Brasil Tomei a Belorizontina. E agora?

12:52  15 janeiro  2020
12:52  15 janeiro  2020 Fonte:   em.com.br

Cervejaria Backer vai tirar de circulação lotes citados pela polícia

  Cervejaria Backer vai tirar de circulação lotes citados pela polícia Cervejaria Backer vai tirar de circulação lotes citados pela políciaLeia o comunicado oficial da cervejaria:Após entrevista coletiva nesta tarde, a Polícia Civil divulgou laudo informando que a substância dietilenoglicol foi identificada em duas amostras recolhidas da cerveja Belorizontina na casa de clientes, que vieram a desenvolver os sintomas. Vale ressaltar que essa substância não faz parte do processo de produção da cerveja Belorizontina, fabricada pela Cervejaria Backer.

Paula Lebbos pede para que consumidores não bebam as cervejas Belorizontina e Capixaba (nome comercial da bebida no ES) até que as "O que estou pedindo é que não bebam a [cerveja] Belorizontina , qualquer que seja o lote. Eu não sei o que está acontecendo", afirmou a diretora de

Cerveja Belorizontina é investigada como causadora da síndrome nefroneural que matou uma pessoa em Minas — Foto: Flávia Lages/ TV Globo. Em MG, secretaria investiga se morte de mulher tem relação com cerveja contaminada.

O advogado Maycon Rothéia, com cerveja de lote contaminado: medo depois de ter consumido outras garrafas da bebida © Arquivo Pessoal O advogado Maycon Rothéia, com cerveja de lote contaminado: medo depois de ter consumido outras garrafas da bebida

Depois que a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou contaminação por dietilenogligol e monoetilenogligol em três lotes da cerveja Belorizontina, produzida pela Backer, a apreensão entre os amantes da bebida aumentou. E as dúvidas se multiplicam: quem ingeriu a bebida e passou mal mas melhorou ou não apresentou nenhum sintoma ainda está em risco?

É preciso procurar um médico? Especialistas ouvidos pelo Estado de Minas apontam que as substâncias tendem a ser eliminadas do corpo em até sete horas, o que indica que quem consumiu a bebida há mais tempo já se livrou do composto tóxico. Os sintomas tendem a aparecer em até 48 horas depois da ingestão da cerveja contaminada, explicam. Mas “quem bebeu a cerveja há poucos dias precisa ficar atento”, diz o médico nefrologista Fabrício Augusto Marques Barbosa. E até o fabricante do rótulo apela: “Não bebam a Belorizontina”.

Belorizontina é retirada de prateleiras, mas supermercados fazem promoções de outros rótulos da Backer

  Belorizontina é retirada de prateleiras, mas supermercados fazem promoções de outros rótulos da Backer Belorizontina é retirada de prateleiras, mas supermercados fazem promoções de outros rótulos da BackerA reportagem esteve em uma rede de supermercados que fica no Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, onde os casos da doença começaram a surgir, e conversou com consumidores. Um deles, que preferiu não se identificar, conferia as ofertas na gôndola de cervejas e não demonstrou tanta preocupação ao comprar a bebida de outra marca.

Lote L2 1354, da cerveja Belorizontina , é analisado pela Polícia Civil — Foto: Flávia Lages/ TV Globo. A Polícia Civil confirmou na manhã desta segunda-feira (13) que mais um lote da cerveja Belorizontina , da Backer, está contaminado por dietilenoglicol e monoetilenoglicol.

Edson Junior Garbiloto foi o único que tomou ' Belorizontina ' em uma festa de réveillon em BH. Ninguém mais bebeu dela. Aí eu comi tudo o que o resto do pessoal comeu e tomei outra cerveja. Ao saber que a Belorizontina que tomou pertence ao lote investigado, o farmacêutico decidiu fazer

“Mal-estar, dor abdominal, diarreia e dor lombar persistentes podem ser sintomas de intoxicação. A pessoa ainda pode ter grande redução na quantidade de produção de urina, o que faz com que fique horas ou até dias sem urinar. Caso identifique esses sintomas, é importante procurar atendimento médico o quanto antes”, alerta.

O nefrologista Vinícius Sardão Colares, diretor da Sociedade Mineira de Nefrologista, explica: “Temos poucos relatos de intoxicação pelo dietilenoglicol. E a grande maioria é relacionada a surtos por contaminação. O que podemos afirmar é que, ao serem ingeridos, os dois causam sintomas muito parecidos no corpo, como a. insuficiência renal.” Mas há há diferenças na evolução dos quadros clínicos. O dietilenoglicol (DEG) geralmente leva a paralisia dos nervos do rosto, o que não ocorre no caso do outro composto, e ainda provoca intoxicação hepática, detalha o especialista.

