Brasil Caatinga é o bioma mais afetado por incêndios em todo o País

13:51  25 agosto  2021
13:51  25 agosto  2021 Fonte:   estadao.com.br

Queimadas atingiram 20% do território nacional nas últimas três décadas

  Queimadas atingiram 20% do território nacional nas últimas três décadas Os dados fazem parte de um estudo inédito realizado pelo Mapbiomas, um projeto integrado realizado por universidades, organizações ambientais e empresas de tecnologia . Durante um ano e meio, os pesquisadores se debruçaram no processamento de mais de 150 mil imagens geradas por uma série de satélites, analisando dados dos anos 1985 a 2020. Com recursos de inteligência artificial, foram sobrepostas imagens detalhas com registros de queimadas ocorridas nos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro, em todos os tipos de uso e cobertura da terra.

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Embora a média geral das queimadas no País esteja estável desde o ano passado, algumas regiões apresentam elevação preocupante no número de incêndios. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que a Caatinga é o bioma mais afetado, com aumento de 157% nos focos de incêndio na comparação de janeiro a agosto deste ano com igual período de 2020. Também sofrem com o aumento da devastação o Cerrado (33%) e a Mata Atlântica (28%).

Considerando-se os Estados, a tendência também é de crescimento. Das 26 unidades da federação mais o Distrito Federal, 19 apresentaram elevação. O Estado de São Paulo, onde um incêndio devastou 80% do Parque Estadual do Juquery no último fim de semana, apresentou aumento de 28% nos focos de incêndio. O número absoluto passou de 2.383 para 3.070 na comparação até 23 de agosto. Só em julho foram 808 focos, número acima da média de 579 para o mês. Em todo o País, foram 78.339 queimadas até 23 de agosto – número quase igual ao de mesmo período do ano passado (77.415).

Brasil perde 15% de superfície de água desde o começo dos anos 1990

  Brasil perde 15% de superfície de água desde o começo dos anos 1990 Tendência de redução da superfície de água é observada em 8 das 12 regiões hidrográficas e em todos os biomas do país []A superfície coberta por água do Brasil em 2020 era de 16,6 milhões de hectares, uma área equivalente ao estado do Acre ou quase quatro vezes o estado do Rio de Janeiro. Desde 1991, quando chegou a 19,7 milhões de hectares, houve uma redução de 15,7% da superfície de água no país. A perda de 3,1 milhões de hectares em 30 anos equivale a mais de uma vez e meia a superfície de água de toda região nordeste em 2020.

O bioma que apresenta a situação mais preocupante é a Caatinga, predominante no Nordeste brasileiro – em especial Piauí e Ceará. "Percebe-se uma alta variabilidade de ano para ano nesse bioma. Em 2019, o registro foi maior do que neste ano. Pode haver um problema de subnotificação em outras datas. Mas é preciso destacar a questão da seca", explica a pesquisadora Ana Ávila, diretora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas em Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Cerrado

No Cerrado, que ocupa grande parte do território do Mato Grosso do Sul, o avanço dos focos já é 33% maior. "Nele a vegetação sempre acaba queimando mais. Nesta época do ano (período de seca), o risco de incêndios aumenta muito", explica a professora Alessandra Fidelis, botânica do Instituto de Biociências da Unesp.

Pantanal perde 74% da água desde 1985, e pesquisadores dizem que Brasil está secando

  Pantanal perde 74% da água desde 1985, e pesquisadores dizem que Brasil está secando SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nas últimas três décadas, o Brasil vem ficando cada vez mais seco. O país, de 1991 até 2020, perdeu cerca de 15,7% da superfície de água que possuía, o equivalente a 3,1 milhões de hectares. Todos os biomas apresentaram perdas, mas a situação mais preocupante é do Pantanal, com redução de 74% da superfície de água. Os dados são provenientes do MapBiomas Água, ferramenta do MapBiomas que acaba de ser lançada. A partir de imagens de satélites Landsat, em pixels de 30 m por 30 m, e com auxílio de inteligência artificial, os pesquisadores conseguiram mapear a dinâmica mensal e anual dos corpos d'água superficiais do Brasil, desde 1985.

