Brasil Bolsonaro deixa o hospital após quatro dias de internação

04:48  19 julho  2021
04:48  19 julho  2021 Fonte:   dw.com

Internação de Bolsonaro tem 'hospitalciata' e disputa de gritos pró e contra do lado de fora

  Internação de Bolsonaro tem 'hospitalciata' e disputa de gritos pró e contra do lado de fora SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A repentina internação do presidente Jair Bolsonaro modificou a rotina no hospital Vila Nova Star, na Vila Nova Conceição (zona sul de São Paulo), onde ele deu entrada na quarta-feira (14) à noite. A mudança mais vistosa -e barulhenta- é a presença da imprensa logo na entrada. Durante o dia, ao menos 30 profissionais, incluindo repórteres, cinegrafistas e fotógrafos, ficam de prontidão, entre câmeras, luzes, fios e computadores. Nos intervalos, conversam e falam ao telefone. O plantão jornalístico no local se resume à espera da divulgação dos boletins sobre o estado de saúde do presidente.

Na saída do hospital, presidente de extrema direita atacou CPI e voltou a defender drogas ineficazes contra a covid. "Só Deus me tira daquela cadeira", disse.

Bolsonaro durante a internação. Durante o período, presidente divulgou várias forografias similares, sempre sem máscara © Jair Bolsonaro's official Twitter account/AFP Bolsonaro durante a internação. Durante o período, presidente divulgou várias forografias similares, sempre sem máscara

O presidente Jair Bolsonaro recebeu alta na manhã deste domingo (18/07), após apresentar passar quatro dias internado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, para tratar uma obstrução intestinal.

Segundo boletim divulgado pelo hospital, Bolsonaro vai seguir recebendo acompanhamento ambulatorial após receber alta. A nota, porém, não informa se o presidente está completamente recuperado da moléstia.

Bolsonaro passa quarta noite no hospital e pode receber alta neste domingo

  Bolsonaro passa quarta noite no hospital e pode receber alta neste domingo “O sistema digestivo de Bolsonaro está funcionando, já há passagem de alimentos, e está sem obstruções”, informou o médico-cirurgião Antonio Luiz Macedo, que acompanha o presidente desde 2018“O sistema digestivo de Bolsonaro está funcionando, já há passagem de alimentos, e está sem obstruções”, disse Macedo, que parou para falar rapidamente com jornalistas no sábado, 17, na porta do hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo.

"O senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, teve alta hoje do Hospital Vila Nova Star, da Rede D'Or. Ele estava internado desde a quarta-feira, 14 de julho, para tratar um quadro de suboclusão intestinal. Ele seguirá com acompanhamento ambulatorial pela equipe médica assistente", diz a nota divulgada pelo hospital.

Bolsonaro deixou o hospital por volta das 9h40. Na saída, falou com jornalistas - sem usar máscara. Ele aproveitou a ocasião para defender as medidas tomadas pelo seu governo na gestão da pandemia, incluindo a promoção de drogas ineficazes contra a covid-19. O presidente disse que "tratam como criminoso quem fala em cloroquina e ivermectina" - duas drogas já desacreditadas no uso contra a covid-19. "Tudo que eu falo se volta contra mim como se eu fosse um genocida", disse Bolsonaro.

Bolsonaro caminha sem máscara em corredor de hospital, tem evolução, mas segue sem previsão de alta

  Bolsonaro caminha sem máscara em corredor de hospital, tem evolução, mas segue sem previsão de alta SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passa bem e segue evoluindo, informou nesta sexta-feira (16), por volta de 13h, o hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde ele deu entrada na noite de quarta-feira (14). O novo boletim médico afirma que Bolsonaro "passa bem e permanece evoluindo satisfatoriamente, com a conduta médica inalterada". A nota, assinada pelo médico Antônio Luiz Macedo e outros quatro medicos, afirma não haver previsão de alta. Ao jornal O Globo Macedo disse prever a alta em dois dias. Mais cedo, às 11h40, Bolsonaro postou uma foto em que caminha pelo hospital. "Em breve de volta a campo, se Deus quiser.

Contrário a medidas de isolamento e costumaz crítico de vacinas, Bolsonaro ainda citou a proxalutamida, que se tornou a nova ideia fixa do presidente nos últimos meses, afirmando que vai instruir o Ministério da Saúde a elaborar um estudo sobre a ação do fármaco contra covid-19.

A Proxalutamida foi desenvolvida na China para o tratamento de câncer de próstata e de mama, e também não tem eficácia comprovada contra o coronavírus. Um estudo citado pelo presidente para defender o remédio também já levantou suspeitas de fraude, segundo o jornal O Globo.

Bolsonaro ainda atacou a CPI da Pandemia, que tem investigado a má gestão governamental da crise sanitária e suspeitas de corrupção na compra de vacinas envolvendo militares bolsonaristas e aliados do presidente.

"Querem derrubar o governo? Já disse, só Deus me tira daquela cadeira. Será que não entenderam que só deus me tira daquela cadeira", disse Bolsonaro.

