Brasil Chacina e assassinatos revelam PCC 'fora de controle' das autoridades na fronteira Brasil-Paraguai

04:12  16 outubro  2021
04:12  16 outubro  2021 Fonte:   bbc.com

Polícia prende seis brasileiros suspeitos de chacina que vitimou filha de governador no Paraguai

  Polícia prende seis brasileiros suspeitos de chacina que vitimou filha de governador no Paraguai Suspeitos estavam em casa na cidade de Cerro Corá, vizinha de Pedro Juan Caballero; Grupo tinha celulares, joias e porções de maconha . Segundo a investigação, eles teriam abandonado e queimado uma caminhonete semelhante à que foi usada no ataque de sábado.Os suspeitos foram identificados como sendo Juares Alves da Silva, Hywulysson Foresto, Luis Fernando Armando Simões, Gabriel Veiga de Sousa, Farley José Cisto da Silva Carrijo e Douglas Ribeiro Gomes, mas as identidades ainda estão sendo confirmadas com ajuda da polícia brasileira.

A região, conhecida como fronteira seca, tem sido usada pelo grupo para transportar drogas para o Brasil , principalmente cocaína e maconha cultivada em fazendas do Paraguai . A chacina não é a primeira vez que traficantes brasileiros se envolvem em episódios de violência no país vizinho (leia mais abaixo). Nos últimos anos, o Paraguai se tornou uma das principais áreas de atuação do PCC , a ponto de autoridades declararem que a quadrilha é o principal grupo criminoso do país. " O Paraguai tem uma importância fundamental (para o PCC ), porque ele é uma das principais rotas de entrada de

Amalia deve ir para a universidade no ano que vem e recusou a renda real a que tem direito enquanto estuda. Dois parlamentares do próprio partido liberal de Rutte, o VVD, questionaram se as atuais restrições ao casamento de pessoas do mesmo sexo na família real atendem a "normas e valores de 2021". Chacina e assassinatos revelam PCC ' fora de controle ' das autoridades na fronteira Brasil - Paraguai .

Uma recente chacina na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, reacendeu o debate sobre a atuação e a influência de facções criminosas brasileiras no país vizinho.

  Chacina e assassinatos revelam PCC 'fora de controle' das autoridades na fronteira Brasil-Paraguai © Getty Images

Ao todo, quatro pessoas foram assassinadas com dezenas de tiros na noite do último sábado (9) depois de saírem de uma casa noturna na cidade do Paraguai.

Entre os mortos havia duas estudantes brasileiras: Kaline Reinoso de Oliveira, de 22 anos, e Rhannye Jamilly Borges de Oliveira, de 18. Também morreram os paraguaios Haylee Carolina Acevedo Yunis, 21, e Omar Vicente Álvarez Grance, 32, conhecido como Bebeto.

Polícia investiga se atentado com 4 mortes na fronteira com Paraguai foi acerto de contas do PCC

  Polícia investiga se atentado com 4 mortes na fronteira com Paraguai foi acerto de contas do PCC SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polícia paraguaia suspeita que o atentado que matou quatro pessoas na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, na fronteira com o Brasil, seja um acerto de contas do PCC (Primeiro Comando da Capital). Em meio a uma escalada de crimes naquela região, o atentado aconteceu na madrugada de sábado (10) em frente a uma boate. Os atiradores chegaram em uma caminhonete e efetuaram mais de cem disparos —seis suspeitos acabaram presos. Imagens mostram o momento em que houve o crime. As vítimas abrem as portas de um carro e, quando entram no veículo, são surpreendidas por criminosos com tiros de fuzil.

