Esportes Seis pilotos ignoram protesto contra racismo e não se ajoelham antes da largada na Áustria

16:51  05 julho  2020
16:51  05 julho  2020 Fonte:   grandepremio.com.br

Pilotos da Fórmula 1 avaliam se vão se ajoelhar no domingo em protesto contra o racismo

  Pilotos da Fórmula 1 avaliam se vão se ajoelhar no domingo em protesto contra o racismo Competidores querem discutir se fazem gesto para manifestar apoio ao movimento Black Lives MatterOs pilotos do grid atual da Fórmula 1 discutem se vão realizar na abertura da temporada, neste domingo, um protesto coletivo contra o racismo. Os 20 participantes da principal categoria do automobilismo analisam se vão se ajoelhar em conjunto pouco antes do GP da Áustria para simbolizar apoio ao movimento "Black Lives Matter" (Vidas Negras Importam, em português).

  Seis pilotos ignoram protesto contra racismo e não se ajoelham antes da largada na Áustria © Fornecido por Grande Prêmio

A Fórmula 1 não conseguiu um consenso entre os pilotos em relação à manifestação antirracismo que aconteceu neste domingo (5) na Áustria. Ainda assim, a maioria se uniu a Lewis Hamilton ao se ajoelhar no grid antes da largada no Red Bull Ring.

Minutos antes da largada no Red Bull Ring, os pilotos se reuniram em duas filas, respeitando o isolamento necessário por conta da pandemia do novo coronavírus. E foi no momento do hino que o protesto aconteceu. Além de Hamilton, Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo, Romain Grosjean, Esteban Ocon, Sergio Pérez, Kevin Magnussen, Lance Stroll, Lando Norris, Pierre Gasly, George Russell, Nicholas Latifi e Alex Albon se ajoelharam em apoio à luta antirracista. Max Verstappen, Charles Leclerc, Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat, Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi ficaram de pé.

Pilotos da Fórmula 1 expressam apoio à luta contra o racismo

  Pilotos da Fórmula 1 expressam apoio à luta contra o racismo F1-RACISMO:Pilotos da Fórmula 1 expressam apoio à luta contra o racismo(Reuters) - Os pilotos da Fórmula 1 estão unidos na luta contra o racismo, mas cada um fará seu próprio posicionamento antes do Grande Prêmio da Áustria, o primeiro desta temporada, afirmou em comunicado a entidade que os representa.

Maioria dos pilotos optou por acompanhar Lewis Hamilton no protesto (Foto: Reprodução) © Fornecido por Grande Prêmio Maioria dos pilotos optou por acompanhar Lewis Hamilton no protesto (Foto: Reprodução)

Em meio a um movimento mundial antirracismo ― deflagrado após a morte de George Floyd nos Estados Unidos em uma violenta abordagem policial ―, a expectativa era de que os pilotos se unissem a Hamilton em uma manifestação.

Desde a morte de Floyd, Hamilton tem sido bastante ativo nas redes sociais e participou pessoalmente de uma manifestação em Londres. O britânico usou Instagram e Twitter para protestar contra a brutalidade policial e a desigualdade e vociferou contra seus pares por ser uma voz solitária no mundo do esporte a motor. A cobrança deu resultado e tirou alguns de seus pares do silêncio nas redes sociais.

Leclerc não se ajoelha em protesto contra racismo na F1

  Leclerc não se ajoelha em protesto contra racismo na F1 Decisão também foi a mesma tomada por Max Verstappen    Quase todos os pilotos fizeram o gesto antes do início da corrida, com exceção de Leclerc e Max Verstappen, que ainda usaram a camiseta preta com a frase "fim do racismo", vestida por todos os competidores. Mais cedo, o piloto da Ferrari já havia anunciado que não se ajoelharia durante o protesto. "Acredito que o que importa são fatos e comportamentos em nossa vida cotidiana, em vez de gestos formais que poderiam ser vistos como controversos em alguns países. Não vou ficar de joelhos, mas isso não significa que estou menos comprometido do que outros na luta contra o racismo", explicou Leclerc.

