Brasil Órgãos internacionais condenam operação policial com 25 mortes no Jacarezinho

04:35  08 maio  2021
04:35  08 maio  2021 Fonte:   estadao.com.br

Moradores e ativistas denunciam abusos em operação policial no Rio

  Moradores e ativistas denunciam abusos em operação policial no Rio Com 25 mortos, ação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho é a mais letal da história recente do estado. Residentes denunciam invasões de casas e execuções, e grupos de direitos humanos falam em tragédia inaceitável. © Silvia Izquierdo/AP Photo/picture alliance Após operação policial, moradores saíram às ruas da favela para pedir justiça Após a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro no período democrático, a qual deixou ao menos 25 mortos na favela do Jacarezinho nesta quinta-feira (06/05), moradores e ativistas denunciaram execuções e excessos cometidos por policiais, como invasões de casas e tor

Órgãos internacionais reagiram à operação policial que deixou 28 mortos nesta quinta-feira, 6, no Jacarezinho, Rio de Janeiro. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos condenou a ação e o presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, o congressista Gregory Meeks, também lamentou o ocorrido e cobrou investigações.

Na conta oficial do comitê no Twitter, o presidente criticou o uso excessivo da força policial na operação. “Ontem, a polícia do Rio de Janeiro realizou uma das operações mais mortíferas da história da cidade. Estou muito perturbado com esse uso excessivo da força no Jacarezinho”, relatou Meeks.

Defensora relata 'cenas de crime desfeitas' e 'choque' com morte em quarto de criança, após operação no Jacarezinho

  Defensora relata 'cenas de crime desfeitas' e 'choque' com morte em quarto de criança, após operação no Jacarezinho Deputada estadual e defensora pública que estiveram na favela do Jacarezinho depois da operação policial que deixou 25 mortos na quinta-feira descrevem cenários de devastação.A Defensoria Pública, a Comissão de Direitos Humanos da OAB e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio foram à favela e ouviram moradores.

O representante do 5º distrito de Nova Iorque na Câmara, também disse: “Em uma democracia, a polícia não deve atuar como juiz, júri e executor. Todos merecem o direito ao devido processo e a um julgamento justo. É necessária uma investigação completa para garantir que aqueles que ordenaram e cometeram esses atos sejam responsabilizados perante a lei.”

Moradores realizam protesto nas imediações do Jacarezinho na noite desta sexta-feira © WILTON JUNIOR / ESTADAO Moradores realizam protesto nas imediações do Jacarezinho na noite desta sexta-feira

Já a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão principal e autônomo da Organização dos Estados Americanos, relatou em nota extrema preocupação com a persistência da violência institucional no Brasil. E também recomendou o início das investigações imediatamente. “O Estado brasileiro deve iniciar imediatamente as investigações sobre esses crimes de forma imparcial, exaustiva e rápida, de acordo com os padrões interamericanos, bem como reparar as vítimas das violações de direitos humanos e seus familiares”.

Jacarezinho é alvo de massacre policial em chacina mais letal da história do RJ

  Jacarezinho é alvo de massacre policial em chacina mais letal da história do RJ Na manhã da última quinta-feira, os moradores da comunidade do Jacarézinho acordaram com cheiro de pólvora no ar. A polícia militar carioca fez sua operação mais assassina da história; 25 vidas foram ceifadas em uma suposta e falha tentativa de conter o tráfico no bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. – O uso da palavra ‘genocídio’ no combate ao racismo estrutural Operação no Jacarézinho foi tragédia humanitária; chacina ceifou 25 vidas do ‘bairro mais negro do Rio de Janeiro’. “Andamos pelo Jacarezinho, entramos em cinco ou seis casas, e vimos a mesma dinâmica: casas arrombadas, tiros, execução. Não tem marca de troca de tiros. É execução.

O documento ainda lembra que a ação policial ocorreu em contradição aos parâmetros do Superior Tribunal Federal (STF) na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635 que determina a não realização de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia de COVID-19.

A nota ainda aponta que a ação só poderia ser realizada em hipóteses absolutamente excepcionais e com comunicação prévia ao Ministério Público, que, segundo dados da própria polícia, só teria sido comunicada depois de três horas do início da operação.

MP do Rio cria força-tarefa sobre chacina do Jacarezinho pressionado por opinião pública e entidades de direitos humanos .
Grupo deverá apurar as denúncias de abuso policial. “Foi o batismo de fogo no bolsonarismo com um banho de sangue”, diz cientista social sobre apoio do governador Cláudio Castro à operação. Na polícia e na Promotoria, se acumulam sinais de desconforto com o STFApoie nosso jornalismo.

usr: 3
Isto é interessante!