Meio Ambiente Aquecimento global fará milhões de vítimas, diz texto da ONU

15:00  16 setembro  2021
15:00  16 setembro  2021 Fonte:   dw.com

Mudanças climáticas alarmantes: veja 5 grandes resultados do relatório do IPCC

  Mudanças climáticas alarmantes: veja 5 grandes resultados do relatório do IPCC As manchetes recentes relacionadas ao clima extremo parecem ter saído de um livro de ficção científica: mesmo os países mais ricos do mundo não conseguem controlar incêndios generalizados – que estão queimando até o Ártico. Inundações mortais na Alemanha e na Bélgica em julho de 2021 destruíram completamente edifícios e carros, e mais de 1.000 pessoas continuam desaparecidas. Centenas morreram em enchentes na China. O noroeste dos Estados Unidos, conhecido por seu clima frio, atingiu mais de 38°C por vários dias. E o Ártico perdeu uma área de gelo marinho equivalente ao tamanho da Flórida entre junho e meados de julho de 2021.

Dezenas de milhões de pessoas deverão sofrer de fome, seca e doenças nas próximas décadas devido às mudanças climáticas, segundo rascunho de relatório de 4 mil páginas preparado por painel de especialistas.

Elevação do mar causada pelo derretimento do gelo polar gerará calamidades em cidades costeiras © picture-alliance/dpa/blickwinkel/A. Rose Elevação do mar causada pelo derretimento do gelo polar gerará calamidades em cidades costeiras

As mudanças climáticas irão remodelar fundamentalmente a vida na Terra nas próximas décadas, mesmo que os humanos consigam domar as emissões de gases de efeito estufa que causam o aquecimento do planeta, de acordo com um relatório preliminar dos consultores de ciência do clima da ONU revelado nesta quarta-feira (23/06) pela agência de notícias AFP.

Relatório da ONU sobre o clima responsabiliza a humanidade por aumento de fenômenos extremos

  Relatório da ONU sobre o clima responsabiliza a humanidade por aumento de fenômenos extremos Especialistas do Painel Internacional sobre a Mudança Climática (IPCC) alertam que já ocorreram mudanças que serão “irreversíveis” durante “séculos ou milênios”. Esse grande estudo defende reduções “profundas” e “rápidas” das emissõesO estudo divulgado nesta segunda-feira coube ao grupo de trabalho I do sexto relatório de avaliação do IPCC, elaborado com a participação de 234 especialistas de 66 países. Os cientistas revisaram mais de 14.000 artigos e referências publicadas até agora para montar sua síntese dos efeitos físicos já decorridos do aquecimento e para prever possíveis cenários em função do volume de gases de efeito estufa que a humanidade emitir nas próximas décadas.

Dezenas de milhões de pessoas a mais deverão sofrer de fome, seca e doenças nas próximas décadas devido às mudanças climáticas, conforme o cenário traçado num relatório preliminar do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

"O pior ainda está por vir, afetando muito mais a vida de nossos filhos e netos do que a nossa", diz o texto.

Em 4 mil páginas, os mais de 700 autores mostram, entre outras coisas, como o aquecimento global afeta a saúde humana. As decisões políticas que estão sendo tomadas agora podem mitigar essas consequências, mas muitas já são inevitáveis, de acordo com o relatório da ONU.

Extinção de espécies, maior disseminação de doenças, calor insuportável, colapso de ecossistemas, cidades ameaçadas pela elevação do mar – esses e outros impactos climáticos devastadores estão se acelerando e devem se tornar evidentes de forma dolorosa nos próximos 30 anos.

Crise climática já agrava secas, tempestades e temperaturas extremas, diz IPCC

  Crise climática já agrava secas, tempestades e temperaturas extremas, diz IPCC SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez, os cientistas do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU) quantificaram em um relatório o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos ligados às mudanças climáticas. O documento, que apresenta as bases da ciência física do clima, foi divulgado nesta segunda-feira (9), assinado por 234 autores de 65 países. A ciência climática já previa nas últimas décadas o aumento de eventos extremos, como tempestades, enchentes, furacões, ciclones, secas prolongadas e ondas de calor.

"Peça de acusação"

O catálogo mais abrangente já reunido até agora sobre como a mudança climática está transformando o mundo, o relatório se assemelha a uma volumosa peça de acusação à administração do planeta pela humanidade.

O relatório é muito mais alarmante que o antecessor, divulgado em 2018. O documento deve ser publicado em fevereiro de 2022, após a aprovação pelos 195 Estados-membros da ONU e depois da conferência climática COP26, marcada para novembro, em Glasgow, na Escócia.

Prevista originalmente para novembro de 2020, a 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26).

Em resposta à divulgação do texto, o IPCC divulgou uma nota dizendo que "não comenta o conteúdo dos relatórios preliminares enquanto o trabalho ainda está em andamento".

