Brasil Plenário da Câmara irá usar offshore para cobrar de Guedes saída da crise econômica

16:31  08 outubro  2021
16:31  08 outubro  2021 Fonte:   folha.uol.com.br

Investigados por fake news, empresários bolsonaristas têm offshores

  Investigados por fake news, empresários bolsonaristas têm offshores Otávio Fakhoury declarou empresas ao Fisco; Marcos Bellizia não informou se offshore está no seu IRda Pública

Embora não tenha montado operação de defesa de Paulo Guedes (Economia) após a revelação de que ele tem investimento milionário em uma offshore, o governo Jair Bolsonaro espera conter o enfraquecimento do ministro após ele comparecer à Câmara -que o convocou para prestar esclarecimentos.

A aposta é que o desgaste deve ser reduzido depois de o ministro apresentar as explicações sobre o caso. No entanto, interlocutores do governo afirmam que será mantido o cenário de dificuldade para aprovação de medidas da equipe econômica.

Mesmo aliados de Bolsonaro querem que o ministro dê à Câmara uma indicação do rumo da política econômica e medidas para retomar o emprego, reduzir a inflação e acelerar o crescimento do país. A tarefa de Guedes, portanto, será mais ampla do que falar sobre a offshore.

Offshores de Guedes e Campos Neto deixam mercado em alerta

  Offshores de Guedes e Campos Neto deixam mercado em alerta Para analistas, desdobramentos jurídicos e políticos do caso podem provocar ruído no mercadoA avaliação de analistas ouvidos pelo Poder360 é de que a notícia pode causar mais turbulência no mercado caso tenha desdobramentos negativos, como um aumento do desgaste político do czar da Economia ou uma investigação por parte dos reguladores. Isso tudo em um momento em que o dólar já passa dos R$ 5,35.

Uma ala governista no Congresso, inclusive, não crê em um cenário em que o ministro permanecerá até o fim do governo. A crise na economia afeta a popularidade de Bolsonaro, que pretende tentar a reeleição.

Colegas de Guedes e congressistas aliados do governo não vieram a público em defesa do ministro. Reservadamente, membros da ala política afirmam que ele precisa dar explicações sobre a offshore.

Parte dessas autoridades avalia que o ministro está demorando muito para fazer esclarecimentos de forma transparente, em declaração pública, com apresentação de documentos. Até o momento, o ministro apenas se pronunciou por meio de notas.

Na quarta-feira (6), a Câmara aprovou convocação para que Guedes compareça ao plenário, procedimento incomum. A votação teve apoio de partidos da base.

Investigação revela operações de ao menos 35 líderes mundiais em paraísos fiscais

  Investigação revela operações de ao menos 35 líderes mundiais em paraísos fiscais GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - Uma investigação global capitaneada por mais de 140 veículos jornalísticos de 117 países começou a revelar neste domingo (3) a existência de contas e empresas offshore em paraísos fiscais relacionadas a 35 líderes e ex-líderes mundiais, além de figuras ligadas a eles e centenas de funcionários públicos e investidores bilionários. Criado fora do país de origem do proprietário, esse tipo de atividade financeira não é ilegal, mas pode ser usado para evitar o pagamento de impostos, esconder a real identidade do proprietário e facilitar lavagem de dinheiro para atividades ilícitas.

Membros das legendas de apoio a Bolsonaro não pretendem tentar blindar o ministro na sessão que terá sua presença. A visão é que Guedes precisa dar esclarecimentos.

A avaliação é que o chefe da Economia de fato foi beneficiado por guardar recursos no exterior.

Além disso, como o país passa por situação econômica delicada, com escalada da inflação, congressistas afirmam que não estão dispostos a ir à tribuna em defesa do ministro. Por isso, deputados da oposição devem usar a oportunidade para ampliar o desgaste.

O caso da offshore foi usado como gatilho para a presença de Guedes na Câmara em um momento em que o ministro se enfraquece e será cobrado também sobre a condução da economia.

"É um fato relevante [offshore], e o Congresso quer uma explicação. Mas Guedes é muito prestigiado pelo presidente", disse o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

O deputado tentou -sem sucesso- transformar a convocação em um convite para Guedes se explicar na Casa. No caso da convocação, a presença é obrigatória.

