Brasil Banco Mundial: Brasil precisa priorizar as quase 1 milhão de famílias vivendo na pobreza sem Bolsa Família

15:12  14 dezembro  2019
15:12  14 dezembro  2019 Fonte:   bbc.com

Governo vai reformular Bolsa Família e destinar benefício a crianças e jovens

  Governo vai reformular Bolsa Família e destinar benefício a crianças e jovens Governo vai reformular Bolsa Família e destinar benefício a crianças e jovensA proposta está em análise na equipe econômica para definição do volume de recursos adicionais ao programa. O plano original da ala política do governo era aumentar em R$ 16,5 bilhões os recursos para o programa – que tem um orçamento previsto para 2020 de R$ 29,5 bilhões. São R$ 14,1 bilhões adicionais ao que já é gasto anualmente e mais R$ 2,4 bilhões para bancar, no ano que vem, o pagamento do 13.º salário. Segundo apurou o Estado, a área econômica já avisou que pode garantir, por enquanto, “no máximo” R$ 4 bilhões adicionais.

"Há quase 1 milhão de famílias , não temos o número exato, mas quase um milhão de famílias que se qualificam para o Bolsa Família , mas Na visão do Banco Mundial , em períodos difíceis para a economia, as políticas redistributivas como os programas de transferência de renda se revelam ainda

Atualmente, o Bolsa Família beneficia em torno de 14 milhões de famílias - 50 milhões de pessoas ou cerca de 1 /4 da população, e é amplamente Além do impacto imediato na pobreza , uma outra meta central do programa era quebrar o ciclo de transmissão de pobreza de pais para filhos pelo aumento

Há quase um milhão de famílias que se qualificam para o Bolsa Família, mas ainda não estão no programa, diz Pablo Acosta© Divulgação/Banco Mundial Há quase um milhão de famílias que se qualificam para o Bolsa Família, mas ainda não estão no programa, diz Pablo Acosta

Em fevereiro de 2017, um estudo divulgado pelo Banco Mundial defendia que o Brasil precisava aumentar seus gastos com o programa Bolsa Família para evitar que milhares de novas famílias passassem a viver na pobreza durante a recessão econômica, quando milhares perderiam seus empregos. A previsão se mostrou correta: no mês passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que, em 2018, chegou a 13,5 milhões o número de brasileiros vivendo abaixo da linha da extrema pobreza - 4,5 milhões a mais que em 2014.

Governo tenta reagir a ação do Congresso em pautas sociais

  Governo tenta reagir a ação do Congresso em pautas sociais Planalto quer se ‘apropriar’ das discussões sobre redução da desigualdade, no momento em que tema ganha força entre parlamentaresO Senado Federal aprovou esse dispositivo na chamada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) paralela, que originalmente prevê a inclusão de Estados e municípios nas novas regras de Previdência. Em outra frente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), patrocina um pacote social, que conta também com uma medida semelhante sugerida pela deputada Tabata Amaral (PDT-SP).

O Bolsa Família é um programa de transferência de renda do Governo. ✓ Confira todas Um desses programas sociais que foi criado no Brasil com esse objetivo é o “ Bolsa Família “. Os programas de transferência de renda condicionadas contra a pobreza são políticas sociais utilizadas em Benefício Básico, recebido por aquelas famílias que estão em situação de pobreza extrema, que recebem

Decimo Terceiro do Bolsa Familia 😍 - Saiba quem terá direito ao pagamento do 13 º do benefício do Bolsa Para ser habilitado aos pagamentos, é preciso cumprir os seguintes requisitos Governo irá fornecer ajuda na compra de material escolar para famílias do Bolsa Família O Governo Federal

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Na definição global do Banco Mundial, é considerado em situação de extrema pobreza quem dispõe de menos de US$ 1,90 por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 140 por mês. Já a linha de pobreza é de rendimento inferior a US$ 5,5 por dia, o que corresponde a cerca de R$ 406 por mês.

Esta semana, os números mostraram mais uma evidência do retrocesso social: em 2018, o país o caiu uma posição no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), referência mundial em medida de bem-estar da população.

