Brasil Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indígenas

16:00  29 outubro  2020
16:00  29 outubro  2020 Fonte:   selecoes.com.br

O Brasil na imprensa alemã (21/10)

  O Brasil na imprensa alemã (21/10) Publicações destacam fuga do traficante André do Rap, estudo que sugere imunização de rebanho em Manaus e novo aumento no número de homicídios no país. © AFP/M. Dantas Neues Deutschland: "Matar e deixar morrer no Brasil" (20/10) "A violência mortífera está na ordem do dia no maior país da América do Sul. Isso fica claro no relatório anual publicado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a Unesco. É baseado em dados de 19 dos 26 estados e o Distrito da capital Brasília. O relatório registra 47.773 vítimas de assassinato e homicídio culposo em 2019.

Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indígenas © Laszlo Mates/iStock Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indígenas

Imagine o caminho que um vírus precisa fazer para chegar a uma aldeia no meio da floresta, contaminar um, dois, dez, mil, 28 mil indígenas, como aconteceu com o novo coronavírus no Brasil desde o início da pandemia até o final de agosto.

Uma ampla pesquisa publicada nesta sexta-feira (23) comprova o que se poderia desconfiar: o desmatamento, o garimpo ilegal e os casos de Covid-19 em indígenas estão relacionados ao facilitar o contato dessa população com pessoas infectadas.

Covid-19 em indígenas: entenda a associação identificada no estudo

  Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indígenas © Covid-19 luz ultravioleta Ao menos 22% de todos os casos de Covid-19 em povos indígenas foram originados pelo garimpo e desmatamento. (Imagem: Kamionsky/iStock)

A partir de um modelo de efeitos fixos, a pesquisa cruzou os dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, com informações diárias do Deter -- o sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que capta quase em tempo real o desmatamento na Amazônia.

Núcleo de conciliação trava multa ambiental no País e partidos pedem extinção de decreto no STF

  Núcleo de conciliação trava multa ambiental no País e partidos pedem extinção de decreto no STF Mecanismo criado para avaliar multas aplicadas pelo Ibama e pelo ICMBio ficou praticamente paralisado desde sua criação, o que impediu a cobrança de crimes ambientais; deputados de PT, PSB, PSOL e Rede pedem anulação do decreto de BolsonaroO decreto 9.760, de abril de 2019, suspendeu a cobrança da multa até que seja realizada a audiência de conciliação. O mecanismo, criado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi justificado como uma tentativa de fazer órgãos fiscalizadores chegarem a um acordo, sem a necessidade de contestação judicial. Mas o levantamento revelou que, desde então, o Ibama realizou apenas cinco audiências de um total de 7.205 agendadas. O ICMBio não fez nenhuma.

Foram medidos os avanços do desmatamento e da mineração ilegal em mais de 5.000 municípios.

O resultado aponta que essas duas causas explicam pelo menos 22% de todos os casos de Covid-19 confirmados em povos indígenas até o dia 31 de agosto de 2020.

'Os resultados são bastante relevantes para as políticas públicas, pois mostra que os efeitos negativos do desmatamento são muito maiores do que os imaginados porque acabam expandindo a pandemia para populações super vulneráveis', diz o economista Humberto Laudares, autor da pesquisa, desenvolvida em seu doutorado na Universidade de Genebra, na Suíça.

Os resultados da pesquisa de Laudares foram publicados nesta sexta no boletim Covid Economics, do Centre For Economic Policy Research, que reúne mais de 1.500 pesquisadores.

ENFOQUE-Questão indígena gera impasse para projeto da Ferrogrão

  ENFOQUE-Questão indígena gera impasse para projeto da Ferrogrão ENFOQUE-Questão indígena gera impasse para projeto da FerrogrãoBRASÍLIA (Reuters) - Um questionamento apresentado esta semana pelo Ministério Público Federal (MPF) e por organizações da sociedade civil ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre uma consulta a indígenas tem o potencial de paralisar o projeto de concessão da ferrovia Ferrogrão, uma das principais apostas do Brasil para escoar importante fatia da produção agrícola e de outros insumos.

O Brasil registrou, até esta sexta-feira (23), 155.962 mortes causadas pela doença desde que ela foi registrada pela primeira vez no país, em fevereiro deste ano. O número de casos com teste positivo para a doença chegou a 5.325.682.

A cada 1 km² desmatado, aumenta-se 9,5% dos casos de contágio pelo Covid-19

  Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indígenas © Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indigenas Atualmente, há no Brasil 311 povos indígenas. (Imagem: Rodrigo Gavini/iStock)

Enquanto enfrenta os problemas causados pela pandemia, o desmatamento e os focos de incêndio também têm crescido. E de forma recorde no país sob a gestão Jair Bolsonaro (sem partido).

Os resultados da pesquisa mostram também que um aumento de uma unidade no desmatamento, por 100 km², está associado, em média, à confirmação de 2,4 a 5,5 novos casos diários de Covid-19 em indígenas, 14 dias após o desmatamento.

Dentro dessas duas semanas, 1 km² desmatado resulta em 9,5% a mais de novos casos de contágio.