Polícia não descarta que ex-funcionário da Backer tenha sabotado cerveja Belorizontina

  Polícia não descarta que ex-funcionário da Backer tenha sabotado cerveja Belorizontina Polícia não descarta que ex-funcionário da Backer tenha sabotado cerveja BelorizontinaA corporação mudou o posicionamento durante o dia. Mais cedo, havia informado que as duas investigações não tinham qualquer ligação.

"O que quero agora é que não bebam a Belorizontina , qualquer que sejam os lotes, por favor. Quero que meu cliente seja protegido. "Nós sabemos que todas as Belorizontinas são feitas no tanque que está sendo investigado. Sabendo ou não se estão contaminadas, gostaria de pedir um favor

A Belorizontina é produzida em apenas um desses tanques, o número 10. Questionada pelos jornalistas, Lebbos disse que vai procurar as vítimas e suas famílias para "oferecer qualquer tipo de ajuda que elas precisarem". Ela afirmou que não está preocupada com o prejuízo financeiro, e sim

Segundo Vinícius Sardão, embora não se saiba exatamente como funciona o mecanismo de toxicidade dessas substâncias dentro das células, estudos em ratos apontam que ambas são eliminadas do corpo em até sete horas após a ingestão. “A substância entra no corpo e logo é quebrada pelo fígado em subcompostos. Esses são eliminados pela urina, num processo que dura cerca de sete horas. Ela é eliminada em um período muito curto. E, por isso, os sintomas se desenvolvem tão rapidamente”, disse o especialista. Estudos apontam que cinco dias após a ingestão apenas 3% do dietilenoglicol são encontrados no organismo. Apesar do metabolismo rápido, as lesões são graves, pela ação de componentes tóxicos nos órgãos.

Os primeiros órgãos atingidos são o fígado e rins. “As lesões se agravam, mesmo depois de as substâncias terem sido eliminadas”, explica. Os sintomas aparecem em até 48 horas. Existem poucos casos com desenvolvimento de sintomas tardios e somente um depois de uma semana da exposição. “Mas isso foge da normalidade”, detalhou.

Fluidos anticongelantes foram encontrados em sistema de refrigeração da Backer

  Fluidos anticongelantes foram encontrados em sistema de refrigeração da Backer Fluidos anticongelantes foram encontrados em sistema de refrigeração da BackerOs delegados responsáveis pelo caso dizem que ainda não é possível afirmar se foi um erro ou sabotagem. O caso do funcionário que foi demitido da empresa no ano passado e chegou a fazer ameaças à empresa também está sendo investigado.

"O que quero agora é que não bebam a Belorizontina , qualquer que sejam os lotes, por favor. Quero que meu cliente seja protegido. "Nós sabemos que todas as Belorizontinas são feitas no tanque que está sendo investigado. Sabendo ou não se estão contaminadas, gostaria de pedir um favor

Agora , são onze. Sendo que uma delas morreu. A cervejaria Backer, que produz a cerveja Belorizontina , disse que a empresa colabora com a investigação e apura internamente o caso. A companhia lembrou ainda que contratou uma perícia independente e aguarda agora os resultados

De qualquer forma, quem bebeu a cerveja da Backer há poucos dias e apresenta os sintomas de intoxicação descritos no início desta reportagem deve procurar atendimento médico o quanto antes, recomenda o nefrologista Fabrício Augusto.

A principal característica da intoxicação é a persistência dos sintomas. O especialista Vinícius Sardão diferencia a intoxicação da ressaca: “Quando você está de ressaca, você melhora ao longo do dia. Pessoas intoxicadas têm vômitos e náuseas sem melhora ao decorrer do dia”. Um sintoma específico da intoxicação por dietilenoglicol é a alteração na musculatura, principalmente, na região dos olhos. “A pessoa não consegue fechar os olhos, tem dificuldades para piscar. É como se os olhos só ficassem abertos. Também pode haver dificuldade na visão”, explicou. A orientação, nesses casos, é não esperar por mais um dia para procurar o hospital.