O assassinato de Jorge Rafaat Toumani, em uma emboscada em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016, abriu o caminho para a organização criminosa assumir o controle das operações na fronteira . Rafaat agia por conta própria e estabelecia o preço da droga - cocaína e maconha - a ser fornecida Isso desagradava os traficantes. Conforme a Secretaria Nacional Anti-Drogas (Senad) do Paraguai , ao bancar a execução do "rei da fronteira ", a facção paulista se credenciou para assumir as principais posições ao longo da linha internacional. As bases do PCC , antes concentradas em Ciudad del Este

Estima-se que o Paraguai seja um dos países da América Latina com maior presença de membros do PCC fora do Brasil , com mais de 500 pessoas. Mas por que o Paraguai é tão estratégico para as operações de tráfico de drogas e armas do PCC , que já atua em todos os Estados brasileiros? Mirava maiores margens de lucro e controle das operações de tráfico de drogas e armas — segundo a Polícia Federal brasileira, boa parte do armamento ilegal apreendido no Brasil nos últimos anos era oriunda de contrabando do Paraguai .

Segundo autoridades policiais da região, a principal suspeita é que o motivo do crime seja uma disputa interna em uma quadrilha brasileira de traficantes de drogas.

A onda de violência também incluiu o assassinato do vereador Farid Charbell Badaoui Afif, da cidade brasileira vizinha de Ponta Porã, no dia anterior.

O narcotráfico na fronteira entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, é controlado por pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), tanto brasileiros quanto paraguaios que se filiaram à facção paulista. Mas grupos locais também participam do tráfico.

A região, conhecida como fronteira seca, tem sido usada pelo grupo para transportar drogas para o Brasil, principalmente cocaína e maconha cultivada em fazendas do Paraguai.

Policial paraguaio suspeito de elo com traficante é morto na fronteira com o Brasil

  Policial paraguaio suspeito de elo com traficante é morto na fronteira com o Brasil RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Um policial paraguaio suspeito de estar envolvido com um traficante que atuava na fronteira com o Brasil foi assassinado nesta terça-feira (12), em mais um crime na escalada de mortes registradas na região. Pastor Miltos Duarte, que trabalhava como subchefe na unidade policial Pacola 5, da Polícia Nacional do Paraguai, foi morto em Karapaí, próximo a Capitán Bado, no estado de Amambay, que fica na fronteira com o Brasil. Além dele, uma outra pessoa, Antonio Villalba, morador das redondezas, sofreu ferimentos a bala.

Gakiya foi responsável por pedir à Justiça a transferência de 22 membros da organização de São Paulo para presídios federais - eles foram para detenções em Brasília , Porto Velho e Mossoró (RN). Entre os detentos removidos estão Marcos Willians Camacho, conhecido como Marcola, principal chefe da facção. Em entrevista à BBC News Brasil , Gakiya diz que a transferência dos detentos deve ser encarada como uma oportunidade para o Estado avançar no combate à facção - para ele, o foco agora deve ser rastrear como o grupo utiliza seu dinheiro.

Vamos fechar não só a fronteira , mas também as divisas com os estados de São Paulo, Paraná e Goiás, pois já temos a informação de que muitos dos fugitivos são brasileiros de fora do nosso estado;, disse. Segundo o secretário, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), as secretarias de Segurança Relatórios de inteligência da Polícia Civil do Distrito Federal identificaram que autoridades de Brasília poderiam ser vítimas do PCC , entre elas, o secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres. Além do chefe da pasta, delegados tiveram informações pessoais difundidas entre criminosos.

A chacina não é a primeira vez que traficantes brasileiros se envolvem em episódios de violência no país vizinho (leia mais abaixo).

Nos últimos anos, o Paraguai se tornou uma das principais áreas de atuação do PCC, a ponto de autoridades declararem que a quadrilha é o principal grupo criminoso do país.

"O Paraguai tem uma importância fundamental (para o PCC), porque ele é uma das principais rotas de entrada de drogas no Brasil, principalmente maconha e cocaína. Essa droga acaba abastecendo a Europa, a África e o próprio mercado interno brasileiro", explica Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O PCC surgiu dentro dos presídios paulistas, mas se internacionalizou nos últimos anos © Reuters O PCC surgiu dentro dos presídios paulistas, mas se internacionalizou nos últimos anos

'Estamos perdidos, com medo', diz governador

Segundo a polícia, Omar Vicente, o Bebeto, foi morto com 31 tiros - ele seria o principal alvo dos pistoleiros na cachina do último sábado.

