Esportes Surpresa, decepção, erro e o ouro: veja a trajetória de Ana Marcela Cunha até a conquista em Tóquio

14:41  09 setembro  2021
14:41  09 setembro  2021 Fonte:   lance.com.br

Brasil leva cinco ouros em um dia e salta para sexto lugar no quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos

  Brasil leva cinco ouros em um dia e salta para sexto lugar no quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos País, que estava na décima colocação geral, conquistou nove medalhas nesta sexta-feira, com destaque para a estreia vitoriosa do atletismo e mais pódios na nataçãoO grande destaque brasileiro foi o atletismo, que teve quatro campeões paralímpicos – Yeltsin Jacques (5.000m pela classe T11), Silvânia Costa (salto em distância pela classe T11), Petrúcio Ferreira (100m rasos pela classe T47) e Wallace dos Santos (arremesso de peso pela classe F55). O outro ouro veio na natação, com a vitória de Wendell Belarmino nos 50m livre da classe S11.

O hino nacional brasileiro tocou mais uma vez no Japão. Ana Marcela Cunha garantiu a primeira medalha de ouro para o país na maratona aquática na manhã de quarta-feira do horário local (terça-feira à noite no Brasil) depois de viver um turbilhão de emoções entre ciclos e Jogos Olímpicos.

Ana Marcela Cunha conquistou a medalha de ouro na maratona aquática (Foto: Satiro Sodré/CBDA) © Ana Marcela Cunha conquistou a medalha de ouro na maratona aquática (Foto: Satiro Sodré/CBDA) Ana Marcela Cunha conquistou a medalha de ouro na maratona aquática (Foto: Satiro Sodré/CBDA)

Baiana de Salvador, a nadadora de 29 anos é um dos grandes nomes do esporte, com 11 medalhas em Copas do Mundo, incluindo cinco títulos. Mas ainda faltava o sonho da conquista olímpica. Agora não falta mais.

Brasil fecha o primeiro dia dos Jogos Paralímpicos com um ouro, uma prata e dois bronzes. Veja o resumo!

  Brasil fecha o primeiro dia dos Jogos Paralímpicos com um ouro, uma prata e dois bronzes. Veja o resumo! Brasil fecha o primeiro dia dos Jogos Paralímpicos com um ouro, uma prata e dois bronzes. Veja o resumo!Gabriel Bandeira, de 21 anos, venceu os 100m borboleta, pela classe S14 (para atletas com deficiência intelectual), com o tempo de 54s76, marca que também valeu o novo recorde paralímpico da prova. A prata ficou com Reece Dunn, da Grã-Bretanha (55s12), enquanto o australiano Benjamin Hance foi o medalha de bronze (56s90).

Ana Marcela chegou como uma das grandes favoritas para prova e venceu a maratona de 10km com o tempo de 1h59min30s08. Para viver a glória dourada, porém, a soteropolitana precisou vencer frustrações e traumas de outros anos.

Ana Marcela Cunha © Holandesa Sharon van Rouwendaal e australiana Kareena Lee completaram o pódio (Foto: Satiro Sodré / ... Ana Marcela Cunha

Holandesa Sharon van Rouwendaal e australiana Kareena Lee completaram o pódio (Foto: Satiro Sodré / CBDA)

Considerada como promessa desde jovem, Cunha disputou sua primeira Olimpíada em 2008, em Pequim, quando tinha apenas 16 anos. Apesar da pouca idade, foi uma das surpresas do torneio ao chegar em quinto lugar, enchendo o país de esperança para os Jogos de Londres, em 2012.

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Sete brasileiros disputarão as finais da natação nesta quinta nos Jogos Paralímpicos de Tóquio

  Sete brasileiros disputarão as finais da natação nesta quinta nos Jogos Paralímpicos de Tóquio Gabriel Araújo, Talisson Glock, Ana Soares, Patrícia Santos, Laila Suzigan, Eric Tobera e José Ronaldo são esperança de medalhas para o Brasil nas piscinasNas eliminatórias dos 50m costas, classe S2, Gabriel Araújo liderou do início ao fim e fechou com tempo de 56s82. Já Talisson Glock fez o melhor tempo das qualificatórias dos 400m livre, categoria S6, com 5m06s28. Ambos os atletas, que já conquistaram medalhas nestas paralimpíadas, disputarão as finais nadando na raia quatro.