Ao anunciar a confirmação da presença de dietilenoglicol no sangue de quatro pacientes, em amostras de cervejas Belorizontina e em tanque da fábrica, a Backer, o delegado Tales Bittencourt citou estudo que aponta que a dose tóxica mínima é 0,14 miligrama por quilo de peso corporal e que faixa de letalidade varia entre 1 e 1,63 grama por quilo. Ou seja, há uma variação grande, que depende do organismo de cada pessoa. O médico Fabrício Augusto explica que o índice é estipulado a partir de outros casos de intoxicação no mundo.

'Não bebam a Belorizontina. Seja de que lote for', diz sócia da Backer

  'Não bebam a Belorizontina. Seja de que lote for', diz sócia da Backer Polícia Civil voltou à fábrica da Backer nesta terça-feira, 14; Ministério da Agricultura já havia determinado o recolhimento dos produtos da empresaA Polícia Civil voltou na manhã desta terça-feira à fábrica da Backer, no bairro Olhos D'Água, Região Oeste da capital. Na segunda-feira, 13, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que já havia interditado a planta, proibiu a Backer de comercializar seus produtos e mandou a empresa recolher toda sua produção no mercado. A fábrica deverá se posicionar ainda nesta terça sobre como será esse procedimento.

As investigações da Polícia Civil sobre a contaminação da cerveja Belorizontina , da fábrica mineira Backer, se concentram nesse momento em um tanque da empresa com capacidade de 18 mil litros. A fábrica tem outros 69. As informações são da diretora de marketing e sócia-proprietária da Backer

“O que preciso agora é que não bebam Belorizontina , quaisquer que sejam os lotes, por favor. Quero que meu cliente seja protegido. A Backer produz cervejas em 70 tanques de 18 mil litros cada. A Belorizontina é produzida em apenas um desses tanques, o número 10.

Fabrício Augusto explica que a velocidade de absorção no corpo pode ser alterada por vários fatores: se a pessoa bebeu a cerveja acompanhada de comida ou de outro tipo álcool, se tem problemas funcionais nos rins e outros ligados a seu estado de saúde. “Depende do metabolismo de cada um. É difícil precisar a quantidade. Mas quanto maior a dose, maior a chance de efeito colateral”, acrescentou o nefrologista Vinícius Sardão.

Na segunda-feira, Estado de Minas conversou com o advogado Maycon Rothéia, de 34 anos, que se espantou ao ver em sua geladeira cerveja do lote L2 1354, um dos três nos quais perícia da Polícil Civil detectou contaminação. As garrafas foram compradas no início de dezembro. “Comprei num supermercado no Bairro Funcionários, onde moro. Tomei quatro cervejas. Não tenho certeza se todas eram do mesmo lote. Bebi na primeira quinzena do mês passado”, contou. Outras garrafas que estavam em sua casa foram entregues pelo advogado à Vigilância de Sanitária de Belo Horizonte, como recomenda a saúde pública. Mas ficou o medo e o Maycon anunciou que procuraria um médico para fazer exames.

Para o nefrologista, um check up é recomendável, mas “não é necessário criar um alarde”. Como já foi explicado, a substância fica por cerca de sete horas no corpo. “Se a pessoa ingeriu, por exemplo, a bebida em meados de dezembro e não desenvolveu nenhum tipo de sintoma, não é um mês depois que eles aparecerão”, concluiu.

OUTROS CASOS 

Em 2009, autoridades de Bangladesh encontraram vestígios do produto químico tóxico em um xarope de paracetamol que teria matado 24 crianças. Em novembro de 2008, bebês começaram a morrer na Nigéria após apresentarem febre e vômitos. As investigações revelaram que todos haviam tomado um medicamento chamado "My Pikin Baby", que continha dietilenoglicol. O envenenamento causou a morte de pelo menos 84 crianças entre dois meses e sete anos. O governo nigeriano localizou o dietilenoglicol em um revendedor de produtos químicos não licenciado, que o vendeu a um fabricante farmacêutico local. A substância também já provocou mortes na Nigéria, Argentina, Espanha e Índia.

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Além da Belorizontina: ministério afirma que pelo menos mais sete rótulos da Backer estão contaminados .
Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2 são as outras cervejas contaminadas por dietilenoglicol. Mais de 20 lotes contém substânciaSegundo o mapa, as marcas Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2 têm lotes contaminados. Com isso, até o momento, as análises realizadas pelos laboratórios constataram 21 lotes com dietilenoglicol. Desses, oito também tem monoetilenoglicol.

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