Benefício maior para 1ª infância, reajuste e mais: como a Câmara quer ampliar o Bolsa Família

  Benefício maior para 1ª infância, reajuste e mais: como a Câmara quer ampliar o Bolsa Família Benefício maior para 1ª infância, reajuste e mais: como a Câmara quer ampliar o Bolsa FamíliaOs programas sociais de combate à pobreza e transferência de renda, sobretudo o Bolsa Família, estão ganhando cada vez mais atenção de governantes. Depois desse anúncio de Maia, foi a vez de o próprio presidente Jair Bolsonaro pressionar o ministro da Economia, Paulo Guedes, e pedir que o governo apresente um pacote social.

O programa Bolsa Família vem, há anos, auxiliando a milhões de brasileiros a enfrentar situações de pobreza e carência material. Além disso, o programa goza de reputação internacional, sendo uma referência mundial de auxílio e distribuição de renda.

Muitas famílias são beneficiadas pelo Bolsa Família , mas, apesar de simples, ainda podem surgir Importante: Não deixe de sacar o Bolsa Família até 90 dias depois a data indicada pelo calendário. Estou precisando muito do dinheiro do bolsa família minha água foi cortada e eu só recebo o

Responsável por coordenar os programas de desenvolvimento humano do Banco Mundial para o Brasil, o argentino Pablo Acosta defende que, quase três anos depois do alerta, o governo precisa priorizar o socorro às famílias que vivem na pobreza, mas ainda não foram atendidas com o benefício.

"Há quase 1 milhão de famílias, não temos o número exato, mas quase um milhão de famílias que se qualificam para o Bolsa Família, mas ainda não estão no programa. E a razão principal isso é porque havia um orçamento fixado no começo do ano e não se pode permitir que mais gente entre. Então, uma das recomendações, não apenas nossa, mas de muitos outros, é de que realmente precisamos priorizar incluir essas famílias no programa, porque elas são elegíveis", afirmou Acosta, doutor em Economia e especialista em proteção social e mercado de trabalho.

Na visão do Banco Mundial, em períodos difíceis para a economia, as políticas redistributivas como os programas de transferência de renda se revelam ainda mais importantes. O Bolsa Família atende às famílias que vivem com renda per capita de até R$ 89 mensais, e com renda entre R$ 89,01 e R$ 178 mensais. De acordo com o Ministério da Cidadania, em setembro, o programa atendeu 13,5 milhões de famílias, somando um valor total de R$ 2,5 bilhões. O benefício médio foi de R$ 189,21.

Landim diz que o Flamengo busca “acordo dentro de bases razoáveis” com famílias de vítimas do Ninho do Urubu

  Landim diz que o Flamengo busca “acordo dentro de bases razoáveis” com famílias de vítimas do Ninho do Urubu Presidente do Flamengo falou sobre as conversas para indenizar os parentes dos jovens que faleceram no incêndio que atingiu o Landim diz que o Flamengo busca “acordo dentro de bases razoáveis” com famílias de vítimas do Ninho do Urubu - Torcedores.com.

O Bolsa Família foi promulgado em 20 de outubro de 2003, durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula " Nós precisamos que o próximo governo, de fato, tenha compromisso com a realização e Ele diz ainda que vai “incorporar as famílias em condição de pobreza sem acesso ao Bolsa Família

De acordo com o Banco Mundial , para que isso aconteça, o país precisa ainda melhorar Segundo o banco , se o Brasil reduzisse suas barreiras ao comércio - dentro de reformas coordenadas dentro do Mercosul - poderia ser possível tirar quase seis milhões de pessoas da pobreza e criar mais de

Pelas regras do banco, é missão da entidade trabalhar diretamente com o governo de cada país membro; por esse regulamento, o ministro da Economia é o governador responsável pelo seu país no conselho de diretores do Banco Mundial, o que exige interação constante entre os técnicos em reuniões e encontros, explica Acosta.

"Tudo o que fazemos é dedicado a apoiar a economia e o desenvovimento do país, e isso requer constantes discussões e interações em diferentes níveis de poder, não só em nível federal, mas também com alguns Estados e municípios".

O executivo elogia que, de uns tempos para cá, a pauta social tenha crescido no debate político, tanto em iniciativas do Executivo quanto trazidas pelo próprio Congresso.

E diz que, para se tornar uma economia rica, o Brasil precisará priorizar o investimento nas pessoas, em especial para educar melhor os jovens para serem trabalhadores mais produtivos. Mais que reduzir o custo para a contratação, como prevê o programa Verde Amarelo, lançado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, é preciso melhorar a qualidade da educação e dar mais treinamento para que eles consigam lugar no mercado de trabalho.

