Brasil CPI da Covid: Quem é quem na reunião que sugeriu o ‘gabinete paralelo’ de Bolsonaro

12:17  08 junho  2021
12:17  08 junho  2021 Fonte:   estadao.com.br

Veja os principais momentos da CPI da Covid até agora

  Veja os principais momentos da CPI da Covid até agora Muita coisa aconteceu desde que Comissão Parlamentar de Inquérito começou em 27 de abril. Para quem não conseguiu acompanhar tudo, a BBC News Brasil fez uma seleção dos principais momentos até agora.Também teve diversas revelações sobre ações e omissões do governo federal durante a pandemia, testemunhas caindo em contradição, bate-boca entre parlamentares, senadores governistas fazendo perguntas com base em notícias falsas, oposição acusando depoentes de mentir e até um requerimento de convocação do Presidente da República.

Documentos apontam reuniões de gabinete paralelo da Saúde do governo Bolsonaro . Teriam sido ao menos 24 reuniões que aconteceram no Planalto ou no Alvorada. Após mais um depoimento desfavorável à gestão federal no combate ao coronavírus no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro reagiu à CPI da Covid nesta quinta-feira (27) com xingamento, ironias e provocações a integrantes da comissão. Bolsonaro está em São Gabriel da Cachoeira (AM) e começou a edição de sua live semanal dizendo que indígenas usaram um chá de raízes para evitar mortes provocadas pela Covid .

CPI da Covid : Bolsonaro foi alertado das consequências de não ouvir a ciência, diz Mandetta. "Eu estive com Vossa Excelência, no seu gabinete , em dezembro. Eu já dizia que nós iríamos enfrentar Sugeri , inclusive, que assumisse uma unidade hospitalar no Amazonas, diante da comprovação da A manifestação de Bolsonaro na ocasião foi interpretada por críticos como mais um esforço para

A CPI da Covid retoma os trabalhos nesta terça-feira, 8, e deve focar a investigação na existência de um suposto “gabinete paralelo”. Trata-se de um grupo extraoficial que aconselharia ações a serem tomadas pelo governo no combate à covid-19.

Senadores decidiram se concentrar neste tema após a divulgação de um vídeo na semana passada, pelo site Metrópoles, que mostra uma reunião entre defensores do tratamento precoce para a covid-19 e o presidente Jair Bolsonaro. A gravação repercutiu entre parlamentares da CPI por causa de uma fala do virologista Paolo Zanotto, que sugere no vídeo a formação de um “shadow cabinet”, com integrantes que não fossem expostos publicamente, para aconselhar o governo sobre vacinas contra o coronavírus.

Juristas convidados pela CPI da Covid fazem plano de trabalho; confira quem são eles

  Juristas convidados pela CPI da Covid fazem plano de trabalho; confira quem são eles Grupo de especialistas foi chamado pelos senadores para apresentar um estudo sobre possíveis crimes cometidos por Bolsonaro na pandemiaO professor adjunto de Direito Penal Salo de Carvalho, da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vai liderar o grupo.

A CPI da Covid pretende convocar o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) para questioná- lo sobre o “ gabinete paralelo ”, afirmou o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Segundo Renan, a presença do filho do presidente em uma reunião com a Pfizer sobre oferta de vacinas “ é um fato que embasará a qualquer momento, em qualquer circunstância, a convocação do vereador”. A participação de Carlos Bolsonaro na reunião foi confirmada pelo gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, após ser questionado sobre o tema em seu depoimento na CPI .

Bom Para Todos desta segunda-feira está ao vivo! O jornalista Leandro Fortes faz análise das notícias do dia e do fim de semana.Falamos com o tenente coronel

Após a divulgação do vídeo, o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que pretende convocar Zanotto e o agora deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) para prestarem depoimento à comissão. Para o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, as imagens comprovam a atuação do chamado gabinete paralelo.

