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Brasil 13 anos como doméstica, 4 sem receber. A escravidão no quarto de empregada

16:55  19 novembro  2019
16:55  19 novembro  2019 Fonte:   brasil.elpais.com

Maria da Penha de SP lutou dia após dia contra violência doméstica

  Maria da Penha de SP lutou dia após dia contra violência doméstica Vítima de violência doméstica, Maria da Penha Nascimento de Campos decidiu colocar seu então marido na cadeia quando descobriu que ele tentou abusar de uma das filhas do casal, que tinha apenas 4 anos de idade. Depois, se tornou uma ativista e ajudou a criar várias associações e projetos com foco no enfrentamento do machismo e do racismo, como a rede de combate à violência doméstica em Itaquera, na zona leste de São Paulo. “Minha mãe desenvolveu esse trabalho para pensar em políticas públicas contra violência doméstica. Também foi uma das precursoras dessas casas que cuidam das vítimas de agressões.

A escravidão no quarto de empregada . A atriz Cyda Baú, bisneta de escravos, saiu de um quilombo e virou doméstica ainda criança, em troca A situação se repetiu na casa de outras patroas, e até os 16 anos Cyda trabalhou como doméstica sem receber por isso, reproduzindo parte da triste história

Os 13 anos como doméstica marcaram Cyda. Assédio dos patrões, patroas irritadas e a discriminação racial foram uma constante. A empregada na TV. O novo regime de trabalho –agora com salário– permitiu que Cyda alugasse um barraco na capital mineira e comprasse uma televisão.

A atriz e ex-empregada doméstica Cyda Baú.© Lela Beltrão A atriz e ex-empregada doméstica Cyda Baú.

Por incentivo da avó dona Heroína, Maria Aparecida Baú, na época com 12 anos, deixou a comunidade quilombola onde morava na região de Araçuaí, norte de Minas Gerais. A matriarca havia arrumado um emprego para a neta como empregada doméstica na casa de uma família branca de classe média alta em Montes Claros (MG). “Meninas novas eles colocam pra varrer, cuidar de criança...”, conta Aparecida, mais conhecida como Cyda, hoje com 44 anos. O salário? “Trabalhei um ano lá, sem ganhar. Ganhava a comida e uma roupinha de vez em quando”, diz. A situação se repetiu na casa de outras patroas, e até os 16 anos Cyda trabalhou como doméstica sem receber por isso, reproduzindo parte da triste história do bisavô: “seu” Antônio Baú foi um negro escravizado nas lavouras de cana da Bahia. O sobrenome da família foi um apelido dado pelo senhor da fazenda, uma vez que Antônio era hábil não só na lida do campo, mas também na confecção de malas e baús.

‘Me senti um alvo por ser mulher’, diz Isis Valverde sobre machismo

  ‘Me senti um alvo por ser mulher’, diz Isis Valverde sobre machismo A atriz Isis Valverde disse que já se sentiu um alvo por ser mulher e que sofreu muito com machismo . Hoje, com 32 anos, levantou uma bandeira por e para si, mas que sempre teve um pé no feminismo.© Reprodução/Instagram Isis Valverde disse que teve sua sexualidade colocada à prova na adolescência “Foi muito bonito quando vi muitas mulheres se unindo e levantando bandeiras também”, comentou. A global acredita que esse é o caminho pela luta por igualdade e pela mulher livre sem culpa.

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Uma rede de lojas de roupas de um shopping de Porto Alegre vai contratar 150 funcionários até o fim do ano . São vagas para vendedor, auxiliar e A ESCRAVIDÃO NO QUARTO DA EMPREGADA : 13 anos como doméstica e 4 sem receber salário – Por Gil Alessi. Especialista afirma que ETs estão

“O que vivi foi escravidão”, afirma Cyda de maneira taxativa. Além dela, sua avó e a mãe também trabalharam de graça “em casa de patroa” sem salário por muitos anos. “Era um costume que herdamos dos tempos da escravidão. Ainda é comum no país. Todos os dias nos quatro cantos do Brasil tem uma menina negra sendo mandada embora para trabalhar em casa de família. Meninas que largam a escola e os estudos e vão trabalhar como domésticas. Vamos ter uma geração de mulheres daqui a 30 anos que não lê, não escreve... Não terão tempo pra isso”, lamenta. Para ela, a própria existência da profissão está relacionada com nossa herança escravagista: “Empregada doméstica é uma coisa muito brasileira e tem total relação com o fato de o país ter acabado com a escravidão sem dar condição nenhuma pra quem estava sendo liberto. A mulher negra no Brasil foi pensada para limpar chão e passar pano. Foi pensada para... [se emociona] Para ser escrava, servir”.