Pandora Papers: líderes latino-americanos negam atividades ilegais

  Pandora Papers: líderes latino-americanos negam atividades ilegais Presidentes e ex-presidentes de Chile, Equador, Colômbia e Paraguai, citados nos "Pandora Papers" negam que operações financeiras tenham sido ilegais, mas opositores pedem esclarecimentos. A América Latina tem 14 dos 35 líderes mundiais expostos na maior investigação jornalística da história. A região perde anualmente US$ 300 bilhões em sonegação de impostos. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires O capítulo latino-americano da investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês) divulgado nesse domingo (3) aponta, sobretudo, para 14 dos 35 chefes e ex-chefes de Estado do mundo envolvidos em soc

Mas, mesmo na base do governo, há insatisfação com o ministro por ele já ter cancelado diversas participações em comissões da Câmara. Barros afirmou que Guedes vai se sair muito bem.

"Depois das explicações dele [Guedes], vamos voltar a andar com a agenda econômica. Mas continuamos com questões internas no Congresso em relação a esse assunto, como as questões internas no Senado [que tem analisado as pautas em ritmo mais lento], e as dificuldades que já tínhamos, como na reforma administrativa", afirmou Barros.

Antes do caso da offshore, o governo já passava por percalços para avançar com a agenda econômica no Congresso. A aposta de líderes governistas é que Guedes consiga virar a página ao ir à Câmara, eliminando um eventual entrave à pauta do ministro no Legislativo.

Caberá a Guedes reconquistar a confiança perdida entre os partidos políticos, afirmam congressistas.

O caso da offshore não é insignificante, mas membros do centrão também se irritaram com atitudes recentes do ministro, inclusive por ter ido apoiar a reforma tributária do Senado nesta semana enquanto o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tentava avançar em uma proposta para amenizar o impacto do aumento do preço dos combustíveis.

Quem são os brasileiros com offshores reveladas pelos Pandora Papers

  Quem são os brasileiros com offshores reveladas pelos Pandora Papers Além do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, aparecem no vazamento empresários no alvo da CPI da Pandemia, como Luciano Hang, Otávio Fakhoury e donos da Prevent Senior. © Zeljko Lukunic/PIXSELL/picture alliance Investigação jornalística identificou 1.

Aliados de Guedes afirmam que a defesa do ministro e os documentos apresentados às autoridades deveriam encerrar a polêmica em torno do assunto. Os papéis foram entregues à PGR (Procuradoria-Geral da República) na quarta, antecipando-se a eventuais pedidos.

O principal ponto da defesa é dizer que o ministro não ocupa o cargo de administrador da empresa Dreadnoughts, citada em reportagens da Pandora Papers, desde que assumiu o cargo no governo.

Segundo os advogados, ele está completamente afastado da gestão desde dezembro de 2018.

Na quarta à noite, Guedes disse a jornalistas ao deixar o Ministério da Economia que estava tranquilo diante da convocação para se explicar na Câmara. "Tranquilo, supertranquilo", afirmou.

Não foram divulgados detalhes como a composição desses investimentos, se a carteira está congelada e se existem mais offshores do ministro.

Também não foi dada uma justificativa para o dinheiro permanecer afastado de diferentes regras da tributação nacional enquanto o país permanece em desequilíbrio fiscal e busca recursos para expandir políticas aos mais vulneráveis, sendo que uma das saídas em discussão são justamente as mudanças nas regras de impostos.

A defesa ressalta que os documentos entregues à PGR são sigilosos.

Câmara convoca Guedes para explicar empresa offshore

  Câmara convoca Guedes para explicar empresa offshore Senado também quer esclarecimentos e convida o ministro da Economia e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para explicar suas movimentações em paraísos fiscais. © Paulo Lopes/Zuma/picture alliance Paulo Guedes é dono de uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas A Câmara dos Deputados e o Senado querem explicações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre por que ele mantém recursos em contas offshore no exterior, revelados pelos Pandora Papers.

Sobre o fato de Guedes ter defendido publicamente em julho a retirada da taxação de paraísos fiscais do projeto de lei do Imposto de Renda, o que levantou acusações de conflito de interesse, aliados argumentam que o texto original (que continha o trecho) havia sido entregue pelo próprio ministro ao Congresso no mês anterior. O trecho foi retirado após reuniões entre ele e o relator.

Relator do projeto na época da retirada, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) divulgou que Guedes não pediu a retirada da regra -quando questionado, o parlamentar não esclarece quem sugeriu a alteração.

Em um raro momento de defesa pública de Guedes no Congresso, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi à tribuna da Câmara nesta quinta-feira (7) e disse que o ministro não cometeu nenhuma irregularidade.

"Ele perde dinheiro estando no governo", afirmou o filho do presidente, se referindo à remuneração mais alta que Guedes teria no setor privado.

O argumento não convence integrantes da base do governo, como deputados do PP e do PL, que comandam ministérios ligados à articulação política. Guedes terá de explicar à Câmara as razões para que o dólar tenha subido tanto na gestão Bolsonaro, o que valorizou os recursos do ministro no exterior.

