Brasil Em carta, ONGs repudiam plano de Bolsonaro para proteção da Amazônia

01:36  28 abril  2021
01:36  28 abril  2021 Fonte:   estadao.com.br

“Um desafio disruptivo para a engenharia brasileira”

  “Um desafio disruptivo para a engenharia brasileira” O setor é essencial para a construção da Terceira Via para o desenvolvimento da Amazônia, baseado na economia verde Imagem de Marcie Kennedy em Unsplash “Um desafio disruptivo para a engenharia brasileira.” É assim, em poucas palavras, que o cientista e engenheiro Carlos Nobre, colaborador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e portador de um currículo quilométrico, nacional e internacional, em temas principalmente ligados a questões ambientais, classifica o estudo pioneiro Amazônia e Bioeconomia – Sustentada em ciência, tecnologia e inovação, do qual foi coordenador técnico(*), recentemente lançado pelo Instituto de Engenharia (IE).

BRASÍLIA - O “Plano Amazônia 2021/2022”, publicado pelo vice-presidente Hamilton Mourão no dia 9 de abril em relação a ações federais na região, foi criticado por algumas das principais organizações ambientais do País. Em carta divulgada nesta terça-feira, 27, as ONGs repudiam o plano, além do discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro na abertura da Cúpula do Clima.

“Nas últimas semanas, por meio de uma carta de Jair Bolsonaro ao presidente americano Joe Biden e pelo seu discurso na Cúpula dos Líderes de 22 de abril, o governo brasileiro buscou atribuir à gestão atual conquistas e responsabilidades que não condizem com a realidade recente do país. Passados dois anos sob Bolsonaro, foi demonstrada a absoluta incapacidade de construir um plano capaz de enfrentar o problema do desmatamento em suas muitas dimensões”, declaram as ONGs.

Ceticismo sobre Brasil antecede cúpula climática

  Ceticismo sobre Brasil antecede cúpula climática O governo que coleciona recordes negativos em proteção ambiental quer, em reunião organizada por Biden, convencer o mundo de que fará o contrário a partir de agora. A desconfiança é grande. © Eraldo Peres/AP Images/picture alliance Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles: pressão por mais ação contra o desmatamento Depois de quatro anos de inanição na era Donald Trump, o governo dos Estados Unidos busca um retorno marcante às negociações internacionais para conter a crise mundial do clima.

Queimada em Santo Antônio do Matupi, no sul do Amazonas © Gabriela Biló/Estadão Queimada em Santo Antônio do Matupi, no sul do Amazonas

Assinam a carta as organizações Greenpeace Brasil, Instituto de Estudos Econômicos (Inesc), Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto Socioambiental (ISA), Observatório do Clima (OC) e SOS Mata Atlântica. A reportagem procurou a vice-presidência da República para comentar o assunto. Não houve posicionamento até a publicação deste texto.

“O Plano Amazônia 21/22 e o discurso na cúpula climática expressam a falta de competência, credibilidade e compromisso com resultados efetivos de combate ao desmatamento, que comprometerão não apenas a saúde ambiental do Brasil e da Amazônia brasileira, como também a economia nacional, que ficará manchada pelo impacto climático e socioambiental desse desgoverno. Oferecer recursos ao Brasil, neste contexto, seria entregar um cheque em branco que aumentará a violência e a destruição da Amazônia”, diz o documento.

Por que política ambiental de Bolsonaro afasta ajuda financeira internacional?

  Por que política ambiental de Bolsonaro afasta ajuda financeira internacional? Brasil pedirá dinheiro para preservação em Cúpula do Clima, mas países ricos querem queda do desmatamento antes de abrir a carteira.Para o governo brasileiro, as nações desenvolvidas, sendo as maiores responsáveis pela emissão de carbono e o aquecimento global, têm obrigação de contribuir com a proteção da floresta e a viabilização de iniciativas de desenvolvimento que gerem renda para a população da Amazônia.

Na próxima sexta, 30, tem fim a Operação Verde Brasil 2, atuação de militares na Amazônia. A promessa do governo agora é focar esforços em 11 municípios com maior índice de desmatamento. Ocorre que esses locais são conhecidos há décadas pelo próprio governo.

A operação Verde Brasil 2 começou em 15 de maio do ano passado e, segundo Mourão, custou R$ 410 milhões. “Não é uma operação extremamente cara”, disse o vice-presidente em fevereiro, apesar deste valor superar, de longe, os orçamentos de órgãos como o Ibama, ICMBio e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que atuam diretamente em ações de fiscalização e monitoramento para defesa e proteção da Amazônia.

O desmatamento na região alcançou em 2020 a área de 11.088 Km², a maior desde 2008. O que o governo apresentou foi um plano vazio de conteúdo, que expressa a mera intenção genérica de até o final de 2022 reduzir o desmatamento aos níveis da média histórica do sistema Prodes, do Inpe (2016/2020), que é de 8.718 km².

Bolsonaro entra pela porta dos fundos na Cúpula do Clima enquanto sociedade civil cava espaço para diálogo com Biden

  Bolsonaro entra pela porta dos fundos na Cúpula do Clima enquanto sociedade civil cava espaço para diálogo com Biden Entidades e ativistas buscam contato com os EUA com a mensagem de que presidente não é confiável nem mudará atitude com relação à Amazônia. “Precisamos preparar o país para a retomada agenda ambiental no pós-Bolsonaro”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima , rede de 60 organizações da sociedade civil, segue na mesma direção: “O Governo norte-americano pode combater o desmatamento através de suas agências de fomento, a partir de projetos com governadores, comunidades indígenas e universidades. Ele pode abraçar projetos sem colocar dinheiro nas mãos do Governo federal”.

“É com essa atuação na contramão do combate ao desmatamento, com um plano vazio e um carta de intenções ao presidente Joe Biden que o governo brasileiro espera convencer a comunidade internacional de que precisa de recursos para trabalhar”, afirmam as ONGs.

Na última semana, um dia depois de dizer que ia ampliar os investimentos na área ambiental, o governo Bolsonaro declarou, na realidade, que havia reduzido os valores, com uma série de vetos no Ibama e ICMBio. Depois da repercussão, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, apresentou um pedido de suplementação de R$ 270 milhões ao Ministério da Economia, que, segundo Salles, se comprometeu em atender.

“O Plano Amazônia 21/22 e o discurso na cúpula climática expressam a falta de competência, credibilidade e compromisso com resultados efetivos de combate ao desmatamento, que comprometerão não apenas a saúde ambiental do Brasil e da Amazônia brasileira, como também a economia nacional, que ficará manchada pelo impacto climático e socioambiental desse desgoverno. Oferecer recursos ao Brasil, neste contexto, seria entregar um cheque em branco que aumentará a violência e a destruição da Amazônia”, concluem as ONGs.

As lições da favela que reduziu mortes por covid em 90% enquanto Rio vivia tragédia .
Projeto criado por moradores, Fiocruz e ONGs tem plano de isolamento 'sob medida' para moradores da favela da Maré, testagem em massa para covid e atendimento médico por telefone. O resultado foi queda de quase 90% nas mortes em três meses."Eu pensei: não tem como eu ficar duas semanas (de quarentena) em casa. Vou ter que sair", conta à BBC News Brasil. Foi então que a mãe de David pediu que ele fizesse o teste de covid por meio de um programa de combate ao coronavírus na favela da Maré criado, sem ajuda do governo, por moradores, pesquisadores da Fiocruz e ONGs.

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