Brasil ‘Nunca mais sem nós’, a inédita eleição paritária de constituintes no Chile

17:21  12 maio  2021
17:21  12 maio  2021 Fonte:   istoe.com.br

Chile iniciará vacinação contra a covid-19 em pessoas de 35 a 44 anos

  Chile iniciará vacinação contra a covid-19 em pessoas de 35 a 44 anos Processo levará até duas semanas. 42,4% da população já foi vacinada“A maior segurança no fornecimento de vacinas permite-nos anunciar que vamos acelerar o nosso programa de vacinação para chegar, o mais rapidamente possível, às gerações mais jovens, que estão sendo as mais contaminadas”, declarou o presidente.

A inédita eleição paritária do próximo domingo no Chile para escolher quem vai redigir a nova Constituição, dará um passo a mais na representação eleitoral das mulheres e consagra um grito que ecoou nas ruas do país: “Nunca mais sem nós”.

Passaram-se 72 anos desde que o Chile concedeu direito de voto às mulheres, que agora serão protagonistas do processo eleitoral mais importante das últimas três décadas no país: a eleição dos 155 membros da Convenção Constituinte que redigirá uma nova Carta Magna para substituir a vigente desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Esta será a primeira vez no mundo que uma eleição será celebrada sob critérios de paridade de gênero tanto para a inscrição de candidatos quanto para definir os representantes que serão eleitos. Assim, por exemplo, se dois homens forem os mais votados, a lista correrá até a mulher com mais votos.

Conservadores britânicos obtêm vitória inédita em Hartlepool, ex-reduto trabalhista

  Conservadores britânicos obtêm vitória inédita em Hartlepool, ex-reduto trabalhista A contagem de votos das eleições locais e regionais teve início no Reino Unido depois da "super quinta-feira", como é chamada a maratona eleitoral no país que pode ter consequências importantes para o futuro do Partido Trabalhista. Em Hartlepool, na Inglaterra, os conservadores obtiveram uma vitória inédita nesta localidade dominada pelos trabalhistas há décadas. De acordo com estes resultados, os primeiros a serem anunciados após o fechamento das urnas, a candidata conservadora Jill Mortimer obteve 15.529 votos, quase o dobro do obtido por seu oponente trabalhista Paul Williams (8.589).

“Este é um ponto de inflexão na participação política das mulheres”, disse Mónica Zalaquett, ministra da Mulher e Igualdade de Gênero do Chile, em uma recente coletiva de imprensa.

Embora a lei de cotas, estabelecida em 2016, tenha aumentado a participação das mulheres na política, esta continua sendo escassa no Chile. O abismo salarial (28%) tampouco diminuiu e a participação feminina no mercado de trabalho é uma das mais baixas da região (41,2%).

No Congresso atual, dos 155 deputados apenas 35 são mulheres e entre os 43 senadores há dez mulheres.

– Longa luta –

A possibilidade de que um número igual de homens e mulheres escrevam a nova Constituição é um dos maiores feitos do poderoso movimento feminista que se configurou nos últimos anos no Chile.

Assentamentos populares: o surto abrupto de pobreza no Chile

  Assentamentos populares: o surto abrupto de pobreza no Chile Assentamentos populares: o surto abrupto de pobreza no ChileO poder político do país acreditava que o drama da pobreza havia sido controlado em seus anos de “boom” econômico. Mas as mobilizações em massa que estouraram a partir de 18 de outubro de 2019 impactaram a atividade produtiva, e a pandemia do coronavírus veio justamente quando a economia se recuperava no início de 2020, paralisando a atividade por vários meses.

“Isto é histórico porque abre uma janela de possibilidades muito grande”, disse à AFP Emilia Schneider, candidata constituinte que em 2019 se tornou a primeira presidente transgênero da Federação de Estudantes da Universidade do Chile.

Schneider ganhou notoriedade como porta-voz da maciça marcha feminista de 8 de março de 2018, que antecedeu as ocupações que se estenderam naquele ano e foram consideradas o ponto que revitalizou o movimento feminista chileno, que ergueu a voz contra a violência machista e defendeu uma educação não sexista.

O caso que cristalizou essa campanha foi a denúncia de abuso sexual contra um professor da faculdade de Direito da Universidade do Chile apresentada pela então estudante Sofía Brito, hoje uma escritora feminista de destaque que valoriza a igualdade conseguida.

“O que conseguimos no Chile é histórico; não só para nós, mas para todas as mulheres e dissidências em nível mundial”, disse à AFP.

Esperança e medo dos eleitores diante de mudança constitucional no Chile

  Esperança e medo dos eleitores diante de mudança constitucional no Chile “Esperamos conseguir um bom grupo de pessoas que trabalhe para todos”, afirma uma eleitora em Santiago que ecoa a esperança e também os temores despertados no Chile pelo processo de eleger os que redigirão a nova Constituição deste país fragmentado. Em uma eleição inédita de dois dias, em que além de eleger constituintes, prefeitos, vereadores e, pela primeira vez, governadores regionais, tudo gira em torno dos 155 candidatos que farão a redação da nova Constituição que substituirá a de 1980, herança da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Apenas em 2017 as chilenas conseguiram a aprovação de uma lei de aborto terapêutico, que permite interromper a gravidez em caso de estupro, risco de vida para a mãe ou inviabilidade fetal. Até aquele ano, o Chile era um dos poucos países do mundo que não permitia a interrupção da gravidez em hipótese nenhuma.

E apenas no ano passado, terminou-se com uma antiga normativa que proibia às mulheres – e não aos homens – voltar a se casar até 270 dias após o divórcio, com o objetivo de evitar dúvidas sobre a paternidade dos filhos.

Considerando esse passado, o feito da paridade “é algo surpreendente em um país que foi bastante lento em avançar para a igualdade de condições da mulher nos cargos de poder”, afirmou Marcela Ríos, representante residente adjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Chile.

– Constituição com perspectiva feminista –

No país do coletivo feminista Las Tesis, eleito pela revista Times como uma das lideranças mais influentes de 2020 após popularizar sua performance “Um estuprador no teu caminho” sobre a violência machista, as mulheres ainda têm muitos temas a abordar.

“A perspectiva feminista e de dissidências sexuais é algo que queremos dar em todo o processo constituinte, porque há uma tendência de setores mais conservadores de apequenar nossos espaços” e reduzi-lo apenas aos temas da violência ou dos direitos sexuais e reprodutivo, disse Schneider.

“Uma Constituição tem que ser considerada com uma perspectiva feminista desde seu primeiro artigo”, disse Brito.

No entanto, as duas advertem que o simples fato de mulheres serem eleitas não garante que as ideias feministas se plasmem na nova Constituição: “É preciso levar em conta que o feminismo não é uma identidade, mas um projeto político e uma visão de mundo”, afirmou Schneider.

Como nova Constituinte pode enterrar legado de Pinochet e mudar cara do Chile .
A eleição para constituintes, realizada no fim de semana, confirmou que os chilenos querem mudanças profundas no país, como demonstraram na série de protestos antes da pandemia e que levaram à votação para enterrar a Constituição atual.As regras para a escolha dos constituintes, com cadeiras respeitando a igualdade de gênero e os povos originários, já foram consideradas de vanguarda diante da trajetória do próprio país e do que ocorre hoje em outros países e regiões.

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