Brasil Incêndios e seca nas nascentes do Pantanal alertam para mudanças climáticas

14:21  24 outubro  2020
14:21  24 outubro  2020 Fonte:   poder360.com.br

Recuperar 30% de áreas degradadas pode salvar 71% das espécies e reduzir aquecimento global

  Recuperar 30% de áreas degradadas pode salvar 71% das espécies e reduzir aquecimento global Estudo mapeou áreas prioritárias para restauração florestal e observou que em 1/3 delas o potencial para proteger a biodiversidade e retirar carbono da atmosfera é bastante alto; no Brasil, Mata Atlântica, Pantanal e Amazônia estão no topoUm grupo internacional de 27 pesquisadores de 12 países, liderado por um brasileiro, fez um mapeamento dos ecossistemas em todo o mundo e calculou que a restauração de 30% deles em áreas prioritárias pode evitar mais de 70% das extinções mamíferos, anfíbios e pássaros terrestres e absorver quase metade do carbono acumulado na atmosfera desde a Revolução Industrial, ou 466 bilhões de toneladas de gás carbônico.

As mudanças climáticas são alterações do clima em todo o planeta. Em outras épocas o As mudanças climáticas estão relacionadas às alterações do clima em nível global, ou seja, em todo o O investimento nas energias renováveis é desse modo fundamental, uma vez que substitui os

Cabeceiras de rios e nascentes do Pantanal são revitalizadas através de projeto do Ministério Público e parceiros.

Os incêndios contínuos na Província Serrana, uma região de transição entre os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, em Mato Grosso, são um exemplo da dinâmica que relaciona as mudanças climáticas ao aumento das queimadas no Centro-Oeste do país. A região, a 200 quilômetros da capital mato-grossense, abriga importantes nascentes do Pantanal, e, como o bioma, sofre com a seca e as queimadas desde 2019.

De janeiro a 20 de outubro, foram registrados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) 29.535 focos em 3 municípios do MT: Barra do Bugres, Porto Estrela e Cáceres © Divulgação/Força Nacional de Segurança Pública De janeiro a 20 de outubro, foram registrados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) 29.535 focos em 3 municípios do MT: Barra do Bugres, Porto Estrela e Cáceres

Nem as recentes chuvas conseguiram extinguir por completo as queimadas no Alto Paraguai. O alerta dos climatologistas é de que o fogo veio para ficar. Para mitigar os impactos na biodiversidade e nas populações afetadas, novas políticas públicas precisariam ser construídas, segundos os pesquisadores.

Fim da CDHU ameaça projetos de urbanização em SP, dizem moradores

  Fim da CDHU ameaça projetos de urbanização em SP, dizem moradores Urbanização da Favela do Pantanal, em São Miguel Paulista, foi projeto piloto criado pela CDHU responsável por mudanças no bairro“Quando cheguei, eram casebres de madeira. Os moradores todos amontoados um em cima do outro, em ruas com lama e esgoto a céu aberto, sem água, sem luz e sem árvores”, diz.

climáticas . Dr. Carlos Teodoro Irigaray, Dra. e conservação do Pantanal relacionando as consequências dessas deficiências institucionais e . seus impactos no contexto das mudanças climáticas e das emissões de gases de efeito estufa.

As mudanças climáticas estão em "tempo real diante de nossos olhos", afirma Michael Mann, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia e um dos cientistas do clima mais respeitados do mundo. Mann cita como exemplos desta realidade dos nossos tempos a intensificação das chuvas

A seca extrema e a propensão aos incêndios serão o ‘novo normal’ da região“, explica o climatologista Carlos Nobre.

Pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo) e presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, Nobre conta que “por anos, quando colaboramos para os primeiros relatórios técnicos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, organizado pelas Nações Unidas), acreditávamos que alguns desses eventos demorariam, talvez só veríamos certas situações em 2040″. “Porém, já está acontecendo.”

A seca sempre existiu nesses biomas. Há também uma razão meteorológica para explicar a atual estiagem no Pantanal e no Brasil Central. Já registramos isso antes. Mas, é a frequência desses fenômenos naturais que nos aponta para um planeta mais quente. São os extremos climáticos de mais intensidade e curta periodicidade a conexão do cenário atual e as mudanças climáticas“, diz o climatologista.