Fogo na Califórnia: aquecimento global aumentou duração das temporadas de incêndios © Ringo Chiu/ZUMA/picture alliance Fogo na Califórnia: aquecimento global aumentou duração das temporadas de incêndios

Novo relatório da ONU sobre clima traz previsões apocalípticas e consequências já irreversíveis

  Novo relatório da ONU sobre clima traz previsões apocalípticas e consequências já irreversíveis O aquecimento global é pior e mais rápido do que se temia. Por volta de 2030, dez anos antes do que se estimava, poderá alcançar o limite de +1,5 ºC, com riscos de desastres "sem precedentes" para a humanidade, já sacudida por ondas de calor e inundações. Os dados foram divulgados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, nesta segunda-feira (9). A menos de três meses da cúpula do clima COP26 em Glasgow (Reino Unido), os especialistas climáticos das Nações Unidas (IPCC) responsabilizaram o ser humano por essas alterações e advertiram que não há outra opção além de reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa.

Há pelo menos quatro conclusões principais no relatório preliminar, que pode estar sujeito a pequenas alterações nos próximos meses.

A primeira é que com o 1,1 grau Celsius de aquecimento até agora, em relação aos níveis pré-industriais, o clima já está mudando.

Uma década atrás, os cientistas acreditavam que limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius acima dos níveis de meados do século 19 seria o suficiente para salvaguardar o futuro da humanidade.

Essa meta está consagrada no Acordo de Paris de 2015, adotado por quase 200 nações que prometeram limitar coletivamente o aquecimento para "bem abaixo" de dois graus Celsius – e 1,5 grau, se possível.

Aquecimento de 3 °C

Seguindo as tendências atuais, o mundo ruma para um aquecimento de 3 graus Celsius, na melhor das hipóteses.

Mas o relatório preliminar da ONU diz que o aquecimento prolongado, mesmo além de 1,5 grau Celsius, pode produzir "consequências progressivamente sérias, de séculos e, em alguns casos, irreversíveis".

No mês passado, a Organização Meteorológica Mundial projetou 40% de chance de que a Terra supere o limite de 1,5 grau por pelo menos um ano até 2026.

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Para algumas plantas e animais, pode ser tarde demais. "Mesmo com 1,5 grau Celsius de aquecimento, as condições irão mudar além da capacidade de adaptação de muitos organismos", observa o relatório. Os recifes de coral – ecossistemas dos quais dependem meio bilhão de pessoas – são um exemplo.

Fome crônica e pobreza extrema

O aquecimento global também aumentou a duração das temporadas de incêndios, duplicou áreas potenciais para incêndios e contribuiu para as perdas nos sistemas alimentares.

O mundo deve enfrentar essa realidade e se preparar para reagir, o que é uma segunda lição importante do relatório. "Os níveis atuais de adaptação serão inadequados para responder aos riscos climáticos futuros", adverte.

Dezenas de milhões de pessoas a mais provavelmente enfrentarão a fome crônica até 2050, e mais 130 milhões poderão experimentar a pobreza extrema em uma década, se a desigualdade continuar se aprofundando.

Em 2050, centenas de milhões de moradores das cidades costeiras na "linha de frente" da crise climática serão afetadas por enchentes e tempestades cada vez mais frequentes, tornadas mais mortais pela elevação do mar.

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Ondas de calor extremas

Cerca de 350 milhões a mais de pessoas que vivem em áreas urbanas estarão expostas à escassez de água devido a secas severas, consequências do 1,5 grau Celsius de aquecimento – 410 milhões com 2 graus Celsius.

Esse meio grau adicional também significará 420 milhões de pessoas expostas a ondas de calor extremas e potencialmente letais. "Prevê-se que os custos de adaptação para a África aumentem dezenas de bilhões de dólares por ano com o aquecimento superior a dois graus", adverte o relatório.

Em terceiro lugar, o relatório descreve o perigo de impactos compostos e em cascata, juntamente com limites de ponto de não retorno no sistema climático, conhecidos como pontos de inflexão, que os cientistas mal começaram a medir e compreender.

Uma pesquisa recente mostrou que o aquecimento de 2 graus Celsius poderia empurrar para além do ponto de não retorno o derretimento das camadas de gelo na Groenlândia e na Antártida Ocidental – com água congelada o suficiente para elevar os oceanos em 13 metros.

Calamidades em áreas costeiras

Outros pontos de inflexão poderão levar à transformação da Bacia Amazônica de floresta tropical em savana, e fazer com que bilhões de toneladas de carbono escapem do permafrost da Sibéria, alimentando ainda mais o aquecimento global.

Em um futuro mais imediato, algumas regiões – leste do Brasil, sudeste da Ásia, Mediterrâneo, China central – e litorais em quase todos os lugares podem ser atingidos por várias calamidades climáticas ao mesmo tempo: seca, ondas de calor, ciclones, incêndios florestais, inundações.

Mas os impactos do aquecimento global também são amplificados por todas as outras maneiras pelas quais a humanidade destruiu o equilíbrio da Terra. Isso inclui "perdas de habitat e resiliência, superexploração, extração de água, poluição, espécies não nativas invasivas e dispersão de pragas e doenças", diz o relatório.

"Não há solução fácil para esse emaranhado de problemas", diz Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial e autor do histórico estudo sobre alterações climáticas Relatório Stern.

"O mundo está enfrentando um conjunto complexo de desafios interligados", disse Stern, que não contribuiu para o relatório do IPCC. "A menos que você os enfrente juntos, você não vai se sair muito bem em nenhum deles."

md/lf (AFP, Lusa)

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