Assim, a expectativa era de uma ação mais efetiva na abertura da temporada 2020, mas nem todos quiseram participar. O gesto de colocar um joelho no chão é uma forma de mostrar apoio aos pedidos justiça e combate ao racismo e protesto contra a violência policial. Em 2016, já no contexto do movimento Black Lives Matter, o jogador de futebol americano Colin Kaepernick passou a se ajoelhar durante a execução do hino dos Estados Unidos e, ainda que o protesto tenha impactado frontalmente a carreira do quarterback, o gesto passou a ser reproduzido mais e mais.

Às vésperas da largada, Leclerc já tinha anunciado no Twitter para que não iria se ajoelhar.

“Acredito que o que importa são os fatos e o comportamento na nossa vida diária ao invés de um gesto formal que pode ser visto como controverso em alguns países. Não vou me ajoelhar, mas isso não significa de maneira nenhuma que estou menos comprometido do que os outros na luta contra o racismo”, escreveu.

F1 começa com ato contra racismo e punição a Hamilton

  F1 começa com ato contra racismo e punição a Hamilton GP da Áustria marca início da temporada 2020 pós-pandemiaDe acordo com a equipe, o piloto da Mercedes não respeitou a bandeira amarela nos últimos segundos do treino classificatório, ao não diminuir a velocidade. Com isso, ele teria garantido uma melhora no seu tempo final.

Pouco depois, Max Verstappen recorreu à mesma rede social para anunciar postura similar.

“Estou muito comprometido com a igualdade e a luta contra o racismo. Mas eu acredito que todos têm o direito de se expressar na hora e da maneira que considerem apropriada. Não vou me ajoelhar hoje, mas respeito e apoio a escolha individual de cada piloto #WeRaceAsOne #EndRacism”, anunciou Verstappen.

Lando Norris também se manifestou, mas, ao contrário de Leclerc e Norris, não anunciou com antecedência sua posição.

“Uma mensagem rápida antes que as pessoas façam suposições sobre qual decisão os pilotos vão tomar no grid para manifestar seu apoio contra o racismo. Nós todos compartilharmos a mesma crença em acabar com o racismo e apoiar a igualdade para todos. #WeRaceAsOne #EndRacism #PeaceAndLove”, disse Norris.

Todos os 20 pilotos foram para o uma camiseta no grid estampando a frase ‘End racism’ [Fim do racismo, em português].

Na sexta-feira, em uma reunião da Associação dos Pilotos, o assunto tinha sido debatido e alguns pilotos já tinha se mostrado contrários ao geste de se ajoelhar. Hamilton chegou a classificar o briefing como “interessante” e ressaltou que alguns pilotos seguem em “silêncio” em meio ao movimento antirracista.

Hamilton e outros pilotos da F1 se ajoelham na Áustria em ação contra racismo

  Hamilton e outros pilotos da F1 se ajoelham na Áustria em ação contra racismo F1-RACISMO:Hamilton e outros pilotos da F1 se ajoelham na Áustria em ação contra racismoSPIELBERG, Áustria (Reuters) - O seis vezes campeão mundial Lewis Hamilton e a maioria dos 20 pilotos da Fórmula 1 se ajoelharam no grid de largada antes do GP da Áustria de abertura da temporada neste domingo.

A GPDA tinha emitido um comunicado ressaltando que os pilotos estão livres para “mostrarem seu apoio pelo fim do racismo a sua própria maneira” antes da corrida.

Titular da Renault, Daniel Ricciardo não detalhou o encontro entre os pilotos, mas explicou que nem todos se sentem confortáveis para ajoelhar.

“A conversa com os pilotos foi essencialmente para dizer que todos nós estamos 100% a bordo em apoiar isso e acabar com o racismo. Nenhum de nós é contra isso, todos apoiamos”, disse Ricciardo. “Só acho que teve um pouco de dificuldade com alguns pilotos e a nacionalidade deles e o que algo como ajoelhar representaria”, seguiu.

