Brasil Periferias na COP26: ativistas climáticos das quebradas marcam presença na conferência climática

21:31  01 novembro  2021
21:31  01 novembro  2021 Fonte:   agenciamural.org.br

4 questões definirão o sucesso da COP26

  4 questões definirão o sucesso da COP26 Por WRI Brasil em WRI Brasil – No melhor cenário, a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP26) precisa reconstruir a confiança de que a ação global e coletiva pode resolver os maiores desafios da humanidade. Depois do relatório preocupante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em meio a meses de eventos climáticos extremos sem precedentes e com impactos devastadores, governos e outros atores devem ir a Glasgow determinados a reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE) ainda nesta década e a enfrentar os impactos climáticos presenciados em todo o mundo.

Lideranças de todas as partes do mundo se reúnem nesta semana em Glasgow, na Escócia, para discutir propostas de como conter o aquecimento global e retardar as mudanças climáticas, na COP26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), principal cúpula da ONU (Organização das Nações Unidas) para o clima.

Os debates começaram neste domingo (31) e vão até 12 de novembro. Mas como essas discussões afetam as periferias?

Este ano, o evento contará com ativistas das quebradas de São Paulo e de outras partes do Brasil que garantem que trarão para o debate questões como racismo ambiental, descolonização do sistema e justiça climática do ponto de vista de quem convive com esses problemas.

COP26: O que Brasil vai prometer e exigir na conferência sobre mudança climática

  COP26: O que Brasil vai prometer e exigir na conferência sobre mudança climática Sem presença de Jair Bolsonaro, delegação brasileira chega à Escócia com missão difícil: reduzir impacto negativo da política ambiental brasileira e, ao mesmo tempo, cobrar dinheiro de países ricos para projetos de redução do desmatamento.Lideranças de mais de cem países vão se reunir em Glasgow, na Escócia, para discutir novos compromissos para garantir a meta do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura média da Terra em 1,5°C. O Brasil tende a ser alvo de pressões por causa da aceleração do desmatamento desde que Jair Bolsonaro assumiu a Presidência.

A Agência Mural conversou com alguns deles sobre como as discussões globais afetam as periferias e a importância da participação nesse debate.

Impactos ambientais que marcam as periferias

Enchentes na cidade

Falta de água

Risco à vida de populações que vivem em áreas de risco

Fogo nas áreas verdes que ainda existem

Aldeias indígenas presentes nas periferias

CONTAR A NOSSA HISTÓRIA

Entre os jovens periféricos que estarão na conferência global está a ativista climática Amanda da Cruz Costa, 24. Ela conta que até os 21 anos, não entendia muito bem o que era a crise climática e a importância de defender o meio ambiente.

“Era muito distante da minha realidade, saca? Eu pensava que os ambientalistas eram os ‘abraçadores de árvores’”, conta. Um debate distante da sua realidade, mas com impactos sentidos de perto.

COP26 é inaugurada em Glasgow em contexto de urgência climática

  COP26 é inaugurada em Glasgow em contexto de urgência climática A Conferência da Mudança Climática da ONU (COP26) foi aberta neste domingo (31) em Glasgow, Escócia, com a importância de ser uma reunião que representa a "última oportunidade" para limitar o aquecimento do planeta. A conferência climática COP26 é "a última e a melhor esperança" de limitar o aquecimento global a +1,5ºC, o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris, declarou seu presidente, Alok Sharma, em sua abertura. Durante a pandemia de covid-19, "a mudança climática não tirou férias.

“Sabe quando você está voltando do trabalho e o ônibus fica parado um tempão porque as ruas alagaram e não dá pra passar?”, questiona e dá outro exemplo, como o corte de água em fases de seca. “Quando a gente vai analisar questões territoriais, não era a água do Morumbi, ou da Faria Lima, avenida Paulista, que eram cortadas, é primeiro na quebrada”, afirma.

Amanda vive na zona norte de São Paulo e aponta a necessidade de trazer os impactos das periferias para a discussão sobre o clima © Arquivo Pessoal Amanda vive na zona norte de São Paulo e aponta a necessidade de trazer os impactos das periferias para a discussão sobre o clima

Moradora do Jardim Almanara, na região da Brasilândia, zona norte de São Paulo, ela passou a acompanhar mais o tema quando ganhou uma bolsa para representar a juventude brasileira na COP23, em 2017, na Alemanha, e encontrou um espaço onde não se viu representada.

“O que eu via eram homens brancos, héteros, cisgêneros e ricos dominando a narrativa e se apropriando da minha vivência”, diz.