Gabigol comenta renovação com o Flamengo e Mundial de Clubes

  Gabigol comenta renovação com o Flamengo e Mundial de Clubes Gabigol voltou a desconversar sobre sua renovação com o Flamengo. O camisa 9 comentou, em entrevista aos canais Sportv no Prêmio Brasileirão 2019, que só resolverá sua situação após a disputa do Mundial de Clubes. “Já falei sobre isso um milhão de vezes. Vocês vão perguntar um milhão e eu vou responder a mesma coisa. […]“Já falei sobre isso um milhão de vezes. Vocês vão perguntar um milhão e eu vou responder a mesma coisa. É depois do Mundial. A gente tem o campeonato do mundo para resolver, para pensar, para ter um foco, então não ter porque eu pensar em outra coisa”, disse.

a ) A pobreza no Brasil não é causada por um episódio único, sendo resultado de uma série de fatores históricos As pessoas consideradas em situação de extrema pobreza são assim classificadas de acordo O principal programa social do país, o Bolsa Família , criado em 2003, é uma política de

Estudo do Banco Mundial mostra que Brasil praticamente acabou com a extrema pobreza mais rápido que países vizinhos, com crescimento econômico e Bolsa Família .

"Acreditamos que é um dos fatores mais importantes, ter uma população educada e um trabalho produtivo. E isso, basicamente, é investir em pessoas".

Leia os principais trechos na entrevista:

BBC News Brasil - Em 2017, um estudo do Banco Mundial defendia um aumento do orçamento do Bolsa Família para evitar o crescimento da pobreza. Como veem o crescimento da pobreza desde então?

Pablo Acosta - Basicamente segundo os últimos dados de 2018, a pobreza, infelizmente, continuou em uma tendência de alta. Claro que não é uma surpresa, houve uma recessão severa no Brasil nos últimos três anos, e é isso que acontece normalmente. Se qualquer país no mundo sofre esse particular declínio na atividade econômica, a pobreza tende a crescer.

Nossa análise mostra que os números de pessoas na pobreza não ainda estão nos níveis de 2014, antes da recessão, mas ao menos no ano passado estamos mandando menos pessoas para a pobreza do que em 2017.

Em 2018 houve esse aumento leve na pobreza, na que é associada com o US$ 1,9 dólar por dia [definição de pobreza extrema para o Banco Mundial]. Mas dá para ver algumas boas notícias na outra linha de pobreza, entre os que vivem com US$ 5,5 dólar por dia, houve um leve declínio em 2018. Talvez estejamos vendo finalmente a luz no fim do túnel.

BBC News Brasil - Mas o senhor acha que esse crescimento da pobreza era inevitável por causa da recessão? Eu tinha a impressão, pela recomendação do banco Mundial em 2017, que se alguns passos fossem tomados, poderíamos evitar parte desse aumento da pobreza.

Governo quer vale-creche no Bolsa Família

  Governo quer vale-creche no Bolsa Família Governo quer vale-creche no Bolsa FamíliaA ideia do governo é buscar espaço no Orçamento do ano que vem para aumentar os recursos para o Bolsa Família, que pode ter a inclusão também de um benefício para jovens de até 21 anos.

Bolsa Família 2019 - Inscrições Bolsa Família , quem tem direito ao Bolsa Família , valor, veja o calendário 2019 de pagamento, requisitos e Um sistema extremamente complexo, que disponibiliza renda para pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza . Uma estrutura coordenada pela equipe

A pobreza , portanto, precisa estar na agenda política e econômica dos Governos, onde os planos de O Banco Mundial dedica especial atenção à necessidade de medições comparáveis para que O mais notável foi o programa Bolsa Família no Brasil , que condicionou a ajuda ao cumprimento de

Pablo Acosta - Primeiramente precisamos entender o que causou o aumento da pobreza. O que aconteceu basicamente foi a perda de renda, a perda de oportunidades de gerar renda para grande parte da população, que é o que acontece durante uma recessão. E você teve uma recuperação lenta, considerando que o nível de desemprego é alto e não está caindo rápido, o que poderia ajudar a melhorar o impacto sobre a pobreza.