Além de Guedes, outras apurações já revelaram casos de chefes da política econômica de governos anteriores que também possuíam contas no exterior.

Em 2017, vazamento de informações de um escritório de advocacia mostrou que o então ministro da Fazenda Henrique Meirelles era dono de offshores.

Câmara convoca Guedes para explicar no plenário offshore em paraíso fiscal

  Câmara convoca Guedes para explicar no plenário offshore em paraíso fiscal BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em um forte sinal político de insatisfação, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (6) a convocação do ministro Paulo Guedes (Economia) para explicar a existência de recursos dele em um paraíso fiscal. Além de representar um novo revés para o titular da equipe econômica após a revelação de que mantém recursos no exterior, o placar da aprovação do requerimento explicita o nível de desgastes do chefe da economia de Jair Bolsonaro (sem partido) com o Congresso. Foram 310 votos a 142. Houve uma união da oposição, que apresentou o requerimento, com o centrão, grupo de siglas que hoje dá sustentação política a Bolsonaro.

Rapidamente, Meirelles apresentou documentação de Imposto de Renda para esclarecer que não participava da gestão das companhias e que os recursos haviam sido declarados à Receita Federal.

Ministro da Fazenda na gestão do PT, Guido Mantega admitiu em 2017 ser titular de uma conta na Suíça não declarada à Receita. Na ocasião, ele, que não era mais ministro, afirmou que jamais pediu ou recebeu vantagem de qualquer natureza enquanto ocupou o cargo.

GUEDES E AS CRISES

Setembro de 2019

Guedes demite o secretário da Receita, Marcos Cintra, após a divulgação de estudos sobre recriação da CPMF, o que desagradou a Bolsonaro. O ministro é um defensor da proposta do novo imposto

Abril de 2020

Alas militar e política propõem a criação do Pró-Brasil, plano de retomada econômica baseado em obras públicas. Ideia cria briga interna no governo, por discordância de Guedes, que avaliou deixar o cargo. Ministro da Economia acabou vencendo disputa e plano original foi abandonado

Maio de 2020

Em acordo com Bolsonaro, parlamentares afrouxam regra negociada por Guedes para congelar salários de servidores. Após atritos e insatisfação do ministro, presidente acaba recuando e mantém o congelamento das remunerações

Agosto de 2020

Plano elaborado pela equipe de Guedes para ampliar o Bolsa Família é rejeitado por Bolsonaro. O texto propunha a fusão de programas existentes hoje. Presidente afirmou que não iria "tirar de pobres para dar a paupérrimos"

Agosto de 2020

Com agenda econômica travada, Guedes sofre com debandada de auxiliares. No mesmo dia, pediram demissão Salim Mattar (Desestatização) e Paulo Uebel (Desburocratização)

Setembro de 2020

Proposta em estudo pela equipe econômica de congelar aposentadorias para turbinar programas sociais deixa Bolsonaro furioso. O presidente ameaçou demitir o então secretário de Fazenda, Waldery Rodrigues, que apresentou a ideia em entrevista

Outubro de 2020

Após uma série de atritos nos bastidores, vem a público a briga entre Guedes e o ministro Rogério Marinho. Após Marinho fazer críticas ao colega em evento com investidores, Guedes respondeu e chamou ministro de "despreparado, desleal e fura-teto"

Janeiro de 2021

Bolsonaro se irrita com plano de enxugamento do Banco do Brasil e avalia demitir o presidente André Brandão, indicado por Guedes. Em março, Brandão pede demissão

Fevereiro de 2021

Insatisfeito com a política de reajuste de combustíveis, Bolsonaro intervém na Petrobras e indica general para presidir a estatal. Ação do presidente derrubou o valor de mercado da companhia. Guedes não concordou com a medida, mas disse publicamente que Bolsonaro não cometeu irregularidade

Março de 2021

Impasse sobre o Orçamento abriu crise entre Congresso e Guedes. A proposta, que subestimou gastos do governo para turbinar emendas parlamentares, foi tratada como inexequível pelo ministro. Após uma série de atritos, governo e parlamentares entraram em acordo

Outubro de 2021

Reportagem revela que Guedes é acionista de offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Especialistas veem conflito de interesse e informação amplia desgaste do ministro

Pandora Papers motiva investigações e mudanças de leis em vários países .
Em Honduras, políticos reagem com aprovação de lei que pode ameaçar atividade de jornalistas>>> Leia aqui todos os textos do Pandora Papers publicados pelo Poder360

usr: 1
Isto é interessante!