Brasil 'Dois seguranças batendo num homem negro com covardia. Não tem justificativa', diz amigo de homem morto no Carrefour

19:17  20 novembro  2020
19:17  20 novembro  2020 Fonte:   bbc.com

44% dos apoiadores de Bolsonaro acham que não houve racismo no caso João Alberto

  44% dos apoiadores de Bolsonaro acham que não houve racismo no caso João Alberto Ele foi espancado e morto na última 5ª. Para 41%, isso ocorreu por ele ser negro. Quem rejeita Bolsonaro viu mais racismo. Foram 70% os que tiveram essa percepçãoNesse mesmo grupo, 41% consideram que sim, que houve motivação racista no assassinato.

Homem negro morre após ser espancado em supermercado em Porto Alegre. "Um cara de boa", define o amigo Paulão Paquetá "Na noite de hoje, Beto foi brutalmente espancado e assassinado por 2 seguranças do Carrefour Passo D'areia, há relatos que os seguranças bateram a cabeça

'Era esperto, brincalhão', diz amigo de infância sobre homem negro morto . O Carrefour informou, em nota, que lamenta profundamente o caso, que iniciou rigorosa apuração interna e tomou providências para que Morte de homem negro em supermercado de porto alegre.

O homem que foi espancado e morto por seguranças em um supermercado Carrefour, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, tinha "postura de durão, mas coração mole" e era "brincalhão e malandro", segundo seus amigos.

Conhecido como Beto, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado por dois seguranças em Porto Alegre © Reprodução Conhecido como Beto, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado por dois seguranças em Porto Alegre

João Alberto, conhecido pelos amigos como Beto e Nego Beto, um homem negro, foi morto por seguranças após ser surrado e imobilizado no supermercado na zona norte de Porto Alegre. A morte aconteceu às vésperas do Dia da Consciência Negra, celebrada nesta sexta, 20 de novembro, data atribuída à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.

Loja do Carrefour em Brasília é palco de protesto por morte de homem negro

  Loja do Carrefour em Brasília é palco de protesto por morte de homem negro Espancamento ocorreu em POA. Seguranças presos em flagranteJoão Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi agredido em uma unidade da rede em Porto Alegre. O homicídio ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra, celebrado nesta 6ª feira (20.nov.2020).

Um amigo de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, homem negro espancado até a morte em um supermercado A esposa de João disse à polícia que os dois foram fazer compras no supermercado e que, após fazer um gesto A vítima teria ameaçado bater na funcionária, que chamou a segurança .

egundo a Brigada Militar, a confusão teria iniciado no caixa do supermercado, envolvendo o homem e uma funcionária. De acordo com informações preliminares, ele havia discutido com dois seguranças do estabelecimento antes da briga começar.

O segurança e o PM temporário envolvidos no caso foram presos, suspeitos de homicídio doloso. Amigos, familiares e integrantes do movimento negro estão organizando um protesto em frente ao supermercado nesta tarde, às 18h. Estão revoltados.

"Dois seguranças batendo num homem negro com covardia. Não tem justificativa", diz o amigo Márcio Cardoso, de 29 anos.

O espancamento e a morte foram gravados, e vídeos estão circulando nas redes sociais. A morte tem sido comparada à de George Floyd, que morreu neste ano ao ser sufocado por policiais nos Estados Unidos, e cuja morte provocou uma onda de protestos no país.

Em nota, o Carrefour chamou a morte de "brutal" e afirmou que tomará medidas para "responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso" (leia íntegra no final). "O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente."

Revolta faz eclodir protestos contra Carrefour e lojas são depredadas

  Revolta faz eclodir protestos contra Carrefour e lojas são depredadas Revolta e indignação tomaram conta do país e uma série de protestos foram registrados contra o Carrefour após o assassinato de João AlbertoEm Porto Alegre houve protesto em frente à loja onde aconteceu o crime. Após duas horas de ato pacífico, alguns jovens derrubaram o portão de acesso ao estacionamento do Carrefour, quebraram janelas de vidro e tiveram acesso ao primeiro andar do estabelecimento.

