureza íntima, embora só as conheça pelos seus efeitos. Eu creio na existência de Roma, embora nunca a tivesse visto, nem aos papas que a governaram. Se, pelo fato de não se conhecer a natureza íntima das coisas, estivéssemos obrigados a não empregá-las, não nos serviríamos dos medicamentos.”

Na tentativa de convencer os colegas a aprovar o projeto de lei, o senador Ramiro Barcellos (RS), mais 1 integrante da bancada médica, citou o episódio em que ele próprio se viu acometido pela varíola.

“Tenho até uma observação pessoal de gratidão à vacina. Fui vacinado com 3 ou 4 meses de idade e nunca mais cogitei de revacinar-me. Já exercendo a medicina, 1 dia tive que ir a Porto Alegre em ocasião em que grassava ali uma grande epidemia de varíola. Ali demorei-me 6 ou 8 dias, no fim dos quais voltei para a cidade de Cachoeira (RS), tendo levado naturalmente a moléstia incubada. A febre variava entre 40 e 40,5 graus. Fiquei desde logo delirante, não podendo ter conta do meu estado. Apresentaram-se pústulas na face. Olhei para 1 espelho e disse: “Isto é varíola!”. Felizmente não houve supurações. Apenas formaram-se botões, pequenas pápulas, que desapareceram dentro de 2 dias. Estou convencido de que no meu organismo ainda havia alguma coisa de imunização que impediu que a moléstia se completasse.”

O presidente Rodrigues Alves e o prefeito Pereira Passos © Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz O presidente Rodrigues Alves e o prefeito Pereira Passos

Barcellos contou que, de forma involuntária, acabou sendo a origem de uma epidemia em sua cidade:

“Como médico, tive o cuidado de dizer à minha mulher que mandasse ferver todas as minhas roupas antes de mandá-las para a fonte pública. A criada não executou a ordem e levou a roupa para a fonte pública, onde outras eram lavadas e dali disseminou-se a varíola. Eu mesmo fui depois tratar de uma grande quantidade de variolosos. Não podia ter remorsos do acontecimento, porque fui o transmissor da moléstia involuntariamente.”

O senador encerrou seu discurso com uma alfinetada nos políticos que instrumentalizavam a emergência sanitária em proveito próprio e detrimento dos interesses da sociedade:

“Vou concluir lamentando que se vá cada vez mais arraigando entre nós, pior que a infecção da varíola, o vírus da demagogia, produtor da nossa inferioridade como nação, fomentador da indisciplina, dessa indisciplina acoroçoada [estimulada] pela palavra de homens políticos que deviam resguardar e robustecer o princípio de autoridade, e não fomentar uma nação dissolvente, cujo efeito final será o triste esfacelamento da unidade nacional.”

No fim, os argumentos dos senadores contrários à vacinação obrigatória não prevaleceram, e o projeto de lei foi aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente. Isso bastou para que, depois de alguns meses em ebulição, a Revolta da Vacina finalmente explodisse em 10 de novembro de 1904. A população virou bondes, saqueou lojas, invadiu casas, derrubou postes de luz, enfrentou a polícia. O Senado teve que ser protegido por 1 cordão de militares da Marinha.

Apesar de ter incitado a insurreição, Lauro Sodré não desejava que ela tornasse realidade tão rapidamente. O senador preparava 1 golpe de Estado para implantar uma ditadura militar ao estilo florianista. Na conspiração, ele tinha o apoio de jovens cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha e até mesmo de monarquistas, que sonhavam com a volta da princesa Isabel. Estava tudo traçado para que o golpe fosse dado no feriado de 15 de novembro. As tropas conspiradoras aproveitariam o desfile militar do Dia da Proclamação da República para derrubar Rodrigues Alves.

Os distúrbios generalizados da Revolta da Vacina, contudo, atrapalharam os planos. A parada militar foi cancelada. Sodré teve que antecipar o golpe, agora aproveitando que as forças policiais e militares estavam ocupadas cuidando dos populares insurgentes. No dia 14, pelotão de cadetes armados saiu da Praia Vermelha em direção ao Palácio do Catete. Os informantes de Rodrigues Alves já estavam a par do movimento. As forças do governo enfrentaram os rebeldes em Botafogo, deixando mortos nos 2 lados. Sodré foi baleado, sem gravidade, e preso. O golpe fracassou. A Revolta da Vacina, por sua vez, ainda duraria 2 dias mais.

Jornal noticia a Revolta da Vacina e tentativa de gole militar © Biblioteca Nacional Digital Jornal noticia a Revolta da Vacina e tentativa de gole militar

Da mesma forma que Barata Ribeiro e Lauro Sodré combateram a lei federal, não foi por desinteressada preocupação com o povo que Rodrigues Alves instituiu a vacinação forçada. Na mensagem presidencial que enviou ao Congresso em 1903, meses depois de assumir o Catete, ele escreveu: “Os defeitos desta capital afetam e perturbam todo o desenvolvimento nacional”. O presidente se referia ao caos de ruelas, becos e cortiços que dominava a zona portuária do Rio de Janeiro, favorecendo o surgimento de doenças que escapavam ao controle.

