Brasil 'Donos da verdade' fazem campanha 'em cima dos mortos', diz Bolsonaro sobre CPI da Covid

05:45  06 maio  2021
05:45  06 maio  2021 Fonte:   estadao.com.br

CPI da Covid começa com 'arsenal' que ameaça governo Bolsonaro; entenda

  CPI da Covid começa com 'arsenal' que ameaça governo Bolsonaro; entenda Comissão vai investigar a atuação do presidente no enfrentamento ao coronavírus e poderá convocar integrantes do governo e solicitar documentos sigilosos. Falta de vacinas deverá ser um dos focos.Outro foco da comissão será apurar possíveis ilegalidades no uso de recursos repassados pela União para estados e municípios atuarem contra a pandemia. A expectativa, porém, é que os trabalhos priorizem inicialmente a atuação do governo federal, e já há algumas "munições" disponíveis para serem usadas pelos senadores contra a gestão Bolsonaro.

Em meio ao segundo dia de depoimento na CPI da Covid do Senado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou nesta quarta-feira (5) a ameaçar editar um decreto contra medidas de isolamento social tomadas por governadores e prefeitos para, segundo o mandatário, garantir a realização de cultos e a "liberdade para poder A fala do mandatário ocorreu em evento no Palácio do Planalto, um dia depois de o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta ter apontado que Bolsonaro contrariou orientações do Ministério da Saúde baseadas na ciência para o combate à pandemia da Covid .

Presidente Jair Bolsonaro reclama de informações que a CPI da Covid quer obter dele sobre suas saídas às ruas, em que houve aglomerações. Hoje, Bolsonaro disse que quem é contra o chamado "tratamento precoce" e não oferece alternativas é "canalha". Ele também disse que a CPI deve analisar o efeito de "doses cavalares" da hidroxicloroquina no enfrentamento à pandemia em Manaus (AM). A capital foi a primeira a viver a segunda onda de coronavírus no Brasil.

RIO - O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quarta, 5, aqueles que, disse, se arvoram em “pais da ciência” e em “donos da verdade” e, segundo ele, fazem “campanha em cima dos mortos” na CPI da Covid do Senado. Bolsonaro também voltou a defender o uso da cloroquina e o tratamento precoce contra a doença, que têm sido muito criticados no colegiado, cujas sessões começaram nesta semana. As declarações do presidente vieram depois de depoimentos dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ambos contrários ao medicamento, cuja eficácia não foi comprovada cientificamente.

“Eu tomei hidroxocloroquina, no dia seguinte estava bom. David Uip (ex-coordenador do grupo de combate ao coronavírus do governo de São Paulo) tomou. Espero que seja convocado pela CPI", declarou. "Aqueles que estão se arvorando agora como pais da ciência na CPI, alguns poucos ali, donos da verdade, eu acredito na maioria deles, que farão a coisa certa, deviam ter procurado lá atrás. Onde nós erramos? O que poderia ter feito de melhor? Ficam atrás de holofote da imprensa para poder aparecer, fazendo uma campanha em cima de mortos. Isso é inadmissível".

CPI da Covid começa com Renan na relatoria e traição de governista

  CPI da Covid começa com Renan na relatoria e traição de governista Em derrota para governo, Omar Aziz (PSD) foi eleito presidente da comissão que investigará ações ou omissões de autoridades na resposta à pandemia no Brasil.Omar Aziz (PSD-AM), senador do Amazonas, Estado cujo sistema de saúde colapsou no início do ano devido à gravidade da pandemia, foi eleito presidente.

Em depoimento da CPI da Covid nesta quarta (05/05), o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, afirmou que deixou o cargo depois de apenas 29 dias em 2020 porque não tinha autonomia suficiente para exercer sua função e pela insistência do presidente Jair Bolsonaro na implementação do uso da cloroquina no combate ao coronavírus. Teich disse que o presidente não tentava interferir no seu trabalho e que a única orientação de Bolsonaro contrária à orientação técnica foi sobre o uso da cloroquina — que não tem comprovação científica no combate ao coronavírus.

Durante o depoimento para a CPI da Covid , o ex-ministro da Saúde Nelson Teich afirmou que saúde e economia não são coisas distintas e achou "ruim" a divisão feita pelo governo federal durante o enfrentamento da pandemia. A economia foi tratada como dinheiro e empresa e a saúde como vidas, sofrimento e morte, mas na verdade , tudo é gente. Quando você fala de economia você não fala de empresas, você fala de gente Nelson Teich, ex-ministro da Saúde. Mais cedo, o ex-ministro falou que saiu da gerência do Ministério da Saúde por divergir das perspectivas de Bolsonaro sobre o uso da

Bolsonaro insistiu no tratamento precoce, condenado por médicos como ineficaz e até perigoso. "Passou a ser crime falar em tratamento imediato? Eu quero que os que são contra me apresentem uma alternativa. Ou vão ficar no protocolo do Mandetta? 'Fiquem em casa, quando sentir falta de ar quase morrendo vai para o hospital'?", ironizou.