"Governo tenta intencionalmente destruir povos indígenas"

  Em entrevista, ex-presidente da Funai diz que já na não se pode falar em falha na proteção de reservas, mas numa política deliberada para destruí-las: "Não tem ninguém no governo que seja a favor do meio ambiente".Se nos governos anteriores havia desaprovação a ações pontuais ligadas aos povos tradicionais, no governo de Jair Bolsonaro as críticas são direcionadas a tantas áreas que a questão indígena acaba diluída em meio a uma desaprovação maior e mais geral.

mudancas _ climaticas . Uploaded by. Aline Silverol. 14 Isso significa cortes profundos nas emisses de gases de efeito estufa dos pases industrializados a partir do segundo Inserir a questo de florestas e da conservao de biomas brasileiros (cerrado, caatinga, pantanal mato-grossense, etc.) no plano de

Acordos internacionais em mudanças climáticas e o papel do Brasil nesse civis dos países envolvidos desenvolvam uma agenda de adaptação do Pantanal às mudanças climáticas . Integração da adaptação às alterações climáticas na cooperação para o desenvolvimento: guia para

As morrarias da Província Serrana integram um relevo residual, com montes de cumes arredondados, testemunhas de milhões de anos de erosão e formadores de um cinturão de 400 quilômetros de extensão. Essa coluna de terras altas abraça a planície pantaneira, pelo norte, dando a peculiar forma de panela do bioma, com os rios do planalto correndo para as terras baixas inundáveis.

A paisagem é de uma beleza ímpar. São centenas de morros intercalados como ondas, desenhadas assimetricamente em um horizonte azul cercado por verde. A topografia foi descrita pelo geógrafo Aziz Ab’Sáber durante o Projeto Radambrasil (1982). No livro Pantanal Paisagem de Exceção, Ab’Saber apontou o local como um divisor natural das bacias hidrográficas Amazônica (rio Arinus e Teles Pires) e do Alto Paraguai (rios Cuiabá e Paraguai). Essa confluência de biomas faz da serra refúgio de espécies de fauna e flora da Amazônia, Cerrado e Pantanal.

População de gado no Brasil cresceu em 2019, aponta estudo

  População de gado no Brasil cresceu em 2019, aponta estudo Resultado de maior demanda externa. Exportação para a China aumentou. Galinhas superam gado no paísDe acordo com o IBGE, a pecuária brasileira teve em 2019 influência do contexto internacional. Abalada pela peste suína e visando a atender o mercado crescente interno, a China importou do Brasil 497,7 mil toneladas de carne bovina, expansão de 54,4% ante 2018, ao mesmo tempo em que aumentava a importação de carne suína em 61,7%, o que levou o Brasil a registrar 244,1 mil toneladas desse produto.

mudanças climáticas , fundamentados em abordagem comparativa e na noção de complexidade geopolítica Pelas controvérsias originadas é importante o resgate do percurso das negociações sobre as. mudanças climaticas , desde a convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudança do

A ideia do embuste das mudanças climáticas e do aquecimento global têm sido produto dos objetivos malignos de famílias poderosas que visam controlar o mundo. O gráfico mostra que as mudanças climáticas são naturais, mas a mídia (comunicação social) ignora e obedece à máfia khazariana.

Território quilombola

Os vãos desses morros foram escolhidos como morada por quilombolas há quase 300 anos. São 8 assentamentos rurais e mais 21 comunidades tradicionais, entre pequenos produtores, quilombolas e morroquianos, como se autodenominam os pantaneiros que habitam essas regiões, segundo a Fundação Palmares. A luta contra os incêndios mudou a rotina de toda essa população.

O fogo nunca foi um inimigo para os quilombolas, mas um aliado. “Sempre usamos queimas pequenas na época da chuva pra fazer as roças de arroz, feijão, mandioca e banana. Mas tem que ter cuidado. Não é de qualquer jeito. Temos que ser responsáveis pelo meio ambiente. Já imaginou uma pessoa errada aqui, coloca a vida de 90 famílias em risco”, diz Paulo Luiz Bento, 51 anos, descendente dos pioneiros da comunidade morroquiana do Baixio, na área do Vão Grande, em Barra do Bugres. Os incêndios florestais severos mudaram a rotina na morraria.

Há 10 anos não pegava fogo aqui. Mas, eu mesmo, nunca tinha visto isso na minha vida. Esse fogo bravo. Dormimos há 15 dias, sempre olhando os focos e pensando: quando (o fogo) vai ‘pular’ o rio (Jauquara) e chegar aqui nas casas?”, diz Paulo Bento, enquanto o barulho do fogo estalando ao consumir a vegetação reverbera na sua cozinha, distante 100 metros do incêndio.

