Meio Ambiente Economia circular, uma nova realidade para a indústria

15:07  19 novembro  2021
15:07  19 novembro  2021 Fonte:   istoe.com.br

COP26: Indústria apoia redução da emissão de gases e combate ao desmatamento

  COP26: Indústria apoia redução da emissão de gases e combate ao desmatamento Para a CNI, debates e compromissos firmados na Conferência do Clima reforçam a importância do setor produtivo na construção de uma sociedade mais sustentável e estão alinhados com a visão das empresas“A indústria brasileira já está alinhada com as melhores práticas globais de sustentabilidade há décadas e encara os compromissos assumidos pelos líderes globais na COP26 como uma oportunidade de reforçar sua atuação na construção de uma economia com baixa emissão de gases de efeito estufa. Esse é um caminho sem volta para o mundo”, afirma presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Economia circular, uma nova realidade para a indústria iStcok) © iStcok) Economia circular, uma nova realidade para a indústria iStcok) jbs © Fornecido por IstoÉ jbs

A sustentabilidade na indústria caminha a passos largos ao longo dos últimos anos. Além de promover uma cadeia de produção cada vez mais sustentável e eficiente, o aproveitamento de resíduos ganhou um novo olhar com a disseminação do conceito de economia circular, que avança cada vez mais.

Em 2019, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou uma pesquisa para compreender a atividade. Segundo o levantamento, 76,5% das indústrias praticam alguma iniciativa ligada à economia circular sem ter conhecimento do conceito. Entre as principais práticas elencadas pelos entrevistados estão a otimização de processos (56,5%), o uso de insumos circulares (37,1%) e a recuperação de recursos (24,1%).

Bolsonaro e ministros vendem um Brasil distante do real em Dubai

  Bolsonaro e ministros vendem um Brasil distante do real em Dubai Governo descreve cenários positivos para meio ambiente e economia; falas foram feitas durante fórum Invest in BrazilQuer se manter informado, ter acesso a mais de 60 colunistas e reportagens exclusivas?Assine o Estadão aqui!

Para Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, a busca por maior eficiência dos processos produtivos e a relação com ganhos econômicos para as empresas está cada vez mais evidente. “A economia circular faz parte do processo industrial, no qual o melhor uso dos recursos naturais e a perspectiva econômica somam esforços para atender às demandas sociais e, ao mesmo tempo, manter o meio ambiente equilibrado.”

De acordo com Bomtempo, a relação entre recurso e valor é um dos pontos-chave para a discussão sobre o tema. “Acreditamos que a economia circular está no DNA do setor industrial. Adicionar valor aos recursos naturais e entregá-los à sociedade é um dos principais propósitos da indústria.”

Por que inflação na Argentina é quase 5 vezes a do Brasil

  Por que inflação na Argentina é quase 5 vezes a do Brasil Índice anual já chega a 52%, em meio a congelamento de preços e restrição de exportações para conter alta. Causa do problema divide economistas e governo.Embora a inflação esteja de volta por aqui, com preços subindo nas gôndolas semana após semana, a situação ainda não se compara àquela vivida na Argentina, onde a inflação acumulada em 12 meses chegou a 52,1%, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Apesar de o setor já ter incorporado algumas práticas em seus processos, o gerente da CNI enfatiza que ainda há um caminho longo pela frente para que seja mantido, de forma efetiva, o fluxo circular dos recursos ao longo do tempo e fora das instalações das empresas.

A tendência é de que as indústrias não apenas reduzam custos e perdas produtivas, mas também criem outras fontes de receita, com estímulo à inserção de matéria-prima secundária nos processos produtivos e fomento ao mercado de troca de resíduos.

  Economia circular, uma nova realidade para a indústria © Fornecido por IstoÉ Embalagens

A reciclagem de embalagens no Brasil é uma realidade há muitos anos, mas ainda pode avançar. Com foco na melhor preservação dos alimentos e redução de perdas, a utilização de estruturas mais complexas desafia a reutilização. A restrição à permeabilidade de gases para elevar o prazo de validade de diversos produtos e os tornar mais acessíveis, impedindo perdas no ciclo de produção e transporte, requer novas tecnologias de reciclagem que devem se viabilizar num futuro próximo. Um outro desafio está relacionado à infraestrutura na coleta desses materiais. Luciana Pellegrino, diretora executiva da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE), destaca que o setor está direcionando esforços para fortalecer a cadeia de logística reversa e posterior reciclagem dos materiais.

Ativistas climáticos e executivos de energia disputam o futuro

  Ativistas climáticos e executivos de energia disputam o futuro Londres – Uma área nas profundezas das águas a noroeste das Ilhas Shetland, na Escócia, tornou-se um teste crucial para o governo britânico, grupos ambientais e a indústria petrolífera. Uma empresa de energia diz que há petróleo e gás valiosos a ser extraídos do local, mas precisa da aprovação do governo. Ativistas ambientais querem interromper o projeto e aproveitaram o papel do Reino Unido como sede de uma grande conferência climática das Nações Unidas em Glasgow, na Escócia, este mês como uma oportunidade para confrontar o governo sobre seu apoio contínuo à indústria de petróleo e gás. O governo, até agora, está calado.

