Brasil Consumo de pé de galinha em alta e outros 5 dados que revelam retrato da fome no Brasil

14:57  05 outubro  2021
14:57  05 outubro  2021 Fonte:   bbc.com

Uso da água: o que é e fatores que influenciam

  Uso da água: o que é e fatores que influenciam Todo mundo sabe da importância da água para a vida na Terra e da necessidade de sua preservação. Mas você já se perguntou quais são os usos da água existentes? Conhecê-los pode ser muito importante para um consumo consciente de água. Os tipos de uso da água são classificados em dois grandes grupos: usos consuntivos e usos não-consuntivos. Usos consuntivos são aqueles usos da água em que há perda entre o que é retirado do corpo d’água e o que retorna a ele, como nos abastecimentos doméstico e industrial, na irrigação e na limpeza pública.

Primeiro, foi a fila quilométrica em um açougue de Cuiabá, no Mato Grosso — maior Estado produtor e exportador de carne bovina do país —, para receber ossos. Depois, cariocas garimpando restos em um caminhão de ossos e pelancas descartadas por supermercados.

São 19 milhões de brasileiros passando fome, uma em cada três crianças anêmicas e um auxílio emergencial médio que só compra 38% da cesta básica. © Ednubia Ghisi e Regis Luís Cardoso/Fotos Públicas São 19 milhões de brasileiros passando fome, uma em cada três crianças anêmicas e um auxílio emergencial médio que só compra 38% da cesta básica.

E assim, dia após dia, as imagens da fome vão voltando ao noticiário nacional.

Eram 19,1 milhões de brasileiros com fome em 2020, segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan).

Fome e desperdício como desafio social são tema de fórum no Rio

  Fome e desperdício como desafio social são tema de fórum no Rio Fome e desperdício como desafio social são tema de fórum no RioA coordenadora do Programa Mesa Brasil Sesc RJ, Cida Pessoa, informou à Agência Brasil que o evento pretende chamar a atenção e apontar soluções para o problema da fome e do desperdício de alimentos, que se agravou durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN) em parceria com outras instituições nacionais e internacionais, 116,8 milhões de pessoas não têm acesso pleno e permanente a alimentos, no Brasil.

Em relação a 2018 (10,3 milhões), são quase 9 milhões de pessoas a mais nessa condição.

O auxílio emergencial que, no ano passado, em seu valor máximo (R$ 1.200), chegou a comprar duas cestas básicas e sobrar, agora, mesmo em seu maior valor (R$ 375) não compra nem 60% da cesta da região metropolitana de São Paulo.

Em meio a essa realidade, as crianças são as mais afetadas, já que são os lares com pequenos os mais propensos a estarem na pobreza e na extrema pobreza.

Mesmo antes da pandemia, uma em cada três crianças brasileiras sofria de anemia por falta de ferro, segundo estudo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

Confira esses e outros dados que mostram como a fome voltou a ser um drama cotidiano no Brasil.

1) Aumento de 85% no número de brasileiros com fome em dois anos

A pandemia do coronavírus teve um efeito devastador sobre a segurança alimentar no Brasil, revelaram estudos da Rede Penssan e da Universidade Livre de Berlin publicados este ano.

'Aquilo que a sociedade não quer, a gente aproveita', diz morador de rua sobre 'caminhão de ossos' no Rio

  'Aquilo que a sociedade não quer, a gente aproveita', diz morador de rua sobre 'caminhão de ossos' no Rio RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A desempregada Sheila Fernandes, 41, caminhou por uma hora e meia, na manhã desta quinta-feira (30), entre a região central e a zona sul do Rio de Janeiro. Por lá, sua missão era encontrar o caminhão que ficou conhecido por distribuir ossos e restos de carne recolhidos em supermercados da capital fluminense. “Tudo está muito caro. Venho até aqui porque não tenho mais como comprar carne”, conta Sheila, acompanhada por sua filha. O caminhão, para surpresa da desempregada, não apareceu durante a manhã. “É a nossa única maneira de comer carne no mês”, relata.

No país, a fome atingiu 19,1 milhões de pessoas em 2020, parte de um contingente de 116,8 milhões de brasileiros que convivam com algum grau de insegurança alimentar — número que corresponde a 55,2% dos domicílios, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Penssan.