Quatro anos mais tarde, no entanto, a brasileira não conseguiu a classificação para o Reino Unido. A decepção virou motivação para buscar a vaga para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. E ela conseguiu, junto com a compatriota Poliana Okimoto - que foi bronze.

Apesar do favoritismo, vindo de um título mundial em 2015, Ana Marcela terminou a maratona em décimo. Após a prova, ela lamentou, disse que sua posição "não era digna" e afirmou que não fez a alimentação necessária para reposição líquida durante a etapa.

O ciclo olímpico para Tóquio começou com um susto. Após descobrir uma doença autoimune, precisou passar por uma cirurgia. Com a necessidade da retirada do baço, para evitar possíveis complicações no futuro, ela deu a volta por cima.


Galeria: Classificação LANCE!: Veja como ficou o quadro de medalhas nos Jogos Olímpicos de Tóquio após o 15º dia de competição (LANCE!)

- Finalmente! Por mais nova que eu fui em 2008, esse é meu quarto ciclo olímpico. Vindo de uma frustração muito grande com uma não classificação, uma frustração no Rio. Acreditem nos seus sonhos - disse Ana Marcela à "Rede Globo" após a prova.

Gabriel Araújo brilha nos 50m costas e conquista mais uma medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos

  Gabriel Araújo brilha nos 50m costas e conquista mais uma medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos Atleta brasileiro da classe S2 liderou a final de ponta a ponta e venceu com tempo de 53s96+ Carol Santiago garante o terceiro ouro nas Paralimpíadas, e Brasil supera campanha nos Jogos do Rio

- Quero agradecer ao meu clube, meus pais, minha namorada... Sonhava muito com uma medalha olímpica, mas representa muito ser campeã. Todos os brasileiros medalhistas me incentivaram muito, principalmente o Scheffer e o Bruno. É uma raia, uma chance, como eles dizem - completou.

Ana Marcela Cunha e Fernando Possenti, seu treinador © Abraço de Ana Marcela no treinador Fernando Possenti (Foto: OLI SCARFF / AFP) Ana Marcela Cunha e Fernando Possenti, seu treinador

Abraço de Ana Marcela no treinador Fernando Possenti (Foto: OLI SCARFF / AFP)


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NEM PEIXE FICOU NO CAMINHO

​Durante a prova, Ana Marcela chegou a ocupar a quinta posição, mas não desistiu. Na terceira volta, a brasileira dispensou a alimentação, algo que a prejudicou na Rio-2016, mas desta vez o resultado valeu a pena.

A baiana deixou todo mundo para trás para conseguir a medalha. Até mesmo quem estava em seu habitat natural saiu do caminho. Em determinado momento da prova, foi possível observar, através das lentes do fotógrafo Jonne Roriz, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), um peixe saltando para fora da água. A imagem viralizou e rodou o mundo.

Ana Marcela Cunha © Ana Marcela deixou todo mundo para trás (Foto: Jonne Roriz / COB) Ana Marcela Cunha

Ana Marcela deixou todo mundo para trás (Foto: Jonne Roriz / COB)

Se nem quem tinha o direito de ficar na água durante a prova conseguiu, não seria outra adversária que impediria a brasileira de conquistar a tão sonhada medalha dourada.

  • * Estagiário, sob supervisão de Aigor Ojêda.

Hipismo: Yuri Mansur fica em primeiro lugar e se classifica para a final nos saltos individual em Tóquio .
Marlon Zanotelli era um dos favoritos, mas acabou ficando para trás em 31º lugarNo dia anterior, Carlos Paro havia disputado no concurso completo individual na final da prova salto de obstáculos, ele ficou em 32º lugar e não subiu ao pódio com 62s90. Os companheiros de delegação Marcelo Tosi e Rafael Mamprin Losano não alcançaram sequer uma colocação.

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