A cidade ainda colonial e seu porto ultrapassado emperravam o comércio, em especial a exportação de café. A população pobre que morava na região central, composta principalmente de ex-escravos, não causava boa impressão aos investidores estrangeiros. As doenças da capital, como a peste bubônica, a febre amarela e a própria varíola, espantavam os imigrantes europeus que eram desejados nas plantações de café. O Brasil era conhecido no exterior como “túmulo dos estrangeiros”. Quando as epidemias se agravavam, navios procedentes da Europa cortavam o Rio de Janeiro do itinerário e rumavam diretamente para Buenos Aires.

Para mudar esse quadro e favorecer os interesses econômicos dos barões paulistas do café, o paulista Rodrigues Alves assumiu o poder determinado a reformar e higienizar o Rio de Janeiro. Nesse intuito, recrutou os engenheiros Lauro Müller (ministro da Viação e Obras Públicas, para a modernização do porto) e Pereira Passos (prefeito do Rio de Janeiro, para a reforma urbana da região central) e o médico Oswaldo Cruz (diretor-geral de Saúde Pública, para o combate às epidemias). Para que o plano de transformar a capital num belo exemplar da Belle Époque não falhasse, todos os 3 ganharam poderes ditatoriais.

Casebres foram demolidos, para a abertura de largas avenidas. Os proprietários não puderam recorrer à Justiça comum. A população pobre que lotava os cortiços e as pensões ficou sem onde morar. Parte se instalou nos morros, com ainda menos salubridade e longe do local de trabalho. Casas foram invadidas pelos agentes de saúde que caçavam as larvas dos mosquitos transmissores da febre amarela.

Quando veio a lei da vacinação obrigatória, a classes baixas já estavam fartas de tanta arbitrariedade. A imunização só aumentou o mal-estar generalizado. Muitas pessoas ainda acreditavam na lenda de que a vacina, em vez de evitar, provocava a varíola. Além disso, a necessidade de deixar o braço nu para o vacinador fazer a aplicação mexia com a moral do início do século 20.

“Nas massas incultas, deixadas pela nossa negligência ao tremendo poder da ignorância, adulterou-se a noção do processo vacinal para insurgir contra ele o pudor das mulheres e o zelo dos maridos”, afirmou Ruy Barbosa.

Manifestantes da Revolta da Vacina detidos pela autoridades no Rio © Casa de Oswaldo Cruz Manifestantes da Revolta da Vacina detidos pela autoridades no Rio

De acordo com Tania Maria Fernandes, historiadora e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (braço da Fundação Oswaldo Cruz dedicado à história da saúde), a Revolta da Vacina, apesar do nome, não teve a imunização obrigatória como fator decisivo. Essa foi apenas a gota d’água:

“A Revolta da Vacina resultou de uma confluência de causas, especialmente de cunho social. A escravidão havia sido abolida apenas 16 anos antes, mas a população pobre, incluindo os ex-escravos, não era tratada como cidadãos plenos pelo poder público. Essa parte da sociedade era ignorada nos seus pedidos de trabalho, moradia, direitos sociais, menos repressão. O nome do revolta, aliás, poderia nem fazer referência à vacina, mas a qualquer 1 desses outros motivos. A vacinação obrigatória, com pena de multa e prisão, foi apenas 1 dos fatores que se somaram e fizeram explodir a insatisfação geral.”

Fernandes explica que o governo, antes de impor a vacinação, não se preocupou em fazer campanhas educativas:

“Dos pobres, exigia-se a obediência. Foi 1 erro não esclarecer a população, mostrar os benefícios. Veja, por exemplo, como foi decisivo o programa federal de imunização, que conseguiu erradicar doenças como a paralisia infantil. O mesmo ocorreu mais tarde com as campanhas pelo uso da camisinha. As pessoas adotaram essa medida de proteção, e o HIV foi controlado. E veja hoje a falta que faz uma campanha nacional pelo uso da máscara no combate à covid-19. Nas ruas, o que mais vemos são pessoas usando a máscara de forma errada ou simplesmente não usando a máscara. Como resultado, o Brasil é 1 dos epicentros da pandemia.”

Na Revolta da Vacina, o ímpeto dos insurgentes foi arrefecendo até desaparecer em 16 de novembro. Inúmeras pessoas foram presas e mandadas para o Acre de forma sumária, sem acusação formal nem julgamento. O senador Lauro Sodré foi libertado, anistiado e reeleito em 1912. A lei da vacinação compulsória foi mantida, mas o governo decidiu que não seria rígido no seu cumprimento. Uma epidemia particularmente violenta surgiu em 1908 no Rio de Janeiro e foi só então que os cariocas decidiram enfim acreditar na vacina.

No Brasil, o último caso de varíola foi registrado em 1971. Em 1980, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que, graças à vacinação em massa, o mundo estava finalmente livre da doença.

‘Para nós, pouco importa de onde vem a vacina’, diz presidente da Anvisa .
Agência responsável pelo registro. Antônio Barra se reuniu com Doria. Vacina de Oxford não foi interrompida“Para nós, pouco importa de onde vem a vacina ou qual é o seu país de origem. O nosso dever constitucional é fornecer a resposta de que esses produtos têm ou não a eficácia”, disse Barra. O diretor-presidente afirmou ainda que é dever da Anvisa a dedicação integral ao trabalho técnico e científico.

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