Entre aqueles que estão mais afetados estão os pobres, e isso explica porque a pobreza cresceu. Sim, no artigo de 2017 nós argumentamos que havia políticas de proteção social como, por exemplo, o programa Bolsa Família, que poderiam ter melhorado isso um pouco.

Lembrando que o Bolsa Família é um programa de transferência de renda que pode prover alívio temporário, mas não está necessariamente lidando com os problemas do mercado de trabalho.

Para responder sua pergunta: sim, isso poderia ter sido mais mitigado durante a recessão. Isso na verdade aconteceu na recessão de 2008 e 2009, que não era tão severa quanto a de 2015 e 2016. Mas naquela época o governo aumentou a cobertura do Bolsa Família, aumentou o benefício temporariamente e isso ajudou a limitar o impacto na pobreza. Neste caso, por razões diferentes, inclusive a questão fiscal, é claro, que provavelmente explicaria porque não pudemos usar esses mecanismos de proteção social como antes.

BBC News Brasil- Alguns dados indicam que o número de beneficiários parece estar diminuindo durante a crise, embora o número de pobres tenha aumentado. O governo também diz que aumentou a fiscalização contra fraudes e um fez um pente-fino nos cadastros.

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Só recebem as famílias em situação de pobreza que possuírem gestantes e/ou crianças ou adolescentes de 0 a 17 anos na composição. Objetivos do Programa Bolsa Família . O programa foi criado como uma tentativa de erradicar a pobreza e diminuir a desigualdade entre a população

Based on Brasil . IDEAS DE MODA: SUJETADOR SIN ESPALDA, TRUCOS PARA EL ESCOTE, CÓMO ORDENAR LA ROPA INTERIOR - Продолжительность: 10:29 Trucos Panda Recommended for you.

Pablo Acosta - É preciso ressaltar que o programa Bolsa Família é muito dinâmico. A ideia é que em qualquer período de tempo há pessoas que devem estar saindo do programa, porque entram e saem da linha de pobreza, não é necessariamente por fraude. Há pessoas que melhoram sua condição financeira e deveriam sair do programa. Então o que vimos é uma leve redução, não somente em razão de fraudes, mas também por famílias que sairiam naturalmente do Bolsa Família porque não têm mais crianças na idade alvo do programa, que é até 18 anos. Uma saída natural, as pessoas não se tornam mais elegíveis. E é por isso que você vê um leve declínio na cobertura.

A questão foi, e aí que entramos nos aspectos mais fiscais, é que quando eles estavam preparando o orçamento, eles não estavam contando com a possibilidade de mais famílias entrarem [no Bolsa Família].

BBC News Brasil - Mas foi sobre isso que o Banco Mundial havia alertado, não?

Pablo Acosta - As famílias se qualificam para receber o Bolsa família quando elas caem abaixo da linha da pobreza. E você tem uma situação hoje, que vocês chamam de fila no Brasil, em que há muitas centenas de famílias, não temos o número exato, mas há quase um milhão de famílias, que poderiam se qualificar para o Bolsa Família, mas não estão ainda no programa. E a razão principal isso é porque havia um orçamento fixo, no começo do ano, e não se pode permitir mais gente a entrar. Então uma das recomendações, não apenas do Banco Mundial, mas de muitos outros, é de que realmente precisamos priorizar incluir essas famílias no programa porque são elegíveis. E isso, claro, requer mais recursos para acomodá-las.

BBC News Brasil - Como vê o efeito das medidas econômicas discutidas este ano em relação à pobreza? Reforma da Previdência, programa de emprego para jovens, reoneração da cesta básica, por exemplo. O senhor tem acompanhado?

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O Banco Mundial é parceiro do Brasil em programas inovadores e de resultados como o Bolsa Família , responsável pela importante redução da desigualdade social no Brasil ; o DST/Aids, que é referência internacional na luta contra a epidemia; os projetos comunitários de desenvolvimento rural

Pablo Acosta - Primeiro de tudo, a reforma da Previdência era uma medida muito necessária para tornar as contas públicas mais sustentáveis no país. Quando há um déficit como o existente, você tem muito pouco espaço para políticas sociais, então concordamos foi uma medida muito importante.