Eleições nos EUA: nuvens carregadas ou céu limpo para o clima?

  Eleições nos EUA: nuvens carregadas ou céu limpo para o clima? O primeiro mandato de Donald Trump freou os esforços globais contra as mudanças climáticas e sua eventual reeleição poderia, inclusive, frustrar qualquer esperança de evitar as piores consequências do aquecimento global, alertam ONGs e ativistas. Caso contrário, "me preocupa que o resto do mundo não leve suficientemente a sério as obrigações de reduzir as emissões a tempo de evitar os piores impactos das mudanças climáticas", segundo Mann.Trump executou em 1º de junho de 2017 uma de suas grandes promessas eleitorais: iniciou o processo de retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, que prevê limitar a elevação da temperatura global a menos de 2ºC em relação à era pré-industrial.

Mudanças Climáticas - realdiade e ficção. Uploaded by. Regiane Oliveira. Se nas próximas décadas a temperatura global vai aumentar devido ao aumento antrópico do CO 2 e dos gases estufa, e se uma redução de CO 2

wwf_brasil_combatendo_ mudancas _ climaticas [1].pdf. Copyright. © © All Rights Reserved. Pecuária sustentável – A pecuária é uma atividade econômica tradicional na região do Pantanal . Ao disseminar conhecimentos sobre as mudanças climáticas , suas causas e conseqüências é possível

Na comunidade, muitas moradias ainda são de taipa (barro e madeira) e cobertas com palha da palmeira do babaçu. A proximidade das chamas faz do risco uma constante na vida dos morroquianos.

De janeiro a 20 de outubro, foram registrados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) 29.535 focos de calor nos 3 municípios da região (Barra do Bugres, Porto Estrela e Cáceres), segundo o satélite S-NPP da Nasa. Desde que as chuvas começaram, em 12 de outubro, já foram mais de 800 focos entre as bacias do rio Jauquara e o córrego Salobra, importantes contribuintes do rio Paraguai, o principal formador do Pantanal.

Solidariedade e falta de recursos

Sem treinamento e distantes das áreas urbanas, os quilombolas lutam contra os incêndios com folhas do babaçu e latas de água nas costas. O único apoio que recebem vem da presença de uma unidade de conservação federal localizada na Província Serrana, a ESEC (Estação Ecológica) da Serra das Araras, criada em 1982 (Decreto Federal nº 87.222) pelo então secretário de Meio Ambiente nacional, Paulo Nogueira Neto.

A UC é uma das 25 federais dessa categoria no país e tem como finalidade a pesquisa e a preservação, tendo sido criada para proteger um ambiente único com um mosaico de diversas fitofisionomias de Cerrado e uma pequena Floresta Ombrófila Densa, um enclave de Floresta Amazônica conhecido como Furna do Café. Imagens do satélite Sentinel-2, de 13 de outubro, revelaram que o fogo devastou a estação quase que por completo, restando apenas a porção sul. Há 30 anos não era registrado um incêndio dessas proporções ali.

Estreias marcam Dia Internacional Contra as Mudanças Climáticas na TV

  Estreias marcam Dia Internacional Contra as Mudanças Climáticas na TV A adolescente sueca Greta Thunberg e as ameaças aos mares e à sobrevivência de comunidades inuítes no Ártico protagonizam os documentários exibidos na data“Greta: o Futuro É Hoje” conta a história de vida de Greta Thunberg, a adolescente sueca ujas ações inspiraram um movimento global que promove a luta contra as mudanças climáticas como nunca antes. Indicada este ano e pela segunda vez para o Prêmio Nobel da Paz, Thunberg se tornou um ícone global do ativismo.

As imagens de satélite revelam que a Serra das Araras foi vítima de incêndios vindos de propriedades rurais a oeste da unidade. Desde setembro, o local tornou-se base para equipes do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), e brigadistas do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), órgão responsável pela gestão da UC. A tragédia da estação virou a salvação da população local.

O Ministério do Meio Ambiente não respondeu aos questionamentos do InfoAmazonia sobre as ações na região, mas os moradores apontam que cerca de 70 homens atuam na morraria. Foram eles que socorreram e ainda ajudam os povos da Província Serrana.