Pessoas em situação de rua recebem marmitas nas ruas de São Paulo. Março de 2021 © Getty Images Pessoas em situação de rua recebem marmitas nas ruas de São Paulo. Março de 2021

A insegurança alimentar abrange desde a alimentação de má qualidade, passando pela instabilidade no acesso a alimentos, até a fome propriamente dita.

O aumento no número de brasileiros passando fome, de 10,3 milhões em 2018, para 19,1 milhões em 2020, representa um crescimento de 85% em dois anos.

O resultado fez a Oxfam — organização internacional que atua no combate à pobreza, desigualdade e injustiça social — classificar o Brasil como um dos focos emergentes de fome no mundo, ao lado da Índia e da África do Sul.

Vulcão nas Ilhas Canárias: gráficos revelam caminho da lava

  Vulcão nas Ilhas Canárias: gráficos revelam caminho da lava Mapas e gráficos explicam devastação causada por lava de vulcão em ilha espanhola.A lava desceu a montanha e atravessou vilarejos depois que uma cratera se abriu no vulcão Cumbre Vieja em 19 de setembro, lançando jatos de lava e cinzas para o ar.

De acordo com estudo do grupo de pesquisas Food for Justice: Power, Politics, and Food Inequalities in a Bioeconomy (Comida por Justiça: Poder, Política e Desigualdades Alimentares em uma Bioeconomia, em tradução livre), da Universidade Livre de Berlim, a insegurança alimentar é marcadamente desigual.

Os mais altos percentuais de insegurança alimentar são registrados em famílias com apenas um responsável pela geração de renda (66,3%).

Isso se acentua ainda mais quando essa responsável é uma mulher (73,8%) ou uma pessoa parda (67,8%) ou preta (66,8%).

Também é maior nas residências com crianças de até 4 anos (70,6%), nas regiões Nordeste (73,1%) e Norte (67,7%) e nas áreas rurais (75,2%).

  • Não é só efeito da pandemia: por que 19 milhões de brasileiros passam fome
  • Em meio à exportação recorde de alimentos, seca e pandemia agravam fome no campo

2) Uma em cada três crianças com anemia

De cada três crianças brasileiras, uma apresenta um quadro chamado anemia ferropriva, revelou um estudo da UFSCar publicado em julho deste ano.

A anemia ferropriva é marcada pela falta de ferro no organismo. Esse nutriente é encontrado no leite materno, na carne vermelha e em alguns vegetais, como as folhas verde-escuras, o feijão e a soja.

Cães experimentam carinho e amor pela 1ª vez após serem salvos de fazenda de carne na Coréia do Sul

  Cães experimentam carinho e amor pela 1ª vez após serem salvos de fazenda de carne na Coréia do Sul Apesar de esforços diversos para proibir definitivamente a produção e o consumo de carne canina, a Coréia do Sul ainda não possui uma legislação clara, suficiente e irrestrita sobre o tema: é nesse hiato que de diversas instituições de proteção aos animais atuam, a fim de salvar cada vez mais a vida dos cães no país. O Humane Society International, um dos mais dedicados grupos de combate à prática, recorreu à plataforma Bored Panda para noticiar uma dessas tocantes campanhas e ações, para o fechamento de uma fazenda de carne canina onde mais de 70 animais foram encontrados e resgatados.

Prevalência de anemia por falta de ferro atingia 33% das crianças brasileiras mesmo antes da pandemia. Na foto, bebê é pesada por voluntárias da Pastoral da Criança © Getty Images Prevalência de anemia por falta de ferro atingia 33% das crianças brasileiras mesmo antes da pandemia. Na foto, bebê é pesada por voluntárias da Pastoral da Criança

As crianças com deficiência de ferro sofrem alterações no desenvolvimento do cérebro que, mais para frente, se manifestam na forma de dificuldade de aprendizado, sonolência e desânimo. Muitos desses problemas repercutem pela vida toda e são irreversíveis.

Para chegar ao resultado, os especialistas da UFSCar compilaram dados de outros 134 estudos feitos entre 2007 e 2020, que reuniram informações sobre a saúde de 46 mil indivíduos com menos de 7 anos de idade de todas as regiões do Brasil.

Os dados, no entanto, só vão até o início de 2020, o que traz um alerta: a situação pode ter se agravado ao longo da pandemia, diante da acentuada queda no consumo de carne vermelha no país, em meio à forte alta de preços.