Nós também temos notado medidas propostas pelo Executivo, algumas levadas pelo Congresso, estamos agora vendo um crescente movimento de medidas sociais, acho que o governo está tentando abordar isso. Uma das causas originais da pobreza é o declínio na renda, pelo desemprego. E isso, claro, atinge especialmente os jovens. E é uma das principais razões pelas quais eles estão propondo esse programa de emprego para jovens, tentando reduzir os custos e reduzir o desemprego.

E, em relação ao Bolsa Família, há muitas propostas sendo discutidas no Congresso. O ministério da Cidadania também tem falado em introduzir mudanças ao programa para que mais pessoas possam entrar e há componentes, por exemplo, relacionados a financiar creches para crianças. Há movimentos tanto do governo, quanto do Congresso. Eles querem atacar esse assunto, especialmente para superar esse impacto negativo que a crise teve.

BBC News Brasil - E o senhor acha que as propostas vão na direção correta? O do programa de emprego para jovens, por exemplo?

Pablo Acosta - O Brasil não é o primeiro a tentar esse tipo de intervenção. O programa trata de uma parte do problema, que é o alto custo para os empregadores de empregar um jovem. E isso tem mais relevância para a juventude, porque os jovens tendem a ter mais dificuldades para encontrar emprego, em geral. Então é por isso que o governo está tentando reduzir o custo da contratação. Eu diria que vai na direção correta, mas ao mesmo tempo, dada a complexidade da questão, é preciso complementá-lo com outras medidas alternativas.

BBC News Brasil- Que tipo de medidas?

Pablo Acosta - Uma das razões pelas quais você tem desemprego alto é o custo alto, mas a outra é a baixa produtividade. E isso, claro, países têm tomado muitas medidas. A qualidade da educação ainda é um grande desafio no Brasil, precisamos continuar a melhorar a qualidade e relevância da educação.

BBC News Brasil- A baixa produtividade é uma barreira ao emprego dos jovens?

Pablo Acosta - Geralmente eu diria que a baixa produtividade reduz a probabilidade de ser contratado. Basicamente o que estamos dizendo é que alguns jovens têm dificuldades de se inserir ou se reinserirem no mercado de trabalho porque as habilidades deles não estão totalmente desenvolvidas ainda.

Há aspectos relevantes da qualidade de educação. Um documento recente do Banco Mundial, o Learning Poverty, mostra que quase 50% das crianças de dez anos de idade não conseguem, por exemplo, compreender um texto simples. E também há os dados do Pisa que mostram que 68% dos estudantes brasileiros (contra 2% nas cidades chinesas medidas no Pisa) não conseguem "interpretar e reconhecer como uma situação simples pode ser representada matematicamente". O país está tentando complementar isso com oportunidades de treinamento, e isso poderia ajudar a elevar a produtividade e ajudar os jovens a se inserirem no mercado de trabalho.

BBC News Brasil - Além de reduzir o custo do emprego, deveria haver um programa de educação?

Pablo Acosta - Deveria haver uma série de medidas todas apontando para a mesma direção: como preparar melhor os mais jovens para o mercado de trabalho para que eles possam entrar mais rapidamente e, ao mesmo tempo reduzir o custo de contratar um jovem. Esperamos que a segunda parte continue na agenda, o que também poderia ajudar o mercado de trabalho.

BBC News Brasil- E as mudanças em discussão para o Bolsa Família? Vão na direção correta?

Pablo Acosta - Todas apontam para a mesma direção, no sentido de como aumentar a relevância do Bolsa Família para mais pessoas, e vêm com um diagnóstico de que a redução da pobreza pode ser acelerada. Há muitos caminhos para fazer isso, há muitos debates, e não escolhemos necessariamente um ou outro, mas basicamente você vê propostas que variam de fazer o Bolsa Família um tipo de programa universal, onde cobre a maioria das crianças, e ao mesmo tempo reformando benefícios que são ineficientes e podem ser realocados para o Bolsa Família.

O outro caminho é trabalhando para aumentar o tamanho do benefício também a cobertura de 18 para 21 anos. É preciso ver como essas políticas vão impactar na pobreza, discutir qual será o custo, porque há impactos de custos que são diferentes em cada proposta. Vamos analisar os diferentes cenários e ainda não temos uma posição. Mas valorizamos esse debate, que é importante, particularmente reconhecendo que o programa Bolsa Família continue relevante no Brasil e possa ser fortalecido e ter mais recursos.