'Só uma família na minha aldeia não foi infectada com coronavírus'

  'Só uma família na minha aldeia não foi infectada com coronavírus' Com poucos testes diagnósticos e praticamente sem acesso a serviços de saúde, comunidade com 200 indígenas da etnia Huni Kuin, no Acre, tratou a covid-19 com plantas medicinais e doações.Quando a tosse e a febre evoluíram para "dor no pulmão" e falta de ar, veio a desconfiança de que ele poderia ter sido infectado com a doença nova que circulava "na cidade".

'Nos municípios que têm desmatamento e mineração ilegal, os casos de Covid sobem 179%, em média', diz Laudares.

Existem no Brasil 311 povos indígenas, totalizando 760 mil pessoas (0,36% da população total).

Em 31 de agosto de 2020, a pandemia causada pelo novo coronavírus havia afetado 158 dessas comunidades.

Os casos de Covid-19 nos indígenas representavam até aquele mês entre 0,6% e 0,8% do total registrado no país -3,8 milhões de casos confirmados e 120 mil mortes até aquela data.

Plano Geral de Enfrentamento e Monitoramento da Covid-19

  Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indígenas © Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indigenas Apresentado pelo presidente Bolsonaro, o documento com as estratégias de enfrentamento do Covid-19 para os povos indígenas foi considerado vago. (Imagem: Fellip Agner/iStock)

De acordo com a pesquisa, na região amazônica, a mortalidade indígena é a maior entre todos os grupos étnicos. Enquanto para todo o país, 'pardos' e negros apresentam o maior número de mortes por coronavírus.

Leia também: Vulnerabilidade social e mortes por Covid-19: uma íntima relação

Árvores de florestas estão crescendo mais rapidamente, mas vivem menos

  Árvores de florestas estão crescendo mais rapidamente, mas vivem menos Redução da vida útil das árvores em florestas do mundo todo constatada por estudo internacional poderá neutralizar ganhos com sequestro de CO2Com isso, resultados esperados para modelos e projeções de captação de CO2 estruturados com base no sistema atual podem estar superestimando a capacidade de absorção dos gases de efeito estufa pelas florestas no futuro. Ou seja, plantar árvores é importante para ajudar a reduzir a concentração desses gases na atmosfera, mas não o suficiente – ainda é essencial a redução da emissão do carbono.

Na quinta-feira (22), o ministro Luís Roberto Barroso rejeitou o Plano Geral de Enfrentamento e Monitoramento da Covid-19 para os Povos Indígenas apresentado pelo governo Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O magistrado não homologou o plano sob o argumento de que o documento é 'genérico e vago', o que inviabiliza a fiscalização de sua implementação. E assim, deu 20 dias para o governo entregar um novo planejamento.

No início de agosto, o STF decidiu por unanimidade referendar a decisão individual dada por Barroso, em 8 de julho. O ministro havia determinado a obrigação do Executivo de adotar diversas medidas a fim de conter o avanço do coronavírus entre os índios.

Na ocasião, a corte mandou a União elaborar um planejamento para impedir a disseminação da doença na população indígena.

Pressões internacionais põem em xeque transações comerciais brasileiras

  Desmatamento e garimpo abriram caminho para Covid-19 em indígenas © Dia da Amazônia Queimadas e desmatamentos têm posto o Brasil em xeque com as potências internacionais. (Imagem: Pedarilhos/iStock)

O desmatamento elevado e as queimadas sem controle sob a gestão Bolsonaro têm colocado o Brasil em uma posição delicada no contexto internacional.

A Europa ameaça travar o acordo com o Mercosul. O agronegócio, principal motor de desmate, também tem sido visto com desconfiança no mercado externo.

Em setembro, apesar de o desmatamento na Amazônia ter sido menor do que no mesmo mês de 2019, ele se manteve elevado em relação à média histórica. Isso, apesar da presença do Exército na floresta, com a Operação Verde Brasil 2.

Leia mais: Mudança climática pode transformar em savana 40% da Amazônia, indica estudo

Segundo dados do Deter, houve uma diminuição de 33% nesse período. Em setembro de 2019, no entanto, no primeiro ano do governo Bolsonaro, foi registrado o recorde de desmatamento na história recente do Deter. Foram mais de 1.400 km² de destruição registrada por satélites.

Mesmo com a queda, quase 1.000 km² de floresta foram derrubados neste ano.

O ranking dos meses de setembro com maior desmate tem 2019 em primeiro lugar, seguido por 2020 e 2018.

Com os registros do Deter desde 2015  — somente a partir desse ano é possível fazer comparação, devido a mudanças de precisão do sistema—, a média de desmate registrado no mês de setembro é de 790 km².

Por Emilio Sant'Anna, Folhapress

Degradação florestal já é maior que desmatamento na Amazônia .
Dados de satélite coletados ao longo de 23 anos foram analisados. Cientistas alertam para aumento de emissões, perda de biodiversidade e risco de doenças infecciosas Imagem editada e redimensionada de Uederson de Amadeu Ferreira, está disponível em Wikimedia e licenciada sob CC by 4.0 Resumo A degradação florestal é o resultado do conjunto de perturbações que ocorrem por influência humana e a despeito de a floresta continuar de pé. No desmatamento, a floresta é removida e substituída por pasto, monocultura ou pelo simples abandono. A degradação é um fenômeno mais difícil de ser percebido.

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