Brasil Bolsonaro ameaça pilares da democracia, diz Human Rights Watch

17:01  15 setembro  2021
17:01  15 setembro  2021 Fonte:   reuters.com

Seis crises que Bolsonaro tenta estancar com ato de 7 de setembro

  Seis crises que Bolsonaro tenta estancar com ato de 7 de setembro Em meio aos preparativos para manifestação de 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro tem pela frente uma série de crises para enfrentar: covid, possível racionamento de energia elétrica, aumento da fome e da inflação, além de queda do PIB e de sua popularidade.Se por um lado Bolsonaro diz que "nunca outra oportunidade para o povo brasileiro foi tão importante ou será importante quanto esse nosso próximo 7 de setembro", 9 milhões de brasileiros entraram para a lista de pessoas em situação de fome no ano passado, uma alta de 84,4% em relação a 2018.

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro ameaça os pilares da democracia brasileira com seus constantes ataques e ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e com suas afirmações de que pode não haver eleições no ano que vem, caso não seja adotada a impressão do voto pela urna eletrônica, disse a entidade de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) nesta quarta-feira.

O presidente Bolsonaro em cerimônia em Brasília © Reuters/ADRIANO MACHADO O presidente Bolsonaro em cerimônia em Brasília

Em relatório, a HRW cita os discursos feitos por Bolsonaro em manifestações no dia 7 de Setembro em Brasília e em São Paulo, nas quais afirmou que não cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF, voltou a afirmar sem provas que o sistema eleitoral é passível de fraudes e disse que o presidente do Supremo, Luiz Fux, deve "enquadrar" seus colegas, ameaçando pôr fim a corte com uma ruptura.

Frente a frente: o que dizem manifestantes que irão às ruas contra e a favor de Bolsonaro no 7 de Setembro

  Frente a frente: o que dizem manifestantes que irão às ruas contra e a favor de Bolsonaro no 7 de Setembro Manifestantes pró e contra Bolsonaro dialogam e revelam suas preocupações em debate promovido pela BBC Brasil.Um vídeo gravado por ele, ao lado de sua esposa Flavia Borja, vereadora em Belo Horizonte também pelo Avante, está entre uma das mais compartilhadas convocatórias para os protestos governistas desta terça-feira (7/9), com mais de 926 mil visualizações no Facebook até a noite da segunda-feira.

"O presidente Bolsonaro, um apologista da ditadura militar no Brasil, está cada vez mais hostil ao sistema democrático de freios e contrapesos”, disse José Miguel Vivanco, diretor de Américas da Human Rights Watch, no relatório divulgado para marcar o Dia da Democracia, celebrado nesta quarta.

"Ele está usando uma mistura de insultos e ameaças para intimidar a Suprema Corte, responsável por conduzir as investigações sobre sua conduta, e com suas alegações infundadas de fraude eleitoral parece estar preparando as bases para tentar cancelar as eleições do próximo ano ou contestar a decisão da população se ele não for reeleito."

Os discursos de Bolsonaro no 7 de Setembro geraram forte reação, especialmente de Fux e do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, atualmente na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também um dos alvos preferenciais dos ataques do presidente.

'Bolsonaro descontrolado' e 'manifestação de força': as diferentes visões da imprensa internacional sobre 7 de setembro

  'Bolsonaro descontrolado' e 'manifestação de força': as diferentes visões da imprensa internacional sobre 7 de setembro Financial Times e Wall Street Journal destacaram queda de popularidade do presidente nas pesquisas de opiniões; El País e Le Monde viram 'demonstração de força' do brasileiro.Atos reuniram milhares de pessoas em Brasília, São Paulo e outras cidades. Em dois discursos diante de seus apoiadores, Bolsonaro chamou as eleições de 2022 de "farsa", disse que só sai da presidência "preso ou morto" e exaltou a desobediência à Justiça.

Diante disso, Bolsonaro divulgou nota em que baixou o tom de sua retórica inflamada contra as instituições e afirmou não ter tido a intenção de agredi-las.

Na terça-feira, o presidente disse durante discurso em evento em Brasília que a harmonia entre os Poderes é a "alegria do povo".

Vivanco, da HRW, afirmou que a comunidade internacional deve estar atenta a Bolsonaro diante das ameaças que ele faz à democracia brasileira.

"As ameaças do presidente Bolsonaro de cancelar as eleições e agir fora da Constituição em resposta às investigações contra ele são imprudentes e perigosas", disse. "A comunidade internacional deve mandar uma mensagem clara ao presidente Bolsonaro de que a independência do Judiciário significa que os tribunais não estão sujeitos as suas ordens", acrescentou.

Procurada, a Presidência da República não respondeu de imediato a pedidos de comentários sobre as declarações da Human Rights Watch.

(Reportagem de Eduardo Simões)

Human Rights Watch diz que Bolsonaro ameaça a democracia brasileira .
Human Rights Watch diz que Bolsonaro ameaça a democracia brasileira“As ameaças do presidente Bolsonaro de cancelar as eleições e agir fora da Constituição em resposta às investigações contra ele são imprudentes e perigosas. A comunidade internacional deve mandar uma mensagem clara ao presidente Bolsonaro de que a independência do judiciário significa que os tribunais não estão sujeitos às suas ordens”, afirma José Miguel Vivanco, diretor de Américas da Human Rights Watch. “O presidente Bolsonaro, um apologista da ditadura militar no Brasil, está cada vez mais hostil ao sistema democrático de freios e contrapesos.

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