Brasil Quem era Samuel Paty, o professor decapitado na França ao ensinar a liberdade de expressão

17:46  17 outubro  2020
17:46  17 outubro  2020 Fonte:   brasil.rfi.fr

Professor decapitado: Família de terrorista e pregador islamita estão entre os 11 detidos

  Professor decapitado: Família de terrorista e pregador islamita estão entre os 11 detidos Mais uma pessoa foi detida nas investigações sobre a morte do professor francês Samuel Paty, 47 anos, decapitado por um terrorista na sexta-feira (16). No total, já são 11 suspeitos de ter relação com o ataque, que chocou o país e provocará uma onda de manifestações pela França neste domingo (18). Os pais, o avô e até o irmão menor de idade do terrorista estão entre os detidos preventivamente. O autor do crime, o refugiado de origem chechena Abdullakh A., de 18 anos, foi morto pela polícia minutos depois do assassinato, cometido em plena rua. Ele não tinha antecedentes criminais, embora já tivesse cometido um delito leve.

Um professor foi decapitado em um subúrbio a noroeste da capital francesa, Paris, na tarde desta sexta-feira (16/10). Segundo o jornal Le Monde, o professor havia falado recentemente sobre liberdade de expressão , trazendo à sala de aula cartuns satíricos envolvendo Maomé.

Decapitação de professor em França deixa comunidade em choque. Macron classifica decapitação em França como "ataque terrorista islâmico". A brigada antiterrorista francesa anunciou esta sexta-feira que foi chamada depois de um homem ter sido decapitado numa vila próxima de Paris.

O professor Samuel Paty, um pai de família de 47 anos, pagou com a vida a iniciativa de mostrar caricaturas do profeta Maomé em uma aula sobre a liberdade de expressão. Pouco depois de deixar a escola onde trabalhava na pequena cidade de Conflans-Saint-Honorine, por volta das 17h desta sexta-feira (16), o educador foi decapitado por um terrorista, um jovem de 18 anos de origem chechena que ficou indignado com a atitude da vítima em sala de aula.

Professor decapitado na França foi objeto de fatwa, afirma ministro

  Professor decapitado na França foi objeto de fatwa, afirma ministro O pai de uma aluna e um militante islamita radical emitiram uma "fatwa", ou decreto religioso, contra o professor francês Samuel Paty, decapitado na sexta-feira na região de Paris depois de exibir durante uma aula algumas caricaturas de Maomé, afirmou o ministro do Interior, Gérald Darmanin. O pai da aluna e o militante islamita Abdelhakim Sefrioui estão entre as 11 pessoas detidas pelo crime, executado por um checheno de 18 anos. Nesta segunda-feira a polícia efetuou várias operações de busca em círculos islamistas, anunciou o ministro do Interior.

Vítima havia mostrado caricatura de Maomé em sala durante uma aula sobre liberdade de expressão . Por AFP. Quatro pessoas, entre elas um menor, foram detidas na noite desta sexta-feira (16) após a decapitação de um professor de história perto de um estabelecimento de ensino em

No Papo Reto de segunda-feira, o professor Rodolfo fala sobre a liberdade de expressão .

  Quem era Samuel Paty, o professor decapitado na França ao ensinar a liberdade de expressão © AP - Michel Euler

Neste sábado (17), alunos, pais, colegas e amigos de Paty o descrevem como um homem gentil, apaixonado pela profissão. O crime chocou o país – o Palácio do Eliseu anunciou a realização de uma homenagem nacional ao professor, nos próximos dias. Centenas de pessoas se dirigiram em frente à escola e depositaram flores no local.

“Quando li ‘professor, [escola] Bois d'Aulne e decapitação’, pensei na hora: ‘é o senhor Paty!’”, disse o ex-aluno Martial, 16 anos, à AFP.

A escola fica em um bairro industrial da cidade, de 35 mil habitantes e a cerca de 50 quilômetros de Paris. “Ele se envolvia nas aulas, queria realmente nos ensinar as coisas. De tempos em tempos, ele promovia debates, a gente conversava”, relata o garoto.

“Estou destruído. Samuel Paty foi meu colega de formatura. Era um estudante brilhante, um superprofessor, um homem de diálogo”, disse, no Twitter, um ex-colega da vítima. “Citarei o teu nome e o teu exemplo, camarada, a todos que quererão ainda exercer essa linda profissão”, complementou.

Decapitação de professor revela espaço que extremistas desfrutam sem ser incomodados na França

  Decapitação de professor revela espaço que extremistas desfrutam sem ser incomodados na França O assassinato do professor de história e geografia Samuel Paty, 47 anos, na última sexta-feira (16), decapitado por um checheno de 18 anos por ter exibido imagens do profeta Maomé em uma aula sobre liberdade de expressão, provoca questionamentos na imprensa francesa sobre o militantismo radical islâmico de indivíduos fichados pelos serviços de inteligência por ameaça terrorista. Este é o caso do marroquino Abdelhakim Sefrioui, 61 anos, que se autoproclama um imã, pregador que conduz as orações durante o culto muçulmano.

