Brasil Garimpeiros trocam tiros com PF em território Yanomami

11:50  12 maio  2021
11:50  12 maio  2021 Fonte:   poder360.com.br

Ataque a tiros deixa quatro mortos no estado do Rio

  Ataque a tiros deixa quatro mortos no estado do Rio Ataque a tiros deixa quatro mortos no estado do RioSegundo a Polícia Militar, quatro pessoas ficaram feridas e foram levadas para unidades de saúde da região: Hospital Geral de Nova Iguaçu e Unidade Pronto-Atendimento de Edson Passos.

Garimpeiros em uma embarcação fizeram nessa 3ª feira (11.mai) disparos de armas de fogo contra a equipe de policiais federais que estava na Comunidade Palimiú, dentro da Terra Indígena (TI) Yanomami em Roraima. Os policiais estavam no local apurando o ataque ocorrido na manhã de 2ª feira (10.mai), também por uma embarcação de garimpeiros, conforme denúncia realizada pelos Yanomami.

Indígenas da Comunidade Palimiu, na Terra Indígena Yanomami © Condisi-YY/Divulgação Indígenas da Comunidade Palimiu, na Terra Indígena Yanomami

Segundo informações da Polícia Federal, depois da apuração, quando a equipe de policiais federais estava prestes a voltar para Boa Vista, uma embarcação de garimpeiros passou no Rio Uraricoera efetuando os disparos. A equipe se abrigou e respondeu à agressão, mas não houve registro de atingidos de nenhum dos lados.

Caso Mahamudo Amurane: Tribunal anula despacho que despronunciava suspeitos

  Caso Mahamudo Amurane: Tribunal anula despacho que despronunciava suspeitos Ministério Público recorre e tribunal de Nampula anula despacho que despronunciava os dois suspeitos da morte do antigo edil de Nampula, Mahamudo Amurane. Político do MDM foi assassinado a tiros em sua casa em 2017. © DW/Sitoi Lutxeque Provided by Deutsche Welle O Tribunal Superior de Recurso de Nampula, no Norte de Moçambique, anulou o despacho que despronunciava dois homens acusados de serem os autores da morte, em 2017, do autarca da capital provincial, Mahamudo Amurane.

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De acordo com informações da Associação Yanomami Hutukara, o ataque de garimpeiros com armas de fogo contra a comunidade ocorrido na 2ª (10.mai) deixou ao menos 5 pessoas feridas, sendo 4 garimpeiros e 1 indígena. Ainda de acordo com a associação, os servidores do posto de saúde do território da comunidade Palimiú, local do ataque, foram removidos na própria 2ª feira.

O Ministério da Saúde confirmou que os profissionais da Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena no Polo Base da Comunidade Palimiú estavam sendo retirados do local e que a unidade de atendimento será reaberta assim que seja possível atuar em segurança.

Sem mortes

Depois do retorno da equipe de policiais, a PF informou que não foram encontrados corpos de garimpeiros mortos no local. Conforme a corporação apurou, 1 indígena foi atingido de raspão, sem gravidade.

A fotografia cartográfica de Caio Reisewitz

  A fotografia cartográfica de Caio Reisewitz Obra reunida na individual do artista na galeria Joan Prats, em Barcelona, informa sobre décadas de crise ambiental e florestalUm mapa de focos de incêndios compõe o repertório de referências da exposição Recado da Mata, na galeria Joan Prats, em Barcelona,. O Brasil teve, em 2020, o maior número de queimadas em uma década, subindo 15% em relação ao ano anterior. Implícito nesse mapa do fogo – e como pano de fundo da pesquisa que Reisewitz vem realizando há duas décadas sobre as relações entre as florestas e as cidades – há um mapa da devastação. Em 2020, o desmatamento da Amazônia brasileira atingiu sua maior marca em 12 anos, e mais de 95% dele é ilegal.

A ida até a Comunidade Palimiú na 2ª feira (10.mai) foi inviabilizada pelas condições climáticas, segundo a PF. No entanto, no próprio dia, 1 garimpeiro detido pelos indígenas foi levado pela Funai (Fundação Nacional do Índio) para a Superintendência da Polícia Federal para ser ouvido. Em seguida, foi liberado.

Segundo a PF, o garimpeiro informou que estava subindo o Rio Uraricoera com destino ao garimpo quando foi abordado por indígenas. Em seguida, outra embarcação apareceu –com não indígenas a bordo– e os passageiros começaram a atirar. Indígenas recolheram cápsulas de munição, dentre elas balas de calibres 20mm, 380mm e 9 mm, que teriam sido utilizados no conflito e entregaram para funcionários da Funai.

Ataque contra indígenas

A associação Yanomami informou que 7 barcos de garimpeiros portando armas de fogo teriam atracado no local por volta das 11h30 e atacado indígenas da comunidade, quando começou um conflito com tiroteio, que durou cerca de meia hora. O documento é assinado por Dário Vitório Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara.

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  O 'milagre' em que alemães e britânicos saíram das trincheiras para cantar juntos em plena guerra Em trincheiras da França, palco de ferozes e mortíferos combates, soldados dos dois lados fizeram, espontaneamente, uma trégua para celebrarem o Natal juntos; ouça o relato de testemunhos no podcast 'Que História!'.A trégua espontânea no dia de Natal de 1914 foi observada em vários pontos das frentes de batalha, mas durou pouco, e logo os violentos combates foram retomados. Mas ela se tornou um poderoso símbolo da boa vontade entre os povos e do ideal de convivência pacífica.