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  Pai é preso suspeito de manter 4 filhos em cárcere privado em Cuiabá O homem tem um histórico de violência doméstica e já teria agredido fisicamente a ex-mulher em outras ocasiões e ateado álcool no corpo dela. O homem foi preso em flagrante e autuado pelos crimes de ameaça e cárcere privado.Como denunciar violência doméstica?Os casos de violência doméstica que viram processos no Poder Judiciário começam em diferentes canais do sistema de justiça, como delegacias de polícia (comuns e voltadas à defesa da mulher), disque-denúncia, promotorias e defensorias públicas.

A escravidão no Brasil, também referida como escravismo ou escravatura, foi a forma de relação social de produção adotada, de uma forma geral, no país desde o período colonial até pouco antes do final do Império.

Se a empregada doméstica fez horas extras no ano de apuração, será preciso adicionar um valor ao 13 º salário, referente às médias sobre horas extras. Se o trabalhador doméstico recebe o adicional noturno de 20% mensalmente, este valor deverá ser adicionado também no pagamento do 13 º salário.

Nas "casas de família", longe da comunidade quilombola onde cresceu e sem nenhuma perspectiva, a jovem Cyda se sentia “suspensa” na realidade. Dormindo no “quartinho fetal”, apelido dado para o quarto de empregada da casa das patroas onde mal cabia um colchão inteiro e ela precisava dormir encurvada, decidiu que algo precisava mudar. “Me deu um estalo. Eu não estudava, não tinha nada, nenhuma condição decente de vida, não sabia ler... Queria poder falar coisas sobre mim, me expressar, entender tudo. Eu era órfã de tudo lá. Longe da família, dos valores, sem opinião própria”, diz.

Decidida de que algo precisava mudar, aos 16 a jovem fugiu da casa onde trabalhava havia dois anos em Belo Horizonte e pela primeira vez na vida colocou os pés em uma sala de aula. “Me matriculei numa escola. Lá, conversando com colegas, comecei a perceber que trabalhar sem ganhar não era comum”, afirma. Dos 16 aos 25 anos, Cyda continuou trabalhando como doméstica. Mas agora recebendo salário. “E eu fui atrás de salário alto. Dizia para as patroas ‘sou mineira, sou boa de cozinha. Me paga bem que você vai ver'”, relembra.

Cansativo viver tendo que provar que sou humano, diz professor xingado e esfaqueado

  Cansativo viver tendo que provar que sou humano, diz professor xingado e esfaqueado Cansativo viver tendo que provar que sou humano, diz professor xingado e esfaqueadoXavier, de 60 anos, voltava de uma consulta médica quando foi atacado por Vitor Munhoz, de 30 anos, com um canivete. “Ele parou e me chamou de ‘macaco’. Fui tirar satisfação." Os dois, então, iniciaram luta corporal. “Quando ele tentou me acertar, consegui me esquivar. Até que pessoas ao redor me ajudaram a contê-lo. Só percebi que tinha sido esfaqueado quando começou a sangrar muito.

Dúvidas sobre seguro desemprego de empregados domésticos . Separamos as mais frequentes. 3. Qual o valor e a quantidade de parcelas a que o doméstico tem direito? O valor do benefício do seguro-desemprego do empregado doméstico corresponderá a 1 (um) salário-mínimo e será concedido por

Pago uma espécie de 13 º salário e férias para minha faxineira que trabalha uma vez por semana. Apenas empregado doméstico com carteira registrada dá direito ao contribuinte de deduzir do IR as contribuições pagas ao INSS desse empregado . Agora só a partir de quarta -feira e com multa.

Os 13 anos como doméstica marcaram Cyda. Assédio dos patrões, patroas irritadas e a discriminação racial foram uma constante. “As crianças gostavam muito de mim porque eu jogava bola, brincava. Mas eu não me sentava com eles na mesa pra tomar café. Não tomava água no mesmo copo”, conta. A percepção do racismo sofrido demorou para se consolidar. “Com aquela idade não entendia porque estavam falando comigo daquele jeito, ou me maltratando... E depois de 25 anos cai a ficha: era por causa da minha cor.”