Entenda quem estava na reunião ou foi mencionado no vídeo como integrante da iniciativa:

Osmar Terra

O ex-ministro da Cidadania Osmar Terra.   © Marcelo Camargo/Agência Brasil O ex-ministro da Cidadania Osmar Terra.

Ex-ministro da Cidadania, o deputado federal Osmar Terra sentava ao lado de Bolsonaro durante a reunião, que ocorreu em setembro. As declarações no evento indicam que ele foi o idealizador do encontro entre representantes da Associação Médicos pela Vida, principal grupo de profissionais a apoiar o uso de remédios sem eficácia contra a covid, e Bolsonaro. Um participante da reunião se refere ao deputado como “padrinho” do grupo.

Governo secreto

  Governo secreto Uma das maiores contribuições da CPI da Covid até o momento foi esclarecer que o governo criou um gabinete paralelo para lidar com a pandemia. Ele servia apenas ao presidente, à revelia da estrutura oficial. O estrago que esse grupo causou ao País ainda será apurado, mas a sua própria existência é reveladora de uma verdade ainda mais perturbadora sobre o governo Bolsonaro. O presidente criou um sistema personalista, que deriva basicamente do seuAlém dos filhos, o presidente se cerca de aliados que se movimentam fora do radar da opinião pública, como ocorreu com a pandemia.

A CPI da Covid pretende convocar o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) para questioná- lo sobre o " gabinete paralelo ", afirmou o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), em live do centro acadêmico da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Segundo Renan, a presença do filho do presidente em uma reunião com a Pfizer sobre oferta de vacinas " é um fato que embasará a qualquer momento, em qualquer circunstância, a convocação do vereador". A participação de Carlos Bolsonaro na reunião foi confirmada pelo gerente-geral da Pfizer na América Latina

Vídeo reforça a tese da CPI da Covid sobre a existência de gabinete paralelo no Planalto para tratar de pandemia. Na última terça-feira (1 º ), em depoimento à CPI , Nise Yamaguchi negou que integrasse um " gabinete paralelo " (vídeo abaixo). Na reunião , os profissionais apresentam a Bolsonaro opiniões contrárias às vacinas e favoráveis à hidroxicloroquina, remédio que comprovadamente não tem eficácia contra a Covid , mas é defendido pelo presidente e seus aliados.

Ao longo da pandemia, Osmar divulgou dados imprecisos sobre o coronavírus na sua conta pessoal no Twitter em várias ocasiões. Entre as imprecisões que ele divulgou está a tese de que seria necessário expor a população ao vírus para alcançar a chamada “imunidade de rebanho”. Ele também questionou a eficácia das vacinas e de medidas de distanciamento social, e usou exemplos que se mostraram incorretos.

Paolo Zanotto

Biólogo e virologista, Paolo Zanotto é professor do departamento de Microbiologia da Universidade de São Paulo (USP). Na reunião do grupo Médicos Pela Vida com Bolsonaro, em setembro, ele sugeriu a formação de uma equipe de especialistas em vacinas para aconselhar o governo.

Zanotto ressaltou que não tinha interesse em participar do “shadow cabinet”, expressão que usou para definir o grupo de aconselhamento, pois não era especialista em vacinas. No entanto, na mesma reunião lançou dúvidas sobre a eficácia das vacinas contra a covid-19 que, naquele momento, estavam em fase final de testagem.

Em CPI, Nise revela preocupação com mudança em bula da cloroquina: 'Exporia muito o presidente'

  Em CPI, Nise revela preocupação com mudança em bula da cloroquina: 'Exporia muito o presidente' Médica oncologista entregou à comissão um documento comprovando que mudança foi sugerida ao presidente Jair Bolsonaro .Na mensagem trocada com o médico Luciano Dias Azevedo por WhatsApp, no dia 6 de abril de 2020, Nise escreveu: "Oi, Luciano. Este decreto não pode ser feito assim, porque não é assim que regulamenta a pesquisa clínica. Tem normas próprias. Exporia muito o presidente".