Onda de execuções persiste no Paraguai; força-tarefa reforça fronteira

  Onda de execuções persiste no Paraguai; força-tarefa reforça fronteira A facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e outros grupos criminosos disputam o controle das rotas do tráfico de drogas e armas na fronteira .

Não foi uma ligação especifica, nem uma frase reveladora, mas quando a Polícia Civil do Rio de Janeiro percebeu que entre as conversas de traficantes cariocas presos havia interlocutores com sotaque paulista, um alerta começou a piscar e o caso deu uma reviravolta. O Ministério Público também se mobilizou ante a nova ordem que se costura entre os bandidos. “Tenho informações das autoridades de que os traficantes do Rio estão recebendo grandes quantidades de fuzis. Isso já é parte da estratégia dos criminosos paulistas. Nos presídios do Rio, apenas no complexo de Gericinó

No lado brasileiro, foram 74 mortes até setembro, segundo dados da Polícia Civil. Uma em cada quatro mortes no Estado acontece nos dez municípios da região. Em seis municípios do lado paraguaio, houve ao menos 86 mortos. Segundo as autoridades , a região está em guerra desde 2016, quando a facção paulista Primeiro Comando da Capital ( PCC ) passou a controlar o tráfico na fronteira . Conforme o subcomandante da Polícia Civil do departamento de Amambay, Roberto Fleitas, a hipótese mais provável para a chacina é de um conflito envolvendo integrantes do PCC .

Já Yunis Carolina, morta com 14 tiros, era filha de Ronald Acevedo, governador da província de Amambay, onde fica Pedro Juan Caballero.

Após a morte da filha, o político paraguaio afirmou que região está controlada pelo crime organizado e que a polícia local não tem recursos para combater o crime. Também comparou a cidade a Sinaloa, no México, área controlada por um violento cartel do narcotráfico.

Segundo ele, "é impossível" saber quem faz parte das quadrilhas que dominam Amambay. "Minha filha estava no lugar errado com a pessoa errada. Nossos filhos estão nas mãos deles (facções)", disse Acevedo à rede de TV ABC, na terça-feira.

Segundo o governador, as forças policiais da região não têm armamento suficiente para combater a criminalidade nem capacidade técnica para investigar as quadrilhas.

"Estamos perdidos, derrotados. Hoje aconteceu comigo, amanhã pode ser com qualquer um. Todos estamos com medo", disse o político.

Na terça-feira, centenas de moradores da cidade realizaram um protesto pedindo o fim da violência na região.

Para Rafael Alcadipani, da FGV, o Estado brasileiro perdeu o controle sobre a atuação das facções brasileiras, que se internacionalizaram em busca de novos mercados. "Estamos exportando criminosos e facções. A situação do Paraguai só demonstra o quanto perdemos o controle do crime organizado em nosso próprio território", diz.

Narcotraficante com cela VIP no Paraguai pode estar por trás de chacina na fronteira com Brasil

  Narcotraficante com cela VIP no Paraguai pode estar por trás de chacina na fronteira com Brasil PEDRO JUAN CABALLERO, PARAGUAI (FOLHAPRESS) - A polícia paraguaia fez uma operação dentro da penitenciária de Pedro Juan Caballero para investigar a suspeita de que um narcotraficante paraguaio seja o mandante da chacina que vitimou quatro pessoas no sábado (10), incluindo duas estudantes de medicina brasileiras. Durante a vistoria policial, Faustino Ramón Aguayo Cabanas estava uma cela VIP com sua namorada, que é parente de um político local da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero. A polícia suspeita que Cabanas seja o mandante do assassinato de Osmar Vicente Álvarez Grance, 32, conhecido como Bebeto.

