Brasil CPI da Covid: Marconny Faria nega ser lobista da Precisa Medicamentos; acompanhe

17:21  15 setembro  2021
17:21  15 setembro  2021 Fonte:   estadao.com.br

CPI da Covid convoca ex de Bolsonaro, e lobista confirma relação próxima com Jair Renan

  CPI da Covid convoca ex de Bolsonaro, e lobista confirma relação próxima com Jair Renan BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O lobista Marconny Albernaz de Faria reconheceu em depoimento na CPI da Covid nesta quarta-feira (15) que mantém uma relação muito próxima e de amizade com Jair Renan, filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Marconny, apontado como lobista da Precisa Medicamentos —empresa que intermediou a negociação da vacina indiana Covaxin com o governo federal—, afirmou que chegou a comemorar o seu aniversário em um camarote de propriedade do filho 04 e que o ajudou na abertura de sua empresa. Nesta quarta, os senadores aprovaram ainda requerimento de convocação de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro e mãe de Jair Renan.

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O advogado Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria negou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, nesta quarta-feira, 15, que tenha atuado como lobista da Precisa Medicamentos, empresa investigada na compra da vacina indiana Covaxin, já que, segundo ele, de todos os negócios que tentou fazer ao longo da carreira, "nenhum deu certo". Ele disse, no entanto, que no início da pandemia foi "sondado" para assessorar "politicamente e tecnicamente" a Precisa em concorrência pública em andamento no Ministério da Saúde que tinha como objetivo aquisição de testes rápidos de covid-19.

Lobista reconhece negócios com advogada de Bolsonaro após ser ameaçado de prisão

  Lobista reconhece negócios com advogada de Bolsonaro após ser ameaçado de prisão Lobista reconhece negócios com advogada de Bolsonaro após ser ameaçado de prisãoO depoente negou diversas vezes que tinha negócios com a advogada. Na última pergunta de senadores a respeito do tema, manteve a versão, mas foi confrontado com mensagens de WhatsApp que indicavam o contrário.

Inicialmente, o depoimento de Marconny estava marcado para 2 de setembro, mas ele apresentou um atestado médico para não comparecer perante os senadores, sob a alegação de estar com “dor pélvica”. O atestado acabou sendo anulado pelo próprio médico que o concedeu. Questionado pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), sobre o motivo de ter ido atrás de atestado, o advogado disse que teve um "colapso nervoso e físico".

Assista a CPI da Covid ao vivo:

Como mostrou o Estadão, Marconny em Direito foi de ativista anticorrupção a investigado pelo colegiado.

Antes do início da sessão, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a apresentação do relatório que será votado pelo colegiado poderá ficar para a última semana de setembro. Ontem, o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que pretendia entregar o parecer final entre os dias 23 e 24. Segundo Randolfe, essa questão será debatida em reunião dos integrantes da CPI na noite desta quarta.O vice-presidente da comissão afirmou que há pontos para serem ajustados sobre as próximas semanas, como a definição dos depoimentos.

Justiça determina condução coercitiva para lobista e para advogado amigo de Barros deporem à CPI

  Justiça determina condução coercitiva para lobista e para advogado amigo de Barros deporem à CPI BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Justiça Federal do Distrito Federal concedeu nesta segunda-feira (13) duas decisões que autorizam a condução coercitiva de depoentes da CPI da Covid que não compareceram em suas oitivas anteriores, respectivamente o advogado Marcos Tolentino e o lobista Marconny Albernaz de Faria. A primeira das decisões, pela manhã, determinou inicialmente a intimação judicial do advogado Marcos Tolentino para que compareça ao seu depoimento na CPI da Covid. A decisão judicial também já autoriza a condução coercitiva do advogado, caso ele não compareça para a oitiva, marcada para esta terça-feira (14).