São anjos do fogo, se não fosse esse apoio, eu e os vizinhos teríamos perdido tudo. Entrei em desespero, quando vi o incêndio descer a serra. Por sorte o Marcelo Andrade (único analista ambiental da estação ecológica) nos orientou sobre como fazer os aceiros (linhas de defesa) e trouxe sete brigadistas pra fazer a queima de controle (o contrafogo ou combate indireto às queimadas)”, explica Maria Ivanilza Magalhães Costa, professora e pequena produtora rural de Vila Aparecida, em Cáceres.

Eu sou viúva e preciso cuidar dessa terra sozinha. Aqui é a única herança da minha filha, menor de idade. Nem imagino o que teria sido de nós. Foram dois dias de trabalho seguido sem dormir pra evitar que o fogo chegasse às nossas casas ou às estruturas construídas com tanto sacrifício, como as cercas e currais“, diz Maria Ivanilza.

Tsunamis no Ártico: a mais nova e perigosa ameaça das mudanças climáticas

  Tsunamis no Ártico: a mais nova e perigosa ameaça das mudanças climáticas Geólogos alertam que, com as mudanças climáticas, deslizamentos de terra e gelo seguidos de tsunamis devem se tornar maiores e mais frequentes em lugares como o Alasca.Geólogos acreditam que as mudanças climáticas podem produzir ali um deslizamento de gelo e pedras capaz de provocar um tsunami na região.

A construção das linhas de defesa, os aceiros, realizadas no momento do combate nas propriedades foi uma das poucas vitórias na batalha contra as queimadas na região. “Fui com o meu trator e meus dois filhos com os abafadores e bombas [costais] que eles [ICMBio e Ibama] nos emprestaram. Chegamos a virar noite sem dormir. Se não fosse esse auxílio, principalmente com o contrafogo e combate indireto, umas dez propriedades, somente no Novo Oriente, teriam sido perdidas”, diz Natalino Dias de Carvalho, 61 anos, da comunidade Novo Oriente, em Porto Estrela.

Na terra dos morroquianos, no Baixio, a equipe de brigadistas do Prevfogo e do ICMBio também prestou apoio dez dias antes do fogo ressurgir. Mesmo com um intenso trabalho de combate, o vento e a seca trouxeram o incêndio de volta ao local. Por sorte, o fogo que cercava a morraria e as casas acabou na primeira chuva intensa, em 12 de outubro, embora ainda circunde as regiões vizinhas.

Não imaginávamos que teríamos que enfrentar esse incêndio. O morro pega fogo sempre, mas apaga sozinho. Nossa mobilização aqui sempre foi pra proteger o rio Jauquara, ameaçado por hidrelétricas. Lutávamos pela água e agora precisamos combater o fogo que insiste em voltar o tempo todo”, diz Rafael Arcanjo Bento, de 36 anos, um dos líderes da comunidade Baixio.

Na porção da Província Serrana próxima a Cáceres, as queimadas seguem colocando em risco a fauna e a vida dos moradores. Em 9 de outubro, Sebastião Mendes, artista plástico que vivia na região, sofreu um infarto e morreu, após tentar apoiar sitiantes vizinhos no combate aos incêndios. Em setembro, outra fatalidade na Serra. O zootecnista Luciano Beijo, de 36 anos, faleceu após ter 100% do corpo queimado em um combate no morro do Facão, uma das porções mais ao sul da Província.

Pegos de surpresa pela continuidade da seca e um período de queimadas intenso, só restou aos povos tradicionais construírem novas estratégias.

Entenda situação de animais e plantas em meio às queimadas na Amazônia

  Entenda situação de animais e plantas em meio às queimadas na Amazônia Em 2020, mais de 40% dos incêndios na Amazônia brasileira aconteceram em áreas de florestas em pé, impactando 1,8 milhão de hectares Imagem de Donald Teel no Unsplash A floresta tropical queima lentamente. Segundo Jos Barlow, professor de Ciência da Conservação na Universidade de Lancaster, no Reino Unido, uma linha de fogo poderia avançar apenas 300 metros em 24 horas, tempo suficiente para os animais fugirem. A questão é: fugir para onde? As opções são cavar, ir para a água ou mover-se para outras áreas.

Criamos um grupo de Whatsapp para falar dos incêndios. Unimos vizinhos, prefeitura de Porto Estrela e o pessoal da Esec das Araras nos orienta ali sempre. Sem essa corrente de apoio, esse incêndio teria sido uma barbaridade“, diz Air Dias de Carvalho, produtor familiar da comunidade Novo Oriente, de Porto Estrela.