  • Estudo alerta: uma em três crianças sofre de anemia no Brasil

3) Menor consumo de carne bovina em 26 anos

Em 2021, o consumo de carne bovina no Brasil deverá ser de 26,4 quilos por pessoa, uma queda de quase 14% em relação a 2019, ano anterior à pandemia, e de 4% ante 2020.

Esse é o menor nível registrado para consumo de carne bovina no país em 26 anos, segundo a série histórica da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), com início em 1996.

Simone Tebet, sobre offshores de Guedes: “As pessoas estão relativizando o imoral, o promíscuo”

  Simone Tebet, sobre offshores de Guedes: “As pessoas estão relativizando o imoral, o promíscuo” Líder da bancada feminina, senadora diz que Paulo Guedes não será demitido, apesar de revelações sobre offshore. Afirma que CPI da Pandemia já fez mais do que todas as Comissões anteriores e avalia que faltam líderes políticos no BrasilNa entrevista ao EL PAÍS, feita por videoconferência no dia 4 de outubro, a senadora, que se aproxima de concluir seu primeiro mandato pelo MDB de Mato Grosso do Sul, fala do pleito do próximo ano, defende a participação das mulheres na política e diz que, com o término da CPI —previsto para o próximo dia 20— caberá ao Ministério Público seguir nas dezenas de apurações iniciadas pelos parlamentares. “A PGR não pode virar as costas pra população brasileira”.

Consumo de carne bovina no Brasil deve cair em 2021 ao menor patamar em pelo menos 26 anos © REUTERS/Amanda Perobelli Consumo de carne bovina no Brasil deve cair em 2021 ao menor patamar em pelo menos 26 anos

Até agosto, as carnes acumulavam aumento de preço de 30,8% em 12 meses, bem acima da alta de 9,68% da inflação geral, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A alta de preços da carne começou antes da pandemia, puxada pela demanda da China, cujo rebanho suíno foi fortemente afetado pela peste suína africana.

A tendência foi acentuada no ano passado pela alta do dólar, que estimula as exportações, reduzindo a oferta do produto no mercado interno.

Pesaram ainda a seca, que piora a qualidade do pasto e aumenta a necessidade de uso de ração, elevando o custo de produção; e o menor abate de fêmeas, que são retidas pelos pecuaristas para produzir novos animais, aproveitando a alta de preços.

Então foi assim que a carne vermelha sumiu dos prato dos brasileiros mais pobres.

  • Por que o consumo de carne bovina no Brasil deve voltar em 2021 ao patamar de décadas atrás

4) Auxílio emergencial não compra mais uma cesta básica

Um dos fatores que explica a crescente dificuldade dos brasileiros em se alimentarem adequadamente é a perda do poder de compra do auxílio emergencial, em meio à redução do valor do benefício e à alta da inflação.

Em abril de 2020, quando o auxílio começou a ser pago, ele tinha valores que variavam de R$ 600 a R$ 1.200. Naquele mês, a cesta básica custava R$ 556,36 em São Paulo, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Quedas de energia atingem a China, ameaçando a economia

  Quedas de energia atingem a China, ameaçando a economia Dongguan, China – Os cortes de energia e até mesmo os apagões diminuíram a produção ou fecharam fábricas em toda a China recentemente, adicionando uma nova ameaça à desaceleração da economia do país e potencialmente prejudicando ainda mais as cadeias globais de suprimentos antes da movimentada temporada de compras de Natal no Ocidente. As paralisações se espalharam por grande parte do leste do país, onde a maioria da população vive e trabalha. Alguns prédios desligaram elevadores. Algumas estações municipais de bombeamento fecharam, o que levou uma cidade a pedir aos moradores que armazenassem água extra pelos próximos meses, embora mais tarde tenha voltado atrás.

Ou seja: mesmo com o valor mais baixo, era possível comprar todos os produtos da cesta e ainda sobrava algum dinheiro.

Protesto pela manutenção do auxílio emergencial em R$ 600. Brasília, maio de 2021 © Divulgação MST/Fotos Públicas Protesto pela manutenção do auxílio emergencial em R$ 600. Brasília, maio de 2021

De abril de 2020 a agosto deste ano, o valor da cesta básica paulistana subiu 16,9%, segundo o Dieese, para R$ 650,50.