Sabemos que o Bolsa Família é um programa poderoso, porque já foi avaliado, tem impacto no desenvolvimento humano. E internacionalmente, comparado com outros países que têm esse tipo de intervenção, custa 0,5% do PIB, o que é um gasto normal para um país do nível de desenvolvimento do Brasil, com um impacto ambicioso sobre a pobreza. É razoável. É um programa que já foi consistentemente avaliado, muitos estudos foram feitos sobre os impactos positivos.

BBC News Brasil- A produtividade do Brasil não cresce há décadas. A baixa produtividade é um problema também para a economia?

Pablo Acosta - É um problema crucial. Quando falamos sobre quais as perspectivas para o Brasil, não só para se recuperar da crise, mas também para continuar a crescer no longo prazo. O Brasil é uma economia que pretende se tornar um país rico. Um dos principais ingredientes para isso é melhorar a produtividade. Os dados mostram que a produtividade tem sido baixa há um longo tempo, é uma tendência antiga, de antes da crise. E requer diferentes políticas, macropolíticas que estimulem a criação de empresas, inovação.

E uma área que me preocupa mais, e à qual damos muita atenção, é em como preparar melhor a força de trabalho. Os aspectos de investir em pessoas, investir em capital humano. Outro indicador do Banco Mundial, que chamamos de Human Capital Index, mostra que, na idade de 18 anos, as crianças só atingem 56% de seu potencial máximo de produtividade. [De acordo com o indicador, ela terá só 56% da produtividade que poderia ter se tivesse tido acesso completo a educação e saúde. Em Singapura, que lidera esse ranking de 170 países, esse percentual é de 100%].

E isso é uma medida que inclui aspectos de saúde e educação, nutrição, o que mostra que há problemas em todas essas dimensões. Na qualidade de educação é a lacuna mais relevante, especialmente no ensino fundamental, que é um grande desafio em termos de qualidade.

Outro aspecto importante é que, no caso do Brasil, um relatório mostra diferenças especiais. Em algumas cidades do Sudeste, esse número de produtividade é de 70%; no Nordeste, ou no Norte, esse percentual é de 45%. Há enormes discrepâncias que mostram a desigualdade no Brasil. Que, novamente, se explicam por investimentos na infância. No longo prazo, vemos que um dos objetivos é aumentar a produtividade dos jovens quando eles chegam ao mercado de trabalho.

BBC News Brasil - E por que falhamos tanto em preparar nossos jovens?

Pablo Acosta - O principal é a qualidade da educação. Em alguns outros países, o problema principal é a nutrição. No Brasil não é a maior preocupação, embora haja regiões do Brasil em que isso ainda é uma preocupação. No geral, a qualidade da educação, mais que o acesso, é o problema. Podemos fazer outra entrevista se quisermos discutir isso a fundo, mas o banco vem trabalhando muito em educação para ajudar a elaborar políticas públicas. Há partes do Brasil muito bem-sucedidas em melhorar o aprendizado, como Sobral, no Ceará. Mostra que dá para fazer.

BBC News Brasil - Considerando que continuemos a falhar em aumentar a produtividade dos jovens, que riscos vê para o futuro do Brasil?

Pablo Acosta - Eu acho que, pelas discussões que temos, o governo está muito consciente desse problema e vai atacá-lo. Mas claro que o risco de não aumentar a produtividade, especialmente nessa situação de desemprego entre jovens, vai continuar limitando o PIB e o crescimento da renda, e pode comprometer as perspectivas do Brasil. São retornos que vão compensar muito no longo prazo, mais que investimentos físicos. Investir nas pessoas, na educação, compensa muito. Esperamos que continuemos nessa tendência de políticas inovadoras para crescer. Para que não só se recupere da crise, mas que olhe no longo prazo, perspectivas de crescimento para que o país se torne um país de alta renda. Acreditamos que é um dos fatores mais importantes para isso, ter uma população educada e um trabalho produtivo. E isso basicamente é investir em pessoas.

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Presidente do Flamengo diz que o clube faz “mais do que o justo” em indenizações de tragédia .
Rodolfo Landim afirmou que o Flamengo está fazendo o máximo para entrar em acordo com as famílias, mas ressaltou que Presidente do Flamengo diz que o clube faz “mais do que o justo” em indenizações de tragédia - Torcedores.com.

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