Um homem negro identificado por testemunhas como João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado até a morte após uma briga na porta do supermercado Carrefour , no bairro Passo Caso seja constatado indício da existência de crimes, PGR diz que pediria abertura de inquérito ao STF.

Homem é espancado e morto na rua por causa de um celular em BH. Vítima afirmou que foi ameaçada e xingada pelo rapaz antes dele ser agredido. A Brigada Militar afirma que a vítima passou a brigar com os seguranças do Carrefour por não aceitar ser retirado da loja.

'Cara difícil' e 'carinhoso'

Freitas vivia de bicos, segundo os amigos. Já tinha trabalhado como motoboy, em empresa de transportadora, e passado por vários trabalhos.

"Era trabalhador, honesto. É o que mais deixa a gente revoltado", diz Cardoso.

Para ele, o amigo era "um cara sério, com postura de durão, mas com coração mole". "Tinha uma postura de escudo, forte, mas quem conhece, quem andou com ele, sabe que ele tinha coração mole, era um cara carinhoso."

A amizade dos dois se formou na arquibancada do Clube São José, da zona norte de Porto Alegre, de quem os dois eram torcedores.

"A gente se encontrava sempre por ali, sempre animados", conta ele. "O Beto era bem conhecido no bairro, no Iapi, bem da rapaziada mesmo. A gente gostava de tomar uma cervejinha junto depois do jogo. Fui pego de surpresa."

Imagem de agressão no Carrefour, com três funcionários ao redor de homem; caso está sendo comparado com o de George Floyd, sufocado por policiais nos EUA © Reprodução Imagem de agressão no Carrefour, com três funcionários ao redor de homem; caso está sendo comparado com o de George Floyd, sufocado por policiais nos EUA

Os amigos sempre frequentavam aquela mesma unidade do supermercado Carrefour, que fica próxima ao estádio Passo d'Areia, sede do clube para que torciam (a distância é de 1km, 13 minutos caminhando). Além disso, diz ele, Freitas com frequência fazia compras no supermercado com a família porque morava ao lado.

Manifestantes protestam contra morte de João Alberto em frente a unidades do Carrefour

  Manifestantes protestam contra morte de João Alberto em frente a unidades do Carrefour Atos foram convocados em diversas cidades brasileiras, como Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e BrasíliaO assassinato de João Alberto, homem negro de 40 anos, por seguranças no Carrefour Passo D'Areia, em Porto Alegre, gerou protestos em diversos locais do Brasil nesta sexta-feira. Manifestantes entraram em unidades do supermercado.

Eu explico. Você já deve saber das diferenças entre as atitudes de cachorros e gatos. Enquanto os cachorros são mais dóceis e obedientes, cumprem as ordens do seu dono, e quando o dono o chama para fazer carinho e tal, eles simplesmente vêm. 7 Coisas Para Dizer a Um Homem (Ele Vai Amar).

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"Várias vezes já estive com ele ali, e a gente já sabe como é o tratamento. Eu, branco, não sinto o mesmo tratamento quando entro ali. E sempre que eu estava acompanhado amigos negros era sempre esse tipo de olhar, parece que quer correr a gente dali", diz Cardoso.

"Estou muito abalado. Não tinha nada no corpo dele de mercadoria e, mesmo se tivesse, não justificaria."

Freitas era um "cara difícil, brigão, que incomodava um pouco", diz André Gomes, um amigo de infância, "mas não existe motivo para fazer o que foi feito".

"Não sei o que aconteceu no Carrefour pra chegar a essa ponto. Se ele já estava dominado, não existe qualquer motivo para tratá-lo dessa forma."

Os dois se conheciam do Batuque, religião afrobrasileira a que eram devotos, desde pequenos, com suas famílias. "Tínhamos a mesma mãe de santo durante muitos anos, éramos da mesma casa de religião. Passamos a nossa infância andando juntos, brincando." Ali, Freitas tornou-se tamboreiro.