URGENTE FURIOSO Bolsonaro defende a liberdade de expressao e manda recado ao stf Ordens absurdas não se cumprem', diz Bolsonaro sobre operação da PF contra

Para maior mobilização de conceito de reflexão na formação de professores é necessário criar condições de trabalho em equipe entre discente. Sendo E os responsáveis escolares que queiram encorajar os professores a tornarem-se profissionais reflexivos devem criar espaços de liberdade

De porte pequeno, óculos e discreto, o professor era casado e tinha filhos. Na semana passada, como já havia feito em outras ocasiões nos últimos anos, ele levou à sala de aula uma caricatura de Maomé, publicada no jornal Charlie Hebdo, para explicar aos alunos sobre aquela que é um dos pilares da República francesa, a liberdade de expressão. A classe tinha em média 13 anos e cursava o equivalente ao oitavo ano do Ensino Fundamental brasileiro.

Pais revoltados e vídeo incitando à reação

Desta vez, porém, a iniciativa não foi bem recebida por todos. Os alunos relatam que o professor perguntou quem era muçulmano na sala e ofereceu a eles a possibilidade de se retirar ou não olhar, se preferissem não visualizar o desenho. Alguns saíram; outros, não.

Nas horas e dias que se seguiram, o que ocorreu naquela aula foi o assunto na hora do recreio. Alguns pais foram além e levaram uma reclamação à associação de pais e alunos. Um deles publicou um vídeo indignado nas redes sociais, no qual chama Paty de “bandido”, incita outros pais a se mobilizarem contra a atitude do educador e divulga o nome da escola. Ele chegou a ir à polícia acompanhado da filha para denunciar o que considerou como um ato de islamofobia por parte do professor – que reagiu prestando queixa por difamação.

Professor decapitado na França receberá maior honraria do país, diz ministro

  Professor decapitado na França receberá maior honraria do país, diz ministro Professor decapitado na França receberá maior honraria do país, diz ministroPaty foi assassinado na sexta em plena luz do dia, do lado de fora da escola onde trabalhava em um subúrbio de classe média de Paris por um jovem de 18 anos de origem chechena. A polícia matou o agressor a tiros.

Manifestacao em angola 2011 Liberdade de expressao em angola, abaixo o mpla.

247 - O presidente da França , Emmanuel Macron, disse que decapitação de professor aos redores de Paris é um “ataque terrorista islâmico”, de acordo com o jornal Russia Today. Ele ainda teria dito, segundo a notícia, que o professor foi assassinado “porque ele ensinou a liberdade de expressão

Desde então, Paty “andava desconfortável”, observa Myriam, aluna de 13 anos da escola. “Tinha alunos dizendo ‘ele é racista’. Outros qualificativos circularam, como ‘islamofóbico’”.

Paty “não fez isso para criar polêmica ou desrespeitar os pequenos, nem por discriminação”, alega Nordine Chaouadi, pai de outro adolescente de 13 anos que descreve professor como “um senhor supergentil”.

A polícia investiga qual o papel do vídeo no crime, já que o autor do ataque tinha 18 anos e não estudava no local. O autor, nascido em Moscou e com um visto de refugiado na França, obtido em março deste ano, foi morto pela polícia instantes depois do assassinato.

Papel do professor é estimular a reflexão, diz educadora

“Dá muito medo, porque agora estamos todos estarrecidos, é um choque profundo. O que se passou é extremamente violento”, disse à RFI Christine Guimonnet, professora no colégio Pontoise e secretária-geral da Associação de Professores de História e Geografia (APHG). “O que a gente ensina aos alunos é para lhes dar as chaves: as chaves para a compreensão do mundo, da história, da geografia. O ensino, num Estado democrático, tem como objetivo instruir os alunos, desenvolver neles o acesso ao conhecimento, à reflexão, à razão - sejam eles religiosos ou não. Quando temos opiniões diferentes, a gente deve falar, trocar ideias, não se estapear nem matar alguém”, explica a professora.

“Nossos professores continuarão a despertar o espírito crítico dos cidadãos da República, a emancipa-los de todos os totalitarismos e de todos os obscurantismos”, declarou o primeiro-ministro francês, Jean Castex, neste sábado. O ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, garantiu que o Estado francês “estará ao lado” dos professores para “protegê-los e permitir que continuem a exercer a profissão, a mais essencial, que transmite aos nossos filhos o saber e os valores que são o nosso bem comum”.

Com informações da AFP

Leia detalhes do discurso de Macron que emocionou a França .
O discurso do presidente Emmanuel Macron encerrou nesta quarta-feira (21) a homenagem nacional ao professor francês que se tornou um símbolo da liberdade de expressão, após ser decapitado por um extremista islâmico, aos 47 anos, depois de exibir caricaturas do profeta Maomé numa aula. Ao som de "One", do grupo irlandês U2, o corpo de Samuel Paty entrou no pátio da Universidade Sorbonne, em Paris, na noite desta quarta-feira (21), carregado pela Guarda Republicana  “Nós somos um” diz a letra da música, escolhida pela família para aquele momento.

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