EUA dizem que ações concretas do Brasil importam mais que ausência de Bolsonaro em cúpula do clima

  EUA dizem que ações concretas do Brasil importam mais que ausência de Bolsonaro em cúpula do clima Lideranças de mais de cem países fixarão novos compromissos para evitar catástrofe ambiental. Brasil, crucial nestes esforços, participará sob pressão por causa do avanço do desmatamento e da política ambiental do governo."O mais importante para nós é o que vai ser colocado na mesa como objetivo sério e como é que isso vai ser cumprido", afirmou Kristina Rosales, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos para a América Latina, em entrevista à BBC News Brasil.

“Eles falavam bastante sobre como a crise climática vem impactar os territórios vulnerabilizados, os povos periféricos, e aquilo me gerou esse desconforto”, relembra. “Perguntei para mim mesma: por que será que eu não estou com o microfone? Por que eles não me dão essa palavra?”

“Percebi que se a gente não se apropriar dessa narrativa, outras pessoas vão contar a história e vão nos colocar um padrão ‘neocolonizador’.”

DESCOLONIZAR

O termo “neocolonizador”, que Amanda comenta, diz respeito ao processo de dominação política e econômica das grandes potências sobre países emergentes, como o Brasil.

“Descolonizar”. Quem também chega com esse lema do sul global e das periferias para a COP26 é o ativista Marcelo Rocha, 24,  representante do Fridays for Future no Brasil.

“Essa é uma COP para a gente levar nossas vozes, trazer posicionamentos justos”, diz o morador do Jardim Pirituba, também na zona norte da capital.

Gabriel, primeiro na direita, em evento prévio da COP realizado em São Paulo © Arquivo Pessoal Gabriel, primeiro na direita, em evento prévio da COP realizado em São Paulo

Nas periferias de São Paulo, enchentes são recorrentes, e a previsão é de que as mudanças climáticas agravem esses eventos extremos, cujos impactos serão mais sentidos nos espaços vulnerabilizados, de acordo com Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do programa USP-Cidades Globais.

Jovens brasileiros levarão vozes da floresta à COP26

  Jovens brasileiros levarão vozes da floresta à COP26 Por WWF Brasil em WWF Brasil – A crescente atuação de jovens em defesa de pautas socioambientais, especialmente na agenda climática, tem resultado em mobilizações cada vez maiores mundo afora. Não será diferente na 26a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP26), que acontecerá em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro. Parte da delegação brasileira é apoiada pelo WWF-Brasil. "Acreditamos que são essas asParte da delegação brasileira é apoiada pelo WWF-Brasil.

“O que acontece nas periferias é que esses são os lugares mais afetados por esses eventos, tanto os eventos extremos, quantos eventos crônicos”, diz, mencionando a questão das enchentes e a topografia.

Ele dá como exemplo o fato de que muitas pessoas sem acesso à moradia adequada acabam construindo casas em regiões inclinadas, mais suscetíveis a deslizamentos, resultado de fortes chuvas e erosão do solo.

“Eles ocorrem porque as periferias são onde o poder público menos atua do ponto de vista de fazer um planejamento estratégico para evitar que esses problemas ocorram.”

Segundo o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), no qual Buckeridge colabora como um dos autores, estima-se que as atividades humanas tenham aquecido a terra 1,0°C acima dos patamares pré-industriais e, mantendo o crescimento no nível atual, a expectativa é de que chegue ao 1,5°C entre 2030 e 2052.

O QUE É AQUECIMENTO GLOBAL?

O especialista explica que aquecimento global não quer dizer só o aumento da temperatura, mas também tem relação com eventos extremos, como ondas de calor e frio acima do normal, tempos de estiagem e outros de chuva em excesso, que trazem danos ao meio ambiente e, consequentemente, à qualidade de vida das pessoas.

“Uma onda de calor pode chegar a 50°C, a essa temperatura, muitas pessoas podem morrer, principalmente pessoas mais velhas e muito mais jovens. Você tem um efeito sobre a saúde e sobre essa questão dos desastres.”

Corte de investimento em energias fósseis e discussão sobre jatinhos: o 3° dia da COP26

  Corte de investimento em energias fósseis e discussão sobre jatinhos: o 3° dia da COP26 As negociações da 26ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26) continuam em Glasgow, após a partida dos líderes mundias. No terceiro dia de conferência, as promessas de corte de investimentos em combustíveis fósseis a partir de 2022 e as discussões sobre o uso de jatinhos privados para participar do evento sobre o aquecimento climático foram temas de destaque. Depois da partida dos chefes de Estado, hoje foi dia de debater o financiamento da transição energética e as medidas necessárias para desenvolver o combate ao aquecimento global na economia. Tudo sobre o olhar crítico de especialistas e ativistas ambientais.