Randolfe defendeu que a CPI ouça ainda, por exemplo, a advogada Karina Kufa, que defende o presidente Jair Bolsonaro, e Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro. Segundo ele, já há um consenso de que a última oitiva da CPI seja a do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), por sua vez, mostrou que discorda, por ora, de uma eventual convocação da advogada. “Do que temos contra Karina Kufa das mensagens não vejo necessidade de trazê-la. Preciso de um fato relevante”, afirmou Aziz ao chegar ao Senado nesta quarta, ao ser questionado por jornalistas.

O advogado Marconny Faria chega ao Senado para depor à CPI da Covid.  © Dida Samapio/Estadão O advogado Marconny Faria chega ao Senado para depor à CPI da Covid.

Habeas corpus

Marconny chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para não depor, mas o pedido foi negado. Caso não comparecesse à sessão sem justificativa, ele poderia ser conduzido coercitivamente à CPI, de acordo com decisão da juíza Pollyanna Kelly Martins Alves, que deferiu o pedido feito pela comissão. Ainda que seja obrigado a depor, ele poderá ficar em silêncio para não produzir provas contra si. O habeas corpus foi concedido no início do mês pela ministra Cármen Lúcia, do STF.

Investigados da CPI da Covid foram ao menos 71 vezes ao Ministério da Saúde

  Investigados da CPI da Covid foram ao menos 71 vezes ao Ministério da Saúde BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Investigados pela CPI da Covid que não têm cargo no Ministério da Saúde foram ao menos 71 vezes à pasta durante a pandemia. Na lista de visitantes há integrantes do "gabinete paralelo" e pessoas que a comissão do Senado considera como lobistas, envolvidos em transações sob suspeita. No total, a CPI da Covid tem uma lista com 29 investigados. Desses, 21 não possuem cargo na pasta e 8 já estiveram em algum momento nomeados na Saúde durante a pandemia. O empresário José Ricardo Santana é o investigado que esteve mais vezes no órgão: são visitas em 20 dias diferentes.

O Ministério da Saúde fechou contrato com a Precisa, intermediária da fabricante indiana Bharat Biotech, para aquisição de 20 milhões de doses da Covaxin por R$ 1,6 bilhão. O governo chegou a empenhar recursos (reservar formalmente o valor na previsão de pagamentos), mas acabou cancelando a compra após a revelação de "pressões atípicas" para dar andamento ao contrato, e o negócio entrar no foco da CPI. A Controladoria-Geral da União abriu processo contra a Precisa por fraude e comportamento inidôneo. A farmacêutica indiana também é alvo da CGU. Por recomendação da controladoria, o Ministério da Saúde cancelou o contrato.

Lobista

A CPI teve acesso a mensagens trocadas entre Marconny e o ex-secretário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) José Ricardo Santana, que prestou depoimento à comissão em 26 de agosto. Na conversa, Santana menciona que conheceu o suposto lobista da Precisa na casa de Karina Kufa.

Segundo os senadores, Santana e Marconny teriam conversado sobre o processo de contratação de 12 milhões de testes de covid-19 entre o Ministério da Saúde e a Precisa. Uma das mensagens trocadas aponta que “um senador” poderia ajudar a “desatar o nó” do processo.

O requerimento de convocação do advogado é de autoria do senador Randolfe, que cita as mensagens e diz que o conteúdo reforça a existência de um “mercado interno no Ministério da Saúde que busca facilitar compras públicas e beneficiar empresas, assim como o poder de influência da empresa Precisa Medicamentos antes da negociação da vacina Covaxin”.

A pedido da CPI, PF faz operação em endereços da Precisa .
Empresa intermediou negociações para compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde. Caso é um dos principais alvos da CPI da Pandemia, que investiga irregularidades no contrato. © Paulo Lopes/Zuma/picture alliance A PF mirou escritórios da Precisa Medicamentos e locais de armazenamento e distribuição A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira (17/09) mandados de busca e apreensão em endereços da empresa Precisa Medicamentos em Barueri e Itapevi, no estado de São Paulo, após solicitação dos senadores da CPI da Pandemia.

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