A empregada na TV

O novo regime de trabalho –agora com salário– permitiu que Cyda alugasse um barraco na capital mineira e comprasse uma televisão. “No quilombo não tinha TV. Só os donos das fazendas onde ia trabalhar com minha avó tinham, de vez em quando eu dava uma espiada e ficava fascinada! Então o que uma empregada doméstica faz em BH? Assiste novela”, diz. A atração pela TV fez com que Cyda desse outro salto na vida. “Vendi tudo o que tinha e fui para o Rio morar no quarto de empregada onde dormia minha tia Déia”, diz. “As duas em um quartinho ‘fetal'.”

No Rio, a jovem conseguiu entrar na prestigiosa escola de teatro Martins Pena. “Foi a primeira vitória que tive na vida enquanto mulher negra despertando”, conta. Se por um lado lá Cyda teve contato com a vivência teatral e suas técnicas, por outro se deu conta de que não havia espaço para negros. Ou melhor: havia, só que apenas na cozinha. “Não tinha personagem pra eu fazer. Eu fazia sempre as empregadas. Nas peças e nos estudos. Quando ia ver o meu papel era a da personagem que vem, põe o bolo na mesa e sai. Vem, limpa o que caiu e sujou, e sai. É muito forte isso”, afirma.

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Para receber o seguro desemprego empregada doméstica , o (a) empregado (a), ao ser dispensado sem justa causa, deverá dirigir-se aos Postos de Atendimento do Ministério do Trabalho e Emprego (Delegacia Regional – DRT, Sistema Nacional de Emprego – SINE ou postos conveniados) para que

Serviços. Regularização de Empregada Doméstica . DIRF 2020 – Empregador Doméstico . 13 º salário de doméstica . Admissão (contratação). Benefícios previdenciários. Clique aqui para receber o aviso. Piso regional vigente em 2019 no Paraná (PR) – e anos anteriores – para empregados domésticos .

Cyda em sua casa na zona oeste de São Paulo.© Lela Beltrão Cyda em sua casa na zona oeste de São Paulo.

Após o curso na escola de teatro, a carreira de Cyda na TV não embalava, e se resumia a figurações em novelas da Globo. Foi aí que em 2014 ela foi incentivada por um amigo a se inscrever no programa A Casa dos Artistas 4, do SBT. O vencedor do programa seria escolhido para protagonizar a próxima novela da emissora, Esmeralda. Única mulher negra dentre os 14 participantes, Cyda se destacou, mas acabou eliminada na sétima semana. Ciente da popularidade da atriz, Silvio Santos decidiu convocá-la para a novela mesmo assim. O papel? A empregada doméstica Jacinta. “Dava raiva ser atriz no Brasil, país de maioria negra, e não ter um papel que não o de doméstica. O racismo estrutural do país preparou tudo isso. E não só pra mim, mas pra todo homem, mulher e criança negra. Seu lugar está definido quando você nasce. Se você não tiver força no coração pra atravessar esse muro, você vive preso a isso.”

A redenção veio pelas letras. Cyda se deparou com o livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, ela também uma empregada doméstica. “Não li essa e outras autoras negras na escola. Não lia minha gente. A historia dela é a minha vida. Ela sai de Minas Gerais novinha, trabalha em casa de família, mora em favela...”, diz. Em seguida devorou Diário de Bitita, Pedaços da Fome e Casa de alvenaria, todos da mesma autora. “Aí fui ler Conceição Evaristo, e me deparei com a mesma história: ela foi doméstica, fugiu de patrão, sofreu abuso, não recebia salário. Quando terminei de ler estes livros eu sabia que ia fazer uma peça sobre isso”, conta. Dito e feito, Cyda escreveu, com o auxílio da dramaturga Gabriela Rabelo, Os Rastros das Marias, peça em parte biográfica mas que também dialoga com a batalha de todas as mulheres negras, de Marielle Franco e Carolina de Jesus à sua avó dona Heroína. Enfim, um papel para Cyda Baú, do quilombo para os palcos.

O EL PAÍS agradece ao Museu da Pessoa pela colaboração na reportagem.

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