Futuro

Os climatologistas alertam que a mobilização nos locais afetados deve ser seguida por políticas públicas, em um mundo que precisa se adaptar às queimadas e secas cada vez mais constantes.

Alguns ecossistemas já estão vulneráveis. O verão de 2019 foi fraco, choveu pouco, e o de 2020 também. Foram esses dois verões fracos que aumentaram o risco de queimadas”, diz o climatologista José Antonio Marengo, colaborador do próximo relatório do IPCC (a ser publicado em 2021) e coordenador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe.

É muito triste ver que já está acontecendo. A mudança climática é um processo de longo prazo. Esses verões relativamente fracos já são ingredientes que mostram como o clima mais quente afetará cada vez mais os ecossistemas e a população. Todos estão vulneráveis”, explica Marengo.

As chuvas da porção norte da Bacia do Alto Paraguai representam 70% da água que forma o Pantanal. Incêndios e seca na região significam que as queimadas no bioma podem demorar para serem controladas. Até 18 de outubro, levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA), da UFRJ, apontou que os incêndios atingiram 27% da porção brasileira do bioma.

Ainda não há sequer a mensuração dos impactos na fauna e flora. Um estudo da Embrapa Pantanal, coordenado pelo pesquisador Walfrido Moraes Tomas, busca estimar o número de animais que sucumbem às queimadas. Em paralelo, os focos de incêndios subterrâneos ressurgem com intensidade em Porto Jofre, Poconé, região da rodovia Transpantaneira.

Para os cientistas, esse fogo subterrâneo que persiste no Pantanal é o pior. “É necessário muita chuva nas cabeceiras para inundar o Pantanal e resolver. Estamos torcendo para todos os deuses para que isso aconteça e o fogo acabe“, diz José Marengo.

Os incêndios de 2020 já colocam o país em uma difícil posição internacional. “Tudo indica que, ao contrário do mundo, que reduziu emissões por conta da pandemia do novo coronavírus, o Brasil irá aumentar os seus índices de emissões de gases que aquecem o planeta. Se isso se comprovar, estaremos indo contra os compromissos assumidos na Conferência Mundial do Clima de Paris“, diz Carlos Ritll, secretário-executivo de um grupo formado por entidades do Terceiro Setor, o Observatório do Clima.

As comunidades da Província Serrana também temem o futuro. “Penso muito em como fazer daqui pra frente. Precisamos de treinamento, equipamentos e apoio. Se não tiver o pessoal da estação aqui no ano que vem, precisamos estar preparados“, diz Rafael Bento, do Baixio.

Segundo a publicação do Relatório Seis do IPCC, Mudanças Climáticas e possíveis alterações nos biomas da América do Sul, de 2007, a previsão para o Pantanal é de um aumento de quase 2 graus na temperatura média da região, até 2050. Os incêndios deste ano mostram que esses cenários podem chegar mais cedo.

E a falta de chuvas prevista para a Amazônica acabará influenciando também o Pantanal que precisa das chuvas que estão nas regiões de transição, como a Província Serrana, para ter suas áreas alagadas.

Hoje vemos os primeiros sintomas da doença. A história já mostrou que grandes culturas do passado colapsaram por seca. Mas, ainda, quando falamos de aumento e temperatura as pessoas dizem: ok, eu ligo o ar-condicionado! Ninguém reflete que secas contínuas, com extremos climáticos e falta de água, podem destruir a geração de energia e colapsar biomas como o Pantanal. E os povos tradicionais e comunidades vulneráveis como sobreviverão?“, questiona Marengo.

* A viagem foi realizada com apoio do Programa Observa-MT.

Esta reportagem faz parte do Amazônia Sufocada , projeto especial do InfoAmazonia com o apoio do Rainforest Journalism Fund/Pulitzer Center.

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Em 2020, mais de 40% dos incêndios na Amazônia brasileira aconteceram em áreas de florestas em pé, impactando 1,8 milhão de hectares Imagem de Donald Teel no Unsplash A floresta tropical queima lentamente. Segundo Jos Barlow, professor de Ciência da Conservação na Universidade de Lancaster, no Reino Unido, uma linha de fogo poderia avançar apenas 300 metros em 24 horas, tempo suficiente para os animais fugirem. A questão é: fugir para onde? As opções são cavar, ir para a água ou mover-se para outras áreas.

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