Brasil: Construtoras reduzem projetos no Minha Casa Minha Vida com medo de falta de recursos - - PressFrom - Brasil

Brasil Construtoras reduzem projetos no Minha Casa Minha Vida com medo de falta de recursos

15:31  13 novembro  2019
15:31  13 novembro  2019 Fonte:   estadao.com.br

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MRV e Direcional Engenharia pretendem seguir construindo moradias para famílias de baixa renda, mas sem contar com financiamento do FGTS © Sergio Castro/Estadão MRV e Direcional Engenharia pretendem seguir construindo moradias para famílias de baixa renda, mas sem contar com financiamento do FGTS

A perspectiva de mudanças nas regras do Minha Casa Minha Vida (MCMV), e a tendência de diminuição de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abastecer o programa habitacional têm feito as grandes construtoras residenciais do País revisarem seus planos de negócios.

A MRV e a Direcional pretendem remanejar parte dos seus próximos empreendimentos para fora do programa. A intenção é seguir construindo moradias para famílias de baixa renda, mas sem contar com financiamento originado no FGTS, como ocorre no MCMV. Por sua vez, a Tenda está ajustando o perfil de seus projetos na tentativa de ganhar eficiência e evitar a corrosão da rentabilidade em meio ao ambiente de negócios mais árido.

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A MRV é a maior operadora do Minha Casa Minha Vida, com cerca de 10% de participação no volume anual de obras contratadas. A empresa comunicou hoje que reduzirá gradualmente os projetos do programa em seu portfólio do nível atual de 80% para cerca de 40% nos próximos anos.

O espaço no portfólio será preenchido por empreendimentos que estão numa faixa de preço similar à do teto do MCMV, em torno de R$ 300 mil, que podem ser financiadas por linhas de crédito com recursos originados no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Esses projetos representam hoje 8% do portfólio e a meta é elevar para cerca de 35%.

A companhia prevê ainda que cerca de 25% dos empreendimentos serão "híbridos", ou seja, poderão ser enquadrados nas linhas de crédito do MCMV ou nas linhas com taxas de mercado, dependendo da atratividade de cada segmento.

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"Se olharmos para o FGTS hoje, vemos uma menor disponibilidade de recursos do que víamos antes", afirmou o copresidente da MRV, Eduardo Fischer, em entrevista ao Broadcast. "Em vez de ficar com o risco na mão, que é a limitação do FGTS, estarei me expondo cada vez menos ao programa", emendou.

Fischer ressaltou ainda que vê o ciclo de redução das taxas de juros no País como um fator capaz de alterar a dinâmica do setor imobiliário. O executivo apontou que já existem linhas de mercado com taxas na casa de 7% ao ano, patamar inferior ao praticado na faixa 3 do MCMV, que é de 8,16% ao ano. "Na minha cabeça, a faixa 3 está deixando de existir. Ela já não tem subsídio do FGTS, e a taxa está maior do que no mercado. Está perdendo sentido", avaliou.

A mesma estratégia está sendo adotada pela Direcional. Ela anunciou semana passada que vai ampliar os lançamentos de imóveis com preços um pouco acima do teto do MCMV, o que a companhia chama informalmente de "faixa 4". A mudança vem na esteira de gargalos de recursos do programa, e na oportunidade de financiar os empreendimentos com linhas de crédito do SBPE.

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"Há uma oportunidade enorme pela frente com as mudanças no cenário macroeconômico", afirmou o presidente da Direcional, Ricardo Ribeiro, em reunião com investidores e analistas. "Não interessa de onde vem o funding. O que interessa é que há demanda pelos imóveis", enfatizou. Tanto para MRV quanto para a Direcional, os projetos fora do MCMV contarão com o mesmo método construtivo, além do repasse de clientes para o financiamento bancário logo após a venda, e não só na entrega das chaves.

Deterioração

A liquidez do FGTS tem diminuído pouco a pouco nos últimos anos devido à liberação de recursos para fins variados, desde empréstimos para socorrer Santas Casas até os saques para cotistas. Pela frente, há ainda a Medida Provisória 889, que poderá ampliar o valor dos saques de R$ 500 para R$ 998.

"Com menos recursos no FGTS, o impacto será ou um corte no tamanho do número de unidades contratadas pelo MCMV ou no valor do subsídio para cada uma das faixas. Ainda não sabemos ao certo como o governo vai proceder", apontou o presidente da Tenda, Rodrigo Osmo, em reunião com investidores e analistas após publicação de seu balanço.

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No encontro, Osmo disse ainda que vê uma deterioração do ambiente de negócios para o mercado imobiliário de baixa renda. O executivo citou também o fim dos mega feirões de imóveis da Caixa Econômica Federal - como já ocorria há quase 15 anos - e as condições mais restritivas do banco estatal para liberação de crédito.

Como resposta, a Tenda tem buscado aumentar a eficiência de seus projetos, passando a priorizar a construção de prédios mais altos para aproveitar mais a produção em cada terreno. A companhia também tem mantido uma posição líquida de caixa e evitado manter um estoque de terrenos muito grande.

O balanço da Tenda ligou sinal de alerta entre analistas. "Temos visto sinalização de que as perspectivas para o MCMV estão se tornando cada vez mais desafiadoras, com subsídios mais baixos e maiores restrições de crédito pela Caixa Econômica Federal desde o início deste ano", citaram Victor Tapia e Roberto Waissmann, em relatório do Bradesco BBI. Segundo estimativa da dupla, o total de unidades contratadas neste ano no MCMV deverá diminuir em cerca de 30% em relação ao ano passado.

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