O presidente da CPI da Covid , Omar Aziz (PSD-AM), pautou para amanhã (8) a votação de oito requerimentos de quebras de sigilo telefônico e telemático de pessoas supostamente envolvidas no chamado “Ministério da Saúde paralelo ”. Na lista dos pedidos que podem ser analisados nesta terça, estão os do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos); do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten; do assessor da Presidência da República Filipe G. Martins, dos ex-ministros Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo e da Secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde

O “ gabinete paralelo ” da Saúde entrou na mira da CPI da Pandemia. A comissão deve votar na terça-feira (8) requerimentos para convocar e quebrar sigilos de supostos integrantes do grupo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro . A reunião está marcada para as 9h. Ela deve apresentar dados do estudo “Mortes Evitáveis de Covid -19 no Brasil”. O senador Alessandro Vieira sugere ainda a convocação do desenvolvedor ou do técnico responsável pelo aplicativo TrateCov. Lançada pelo Ministério da Saúde em janeiro deste ano, a plataforma sugeria a prescrição de drogas

“Com todo respeito acho que a gente tem de ter vacina, ou talvez não, porque o grande problema com os coronavírus é que eles têm, intrinsecamente, problemas no desenvolvimento vacinal”, diz o virologista. “A gente não tem condições de dizer que tem qualquer vacina que poderia estar, realisticamente, no que eles chamam de fase 3. Isso é muito sério.”

Meses depois, porém, países com programas de vacinação em massa observaram queda expressiva no número de casos e mortes por coronavírus. É o caso de Israel – que hoje tem mais de 60% da população vacinada e deixou de registrar mortes –, e algumas regiões dos Estados Unidos. Com mais de 57% dos adultos vacinados, a cidade de Nova York viu o número de casos cair 95% e, recentemente, ficou 24h sem registrar mortes por coronavírus pela primeira vez desde o início da pandemia.

Nise Yamaguchi

A médica Nise Yamaguchi presta depoimento à CPI da Covid © GABRIELA BILÓ / ESTADÃO A médica Nise Yamaguchi presta depoimento à CPI da Covid

Especializada na área de oncologia, a médica Nise Yamaguchi foi convidada pelo presidente para integrar o gabinete de crise de combate ao coronavírus, em abril do ano passado, e participou de reuniões do governo para debater políticas de combate à pandemia. Na semana passada, ela prestou depoimento na CPI da Covid e disse que chegou a discutir a formação de um “conselho científico independente”, sem vínculo com o Ministério da Saúde.

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  CPI da Covid: por que o STF autorizou o governador do AM a não ir depor no Senado Gestor estadual seria questionado sobre o colapso da saúde no Amazonas em janeiro e supostos desvios de recursos federais para combater a pandemia.O depoimento de Lima à CPI da Covid estava previsto para 29/06. Porém, foi adiantado para 10/06 após a Polícia Federal deflagrar, em 02/06, uma operação para apurar suspeita de irregularidades relacionadas ao Hospital de Campanha Nilton Lins, em Manaus, alugado pelo Estado para atender pacientes com covid-19.

Em seu depoimento, Nise também disse que o advogado Arthur Weintraub, ex-assessor da Presidência, tinha o papel de “unir dados” para esse aconselhamento informal.

Na época em que foi convidada para o gabinete de crise, a oncologista deu declarações à imprensa confirmando que seu papel era reunir a produção científica sobre a cloroquina e liderar um processo de flexibilização das regras sobre a substância. Ela afirmava que a finalidade era permitir que médicos tivessem a liberdade de prescrever o medicamento para covid-19.

A especialista também foi cotada para assumir o Ministério da Saúde em duas ocasiões: na saída de Nelson Teich, em maio de 2020, e na saída de Mandetta, um mês antes.

