Meio Ambiente Invasão por braquiária é mais um desafio à sobrevivência do Cerrado

10:08  18 setembro  2020
10:08  18 setembro  2020 Fonte:   ecycle.com.br

Saiba mais sobre os biomas brasileiros

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Capim introduzido no Brasil para servir de pastagem ameaça biodiversidade do bioma

Cerrado © Fornecido por eCycle Cerrado

Cerrado sul-mato-grossense. Imagem editada e redimensionada de Leandro Neumann Ciuffo, disponível em Wikimedia sob licença CC BY 2.0

O Cerrado é a mais biodiversa savana do mundo, chegando a apresentar 35 espécies diferentes de plantas por metro quadrado. É também o berço de algumas das mais importantes bacias hidrográficas do território brasileiro: as do Xingu, Tocantins, Araguaia, São Francisco, Parnaíba, Gurupi, Jequitinhonha, Paraná, Paraguai, entre outras. Pressionado pela expansão da fronteira agropecuária e por práticas inadequadas de manejo, sua sobrevivência encontra-se hoje dramaticamente ameaçada.

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Entre as muitas ameaças que sofre, uma é a intrusão de espécies vegetais invasoras. E, destas, as mais insidiosas são gramíneas africanas, como o capim braquiária, introduzido no Brasil para servir de pastagem para bovinos. Capaz de se propagar a partir das áreas de plantio para o interior de unidades de conservação, promove alterações nas comunidades de plantas nativas, reduzindo a ocorrência de espécies ameaçadas que possuem preciosas propriedades medicinais, como a catuaba e a mama-cadela, por exemplo.

Uma pesquisa investigou se o uso adequado do fogo, como técnica de manejo, poderia controlar ou ao menos reduzir a ocorrência dessas espécies invasoras nas unidades de conservação. O estudo foi realizado durante o trabalho de mestrado da agora doutoranda Gabriella Damasceno, sob orientação de Alessandra Fidelis, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O estudo recebeu suporte da FAPESP por meio do auxílio Apoio a Jovens Pesquisadores conferido a Fidelis e de bolsa de mestrado concedida a Damasceno. Os resultados foram divulgados no Journal of Environmental Management.

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“Nosso trabalho avaliou o efeito da época de queima – início, meio ou fim da estação seca – na abundância de Melinis minutiflora [capim-gordura] e Urochloa brizantha [capim braquiária], duas gramíneas invasoras encontradas no interior de várias unidades de conservação de Cerrado. Considerando que as previsões climáticas para o bioma indicam aumento na ocorrência de eventos extremos, como secas, temperaturas máximas e mínimas, investigamos também como as respostas dessas duas invasoras são influenciadas pela precipitação e pelas temperaturas máximas e mínimas do ar”, diz Damasceno à Agência FAPESP.

Os resultados mostraram que as duas espécies apresentam respostas opostas ao manejo com fogo: o capim-gordura foi controlado por queimadas em todas as épocas, enquanto o braquiária não foi controlado por nenhuma.

“A pesquisa trouxe também um resultado inesperado: quando o capim-gordura é eliminado pelo fogo, o capim braquiária adentra mais facilmente a área queimada. Queimadas no início e no fim da estação seca controlaram Melinis minutiflora, mas também aceleraram uma nova invasão por Urochloa brizantha”, afirma Fidelis.

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Assim como suas respostas ao manejo, as duas espécies também foram distintamente influenciadas pelas variáveis ambientais. Quanto maior a precipitação, maior o processo de substituição de uma gramínea por outra. Menores temperaturas mínimas foram prejudiciais às duas espécies, porém, de formas diferentes. Quanto mais frio, menor a abundância de Melinis minutiflora viva e maior a abundância de Urochloa brizantha morta.

“Nossos resultados demonstram que o controle de gramíneas invasoras em áreas de Cerrado será ainda mais desafiador no futuro, já que mesmo espécies similares respondem de forma distinta a iniciativas de manejo. Além disso, respostas conjuntas de duas ou mais espécies invasoras podem ser difíceis de prever, dada a variabilidade da influência de fatores ambientais nas respostas de cada espécie”, comenta Damasceno.

O artigo Abundance of invasive grasses is dependent on fire regime and climatic conditions in tropical savannas pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301479720309440?via%3Dihub.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original

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