O pesquisador Carlos Nobre, um dos maiores especialistas em mudanças ambientais, aponta a baixa média de chuvas como uma das principais razões para as queimadas deste ano. "No Centro-Oeste e no Sudeste, temos uma estação chuvosa bem abaixo da média. Quando entramos na estação seca, o solo tem pouca água", adverte.

Cinco Estados brasileiros, entre eles São Paulo, enfrentam a que já é considerada a pior seca em 91 anos, de acordo com o Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), que representa o comitê de órgãos do governo federal. Em maio, o órgão emitiu um alerta de emergência hídrica para o período junho-setembro.

Ana Ávila acrescenta a ocorrência de duas frentes frias rigorosas no centro-sul do País neste inverno. "Além da seca extrema, foi um ano de geadas intensas nessa área. Esses dois fenômenos meteorológicos fizeram com que a vegetação fosse drasticamente danificada. Houve a morte dos tecidos vegetais de muitas culturas. Esses fatores potencializam o risco de rápido alastramento dos focos de fogo na vegetação."

Pantanal é principal indício de que Brasil está secando; área perdeu 74% da água

  Pantanal é principal indício de que Brasil está secando; área perdeu 74% da água “O Brasil está secando.” A frase é do coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo, após a divulgação de dados alarmantes sobre a situação ambiental no Brasil. Segundo o relatório MapBiomas Água, o país perdeu quase 16% de sua superfície de água nos últimos 20 anos, algo em torno dos 3,1 milhões de hectares. O problema é refletido em todos os biomas nacionais, mas o que acontece no Pantanal é o mais assustador. No total, a região perdeu 74% da superfície de água. – Pantanal deve sofrer com incêndio mais intenso do que pior destruição do século © Veronica Raner O pantanal em chamas em foto tirada em setembro de 2020.

Alessandra, da Unesp, diz que o fenômeno pôde ser observado em São Paulo "Neste ano, tivemos vários eventos de geada, com mais dias muito frios, o que contribuiu para a vegetação ficar mais seca do que geralmente fica. Assim, o risco de incêndio aumenta. As matas de galeria geralmente não queimam porque são mais úmidas. Porém, quando o ano é mais seco, ou por causa das geadas, essa vegetação perde umidade e o fogo acaba entrando nessas áreas mais sensíveis", explica.

A ação humana tem sido um fator preponderante para as queimadas, na visão de Alberto Setzer, coordenador do programa de queimadas do Inpe. "Praticamente todos os casos resultam de ações humanas, propositais ou acidentais."

Essa é a mesma visão de Carlos Nobre. "No Cerrado, Pantanal e Amazônia, os incêndios são provocados pela ação humana. É a prática atrasada da pecuária brasileira de botar fogo antes de preparar a pastagem. Na Amazônia, o fogo é sinônimo da posse", opina.

Juquery

"O incêndio do Parque do Juquery aparentemente foi causado por balões", exemplifica o especialista. Ele começou na manhã de domingo e só foi oficialmente controlado ontem. Criado em 1993 para conservar mata nativa e áreas de mananciais do Sistema Cantareira, o parque abriga remanescentes de Mata Atlântica entre Caieiras e Franco da Rocha.

A prefeitura de Franco da Rocha suspeita de que o incêndio tenha sido causado pela queda de um balão. Sete pessoas foram detidas no domingo, e soltas após o pagamento de fiança. A Polícia Ambiental estuda a possibilidade de multar os baloeiros por infração ambiental.

Incêndios na Sibéria queimam área do tamanho de Portugal e fumaça chega ao Polo Norte .
Os efeitos das mudanças climáticas e do aumento global de temperatura são tragicamente democráticos, e podem ser vistos e sentidos em toda parte do mundo – até mesmo na Sibéria. O incêndio florestal que castiga a República de Sakha, em Yakutia ou Lacútia, maior e mais fria região de toda a Rússia, já queimou mais de 9,2 milhões de hectares – uma área do tamanho de Portugal –, se estendendo por mais de 4,8 mil quilômetros e provocando uma fumaça tão densa que já alcançou, de acordo com os satélites da NASA, áreas do Polo Norte, a cerca de 3 mil quilômetros de distância.

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