Bolsonaro fez teste para covid antes de tirar fotos com pacientes, diz hospital

  Bolsonaro fez teste para covid antes de tirar fotos com pacientes, diz hospital Nota também afirma que uma simpatizante pediu para ser fotografada ao lado do presidente ”. Bolsonaro está internado no hospital desde 4ª feira (14.jul), depois de ser transferido do Hospital das Forças Armadas, em Brasília. O chefe do Executivo trata uma obstrução intestinal. Foi levado ao hospital depois de sentir dores abdominais na madrugada de 4ª feira (14.jul). Na noite de 5ª feira (15.jul), médicos retiraram a sonda nasogástrica que o presidente estava utilizando.

Logo depois de falar com jornalistas, Bolsonaro foi para o aeroporto de Congonhas e seguiu num voo para Brasília. A agenda do presidente não mostra compromissos para este domingo e segunda-feira.

Internação explorada midiaticamente

O presidente foi levado inicialmente para o Hospital das Forças Armadas, em Brasília, na madrugada da última quarta-feira, após sentir dores abdominais. Bolsonaro ainda vinha sofrendo há mais de uma semana com um quadro de soluço persistente. No mesmo dia, foi transferido para São Paulo.

Seu cirurgião, Antonio Luiz Macedo, disse que a obstrução está relacionada ao histórico de saúde do presidente, que inclui a facada que ele levou durante a campanha eleitoral de 2018 e as cirurgias subsequentes.

Esses procedimentos afetaram o intestino, que se tornou mais sensível a aderências, o que pode gerar obstruções com a ingestão de alimentos mais espessos e mal mastigados, disse o médico. Bolsonaro já passou por quatro cirurgias após o atentado de 2018.

Com a popularidade em queda vertiginosa, Bolsonaro explorou a internação de maneira midiática. As redes sociais de Bolsonaro mostraram fotografias do presidente prostrado no leito do hospital. Outras imagens divulgadas mostraram Bolsonaro caminhando sem máscara pelo hospital e cumprimentando outros pacientes.

Com obstrução intestinal, Bolsonaro é transferido a São Paulo para possível cirurgia de emergência

  Com obstrução intestinal, Bolsonaro é transferido a São Paulo para possível cirurgia de emergência BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro está sendo transferido para São Paulo, após seu médico constatar nesta quarta-feira (14) um quadro de obstrução intestinal. Na capital paulista, ele passará por novos exames para verificar se uma cirurgia de emergência será necessária. A informação foi confirmada por nota do Palácio do Planalto. "Após exames realizados no HFA [Hospital das Forças Armadas], em Brasília, o Dr. [Antonio Luiz de Vasconcellos] Macedo, médico responsável pelas cirurgias no abdômen do Presidente da República, decorrentes do atentado a faca ocorrido em 2018, constatou uma obstrução intestinal e resolveu levá-lo para São Paulo onde fará e

Nas redes sociais, influencers bolsonaristas tentaram pintar o presidente de extrema direita como uma espécie de mártir e ainda espalharam mirabolantes teorias conspiratórias sobre o estado de saúde de Bolsonaro, sugerindo que ele havia sido envenenado. As contas de Bolsonaro, controladas pelo seu filho, o vereador Carlos, também publicaram no período ataques à CPI da Pandemia e chegaram a ligar falsamente o PT ao ataque a faca que o presidente sofreu em 2018.

Atentado

Bolsonaro foi alvo de um ataque com faca em 6 de setembro de 2018, quando participava de um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Após o atentado, ele fez uma cirurgia inicial na Santa Casa de Juiz de Fora e depois uma segunda, em São Paulo. Ele permaneceu três semanas internado e recebeu alta no final de setembro.

Em janeiro de 2019, já ocupando a presidência, ele foi novamente submetido a uma cirurgia para a retirada de uma bolsa de colostomia e reconstrução do trânsito intestinal. Em setembro daquele ano, o presidente passou pela quarta cirurgia, desta vez para tratar uma hérnia que apareceu no local das intervenções anteriores.

O agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso logo depois do atentado. A investigação da Polícia Federal concluiu que Adélio agiu sozinho. Uma juíza também ordenou a quebra do sigilo de dados de celulares de Adélio.

Em maio de 2019, um juiz da 3ª vara da Justiça Federal em Juiz de Fora decidiu que Adélio Bispo não poderia ser punido criminalmente em razão de sofrer transtorno mental.

A decisão foi tomada com base em avaliações psiquiátricas, inclusive com uma entrevista feita por um médico indicado pela defesa de Bolsonaro.

O juiz do caso ainda aplicou em Adélio o mecanismo da "absolvição imprópria", previsto quando uma pessoa não pode ser condenada por ser inimputável, e determinou a internação do agressor por tempo indeterminado na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

Bolsonaro, que desde o atentado alimenta dúvidas sobre as conclusões do inquérito da PF e costuma sugerir que Adélio fazia parte de uma conspiração, não apresentou nenhum recurso dentro do prazo contra a decisão.

jps (ots)

Entenda a escalada golpista de Bolsonaro e suas possíveis consequências .
SÃO PAULO E MOGI DAS CRUZES, SP (FOLHAPRESS) - Apesar de ser conhecido o modus operandi do presidente Jair Bolsonaro, que radicaliza seu discurso sempre que se vê sob pressão, suas repetidas declarações de ameaças à realização das eleições de 2022 têm gerado cada vez mais preocupação de uma tentativa de golpe. Especialistas em direito e ciências sociais consideram negativa a banalização e a escalada deste tipo de discurso golpista sem que haja uma reação à altura por parte das demais instituições democráticas.

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