Brasil Segurança às cegas gera impunidade

10:26  23 outubro  2021
10:26  23 outubro  2021 Fonte:   estadao.com.br

Metade dos homicídios no Brasil não são esclarecidos; só 4 Estados têm alta eficácia de apuração

  Metade dos homicídios no Brasil não são esclarecidos; só 4 Estados têm alta eficácia de apuração Levantamento inédito do Instituto Sou da Paz mostra que o indicador de esclarecimento de assassinatos avançou nos últimos anos, mas tem alta disparidade entre Estados. MS resolve 89% dos casos e PR, 12%Mais da metade dos homicídios no Brasil ficam sem resposta, de acordo com levantamento inédito realizado pelo Instituto Sou da Paz a ser divulgado nesta quarta-feira, 13. O indicador de esclarecimento até avançou nos últimos anos, chegando a 44% na pesquisa mais recente, mas só quatro Estados são classificados como tendo alta eficácia na investigação e responsabilização de assassinatos.

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Além das taxas de criminalidade aberrantes, o Brasil convive com altos índices de impunidade. A segurança pública opera às cegas. Os dados do sistema penitenciário são historicamente opacos. O governo editou decretos flexibilizando a circulação de armas e derrubou medidas do Exército para aprimorar a rastreabilidade. Segundo levantamento do Instituto Sou da Paz, em 17 unidades da Federação a média de elucidação dos homicídios em 2018 foi de 44%. As outras 10 unidades não foram sequer capazes de informar quantos homicídios esclareceram.

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  'Todos subestimam Bolsonaro: assim ele virou presidente e pode ser reeleito', diz cientista político Para Creomar de Souza, oposição se fragmenta ao subestimar força do presidente, o que deve facilitar sua ida ao segundo turno, com chances de vitória.Apesar disso, o cientista político Creomar de Souza, professor da Fundação Dom Cabral e fundador da consultoria política Dharma, avalia que Bolsonaro se mantém um candidato competitivo, com chances de permanecer no Palácio do Planalto em 2023.

Segundo a ONU, a média mundial de esclarecimentos de homicídios é de 63%. Na Europa é de mais de 90%. Com a diferença de que a maioria dos homicídios na Europa é cometida por parceiros ou familiares das vítimas. Já no Brasil, os homicídios estão frequentemente ligados ao crime organizado, o que significa que a falta de esclarecimento implica impunidade a muitos criminosos contumazes e liberdade para suas quadrilhas.

Apenas quatro Estados apresentaram eficácia alta (acima de dois terços) no esclarecimento de homicídios. Em quatro anos, só dois Estados tiveram melhora na categorização, passando da eficácia baixa para a média, e só dois Estados (Espírito Santo e Rondônia) apresentaram aumentos contínuos nos índices de esclarecimento.

“Falamos do Haiti apenas quando estrangeiros são sequestrados”, denuncia especialista

  “Falamos do Haiti apenas quando estrangeiros são sequestrados”, denuncia especialista O Haiti enfrentou nesta segunda-feira (18) um dia de greve geral convocada contra a falta de segurança, evidenciada neste final de semana pelo sequestro de um grupo de missionários norte-americanos. O episódio revela uma situação que vem se agravando há anos: as gangues armadas, que permanecem impunes, controlam as cidades de um dos países mais pobre do Ocidente. Os especialistas alertam que o Haiti está à beira da anarquia. Com informações deCom informações de Amélie Baron, correspondente da RFI no Haiti

Nesse caso, estagnação implica retrocesso. Como adverte o Sou da Paz, quanto mais demora a atividade investigativa, mais difícil fica a identificação dos autores, aumentando as chances de os inquéritos serem arquivados.

Norte e Nordeste, onde a violência, historicamente alta, vem aumentando, são também as regiões com mais Estados que apresentaram dados incompletos ou simplesmente não apresentaram. No Paraná, foram esclarecidos só 12% dos homicídios. No Rio de Janeiro, onde a milícia e o narcotráfico consolidam territórios, foram apenas 14%.

O Sou da Paz aponta diversas medidas aos governos estaduais para aprimorar a capacidade investigativa, como investimentos na estrutura física das unidades e equipamentos das polícias civis, a criação de equipes especializadas ou o fortalecimento das perícias criminais.

O governo federal herdou da gestão Temer o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado para integrar as ações dos Estados, e o Fundo Nacional de Segurança Pública, para financiar melhorias em inteligência, investigação, perícia e consolidação de dados.

Mas a gestão de Jair Bolsonaro não apenas negligenciou o Susp, como tem ampliado padrões operacionais pautados no confronto, por exemplo, advogando a ampliação do excludente de ilicitude, elogiando operações com resultado de morte ou estimulando a radicalização das forças policiais e o confronto com os governadores. Sem diálogo do governo federal com os estaduais, no início de 2021, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apenas cinco Estados estavam tecnicamente credenciados a receber recursos do Fundo.

Nos últimos dois anos, a violência voltou a crescer e o crime organizado segue se modernizando e internacionalizando. Mas a segurança pública continua operando às cegas.

The Voice Brasil: confira as novidades da 10º temporada do reality que estreia nesta terça-feira (26) .
“The Voice Brasil” chegou na sua 10 temporada. Ao longo de dez anos de exibição, o reality musical caiu no gosto da audiência brasileira e se consagrou como uma das competições mais importantes da TV, revelando vários talentos da música nacional. O programa estreia hoje (26), na rede Globo com direito a muitas novidades. A bancada de jurados será composta por Claudia Leitte, Iza, Lulu Santos, Carlinhos Brown e Michel Teló, isso mesmo. Na nova rodada da disputa, serão cinco jurados, cada um com o seu time. Na apresentação, Tiago Leifert comanda a fase das audições às cegas e André Marques fica a frente do show da etapa do tira-teima em diante.

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