Brasil Não se trata de furar, mas de formar mais filas, diz empresário sobre compra privada de vacinas

11:31  08 abril  2021
11:31  08 abril  2021 Fonte:   estadao.com.br

Queiroga pede aos EUA antecipação de vacinas e diz negociar mais doses da Pfizer

  Queiroga pede aos EUA antecipação de vacinas e diz negociar mais doses da Pfizer 'Amanhã vou receber o embaixador dos Estados Unidos. Estamos muito empenhados em conseguir uma antecipação, uma troca', diz ministro da Saúde em audiência pública no Senado , o cardiologista também citou negociação com a Pfizer por mais doses. Queiroga não detalhou como seria essa permuta. Ele afirmou que ainda está em negociações com o governo de Joe Biden."Amanhã vou receber o embaixador dos Estados Unidos. Estamos muito empenhados em conseguir uma antecipação, uma troca.

Em primeiro lugar, a forma , digamos , “adocicada” como ele é apresentado na mídia não é a mais correta. Pelo menos não na prática da vida real das pessoas. Em bom português, o projeto defendido pelo Centrão e pelo governo Bolsonaro dá aos empresários o direito de furarem fila na aquisição de vacinas . Uma forma de fazê-la chegar a mais pessoas, independentemente do poder aquisitivo delas, é pela ação do Estado e seus instrumentos – no caso brasileiro, sobretudo o SUS. O projeto de lei aprovado desconhece isso e autoriza o fura - filas : quem tem mais dinheiro poderá comprar mais

Empresários vão pedir reformas e vacina a Bolsonaro. 'Iniciativa privada terá muita dificuldade para comprar vacina ', diz Mourão. Lei para furar fila da vacina sugere acordo sujo de Bolsonaro com Congresso. Votação de projeto sobre compra de vacinas por empresas prosseguirá hoje.

Um dos principais defensores da compra da vacina contra a covid-19 pelo setor privado, o empresário Carlos Wizard afirma que a organização de um consórcio de empresários para comprar 10 milhões de doses tem apoio do governo federal. Como as fabricantes disseram que vão priorizar o setor público, dele iz que o grupo precisa ter um “aval” do Ministério da Saúde para conseguir negociar. Nesta semana, a Câmara aprovou uma lei que libera a aquisição de doses pela iniciativa privada, mesmo sem o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Ontem (anteontem, na terça), recebemos um documento do ministério nos autorizando e oferecendo apoio para essa iniciativa. O trabalho é em total consonância e harmonia com o Ministério da Saúde”, afirmou. O Estadão procurou a pasta sobre a declaração, mas não teve confirmação até as 19 horas desta quarta-feira.

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O texto também permite que empresas comprem imunizantes contra o novo coronavírus que não tenham o registro e aprovação da Agência Nacional de Vigilância (Anvisa). A votação da proposta será retomada hoje pelos deputados para a análise de destaques ao texto. “Pode ser que empresas que têm pequeno número de funcionários, por exemplo, (consigam) comprar 5 mil, 6 mil vacinas , mas mais do que isso acho complicado”, disse o vice-presidente. Diante da alta de mortes pelo vírus, Mourão também reiterou que a vacina é a solução para diminuir o número de óbitos no País.

Fura - fila da vacina . O PL altera a Lei 14.125, aprovada em março e que permitia a aquisição de vacinas por empresas desde que fossem todas doadas ao SUS. Com a nova redação, as empresas podem aplicar metade das doses compradas nos diretores e funcionários. Já Gleisi Hoffmann (PT-PR) falou que deveria estar sendo discutido na Câmara não a autorização para empresa privada comprar vacina . “Nós devíamos estar na Casa, aqui, discutindo as vacinas que não foram compradas pelo governo federal. Essa Casa não pode colaborar com o processo de desigualdade

Os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard.  © Divulgação Os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard.

“Não se trata de furar fila. É formar mais filas”, alega. “Queremos formar várias filas, a do SUS, e as nossas filas, junto da sociedade civil organizada, através dos empresários", diz o empresário. Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde no continente, afirma que a aquisição de doses pela iniciativa privada vai ampliar as desigualdades.

Wizard diz que 30 dias são suficientes para a chegada das doses, assim que houver liberação na esfera nacional. O custo estimado é R$ 100 milhões de dólares, 10 dólares por dose. Questionado sobre a possibilidade de deduzir o custo no imposto de renda, o empresário disse que não é o momento de se tentar um benefício pessoal. “Não estamos em clima de troca troca, de buscar alguma vantagem”, declara. “O objetivo é poupar vidas e retomar a população à normalidade.”

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Ao Radar Econômico, o empresário disse que está confiante que o Ministério dará seu aval e ele estima que no máximo em 30 dias, a partir da aprovação da lei, eles possam comprar e trazer ao Brasil 10 milhões de doses. O Ministério da Saúde disse desconhecer o assunto. A liderança das compras vem sido feita pela Wizard junto com o empresário Luciano Hang. Segundo ele, vacinar os funcionários é necessário porque a previsão do governo para imunizar os 78 milhões de prioritários na fila da vacina levará pelo menos 5 meses, tempo que não pode ser esperado pelos empresários .

“Todo empresário que comprar vacina antes, utilizando o projeto fura - fila , deverá ser exposto e amplamente divulgado. Que isso fique muito claro. Se os políticos não impedirem esse projeto criminoso, cabe a nós resistir”, afirmou o youtuber.

Ele também parabenizou a relatora do projeto de lei, a deputada Celina Leão (PP-DF). “É uma primeira vitória”, disse, ao se referir à aprovação na Câmara. Conforme relatou ao Estadão, ele e o também empresário Luciano Hang viajaram recentemente a Brasília, quando teriam discutido o tema com os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Economia, Paulo Guedes, e com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira.

Segundo ele, o consórcio que lidera a compra da vacina reúne “centenas de empresários”. Metade das doses seria doada ao Ministério da Saúde. A ideia é que os funcionários sejam imunizados em farmácias credenciadas, o que estaria sendo negociado com uma associação do setor, que preferiu não se pronunciar pelo tema ao ser procurada pela reportagem.

Wizard conta que o consórcio negocia com fabricantes da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos, mas não cita nomes. “Nós, como empresários, vamos estar abertos a todos aqueles que têm vacina com eficácia e segurança”, diz.

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