Ciência e TecnologiaMissão a Marte: como a radiação ameaça o cérebro de astronautas

15:07  03 setembro  2019
15:07  03 setembro  2019 Fonte:   bbc.com

Cientistas criam material que permite cultivo de alimentos em Marte

Cientistas criam material que permite cultivo de alimentos em Marte Cientistas criam material que permite cultivo de alimentos em Marte

Image caption Boneca Helga participará de missão não tripulada para medir efeito da radiação sobre corpos. Outras possibilidades são o uso de coletes e dispositivos que aumentem a massa do corpo dos astronautas , ou mesmo superfícies eletricamente carregadas capazes de repelir a radiação .

Elon Musk já deixou bem claro que quem colonizar Marte precisa concordar em entrar em uma missão suicida pela SpaceX. OK, ninguém disse que viagens espaciais precisam ser seguras. Mas os sobreviventes da jornada vão enfrentar outro perigo: danos cerebrais causados por raios cósmicos. •

Missão a Marte: como a radiação ameaça o cérebro de astronautas© Getty Chegar a Marte é um dos grandes desafios da corrida espacial

A corrida para levar uma nave tripulada a Marte mobiliza cientistas, engenheiros e projetistas no desenvolvimento de tecnologias. Mas, além dos inúmeros desafios técnicos dessa empreitada, a Nasa (agência espacial americana) identificou outro obstáculo para levar exploradores ao solo marciano e trazê-los de volta à Terra: a saúde.

Um novo estudo financiado pela agência concluiu pela primeira vez que os astronautas que conseguirem chegar a Marte ou a outros astros no espaço profundo estarão expostos, de maneira constante, a uma radiação cósmica prejudicial a seu organismo.

Radiação cósmica põe em risco missão da Nasa a Marte

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Quando retornam de uma missão espacial, seus cérebros parecem mais idosos do que eram na ida. Mas o efeito não é definitivo. Segundo os cientistas, ao retornarem de missões espaciais, astronautas apresentaram mudanças na “substância branca” do cérebro em áreas como o controle

Uma missão tripulada para Marte tem sido assunto de ficção científica, engenharia e propostas científicas no decorrer do século XX continuando no século XXI. Os planos compreendem propostas não apenas de aterrissar, mas também de eventualmente se estabelecer no planeta Marte

Segundo os estudiosos, existe um "aumento de risco alarmante" para funções cerebrais durante viagens ao espaço profundo, com potenciais impactos no humor e até na capacidade de tomada de decisões dos astronautas.

"(A radiação) pode ser o maior obstáculo que a humanidade terá de resolver para viajar além da órbita da Terra", afirma o estudo, publicado em agosto no periódico ENeuro.

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Missão a Marte: como a radiação ameaça o cérebro de astronautas© NASA Uma das estratégias estudadas é usar sacolas cheias como escudo entre os astronautas e a radiação

Para chegar a essa conclusão, cientistas submeteram camundongos a doses de radiação semelhantes às que seriam encontradas durante a exploração ao espaço profundo, e os roedores sofreram "sérias complicações neurocognitivas", com impactos graves na memória e aprendizado. Além disso, adotaram comportamentos que os cientistas classificaram como "angustiados".

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A outra fonte de radiação são os raios cósmicos — e esses sim apresentam mais desafios. Assim, a agência espacial conta com várias equipes de cientistas trabalhando duro para encontrar alternativas eficazes para proteger os astronautas nas futuras missões a Marte .

Direito de imagem NASA. Image caption Menstruação já foi considerada impedimento para mulheres serem astronautas . " Como o fluxo de sangue menstrual não é afetado pela ausência da gravidade, ele não flui de volta para o corpo", escreveu recentemente a ginecologista espacial Varsha Jain no

Missão a Marte: como a radiação ameaça o cérebro de astronautas
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Munjal Acharya, radiologista oncologista da Universidade da Califórnia e principal autor do estudo, explicou à rede NBC que essas radiações "poderiam dificultar que os astronautas reajam de forma eficaz a imprevistos ou situações estressantes",

A pesquisa de Acharya indica que ao menos um em cinco astronautas que fossem a Marte regressaria à Terra com graves sequelas nas funções cognitivas.

A radiação, explica a Nasa, é a energia contida em ondas eletromagnéticas ou carregada por partículas. "Essa energia é distribuída quando uma onda ou partícula se choca com alguma outra coisa, como um astronauta ou um componente da nave espacial. Ela é perigosa porque atravessa a pele, irradiando energia e fragmentando células de DNA no caminho", diz um artigo da agência. "O dano pode aumentar o risco de câncer no longo prazo ou, em casos extremos, causar males de radiação aguda de curto prazo."