"Enquanto o crime é multinacional, a Justiça e as polícias atuam de maneira regionalizadas, sem integração dentro do Brasil, mas também sem integração com outros órgãos de combate ao crime fora do país".

Brasileiros presos

Seis brasileiros foram presos sob suspeita de participação na chacina. Eles estavam em uma casa em Cerro Corá, localidade próxima a Pedro Juan Caballero.

Em entrevista à rádio ABC Color, Gilberto Fleitas, subcomandante da Polícia Nacional do Paraguai, afirmou que a matança tem ligação com desavenças internas em um grupo de traficantes brasileiros.

"Havia um conflito entre essa pessoa Bebeto, e outras pessoas. Foi uma questão interna no mercado brasileiro, envolvendo cargas de drogas. Mas ainda precisamos investigar quem são os autores intelectuais (do crime)", disse Fleitas.

Essa não foi a primeira vez que brasileiros se envolveram em episódios violentos no Paraguai. Nos últimos anos, os casos vêm aumentando. A BBC News Brasil reuniu alguns deles, que mostram como o PCC se tornou um ator importante na criminalidade na fronteira e dentro do território paraguaio.

Assassinatos em Pedro Juan Caballero

Nas últimas duas semanas, 15 pessoas foram assassinadas na região de Pedro Juan Caballero, fronteira com o Brasil © Getty Images Nas últimas duas semanas, 15 pessoas foram assassinadas na região de Pedro Juan Caballero, fronteira com o Brasil

Vizinha de Ponta Porã, Pedro Juan Caballero é uma das cidades estratégicas da fronteira que estão inseridas na principal rota de narcotráfico que envolve o Brasil.

Corpo é achado ao lado de bilhete relacionado a chacina no Paraguai

  Corpo é achado ao lado de bilhete relacionado a chacina no Paraguai SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polícia paraguaia encontrou um cadáver na noite de sábado (16) na cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil. Ao lado do corpo, baleado na cabeça, foi encontrado um bilhete relacionando o crime à chacina que deixou quatro pessoas mortas naquela cidade no dia 10, incluindo duas estudantes de medicina brasileiras. A carta diz: "Matei 3 meninas inocentes, fique de exemplo pjc". Segundo a políciaAo lado do corpo, baleado na cabeça, foi encontrado um bilhete relacionando o crime à chacina que deixou quatro pessoas mortas naquela cidade no dia 10, incluindo duas estudantes de medicina brasileiras.

Essa rota, que se vale de aviões, carros e caminhões, permite a grupos criminosos comprarem cocaína produzida em países produtores, como Bolívia e Peru, e a levarem para São Paulo e Rio de Janeiro. Parte da droga depois é enviada à África e à Europa por meio de associações com outras quadrilhas internacionais.

A atuação do PCC no país vizinho ocorre há mais de uma década, mas se intensificou nos últimos anos em meio à internacionalização da facção surgida em presídios paulistas nos anos 1990. O país também é apontado como local de esconderijo para criminosos foragidos do Brasil.

Tido como principal líder do grupo, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, ficou escondido no Paraguai por alguns meses antes de ser preso em São Paulo, em 1999, por exemplo.

Marcos Camacho, o Marcola, é o líder do PCC e hoje está preso numa unidade de segurança máxima, mas já usou o Paraguai como esconderijo © Getty Images Marcos Camacho, o Marcola, é o líder do PCC e hoje está preso numa unidade de segurança máxima, mas já usou o Paraguai como esconderijo

Segundo relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o Mato Grosso do Sul ganhou força como "corredor de drogas" por causa da ampla fronteira seca com o Paraguai, que facilita o transporte rodoviário em grande escala para lugares estratégicos como o porto de Santos.

Até meados desta década, toda essa região paraguaia era controlada por famílias tradicionais e ricas, que administravam estabelecimentos comerciais e também lidavam com comércio de produtos ilícitos, como entorpecentes.

