Brasil Pfizer era redundante nos e-mails, diz Elcio Franco à CPI da Covid

03:56  10 junho  2021
03:56  10 junho  2021 Fonte:   poder360.com.br

Veja os principais momentos da CPI da Covid até agora

  Veja os principais momentos da CPI da Covid até agora Muita coisa aconteceu desde que Comissão Parlamentar de Inquérito começou em 27 de abril. Para quem não conseguiu acompanhar tudo, a BBC News Brasil fez uma seleção dos principais momentos até agora.Também teve diversas revelações sobre ações e omissões do governo federal durante a pandemia, testemunhas caindo em contradição, bate-boca entre parlamentares, senadores governistas fazendo perguntas com base em notícias falsas, oposição acusando depoentes de mentir e até um requerimento de convocação do Presidente da República.

O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco disse nesta 4ª feira (9.jun.2021) à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado que a farmacêutica Pfizer era “muito redundante” nos e-mails que enviava à pasta para tratar da venda de vacinas.

Ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco criticou a repetição do envio de emails da farmacêutica © Sérgio Lima/Poder360 09.jun.2021 Ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco criticou a repetição do envio de emails da farmacêutica

“Por vezes a Pfizer emitiu 5 vezes um e-mail com o mesmo teor, 4 vezes no mesmo dia. Ela era muito redundante. Outros e-mails eram justamente respostas a demandas que o ministério havia feito”, declarou.

O que é e para que serve uma CPI?

  O que é e para que serve uma CPI? Advogado criminalista explica que a Comissão Parlamentar de Inquérito busca pela “reconstrução histórica dos fatos” , através de convocação de depoimentos, testemunhas, acesso à documentos sigilosos e em atos mais extremos, quebra de sigilo bancário, fiscal e de dados. CPI pode prender? © Fornecido por TV Cultura Uma dúvida bastante comum que circulou nas redes sociais com a CPI da Covid-19, é sobre o direito da comissão de decretar prisão.

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), perguntou ao ex-secretário se ele considera “redundante” as tratativas sobre a vacina.

Receba a newsletter do Poder360

“Nós demos o máximo de atenção a isso”, respondeu Franco. “Nós tínhamos telefone, estávamos em tratativas, estávamos estudando”.

Durante a CPI, Randolfe afirmou que foram feitas 81 correspondências entre a Pfizer e o governo brasileiro na pandemia, “90% dessas sem resposta”, segundo o senador.

Ao final da sessão, Franco entregou a Randolfe uma análise das trocas de mensagens entre a Pfizer e o Ministério da Saúde, com o assunto tratado nos e-mails.

O ex-secretário também falou que um vírus na rede de computadores do ministério impediu a análise das primeiras propostas de venda de vacinas feitas pela farmacêutica. A informação já havia sido repassada à CPI.

CPI da Covid: o que será investigado sobre suposto ‘ministério paralelo’ de Bolsonaro

  CPI da Covid: o que será investigado sobre suposto ‘ministério paralelo’ de Bolsonaro Convocação de Carlos Wizard, Arthur Weintraub e Nise Yamaguchi visa jogar luz sobre o que senadores de oposição dizem ser uma estrutura extraoficial de tomada de decisões na Saúde.Serão convocados nas próximas sessões nomes como o empresário Carlos Wizard (em 17 de junho) e o ex-assessor especial da Presidência Arthur Weintraub (ainda sem data) e, na semana passada, já havia sido definido um convite à médica Nise Yamaguchi, que deve depor na terça-feira (1° de junho).

Na 6ª feira (4.jun), Randolfe afirmou que o governo federal deixou de responder 53 e-mails da farmacêutica. Segundo o congressista, o último, datado de 2 de dezembro de 2020, é “um e-mail desesperador da Pfizer pedindo algum tipo de informação porque eles queriam fornecer vacinas ao Brasil”.

Butantan

Mais cedo na CPI, Elcio disse que as negociações com o Instituto Butantan pela CoronaVac não foram interrompidas no Ministério da Saúde depois que o presidente Jair Bolsonaro mandou cancelar a compra dos imunizantes em outubro de 2020.

“Não recebi ordem para interromper, e elas continuaram. Essas tratativas continuaram. E o Instituto Butantan, como eu falei, o Dr. Dimas Covas e a Cintia tinham o meu telefone e, em caso de alguma dificuldade de comunicação, eles poderiam ter mandado mensagem para o meu WhatsApp e poderiam ter conversado comigo.”

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), perguntou se houve debates no ministério sobre a tese da imunidade de rebanho, que diz que se muitas pessoas se contaminarem com o vírus, seu risco seria diminuído por essa imunidade comunitária.

Ministério da Economia foi responsável por tirar cláusula de compra de vacinas da Pfizer, diz Élcio Franco

  Ministério da Economia foi responsável por tirar cláusula de compra de vacinas da Pfizer, diz Élcio Franco Ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde depõe à CPI da Covid nesta quarta-feira (9)Segundo Franco, embora houvesse aprovação de outros órgãos do governo, a retirada de um trecho da MP que permitiria a compra do imunizante da Pfizer foi feita após discordância da pasta.

“Nunca se discutiu, na área técnica do ministério, entre os secretários, com o ministro, essa ideia de imunidade de rebanho a que o senhor se referiu. Então, nós não visualizávamos isso. Tínhamos a noção da gravidade da pandemia. E, assim como a influenza, a gente imaginava que teríamos que ter campanhas anuais de vacinação”, respondeu Elcio.

O ex-secretário também negou que o tratamento precoce com remédios sem eficácia comprovada contra covid-19 tenha sido uma orientação da pasta. Também negou saber da existência de um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde, e disse que não se lembrava de ter tido contato com integrantes desse grupo.

Convocações

A CPI da Covid aprovou nesta 4ª feira (9.jun) a convocação do servidor do TCU (Tribunal de Contas da União) Alexandre Figueredo Marques, que fez um relatório que dizia que as mortes por covid-19 no Brasil estariam super notificadas.

O ex-ministro e deputado Osmar Terra (MDB-RS) também foi convocado. Ele é apontado como defensor para o governo do chamado tratamento precoce com remédios sem comprovação de eficácia.

Queiroga contradiz Bolsonaro e afirma que cloroquina não tem eficácia comprovada .
Em seu 2º depoimento na CPI da Covid, ministro da Saúde muda discurso sobre medicamentos contra covid-19, e diz que não é 'censor' do presidenteEmbora o ministro admita agora que medicamentos como cloroquina não têm eficácia comprovada no combate à covid-19, Bolsonaro ainda incentiva o uso dessas substâncias. Somente no ano passado, por exemplo, o Exército gastou R$ 1,14 milhão na produção de 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina. A informação consta de documento entregue pelo Ministério da Defesa à CPI.

usr: 6
Isto é interessante!