Desde 1970 a NASA sabe que existe vida em Marte, diz ex-engenheiro da agência

  Desde 1970 a NASA sabe que existe vida em Marte, diz ex-engenheiro da agência Desde 1970 a NASA sabe que existe vida em Marte, diz ex-engenheiro da agênciaNo artigo, Levin revela que as duas naves Viking, que pousaram em locais bem diferentes do Planeta Vermelho, conduziram uma série de testes para determinar se existia vida no planeta. E um destes testes, que foi baseado no experimento usado pelo cientista Louis Pasteur para provar a existência dos micróbios, retornou um valor positivo para a existência de microorganismos. O resultado obtido teria sido confirmado pela outra nave da missão Viking, que replicou os resultados ao efetuar o mesmo teste em uma região mais de 6.500 km distante de onde a primeira nave pousou.

Astronautas em Marte podem ser avisados dos SPEs por sensores próximos ao Sol e presumivelmente se abrigar durante estes eventos. O que acabaria tornando ainda mais difícil a colonização do planeta, já que levar materiais que bloqueiam a radiação torna a missão mais cara

Agora, um grupo de cientistas da Universidade de Michigan lançaram uma pesquisa que sugere que voos espaciais alteram o cérebro dos astronautas . Com algumas ambições grandes dos terráqueos de ir a Marte , é importante entender como longos períodos de estadia no espaço podem

A agência lembra que, em circunstâncias normais, estamos protegidos desse risco na Terra, porque "a bolha magnética protetora do planeta, chamada de magnetosfera, desvia a maioria das partículas solares."

Missão a Marte: como a radiação ameaça o cérebro de astronautas© Getty Radiação influencia desde o humor até o funcionamento do corpo, podendo fragmentar nosso DNA

Proteção

Segundo a Nasa, uma estratégia para se proteger desses efeitos negativos seria construir "escudos temporários" nas espaçonaves.

Kerry Lee, pesquisador da agência, explica que para isso estuda-se usar todo o tipo de massa (mesmo que terra) disponível para "preencher áreas pouco protegidas (da radiação) e fazer com que os tripulantes fiquem em áreas altamente protegidas".

Quanto mais massa houver entre os astronautas e a radiação, maior é a possibilidade de que essa massa seja a depositária da energia radiativa.

O desafio é elevar a blindagem sem aumentar muito a quantidade de materiais na nave, o que a deixaria muito pesada.

Na Orion, a próxima espaçonave projetada para ir à Lua, a Nasa quer que os astronautas sejam capazes de construir escudos com o que tiverem em mãos, como sacolas cheias ou mesmo solo lunar, cobrindo seus abrigos com eles.

Nove tipos de alimentos podem ser cultivados na Lua e em Marte, aponta estudo

  Nove tipos de alimentos podem ser cultivados na Lua e em Marte, aponta estudo Nove tipos de alimentos podem ser cultivados na Lua e em Marte, aponta estudoWieger Wamelink, principal autor do estudo, e seus colegas da Wageningen University & Research, cultivaram dez tipos diferentes de alimentos nesses solos simulados: agrião, rúcula, tomate, rabanete, centeio, quinoa, espinafre, cebolinha, ervilha e alho-poró. Nove dessas plantações cresceram bem e renderam colheitas comestíveis - a exceção foi o espinafre.

"Um astronauta recebe uma dose de cerca de 1 milisievert por dia. Portanto, um total de 520 milisievert durante a viagem a Marte não representa uma ameaça à vida. Além disso, os visitantes potenciais de Marte serão expostos à radiação ionizante, que pode levar à deterioração de funções

Os astronautas do programa "Apollo" sofrem de problemas cardiovasculares, provavelmente associados à permanência "Não sabemos como a radiação cósmica afeta a saúde humana, e em particular seus corações e vasos sanguíneos. Este estudo nos deu uma primeira oportunidade para

Missão a Marte: como a radiação ameaça o cérebro de astronautas© ESA Boneca Helga participará de missão não tripulada para medir efeito da radiação sobre corpos

Outras possibilidades são o uso de coletes e dispositivos que aumentem a massa do corpo dos astronautas, ou mesmo superfícies eletricamente carregadas capazes de repelir a radiação.

Para isso, projetaram Helga e Zohar, duas bonecas que viajarão em uma missão não tripulada para pesquisar formas de proteger astronautas dos raios cósmicos e de tormentas solares.

Primeiro a Lua: depois, Marte

A Orion, por sua vez, vai primeiro à Lua, mas a ideia é que sirva também para explorar Marte. Portanto, as informações coletadas pela missão lunar serão úteis para aperfeiçoar os projetos posteriores rumo ao Planeta Vermelho.

A viagem a Marte é muito mais longa do que a ida à Lua, e a tripulação estará exposta a muito mais partículas radiativas.

Além disso, a Nasa afirma que diferentemente da Terra, Marte não tem um campo magnético capaz de desviar a radiação.

"Uma das razões pelas quais vamos à Lua é para nos prepararmos para ir a Marte", afirma Ruthan Lewis, engenheiro da agência espacial americana. "Fizemos muitas simulações. Agora, vamos começar a passar à (fase) prática."

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