Brasil Maia diz ter recebido ligação de Campos Neto e, após críticas, diz agora confiar nele

15:57  29 outubro  2020
15:57  29 outubro  2020 Fonte:   reuters.com

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(Reuters) - Pouco depois de questionar a seriedade do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no Twitter, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou à mesma rede social nesta quinta-feira para afirmar que recebeu um novo telefonema do presidente da autoridade monetária no qual ele negou ter vazado uma conversa entre ambos e, dessa vez, disse confiar em Campos Neto.

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante evento com investidores em São Paulo © Reuters Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante evento com investidores em São Paulo

"Recebi há pouco ligação do presidente do BC afirmando que ele não divulgou à imprensa a nossa conversa. Diante da palavra do presidente, o vazamento certamente foi provocado por terceiros. Deixo aqui registradas a ligação e a confiança que tenho nele", escreveu Maia na rede social.

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  Rodrigo Maia critica Salles e diz que ele destrói o Meio Ambiente e o governo Fez publicação em rede social

Mais cedo, entretanto, Maia usou o Twitter para criticar Campos Neto, afirmando que ele vazou uma conversa particular que tiveram na quarta-feira e que esta atitude "não está à altura de um presidente de Banco de um país sério".

Na publicação na rede social, Maia não deu mais detalhes sobre qual o teor da conversa que teria sido vazada pelo chefe da autoridade monetária.

Veículos de imprensa disseram que Campos Neto entrou em contato com Maia na quarta para pedir uma trégua na turbulência política em favor das reformas que ajudem na solução da questão fiscal do país e teria ouvido como resposta que é a base parlamentar de apoio ao governo do presidente Jair Bolsonaro quem está obstruindo as votações na Câmara.

Aliados do governo vêm obstruindo as votações na Câmara para, entre outros pontos, impedir a análise da MP 1.000, que prorroga o pagamento do auxílio até o fim do ano, mas no valor de 300 reais. Tentam, com isso, evitar o constrangimento e a pressão, em período eleitoral, para elevar o valor a 600 reais. Já a oposição vem se recusando a votar as demais propostas enquanto essa MP não for pautada.

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  Presidente do Banco Central procura Maia para falar sobre crise política Segundo interlocutores, presidente da Câmara disse a Campos Neto o mesmo que tem respondido em público, que a obstrução dos trabalhos parte diretamente da base do governo . Na terça, para jornalistas, Maia criticou a articulação da base. "Não sou eu que estou obstruindo, é a base do governo. Se o governo não tem interesse nas medidas provisórias, eu não tenho o que fazer. Eu pauto, a base obstrui, eu cancelo a sessão. Infelizmente, é assim.

Além disso, pesa também sobre os trabalhos na Casa a disputa pelo comando da Comissão Mista de Orçamento (CMO). Maia tem cobrado o cumprimento de um acordo selado no início do ano entre vários partidos que previa a eleição de Elmar Nascimento (DEM-BA) para a presidência do colegiado.

O cenário parlamentar, no entanto, mudou em relação ao que vigorava à época do fechamento do acordo. Partidos do chamado centrão aproximaram-se do governo Bolsonaro e o bloco na Câmara que definiu a presidência da CMO se desfez.

O episódio desta quinta acontece em um momento em que tramitam no Congresso pautas legislativas de interesse do Banco Central e da equipe econômica do governo, entre elas a proposta que dá autonomia à autoridade monetária e reformas que buscam aliviar a questão fiscal do país.

Os tuítes de Maia sobre Campos Neto também vêm um dia depois de perdas para os ativos brasileiros no mercado financeiro, com o Ibovespa despencando e o dólar disparando ante ao real na quarta-feira.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

Maia diz que reforma tributária deve vir antes de autonomia do BC na fila de prioridades da Câmara .
'Aceito votar autonomia do Banco, aceito, é claro, votar os depósitos voluntários, mas aí temos que organizar melhor a pauta até o fim do ano. É só o governo ter boa vontade na reforma tributária', disse o presidente da CâmaraBRASÍLIA - Defendida por agentes do mercado financeiro e uma das bandeiras da equipe econômica do governo Jair Bolsonaro, o projeto de autonomia formal do Banco Central deve avançar na Câmara, só após a reforma tributária, no que depender do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para ele, o projeto que estipula mandatos fixos para a diretoria do BC não é urgente no curto prazo.

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