Brasil Comunidade internacional condena abusos policiais no sétimo dia de protestos na Colômbia

22:26  04 maio  2021
22:26  04 maio  2021 Fonte:   istoe.com.br

Colômbia tem protestos violentos contra aumento de impostos

  Colômbia tem protestos violentos contra aumento de impostos Pelo quarto dia seguido, colombianos saem às ruas de várias cidades em atos contrários à proposta de reforma tributária do governo, que já deixaram ao menos seis mortos. © Juancho Torres/AA/picture alliance Colombianos em Bogotá no quarto dia de manifestações contra a reforma fiscal, que coincidiu com o Dia do Trabalhador Milhares de colombianos voltaram às ruas neste sábado (01/05) em protesto contra uma proposta de reforma tributária apresentada pelo governo. Coincidindo com a celebração do Dia do Trabalhador, este foi o quarto dia de manifestações no país, que resultaram em pelo menos seis mortes.

A ONU, a União Europeia e organizações de direitos humanos denunciaram nesta terça-feira(4) o uso desproporcional da força policial colombiana para controlar quase uma semana de protestos violentos contra o governo que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos.

“Estamos profundamente alarmados com os acontecimentos ocorridos na cidade de Cali (sudoeste) na Colômbia na noite passada, quando a polícia abriu fogo contra os manifestantes que protestavam contra a reforma tributária, matando e ferindo várias pessoas, segundo informações recebidas”, disse Marta Hurtado, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR).

Colômbia: ministro da Fazenda renuncia após seis dias de protestos que deixaram 19 mortos

  Colômbia: ministro da Fazenda renuncia após seis dias de protestos que deixaram 19 mortos O ministro colombiano da Fazenda, Alberto Carrasquilla, renunciou na segunda-feira (3), após apresentar um projeto frustrado de reforma tributária que provocou seis dias de protestos em massa. Confrontos dos manifestantes com a polícia deixaram 19 mortos e mais de 800 feridos. "Minha continuidade no governo dificultaria a construção rápida e eficiente dos consensos necessários", informou Carrasquilla em um comunicado. Ele será substituído pelo economista José Manuel Restrepo, atual ministro do Comércio, anunciou o presidente Iván Duque no Twitter.

O que começou na quarta-feira como uma nova manifestação contra uma reforma tributária já retirada se transformou em graves protestos contra o governo e confrontos com a força pública.

Na manhã desta terça-feira, pessoas tomaram as ruas e bloqueios foram levantados em rodovias da capital e de Cali, a terceira cidade do país e a mais afetada pelos distúrbios.

Hurtado fez “um apelo à calma (…) Dada a situação extremamente tensa, com militares e polícias destacados para acompanhar os protestos”.

Defensores dos direitos humanos e ONGs denunciam ameaças e casos de violência policial, que incluem civis mortos pelas mãos de homens uniformizados.

A União Europeia aderiu às advertências e pediu que se “evite o uso desproporcional da força”.

Presidente colombiano envia militares às ruas e alimenta agitação

  Presidente colombiano envia militares às ruas e alimenta agitação O presidente da Colômbia, Iván Duque, mobilizou militares nas ruas das principais cidades para controlar manifestações e distúrbios que rejeitam sua reforma tributária. Mas a decisão causa medo em um país atingido por mais de meio século de conflitos armados. Acompanhado do comandante do Exército, Duque anunciou no sábado que utilizará "auxílio militar" para combater "aqueles que, por meio da violência, do vandalismo e do terrorismo, procuram intimidar a sociedade".Repórteres da AFP notaram a presença de soldados durante as manifestações que começaram em todo país na quarta-feira passada.

Na segunda-feira, a Defensoria Pública do país registrou 19 mortos e 89 desaparecidos durante os dias de protesto no país.

O Ministério da Defesa contabilizou 846 feridos, sendo 306 civis.

– Cali, foco de protestos –

Os protestos e confrontos inflamaram a capital do departamento de Valle del Cauca, Cali, na noite de segunda-feira.

A cidade de 2,2 milhões de habitantes está militarizada desde sexta-feira por ordem do governo.

A Secretaria de Segurança local registrou cinco mortos nesta terça-feira e 33 feridos durante as manifestações e excessos no dia anterior.

O defensor público (ouvidor), Carlos Camargo, denunciou que uma pessoa da entidade, juntamente com outra da Procuradoria-Geral da República – encarregada de apurar irregularidades de funcionários – e três defensores dos direitos humanos, foram agredidos pela força pública enquanto prestavam assistência a detidos em Cali.

Ministro colombiano renuncia após protestos contra reforma tributária

  Ministro colombiano renuncia após protestos contra reforma tributária Queda do titular das Finanças ocorre após 19 mortes em atos contra aumento de impostos. Presidente Iván Duque desiste de proposta que afetaria classes baixa e média e propõe mais tributos sobre empresas e famílias ricas. © Fernando Vergara/AP Photo/picture alliance Protestos começaram na quarta-feira e deixaram mais de 800 feridos O ministro das Finanças da Colômbia, Alberto Carrasquilla, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (03/05), após cinco dias de protestos contra uma proposta de reforma tributária apresentada por sua pasta que deixaram 19 mortos e mais de 800 feridos.

Os cinco “foram ameaçados por agentes da polícia nacional que dispararam repetidamente para o ar e para o solo, atiraram granadas de atordoamento, abusaram verbalmente deles e exigiram que abandonassem o local”, afirmou.

A ONU participou dessa comissão, mas não foi “alvejada diretamente”, de acordo com seu escritório local de direitos humanos no Twitter.

O ministro da Defesa, Diego Molano, evitou referir-se ao ataque e garantiu que policiais e militares são vítimas de ataques orquestrados por grupos armados.

“O destacamento da força pública foi muito grande, sem precedentes, uma coisa apavorante (…) eles não entram negociando com a comunidade mas atirando nos cidadãos”, disse Yonny Rojas, da Fundação Créalo, que zela pelos Direitos Humanos em Siloé, um bairro de Cali.

Molano anunciou na sexta-feira a chegada a Cali de mais de 700 soldados, 500 homens da força de choque (Esmad), 1.800 policiais e dois helicópteros para apoiar a força pública local.

“Lembramos às autoridades do Estado sua responsabilidade de proteger os direitos humanos, inclusive o direito à vida e à segurança pessoal, e de facilitar o exercício do direito à liberdade de reunião pacífica”, advertiu a porta-voz do ACNUDH.

O presidente conservador Iván Duque enfrenta protestos sem precedentes nas ruas desde que chegou ao poder em 2018.

Sindicatos, indígenas, organizações civis, estudantes, entre outros setores insatisfeitos, exigem uma mudança de rumo de seu governo. As mobilizações atuais refletem também o desespero causado pela pandemia que atinge com força o país de 50 milhões de habitantes.

Em seu pior desempenho em meio século, o Produto Interno Bruto (PIB) da Colômbia despencou 6,8% em 2020 e o desemprego subiu para 16,8% em março.

Quase metade da população vive na informalidade e na pobreza, de acordo com dados oficiais.

Cresce a pressão internacional para que Duque acabe com a violência na Colômbia .
Presidente se reúne pela primeira vez com setores da oposição em uma tentativa de apaziguar os ânimos diante das críticas à repressão policial de protestosApós 10 dias mobilizações e distúrbios em que pelo menos 27 pessoas morreram com inúmeras imagens perturbadoras de uso excessivo da força e brutalidade policial, a delicada situação interna ameaça causar também uma crise diplomática.

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