Brasil Bolsonaro pede saída de presidente da Petrobrás e indica general para vaga

02:22  20 fevereiro  2021
02:22  20 fevereiro  2021 Fonte:   estadao.com.br

"Projeto Bolsonaro presidente foi construção de generais"

  Para antropólogo que pesquisa o meio militar há 30 anos, livro de memórias do general Villas Bôas explicita politização do Exército iniciada durante o governo Lula e endosso do Alto Comando à candidatura de Bolsonaro. © Valter Campanato/Agência Brasil Bolsonaro e Villas Bôas na solenidade de passagem de Comando do Exército para o general Edson Leal Pujol, em 2019 Quase três anos após um tuíte direcionado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na véspera do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o general Eduardo Villas Bôas revelou que o posicionamento foi redigido em conjunto com o Alto Comando do Exércit

Novo presidente da Petrobras , o general da reserva Silva e Luna foi ministro da Defesa no governo do ex- presidente Michel Temer (MDB) e assumiu a presidência da usina binacional de Itaipu em 2019. Veja o comunicado postado pelo presidente Jair Bolsonaro Segundo Bolsonaro , ao ser vacinada no interior de São Paulo, sua mãe recebeu um cartão indicando que havia recebido dose do imunizante Oxford/AstraZeneca, mas que, duas horas depois, um enfermeiro --que o presidente identificou informando nome completo e registro profissional-- foi até a casa dela, rasgou o cartão

Jair Bolsonaro prepara-se para demitir o presidente da Petrobras , Roberto Castello Branco, responsável pelo resgate da empresa das profundezas do petrolão. A estatal, mais uma vez, está sendo afundada por um parasita que quer usá-la como instrumento de barganha e de poder. Ou como disse o presidente da Petrobras , há questão de poucos dias, né, ‘eu não tenho nada a ver com caminhoneiro, eu aumento o preço aqui, não tenho nada a ver com caminhoneiro’. Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras . Isso vai ter uma consequência, obviamente.”

BRASÍLIA - O governo federal anunciou, no início da noite desta sexta-feira, 19, que vai trocar o presidente da Petrobrás. Em nota, o Ministério de Minas e Energia anunciou que "decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para uma nova missão, como conselheiro de administração e presidente da Petrobrás, após o encerramento do ciclo, superior a dois anos, do atual presidente, senhor Roberto Castello Branco". Silva e Luna é general e atualmente é presidente de Itaipu.

O conselho de administração da Petrobrás ainda precisa aprovar o nome indicado, podendo barrar essa indicação. O governo, porém, tem maioria no colegiado de 11 membros.

"Na semana que vem, teremos mais", diz Bolsonaro após indicar nome para substituir atual presidente da Petrobras

  Presidente afirmou que deve trocar "peças que não estão dando certo"Em discurso, o presidente afirmou que há possibilidade de mais trocas na semana que vem, mas sem detalhes. "Semana que vem, teremos mais [trocas no governo]. O que não falta para mim é coragem para decidir pensando no bem maior da nossa nação", disse Bolsonaro em Campinas (SP).

Considerado membro da “panelinha” do presidente Jair Bolsonaro , o general Luna é da mesma cepa de Eduardo Pazuello, que incompetentemente está à frente da Saúde. Numa figura de linguagem, o novo presidente da estatal de petróleo é um Pazuello da área de energia. Ele é diretor-geral da Itaipu Binacional. “O governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova missão, como conselheiro de administração e presidente da Petrobras , após o encerramento do ciclo, superior a dois anos, do atual presidente , senhor Roberto Castello Branco”, escreveu o presidente .

Após novo reajuste da Petrobras , o presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira, 18, que a partir de 1º de março não haverá qualquer imposto federal incidindo sobre o preço do óleo diesel. A redução do PIS/Cofins no óleo diesel anunciada por Bolsonaro atende a demanda de caminhoneiros, base de apoio do presidente que tem pressionado o governo por conta do aumento do custo do combustível. Em ameaça indireta ao presidente da Petrobras , Roberto Castello Branco, o presidente citou que o comandante da estatal chegou a dizer que não tinha "nada a ver com os caminhoneiros".

O presidente da Petrobrás tem um mandato de dois anos, podendo ser reconduzido três vezes. No caso de Roberto Castello Branco, o atual mandato termina no dia 20 de março. Nesta terça e quarta-feiras o conselho se reúne para avaliar o balanço da companhia, e também iria votar a recondução do atual presidente para um novo mandato de dois anos. O anúncio do governo muda essa discussão.

General Joaquim Silva e Luna é novo indicado do governo para presidência da Petrobrás. © André Dusek/Estadão General Joaquim Silva e Luna é novo indicado do governo para presidência da Petrobrás.

O temor de interferência política na Petrobrás, com ameaça reiterada do presidente Jair Bolsonaro ao presidente da estatal, fez as ações da petroleira caírem 7,92% a ON e 6,63% a PN, as maiores quedas do Ibovespa. No total, a empresa perdeu quase R$ 30 bilhões em valor de mercado.

Intervenção na Petrobrás cria dúvida sobre venda de refinarias

  Intervenção na Petrobrás cria dúvida sobre venda de refinarias Silva e Luna, indicado por Bolsonaro para comandar a estatal, diz não ver possibilidade de interferência nos preços dos combustíveis, mas que é preciso enxergar o impacto causado pela empresa em toda a população . A intervenção foi feita após pressões dos caminhoneiros, por conta do aumento dos combustíveis. "As refinarias (que estão no programa de desinvestimento) vendem derivados", diz o sócio da consultoria Tendências Gustavo Loyola. "Se elas não pertencem mais à Petrobras, como ela vai poder controlar os preços?" Além disso, diz Loyola, a visão de generais não costuma historicamente ser pró-privatização.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou o reajuste do valor do combustível anunciado pela Petrobras nesta quinta-feira (18) e o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que é indicado pelo governo federal. Segundo ele, a companhia pode passar por mudanças num futuro próximo. Ao votar pelo indeferimento do pedido do ex- presidente , o ministro também não fez comentário sobre o texto do general . Em seu voto, Fachin ressaltou que deveria haver estabilidade e respeito ao entendimento dos tribunais sobre a execução provisória da pena.