Para Marcelo, do Fridays for Future, o problema é ainda maior quando se olha para a questão social envolvida em todo o debate acerca das mudanças climáticas.

“Quando a gente leva nossas vozes, a gente ainda está falando do direito a viver, do direito a conseguir respirar”, conta, ressaltando questões como a poluição, falta de água e construção de lixões e usinas de incineração nas periferias. “Ainda estamos lutando por dignidade humana, que é o saneamento básico, que é conseguir sobreviver.”

Favela Piracuama em 2018, no distrito do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo © Léu Britto/Agência Mural Favela Piracuama em 2018, no distrito do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo

No ano passado, a Agência Mural falou sobre como o marco do saneamento afeta as periferias e o esgoto a céu aberto, cujo direito é garantido pela Constituição, mas não chega a todos, de acordo com a pesquisa do Instituto Trata Brasil em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas).

O estudo  mostrou que as periferias das grandes capitais têm menos rede de esgoto para suas populações em comparação com áreas centrais.

Recentemente, o Conselho de Direitos Humanos da ONU reconheceu o acesso a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável como um direito humano. A nova resolução foi considerada um “marco para a justiça ambiental” e contou com o apoio do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).

“O mundo já entendeu que a gente está vivendo uma emergência climática, mas ainda não entendeu que dentro dessa tempestade estamos em barcos diferentes. Nós, enquanto populações periféricas, estamos no meio do oceano em uma jangada, e tem gente vivendo a mesma crise dentro de um cruzeiro”, diz Marcelo.

Mudança de posição do Brasil na COP26 foi condição para Bolsonaro discursar

  Mudança de posição do Brasil na COP26 foi condição para Bolsonaro discursar GLASGOW, ESCÓCIA (FOLHAPRESS) - Os três minutos de discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na abertura da COP26, Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, foram cedidos ao Brasil em troca da assinatura da Declaração de Florestas, anunciada no início do encontro em Glasgow. A condição foi imposta pelo Reino Unido, segundo a Folha apurou com integrantes da delegação brasileira e confirmou com a diplomacia britânica, que preside a COP26. Os britânicos afirmaram que não faria sentido dar palco para um país que não estivesse disposto a assumir compromissos climáticos.

Amanda, que além de ativista também é jovem embaixadora da ONU, concorda que os impactos do aquecimento global não afetarão a todos de forma igualitária e que as periferias já enfrentam muitos problemas decorrentes das mudanças climáticas.

“Quando a gente pensa ‘Quem está na ponta? Quem vai sofrer os principais impactos?’, não é a pessoa rica da Faria Lima que vai ter a sua casa alagada por conta de enchente”, diz Amanda. “Vai ser a galera da periferia.”

CENÁRIO DO BRASIL

Formada em Relações Internacionais, Patricia Zanella, 25, membro do Conselho Consultivo de Jovens do Dia Mundial dos Oceanos e fundadora da EcoCiclo, acrescenta que ações individuais por si só não bastam.

“A gente precisa de um governo que seja comprometido com a causa ambiental”, diz Patricia, que mora na Vila Rosa, bairro da zona norte de São Paulo.

Patricia Zanella aponta dificuldades sobre o tema nos últimos anos no Brasil © Divulgação Patricia Zanella aponta dificuldades sobre o tema nos últimos anos no Brasil

O presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido), não está participando da COP26, em Glasgow, mas deixou uma mensagem afirmando que o Brasil é “parte da solução para superar esse desafio global”.

Para Patricia, não há mais no país “espaço para continuar perdendo mata, continuar aceitando indústrias que não possuem responsabilidade ambiental atuando e muito menos para uma educação que não aborda educação ambiental”.

O governo de Bolsonaro, assim como a gestão da pasta do Meio Ambiente sob seu mandato, tem sido marcado por escândalos relacionados à temática ambiental.

Em abril do ano passado, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles declarou durante uma reunião ministerial que o período de pandemia deveria ser utilizado para ir “passando a boiada” em relação a mudanças nas regras ligadas à proteção ambiental e agricultura, uma vez que a imprensa cobria a crise sanitária. Salles deixou o cargo em junho deste ano.