"Ele sempre foi muito brincalhão, muito esperto, malandro", diz o amigo. Separados ultimamente por causa da pandemia de coronavírus, os dois costumavam se encontrar de vez em quando para tomar uma cerveja juntos.

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  Com mercado clandestino, segurança privada no Brasil tem uso abusivo de força, 'bico' de policiais e falta de fiscalização Com mercado clandestino, segurança privada no Brasil tem uso abusivo de força, 'bico' de policiais e falta de fiscalizaçãoÉ o mercado clandestino, com seus profissionais sem certificação - não raro policiais fazendo "bicos" ilegalmente - e a falta de fiscalização, inclusive do mercado formal, que levam a crimes e casos abusivos de força física.

"A gente ria, lembrava das coisas que a gente fazia quando era criança", lamenta o amigo.

Espancamento

Nos vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ver Freitas sendo espancado no rosto por um homem diversas vezes, enquanto outro tenta segurá-lo. Uma mulher fica ao lado deles, e parece estar gravando a cena. Funcionários do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram até o local e fizeram massagem cardíaca, mas ele não resistiu.

A agressão teria acontecido depois que Freitas fez um gesto interpretado pela caixa do supermercado como uma tentativa de agressão, segundo o site GaúchaZH. Ela chamou seguranças (um segurança de uma empresa terceirizada e um PM temporário que, segundo informações preliminares, estava trabalhando no local) que levaram Freitas para o estacionamento, onde foi espancado até a morte.

A Brigada Militar, como é chamada a Polícia Militar do Rio Grande do Sul, afirmou em nota que prendeu todos os envolvidos no supermercado, "inclusive o PM temporário, cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei" (leia íntegra no final). Afirmou ainda que o PM não estava em serviço policial.

Nota do Carrefour

"O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.

Nas redes sociais, usuários organizam boicotes e protestos contra Carrefour

  Nas redes sociais, usuários organizam boicotes e protestos contra Carrefour Internautas também organizam protestos em frente a unidades da companhia nesta sexta-feira, no Dia da Consciência NegraOs usuários do Twitter rechaçaram a nota oficial do Carrefour Brasil com explicações sobre as medidas tomadas após o ocorrido. Até o começo da tarde, havia cerca de 3,5 mil comentários com xingamentos e acusações pelo novo episódio de violência nas imediações da companhia.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente.

Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais."

Nota da Brigada Militar

Imediatamente após ter sido acionada para atendimento de ocorrência em supermercado da Capital, a Brigada Militar foi ao local e prendeu todos os envolvidos, inclusive o PM temporário, cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei.

Cabe destacar ainda que o PM Temporário não estava em serviço policial, uma vez que suas atribuições são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento, e, ainda, mediante convênio ou instrumento congênere, guarda externa de estabelecimentos penais e de prédios públicos.

A Brigada Militar, como instituição dedicada à proteção e à segurança de toda a sociedade, reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos e garantias fundamentais, e seu total repúdio a quaisquer atos de violência, discriminação e racismo, intoleráveis e incompatíveis com a doutrina, missão e valores que a Instituição pratica e exige de seus profissionais em tempo integral.

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Abílio Diniz fala que o assassinato de João Alberto no Carrefour foi uma 'enorme brutalidade' .
Empresário é acionista e membro dos Conselhos de Administração do Carrefour Global e do Carrefour Brasil , comentou a morte de João Alberto Silveira Freitas no fim da noite desta sexta-feira, 20. Em uma série de postagens em sua conta no Twitter, ele classificou o fato como "uma tragédia e uma enorme brutalidade". O homem negro de 40 anos foi espancado e morto por dois seguranças em uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre na noite de quinta-feira. Sua morte, às vésperas do Dia da Consciência Negra, desencadeou uma série de protestos contra o racismo em várias cidades brasileiras.

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