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Petrobras , Roberto Castello Branco, não pretende pedir demissão da companhia, apesar de pressões do presidente Jair Bolsonaro para que ele o faça devido a questões relacionadas a aumentos dos combustíveis, disseram duas fontes com conhecimento direto do assunto à Reuters, nesta sexta-feira."Não vai ceder e não pretende sair ", disse uma das fontes, na condição de anonimato.

"Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobrás", disse Bolsonaro no começo da tarde. O presidente, no entanto, acrescentou que jamais iria "interferir nessa grande empresa, na sua política de preço". Os comentários foram feitos um dia depois de ele anunciar que iria zerar os tributos federais sobre o diesel, após novo anúncio de reajuste dos combustíveis pela Petrobrás. Bolsonaro considerou o aumento, o quarto do ano, “fora da curva” e “excessivo”. Durante sua live semanal no Facebook, na quinta-feira, 18, ele reforçou que não pode interferir na estatal, mas ressaltou que a medida “vai ter consequência”.

Em setembro do ano passado, Luna assumiu como diretor-geral de Itaipu, para um mandato de até quatro anos. Na ocasião, ele substituiu o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira, já fora do governo. O MME não informou quem vai assumir o comando de Itaipu.

Confirmada a nomeação de Luna, o general não será o único militar no comando da Petrobrás. Dois dos integrantes também também vieram das Forças Armadas. Eduardo Barcellar Leal Ferreira é almirante-de-esquadra da Marinha. Ruy Flaks Schneider é oficial da reserva da Marinha. Ambos são próximos do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Com temor de interferência, Banco do Brasil perde R$ 10,5 bi em valor de mercado

  Com temor de interferência, Banco do Brasil perde R$ 10,5 bi em valor de mercado Investidores temem que mudança anunciada no comando da Petrobrás ocorra também no BB; queda nas ações da petroleira levou junto as do banco, que recuaram mais de 11%Na ocasião, a diferença chegou aos 46%, mostram cálculos da casa de análise Eleven Financial, a pedido do Estadão/Broadcast. Na época, o BB e a Caixa Econômica Federal foram utilizados pelo governo Dilma para oferecer crédito a juros baixos. Agora, o risco de ingerência política volta aos holofotes.

O presidente Jair Bolsonaro reiterou nesta sexta-feira que mudanças serão feitas na Petrobras , um dia depois de criticar a elevação do preço dos combustíveis realizada na véspera pela estatal. Bolsonaro disse ainda que exige e cobra transparência daqueles que indica para cargos depois de, em transmissão ao vivo em suas redes sociais na véspera, criticar fala do presidente da Petrobras , Roberto Castello Branco, que afirmou que eventual greve dos caminhoneiros não é um problema da estatal.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta 4ª feira (25.mar.2020) ao presidente Jair Bolsonaro que ele deveria “dar exemplo ao país, e não

Alinhamento com presidente

O general é próximo de Bolsonaro. No comando de Itaipu, usou o orçamento da hidrelétrica binacional para fazer várias obras, inclusive uma ponte que liga Brasil e Paraguai, o que agradou ao presidente Bolsonaro.

Como militar, é visto como um cumpridor de ordens, apesar de não ter uma postura próxima à do ministro da Saúde, general Eduardo Pazzuelo, que é considerado, dentro do governo, como alguém mais subserviente ao presidente.

Luna é visto como alguém de perfil discreto e pacificado. Caso sua transferência para a Petrobrás se concretize, Bolsonaro passaria a ter mais um cargo importante nas mãos, a chefia de Itaipu, para acomodar membros do Centrão. Essa vaga é cobiçada por partidos do bloco, devido ao orçamento bilionário que a hidrelétrica possui. Além disso, por ser uma empresa de caráter binacional, a indicação não precisa cumprir as regras restritas estabelecidas na lei das estatais.

Currículo

Com 71 anos, Luna serviu seus últimos cinco anos no Ministério da Defesa, inicialmente como Secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto; depois, como Secretário-Geral do Ministério; e por último, como ministro da Defesa.

Nos seus 12 anos como Oficial General da ativa, foi comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, em Tefé, Amazonas, de 2002 a 2004. Foi chefe do Estado-Maior do Exército de 2011 a 2014 e comandou várias Companhias de Engenharia de Construção na Amazônia.

Luna tem pós-graduação em Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, em curso realizado na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (1998); e Doutorado em Ciências Militares, realizado na Escola de Comando e EstadoMaior do Exército (1987/88), entre outros cursos.

No exterior, foi membro da Missão Militar Brasileira de Instrução e Assessor de Engenharia na República do Paraguai, de 1992 a 1994; e adido de Defesa, Naval, do Exército e Aeronáutico no Estado de Israel, de 1999 a 2001.

Não é só petróleo .
Depois de demitir Roberto Castello Branco, que deu à Petrobras o maior lucro trimestral da história de uma companhia aberta no Brasil, Bolsonaro leva ao Congresso uma Medida Provisória para capitalizar a Eletrobras e um projeto de lei para vender os Correios. O resultado dessa movimentação ainda é incerto.Para contrabalançar o impacto, ele anunciou uma isenção temporária dos impostos federais que incidem sobre os combustíveis. “A partir de 1º de março também não haverá qualquer imposto federal no diesel por dois meses”, disse ele.

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