O PCC enfrentava obstáculos para dominar a região e passou a se associar a criminosos locais para eliminar concorrentes e principalmente intermediários no Paraguai, na Bolívia e na Colômbia.

Contraste e 'mexicanização' do crime marcam cidades na fronteira com Paraguai

  Contraste e 'mexicanização' do crime marcam cidades na fronteira com Paraguai PEDRO JUAN CABALLERO, PARAGUAI, E PONTA PORÃ, MS (FOLHAPRESS) - Pais de três filhos, os paraguaios Cristino Gomez, 30, e Miriam Arce, 29, vivem num bairro da periferia de Pedro Juan Caballero (Paraguai) cortado somente por ruas de terra. A família vive com a ajuda de um auxílio do governo para a criação dos filhos semelhante ao Bolsa Família. Com poucos empregos, o futuro das crianças por ali não parece animador. "Muitos jovens se envolvem comA família vive com a ajuda de um auxílio do governo para a criação dos filhos semelhante ao Bolsa Família.

Mirava maiores margens de lucro e controle das operações de tráfico de drogas e armas — segundo a Polícia Federal brasileira, boa parte do armamento ilegal apreendido no Brasil nos últimos anos era oriunda de contrabando do Paraguai.

Em 2016, esse processo de expansão chegou ao ápice: um ousado atentado executado por criminosos brasileiros matou Jorge Rafaat Toumani, 56, empresário apontado como chefe da maior quadrilha de Pedro Juan Caballero.

Toumani, conhecido como "rei da fronteira", era aliado do PCC na época, mas acabou morto em uma emboscada cinematográfica, com armamento antiaéreo e de uso exclusivo das Forças Armadas. O crime foi atribuído ao PCC, que teria a intenção de controlar o fluxo de drogas na cidade.

O assassinato acentuou a disputa tripla entre seguidores de Rafaat e membros de dois grupos brasileiros, o PCC e o Comando Vermelho, criado no Rio de Janeiro.

Mas o plano do PCC em parte deu certo.

Já nas últimas duas semanas, segundo a polícia paraguaia, ao menos 15 pessoas foram assassinadas na fronteira.

De acordo com o blog do jornalista Josmar Jozino no UOL, uma investigação da Polícia Federal apontou que o PCC teria 174 membros na fronteira.

O objetivo do grupo é se tornar hegemônico na distribuição de drogas para o Brasil pela divisa com Pedro Juan Caballero - a polícia paraguaia já considera a quadrilha brasileira como o principal grupo criminoso do país.

Mega-assalto em Ciudad del Este

O chamado 'novo cangaço', quando dezenas de bandidos invadem cidade para roubar bancos, teve como alvo Ciudad del Este, em 2017. Na imagem, policiais atiram durante assalto em Botucatu © Reprodução O chamado 'novo cangaço', quando dezenas de bandidos invadem cidade para roubar bancos, teve como alvo Ciudad del Este, em 2017. Na imagem, policiais atiram durante assalto em Botucatu

Mas o tráfico de drogas, embora seja a mais lucrativa atuação do PCC no Paraguai, não é o único foco da quadrilha.

Em abril de 2017, um mega-assalto atribuído pela polícia ao PCC assustou moradores de Ciudad del Este, na região da tríplice fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina.

Bolívia vira 'santuário' do Narcosul, o cartel da droga do PCC

  Bolívia vira 'santuário' do Narcosul, o cartel da droga do PCC "O Narcosul, o cartel do PCC, é a organização criminosa que mais cresce hoje no mundo", afirma o procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino Dali, os "narcos" brasileiros se locomovem em aviões e helicópteros para passar férias nas praias do Nordeste, onde fecham negócios com as ndrine, as famílias que integram a 'Ndrangheta, a máfia da Calábria. Mais poderosa das organizações criminosas da Itália, ela fica com 40% de toda a droga que o PCC negocia na Europa. Esse é o imposto para que os carregamentos de cocaína da América do Sul possam circular pelo continente.