Arthur Weintraub

Ex-assessor da Presidência da República, o advogado Arthur Weintraub foi citado como um interlocutor entre o governo e especialistas que defendem o tratamento precoce e o uso da cloroquina para o tratamento da covid-19. Ele também gravou vídeos em que diz ter recebido orientação do presidente Jair Bolsonaro para “estudar” o tema, e que passou a conversar com profissionais da área da saúde, entre eles Nise Yamaguchi e Paolo Zanotto.

Arthur admitiu, em outro vídeo, que aconselhou Bolsonaro sobre medicamentos a serem usados contra o coronavírus. Ele negou, entretanto, que sua atividade se caracterizasse por organizar o que vem sendo chamado pelos senadores da CPI da Covid como “gabinete paralelo”.

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  Quem é Nise Yamaguchi? Conheça a médica que vai depor na CPI sobre ‘gabinete paralelo’ Senadores esperam que depoimento fortaleça tese de que Bolsonaro tinha estrutura de especialistas fora do Ministério da SaúdeCom extenso currículo no campo da oncologia clínica, a médica surpreendeu colegas, há pouco mais de um ano, com sua postura pró-cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra o coronavírus, capaz de provocar efeitos colaterais adversos. Próxima de Jair Bolsonaro, ela chegou a ser cotada para assumir o Ministério da Saúde. O presidente é um entusiasta do chamado tratamento precoce com o uso do remédio, indicado para malária e amebíase, entre outras doenças.

“Eu não organizei gabinete, eu fazia contatos científicos e trazia informações pro presidente. Dentro disso, eu fiz um evento, em agosto de 2020, no Palácio do Planalto, porque eu acabei tendo contato com em torno de 10 mil médicos de linha de frente”, disse Weintraub.

Antônio Jordão

O oftalmologista Antônio Jordão, presidente da Associação Médicos pela Vida, ao lado do presidente Bolsonaro © Reprodução/Facebook O oftalmologista Antônio Jordão, presidente da Associação Médicos pela Vida, ao lado do presidente Bolsonaro

O oftalmologista Antônio Jordão é presidente da Associação Médicos Pela Vida, e também sentou-se ao lado de Bolsonaro durante a reunião no Planalto, em setembro. Jordão coordena o principal grupo de promoção do tratamento precoce, com uso da cloroquina e da ivermectina, contra a covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) já divulgaram notas que desaconselham o uso desses medicamentos.

Na reunião, Zanotto entregou a Bolsonaro um manifesto de apoio à condução da pandemia pelo governo federal, que continha também sugestões para a adoção de novas medidas. Uma das reivindicações que o grupo fazia, à época, era que medicamentos para o suposto tratamento precoce da covid-19 fossem distribuídos em farmácias e na rede pública. Na lista estavam substâncias já testadas e que se mostraram inócuas para combater a covid-19.

O Estadão mostrou, em abril, que a Médicos Pela Vida recebe apoio técnico de um grupo empresarial que fabrica a ivermectina. A ligação entre a entidade e a empresa pode configurar conflito de interesse, segundo o Código de Ética Médica. De acordo com o documento, é vedado ao médico “deixar de declarar relações com a indústria de medicamentos, órteses, próteses, equipamentos, implantes de qualquer natureza e outras que possam configurar conflitos de interesse, ainda que em potencial”.

Com Nise Yamaguchi, CPI enfrenta o dilema de dar palco ao negacionismo da pandemia .
Durante a sessão desta terça-feira, a médica oncologista, ferrenha defensora da cloroquina no tratamento de covid-19 não apresentou nenhuma evidência científica e apenas insistiu em seu discurso a favor do chamado “tratamento precoce”Em seu depoimento como convidada na CPI da Pandemia, a médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, ferrenha defensora da prescrição de cloroquina para pacientes com covid-19, apesar da comprova ineficácia do remédio, limitou-se a repetir seu discurso negacionista sem apresentar evidências científicas, além de citar dados incorretos e fazer declarações falsas sobre as vacinas contra essa doença.

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