Bolsonaro também fez novas críticas às medidas de distanciamento social para combater a pandemia. Falou novamente da possibilidade de editar um decreto presidencial para reafirmar liberdades garantidas pela Constituição - no caso, para liberar as atividades econômicas.

"Estou falando demais ou vou ter que assinar um decreto pra dar liberdade a esse povo? É um crime o que estão fazendo no Brasil, com essa política indiscriminada de lockdown", afirmou, em entrevista à noite, nesta quarta-feira no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro alega risco sanitário para adiar CPI e vira piada

  Flávio Bolsonaro alega risco sanitário para adiar CPI e vira piada "Pra quê o açodamento?", alega Flávio Bolsonaro, que pede para que "todos sejam vacinados" antes da realização das reuniões. Discurso virou piada, uma vez que Jair Bolsonaro cria aglomerações diariamente e debocha da pandemiaNo entanto, a preocupação do senador não condiz com suas ações. Recentemente, Flávio Bolsonaro foi destaque na mídia ao viajar para o Ceará, em plena pandemia, para fazer turismo. No resort luxuoso, ele deslocou o braço e precisou colocar uma tipoia, vestida por ele na reunião desta manhã.

CPI da Covid : Bolsonaro foi alertado das consequências de não ouvir a ciência, diz Mandetta. O presidente da CPI pedia calma aos senadores e desculpas ao ministro Nelson Teich, que aguardava para continuar seu depoimento. O senador Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que a bancada feminina tinha o objetivo de prejudicar o presidente Jair Bolsonaro . "O que se busca aqui, parece-me, é engrossar o coro daqueles que querem dar peia no presidente Jair Bolsonaro ", afirmou Rogério.

O conselheiro nacional de Justiça disse que o presidente Jair Bolsonaro não pode ser convocado a depor na CPI da Covid por conta da equiparação entre os poderes. Durante o UOL Debate de hoje , o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI , fez um paralelo do atual contexto nacional citando as mortes que ocorreram nos campos de concentração da Alemanha, na época de Adolf Hitler. Já o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), afirmou ser importante que a comissão parlamentar não vire um "mero palanque político".

Referindo-se a declarações dadas pela manhã, ele afirmou: "Eu frisei muito o Artigo 5 da Constituição (que fala sobre direitos e garantias) e falei que é um pleonasmo abusivo um decreto com os incisos do Artigo 5. Dizer que o leite é branco, o café é preto, o açúcar é doce. Será que eu tenho que baixar um decreto nessa linha?"

Presidente compara vírus a invasor que deve ser emboscado

Bolsonaro questionou os efeitos econômicos das medidas contra a covid-19: "Se coloque na situação do chefe de família que perdeu o emprego, não pode mais vender churrasquinho de gato na esquina, biscoito Globo na praia, como essas pessoas estão sobrevivendo?", perguntou.

O presidente exaltou a assistência prestada pelo governo federal por meio do auxílio emergencial. "Só em 2020 nós pagamos de auxílio emergencial mais que os últimos dez anos de Bolsa Família, mais que os oito do governo Lula. Quero pagar mais? Quero. Mas o Brasil não pode continuar se endividando. Tem que voltar a trabalhar", afirmou.

Em seguida , o presidente reafirmou a necessidade de enfrentar a doença, comparando-a a uma pessoa que invade uma casa. "Temos que enfrentar o vírus. É igual alguém que está em casa, começa a ouvir barulho na cozinha de casa e vai pra debaixo da cama. Tem que pegar uma arma e esperar o cara para emboscar. Senão, ele vai entrar e barbarizar sua família. O vírus é a mesma coisa, tem que lutar", concluiu.

Também se referiu a um suposto episódio da Segunda Guerra Mundial. "Temos que buscar alternativas. As grandes curas foram de tentativas. Como na guerra do Pacífico a questão da transfusão com água de coco. Se não fosse a água de coco, teria morrido muita gente", comparou Bolsonaro.

Quem fizer toma lá, dá cá na CPI será cúmplice do morticínio .
Quem fizer toma lá, dá cá na CPI será cúmplice do morticínioO que o senhor achou da ação do Planalto na tentativa de impedir que Renan fosse relator da CPI?

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