O assalto à empresa de transporte valores Prosegur aconteceu durante a madrugada. Um grupo de cerca de 40 criminosos usou bombas e fuzis para explodir as paredes blindadas da transportadora. Segundo a polícia, a quadrilha roubou cerca de US$ 11,7 milhões (R$ 40 milhões, em valores da época), o maior assalto já registrado no país sul-americano.

Na ação, também foram utilizados armamentos que as polícias brasileira e paraguaia não dispunham, como uma metralhadora .50, capaz de derrubar aeronaves.

Os bandidos chegaram a queimar carros e caminhões para impedir que policiais se aproximassem da sede da companhia. Um policial que estava na rua foi assassinado.

Depois de pegar o dinheiro, os homens usaram dois barcos para fugir em direção ao Brasil.

Nos últimos anos, vários suspeitos de participação no crime foram presos, mas apenas uma pequena parte do dinheiro roubado foi recuperado.

Depois, mega-assaltos como o da Prosegur ocorreram em cidades do interior paulista, em episódios que ganharam a alcunha de "novo cangaço", em virtude das ações cinematográficas envolvendo dezenas de criminosos, armamento pesado, bombas e reféns.

PCC nas prisões paraguaias

No ano passado, o governo paraguaio chegou a enviar blindados para fazer a segurança de uma prisão de Pedro Juan Caballero após a fuga dos presos do PCC © Ministerio del Interior No ano passado, o governo paraguaio chegou a enviar blindados para fazer a segurança de uma prisão de Pedro Juan Caballero após a fuga dos presos do PCC

Assim como ocorre no Brasil, o PCC também tem influência dentro das prisões paraguaias.

Em janeiro de 2020, cerca de 75 presos ligados ao PCC fugiram de uma prisão em Pedro Juan Caballero.

Já em fevereiro deste ano, sete presos foram mortos durante uma rebelião no presídio de Tacambú, o maior do país, em Assunção.

Segundo o governo, o motim começou depois que um preso filiado ao PCC foi transferido. Ele seria o responsável por distribuir drogas dentro da detenção, que tinha cerca de 4.100 presos, o dobro de sua capacidade.

Segundo um relatório do Mecanismo Nacional de Prevenção à Tortura, as prisões do Paraguai estão em péssimas condições, o que alimenta o controle dos locais por facções criminosas como o PCC.

O estudo aponta que 25% das 153 mortes ocorridas em presídios do país entre 2017 e 2020 foram causadas por agressões de terceiros.

Já o World Prison Brief (WPB), principal banco de dados mundial sobre sistemas carcerários e que é compilado pelo Instituto de Pesquisa de Políticas de Crime e Justiça (ICPR) do Reino Unido, aponta que a taxa de ocupação dos presídios paraguaios é de 143%.

Em entrevista recente à BBC, César Muñoz, pesquisador sênior da Human Rights Watch (HRW) para a América Latina, atribuiu a superlotação e as péssimas condições dos presídios sul-americanos como duas das causas do crescimento de facções criminosas na região.

"Se você tem uma cela que é feita para abrigar cinco pessoas, mas ela tem 30, os guardas não conseguem manter o controle do local. Então a superlotação favorece o crescimento de grupos criminosos", diz.

"As prisões são um elemento muito importante dessas redes, porque elas são um local de recrutamento", acrescenta.

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"O Narcosul, o cartel do PCC, é a organização criminosa que mais cresce hoje no mundo", afirma o procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino Dali, os "narcos" brasileiros se locomovem em aviões e helicópteros para passar férias nas praias do Nordeste, onde fecham negócios com as ndrine, as famílias que integram a 'Ndrangheta, a máfia da Calábria. Mais poderosa das organizações criminosas da Itália, ela fica com 40% de toda a droga que o PCC negocia na Europa. Esse é o imposto para que os carregamentos de cocaína da América do Sul possam circular pelo continente.

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