Já o auxílio emergencial foi na direção oposta, tendo seus valores reduzidos em 2021 para R$ 150, R$ 250 ou R$ 375.

Assim, quem recebe o valor mais baixo só consegue comprar atualmente 23% da cesta básica. Quem recebe o valor médio, 38%. E mesmo quem recebe o valor mais alto — pago às mães solteiras chefes de família — só consegue comprar 58% da cesta.

Considerando que as pessoas também têm aluguel e contas básicas para pagar, a perda do poder de compra do auxílio emergencial dá uma dimensão da precariedade em que têm vivido os brasileiros mais pobres.

5) Consumo de pés de galinha e miojo

Outros indicadores da piora das condições de alimentação do brasileiro estão nos próprios alimentos consumidos.

Segundo dados da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados), o consumo de macarrão instantâneo movimentou R$ 3,2 bilhões em 2020, ante R$ 2,7 bilhões em 2019.

Em toneladas, o consumo cresceu de 167 mil para 189 mil entre os dois anos, refletindo o aumento da prática de cozinhar em casa durante a pandemia, mas também a perda de renda da população, que recorre ao miojo como um alimento barato.

Nos açougues, em meio aos preços proibitivos da carne, consumidores recorrem a cortes antes desprezados pela maioria, como pés e miúdos de galinha.

"Antes da pandemia se vendia cerca de 100 quilos de pé de frango no mês, agora estamos vendendo em torno de 250 quilos", disse José Carlos Viale, dono de um açougue em São José do Rio Preto, ao Diário da Região.

Governo pede 'uso consciente' de luz, mas consumo da Presidência sobe 5,2%

  Governo pede 'uso consciente' de luz, mas consumo da Presidência sobe 5,2% Governo pede 'uso consciente' de luz, mas consumo da Presidência sobe 5,2%Entre junho e agosto de 2020, o consumo dos prédios ligados à Presidência foi de 2.219.442 kWh (quilowatt-hora), mas, com a alta de 5,2% em 2021, o consumo passou a 2.335.881 kWh. As informações foram obtidas no portal Dados Abertos.

"Sempre teve saída, mas as pessoas compravam em menor quantidade e para tratar animal. Agora, temos famílias que chegam a comprar dois quilos de pé e pescoço por semana", relatou o empresário ao jornal.

Geisa Estefanini, de 32 anos, morreu após ter 90% do corpo queimado ao tentar cozinhar com álcool © Reprodução/Redes Sociais Geisa Estefanini, de 32 anos, morreu após ter 90% do corpo queimado ao tentar cozinhar com álcool

6) Aumento das queimaduras provocadas por cozinhar com álcool

Diante da alta do preço dos alimentos e do botijão de gás, muitas famílias têm tido que escolher entre a compra de comida ou do combustível.

Em agosto, o preço médio do botijão de gás de 13 kg estava em R$ 93, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), mas já superava os R$ 100 em diversos Estados brasileiros, como Mato Grosso (R$ 114), Rondônia (R$ 111), Amapá (R$ 109), Roraima (R$ 109) e Pará (R$ 102).

Em meio aos preços proibitivos, as notícias de queimados por cozinhar com álcool se multiplicam. Isso num momento em que o acesso ao álcool etílico mais inflamável, com concentração de 70%, foi popularizado pela pandemia.

Em Goiás, segundo o portal Metrópoles, em menos de dois meses, pessoas de três famílias diferentes sofreram queimaduras e foram internadas depois de usarem álcool para cozinhar.

Na mesma situação, um homem morreu, em julho, em Goiânia, com 50% do corpo queimado.

Em 27 de setembro, morreu Geisa Sfanini, de 32 anos, que teve 90% do corpo queimado após usar álcool combustível para cozinhar em sua casa em Osasco, na Grande São Paulo, segundo o G1. O bebê dela de 8 meses teve 18% do corpo queimado, mas sobreviveu.

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Governo pede 'uso consciente' de luz, mas consumo da Presidência sobe 5,2% .
Governo pede 'uso consciente' de luz, mas consumo da Presidência sobe 5,2%Entre junho e agosto de 2020, o consumo dos prédios ligados à Presidência foi de 2.219.442 kWh (quilowatt-hora), mas, com a alta de 5,2% em 2021, o consumo passou a 2.335.881 kWh. As informações foram obtidas no portal Dados Abertos.

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