“Obviamente, as razões pelas quais faríamos é puramente para apoiar o Black Lives Matters. Não tem nada político ou algo assim”, explicou. “Mas tem uma linha fina com alguns pilotos e suas nacionalidades e a maneira como isso é percebido. Nós ouvimos todos eles, todas as opiniões e não vamos tentar colocar ninguém em risco. Nós todos entendemos que vamos fazer o que nos sentirmos confortáveis para fazer. Mas ninguém será julgado ou criticado se não ficarem lá de uma certa maneira ou ajoelhar”, assegurou Ricciardo.

Kevin Magnussen ressaltou que o gesto de ajoelhar pode ter interpretações diferentes, mas se disse disposto a acompanhar o movimento.

Ezpeleta diz que “não existe racismo” na MotoGP: “Já nos manifestamos muitas vezes”

  Ezpeleta diz que “não existe racismo” na MotoGP: “Já nos manifestamos muitas vezes” O promotor do Mundial de Motovelocidade afirmou que a categoria abraça o diferente e já mostrou isso com o passar dos anosO tema tem tomado cada vez mais conta dos noticiários do esporte a motor. Especialmente por duas figuras que constantemente tem se posicionado – inclusive, por serem os únicos pretos de suas categorias: Lewis Hamilton na Fórmula 1, e Bubba Wallace na Nascar.

“É difícil, pois as pessoas sempre vão interpretar de maneiras diferentes. Eu vou ajoelhar, mas não por que apoio a organização BLM. Eu apenas apoio todo o movimento que o mundo parece estar se unindo para apoiar, que é o fim do racismo”, justificou. “É isso que estou mostrando ao apoiar. Eu espero que as pessoas vejam como um símbolo de apoio a todo o movimento que está acontecendo pelo fim do racismo e da discriminação”, completou.

Carlos Sainz Jr., por sua vez, defendeu que a conversa entre os pilotos permaneça um assunto privado.

“Vocês estão assumindo que nós vamos ajoelhar. O que quer que tenha sido discutido na GPDA é uma questão privada. E é absolutamente confidencial”, indicou. “É necessário que, quando participamos dessas reuniões, os pilotos sintam que é uma coisa provada, uma discussão particular”, insistiu.

“No momento, nem todos decidiram. Ninguém deixou sua posição 100% clara. Acho que você terá de esperar para ver”, encerrou.

Chefe da McLaren, Andreas Seidl defendeu que os pilotos sejam livres para se expressarem da maneira que julgarem apropriada.

“Gosto que este tema importante seja reduzido no momento ao ponto de se alguém vai se ajoelhar ou não. Esse não é o ponto da discussão. Acho que é importante que cada piloto, cada time, decida por si só como querem se expressar”, opinou. “Como vocês sabem, do lado da McLaren, nós temos várias iniciativas em curso. Nós estamos aqui com uma pintura diferente e também temos no carro a hashtag pelo fim do racismo, pois era importante para nós mostrar apoio e quão sério levamos esses tópicos e iniciativas diferentes. É isso que acho muito importante e não a discussão sobre ajoelhar ou não”, completou.

Hamilton cobre “humano” Vettel de elogios: “Respeito mais que todos na Fórmula 1”

  Hamilton cobre “humano” Vettel de elogios: “Respeito mais que todos na Fórmula 1” Lewis Hamilton afirmou que, em Sebastian Vettel, conheceu fora das pistas um grande ser humano por tudo que defende e representaDe acordo com o hexacampeão, o tempo juntos na Fórmula 1 já cria uma natural ligação entre os dois. Entretanto, após conhecer o Vettel de fora das pistas, viu o respeito aumentar vertiginosamente.

O GRANDE PRÊMIO transmite em tempo real todas as atividades do fim de semana do GP da Áustria de F1.


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F1-HAMILTON-RACISMO:Hamilton quer que Ferrari e outras equipes façam mais para combater o racismoO britânico se ajoelhou com 11 pilotos antes da corrida, vestindo uma camiseta do movimento Black Lives Matter e, em seguida, ergueu o punho em seu carro e no pódio após vencer no Red Bull Ring.

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