Fraco e insuficiente, primeiro texto do acordo da COP26 sequer cita fim dos combustíveis fósseis

  Fraco e insuficiente, primeiro texto do acordo da COP26 sequer cita fim dos combustíveis fósseis Por Greenpeace Brasil em Greenpeace Brasil – O primeiro rascunho do texto final de Glasgow é completamente falho ao não mencionar o fim dos combustíveis fósseis, apesar do consenso de especialistas sobre a necessidade de acabar com o carvão, petróleo e gás imediatamente para cumprir as metas do Acordo de Paris, e limitar o aquecimento do planeta em 1,5 °C até 2100. Devido à intervenção de interesses do setor e de países ricos em combustíveis fósseis, a primeira versão do texto oficial, publicada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), não reconhece que essas fontes de energia suja estão impulsionando a crise climática e, dessa forma, não

De acordo com dados de satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), no ano passado, a extensão de área desmatada na Amazônia Legal bateu um recorde visto pela última vez somente em 2008, com 10.851 km² desmatados em 2020, ante 12.911 km² treze anos atrás.

No entanto, em discurso na Cúpula do Clima de abril deste ano, Bolsonaro se comprometeu a combater o desmatamento ilegal até 2030 e a zerar as emissões de carbono até 2050.

JOVENS NA LUTA

Jahzara Oná atua desde a infância sobre a questão ambiental Jahzara Oná atua desde a infância sobre a questão ambiental

Aos 17 anos, Jahzara Oná, moradora da União de Vila Nova, na zona leste de São Paulo, conta que desde os 8 anos está engajada na luta contra as mudanças climáticas. A motivação? Sua própria realidade.

“Quando vi que o que estava passando era porque eu era mais vulnerável, que era (por conta do) racismo ambiental, da crise climática, eu resolvi lutar por isso, pelos jovens que aqui estão comigo.”

Mencionado por Amanda, fundadora do Perifa Sustentável, como um dos pilares de reivindicação do ativismo periférico pelo clima, o “racismo ambiental”, comentado por Jahzara, é um termo utilizado para descrever a injustiça ambiental dentro de um contexto racializado.

“A crise climática vai impactar todo mundo, mas dentro desse escopo tem um grupo que vai ser mais impactado, que é o grupo (dos mais) vulnerabilizados. Ou seja, pessoas pretas, indígenas, quilombolas, ribeirinho”, afirma. “Não tem justiça ambiental, sem justiça racial”.

Jahzara também aborda a “equidade intergeracional”, que é a luta pela garantia de que as futuras gerações tenham os mesmos direitos das gerações passadas em questões de acesso ao meio ambiente e à diversidade ambiental.

Em outubro, a jovem ativista participou da pré-COP26 em São Paulo, evento promovido pela Prefeitura da cidade para debater temas e políticas ambientais que estarão presentes durante a conferência em Glasgow, junto a outros jovens, como o ativista socioambiental, Gabriel Mendes, 19, morador de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, que também iniciou no ativismo com base em sua realidade na periferia.

Questionado sobre as expectativas para a COP26, ele diz: “Só espero que essas ações sejam abrangentes o suficiente, que cheguem à minha realidade”, sinalizando interesse em participar da próxima conferência, a COP27, em 2022, no Egito.

“A juventude global não vai aceitar acordos fracos, pouco ambiciosos. O desafio é grande, é complexo, é um super rolê, (risos) mas estou comprometida com a causa e eu estou conectada com pessoas que também são comprometidas com essa temática”, afirma Amanda, enquanto Marcelo diz acreditar que “pela primeira vez a gente está indo com muitos grupos de periferia” e está trazendo como lema a descolonização do sistema.

“A gente precisa de justiça climática alinhada aos processos de transição da sociedade.”

Para os mais novos que pretendem lutar para deixar um futuro às próximas gerações, o olhar é de admiração e esperança. “As lideranças periféricas que vão estar lá são maravilhosas, assim, o Marcelo, a Amanda, estão presentes”, diz Jahzara. ”Esse debate eurocêntrico sempre acontece muito e eles estão lá para intervir nisso, para debater o lado que realmente precisa ser visto, é maravilhoso.”

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Fraco e insuficiente, primeiro texto do acordo da COP26 sequer cita fim dos combustíveis fósseis .
Por Greenpeace Brasil em Greenpeace Brasil – O primeiro rascunho do texto final de Glasgow é completamente falho ao não mencionar o fim dos combustíveis fósseis, apesar do consenso de especialistas sobre a necessidade de acabar com o carvão, petróleo e gás imediatamente para cumprir as metas do Acordo de Paris, e limitar o aquecimento do planeta em 1,5 °C até 2100. Devido à intervenção de interesses do setor e de países ricos em combustíveis fósseis, a primeira versão do texto oficial, publicada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), não reconhece que essas fontes de energia suja estão impulsionando a crise climática e, dessa forma, não

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