Em ofício enviado à Polícia Federal, ao MPF (Ministério Público Federal), ao Exército e à Funai, a associação pediu que os órgãos atuem para “impedir a continuidade da espiral de violência no local e garantir a segurança para a comunidade Yanomami de Palimiú”. Segundo a entidade, os garimpeiros deixaram o local, mas ameaçaram se vingar.

Funai

Um relatório assinado pela coordenadora da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kuana da Funai, Elayne Rodrigues Maciel, produzido na 2ª feira (10.mai), informa que os indígenas revidaram o ataque e que “não foi possível colher maiores informações sobre o fato, contudo é possível afirmar que este não foi o primeiro conflito naquela região e os indígenas temem novos ataques”.

Depois do confronto, os indígenas se esconderam na mata, pois os garimpeiros disseram que voltariam para atacar novamente a comunidade, de acordo com relato que consta no relatório da Funai. “Dada a gravidade dos fatos e o perigo iminente de novos conflitos, não será possível que a Funai diligencie até a comunidade para colher maiores informações sem que haja escolta das forças de segurança pública”, finaliza Elayne no documento.

"Estado brasileiro declarou guerra ao seu povo"

  Em entrevista à DW Brasil, coordenador do Instituto de Defesa da Pessoa Negra critica desrespeito aos direitos observado em operação policial que deixou 24 mortos na favela do Jacarezinho. © Jose Lucena/TheNEWS2/ZUMA Wire/picture alliance Policiais em ação na favela do Jacarezinho. Moradores denunciaram execuções O Rio de Janeiro foi palco da operação policial mais letal de sua história na última quinta-feira (06/05), com 24 mortos na favela do Jacarezinho, Zona Norte da cidade.

Nessa 3ª feira (11.mai), a Funai divulgou nota dizendo que “acompanha, junto às autoridades policiais, a apuração de suposto conflito ocorrido na 2ª feira na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.”

A fundação acrescentou que o documento foi elaborado internamente, de forma preliminar, e que não reflete a posição oficial da fundação. “O relatório apresenta versão unilateral sobre o ocorrido, com base em informações iniciais fornecidas por terceiro, carecendo, portanto, de apuração, o que já está a cargo das instituições policiais”, diz a nota.

MPF

O Ministério Público Federal em Roraima informou à Agência Brasil que está ciente sobre o conflito na TI Yanomami e que está aguardando informações oficiais dos agentes de campo para adotar as medidas cabíveis, dentro dos procedimentos existentes sobre garimpo ilegal em terras indígenas.

Esse tipo de conflito tem sido alertado pelo MPF em diversos procedimentos, inclusive com ações na Justiça Federal pedindo um plano de retirada de garimpeiros, temendo possível genocídio. A Justiça já até decidiu a favor do MPF e da retirada do garimpo ilegal na TIY”, disse o MPF.

Cimi

O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) manifestou indignação pelo ataque e exigiu o cumprimento por parte do Poder Executivo das obrigações constitucionais e das decisões proferidas pela Justiça. A entidade avalia que o episódio revela omissão e negligência do governo em coibir a violência permanente causada pelo garimpo.

Ataque a tiros em escola na Rússia deixa ao menos 8 mortos

  Ataque a tiros em escola na Rússia deixa ao menos 8 mortos Vítimas na cidade de Kazan, a leste de Moscou, incluem sete alunos e um professor. Suspeito de 19 anos foi preso. Governador fala em tragédia para todo o país. © Maksim Bogodvid/Sputnik/dpa/picture alliance Provided by Deutsche Welle Ao menos oito pessoas morreram e várias ficaram feridas após um ataque a tiros numa escola na cidade russa de Kazan nesta terça-feira (11/05), segundo autoridades russas.

Decisões no âmbito da Justiça Federal em 2018 e 2020 obrigam a União a adotar todas as medidas cabíveis para efetivar a retirada imediata e completa dos garimpeiros de dentro da TI Yanomami e a proteção do território”, divulgou, em nota, o conselho.

Maior reserva

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Indígena Yanomami tem 9,6 milhões de hectares entre os Estados de Roraima e Amazonas, onde vivem mais de 27.000 indígenas espalhados em cerca de 331 comunidades. Essa terra indígena foi homologada em 1992 e a atividade de garimpo nela é ilegal.

Metade da população desse território –um total de 13.889 indígenas– mora em comunidades a menos de 5 quilômetros de uma zona de garimpo, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Socioambiental. A estimativa é que mais de 20.000 garimpeiros entram e saem dos territórios indígenas yanomami sem nenhum controle.

Na região de Palimiú, mesma zona dos ataques de 2ª (10.mai) e de 3ª (11.mai), as lideranças indígenas denunciaram em abril outro tiroteio por parte de garimpeiros, depois da interceptação pelos indígenas de uma carga de quase 990 litros de combustível. Em fevereiro de 2021, a Associação Yanomami Hutukara denunciou um conflito na Aldeia Helepi, também na região do Rio Uraricoera, envolvendo grupos de garimpeiros armados.

Com informações da Agência Brasil

Polícia Federal envia tropas para terra indígena Yanomami após conflitos ente índios e garimpeiros .
O envio das tropas acontece após o alerta da Associação Rutukara Yanomami há dez dias . No início do mês de maio, o grupo enviou uma mensagem para Funai e Ministério Público sobre a recorrência de conflitos violentos entre índios e garimpeiros. Os Yanomami e entidades indígenas temem por um novo genocídio da população.

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