“A indústria de embalagens está investindo em novas tecnologias para a integração de outros materiais no processo e, assim, fortalecer a economia circular na cadeia de consumo”, ressalta.

Uma tendência percebida na indústria é o esforço para simplificar as estruturas para otimizar a cadeia de reciclagem, uma vez que a maior parte do parque industrial está ligado à reciclagem mecânica, que processa estruturas de um único material.

Junto ao trabalho realizado pelas indústrias, a participação do consumidor é outra ponta do processo e é determinante para dar vazão à economia circular, de acordo com Luciana. “Está nas mãos do consumidor a decisão do descarte para reciclagem. E, aos poucos, ele está se abrindo para a possibilidade de reúso.”

A diretora da ABRE cita como exemplo o uso de refil para reutilização de embalagens nos mercados. No Chile, a indústria já oferece aos consumidores a possibilidade de reabastecer essas embalagens  em locais homologados pelos fabricantes.

Iniciativas inéditas

A JBS Novos Negócios, por meio de suas unidades de negócio, é pioneira no ciclo fechado de aproveitamento de resíduos industriais, fomentando um movimento de inovação, eficiência e práticas sustentáveis. De acordo com a companhia, mais de um milhão de toneladas de resíduos gerados pela JBS em suas operações ao redor do mundo foram reaproveitados em 2019 – cerca de 50% do volume total – e destinados para compostagem, reciclagem, reaproveitamento energético e cogeração.

Ford e GM querem mais controle sobre fabricação e desenvolvimento de chips

  Ford e GM querem mais controle sobre fabricação e desenvolvimento de chips Montadoras fazem acordos com fabricantes de processadores para participar mais da criação e da produção dos componentes; falta de processadores tem atrasado a montagem de veículos no mundo todoA Ford agiu na quinta-feira, 18, para enfrentar esse desafio e anunciou uma colaboração que pode dar à empresa mais controle sobre o fornecimento e o desenvolvimento de seus processadores - os cérebros necessários para controlar motores, transmissões, freios, sistemas de infoentretenimento e muito mais.

Desse montante, a JBS Ambiental, que conta com 11 unidades de reciclagem no Brasil, gerenciou cerca de 24 mil toneladas de resíduos sólidos entre plásticos, metais, papéis e outros resíduos, além de 5,4 mil unidades de lâmpadas. Adicionalmente, produziu mais de 2 mil toneladas de produtos plásticos reciclados como sacos de lixo, capas protetoras de paletes, bandejas e filmes termoencolhíveis, além de 2,4 mil toneladas de resinas plásticas recicladas.

A JBS também conta com iniciativas que visam reduzir as perdas de embalagens e fomentar a reciclagem. A Swift, empresa do grupo, fez parceria com a eureciclo para um projeto de compensação ambiental de 100% de suas embalagens. A empresa passou a direcionar para reciclagem resíduos equivalentes aos produzidos em suas unidades, em peso e material, a fim de neutralizar possíveis impactos das embalagens pós-consumo. A Swift ainda passou a compensar cerca de mil toneladas em resíduos plásticos, papel e vidro por ano, que deixam de ser destinados a aterros e apoiam o crescimento da cadeia de reciclagem no Brasil.

  Economia circular, uma nova realidade para a indústria © Fornecido por IstoÉ PISO SUSTENTÁVEL

Além disso, a JBS Novos Negócios trabalha em duas iniciativas que atendem essa nova demanda. Uma das mais importantes é o desenvolvimento de um piso verde por meio de processo inovador, que permite reciclar um tipo de plástico presente em suas operações e transformá-lo em material de construção civil.

Entenda os problemas e soluções da logística reversa em 2021 no Brasil

  Entenda os problemas e soluções da logística reversa em 2021 no Brasil Entenda o contexto da logística reversa de resíduos sólidos no Brasil e conheça algumas soluções brasileiras de destaque da economia circular para pequenos e grandes fabricantes. Política Nacional de Resíduos Sólidos Em 2010 foi sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei n°.12.305 e regulamentada pelo Decreto n°. 7.404. Essa lei estabelece diretrizes para o bom acondicionamento, gestão e destinação dos resíduos. Além disso, ela preconiza o fechamento de 100% dos lixões e a adequação dos fabricantes e importadores de produtos comercializados em embalagens (de ao menos 22% do total comercializado) à logística reversa.

De acordo com a empresa, as aparas de embalagens multicamadas (PVDC), plástico utilizado em produtos in natura embalados a vácuo e de difícil reciclagem, passaram a ser utilizadas para a fabricação de pisos intertravados, próprios para aplicação em ambientes externos, como pavimentação de pátios.

O piso verde atende às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e oferece a mesma resistência que um material feito 100% de concreto. Inicialmente, de acordo com a JBS, a empresa passou a transformar cerca de 50 toneladas de aparas plásticas por mês, recolhidas em unidades da companhia em Andradina (SP), Campo Grande (MS) e Lins (SP).

Para Susana Carvalho, diretora executiva da JBS Fertilizantes e Ambiental, o conceito de economia circular é fundamental para a sustentabilidade das operações da empresa. “Para esse produto, o desafio foi encontrar uma solução que reunisse atendimento às normas técnicas, produção em larga escala e viabilidade econômica.”

O piso contará com o selo JBS Circular e será utilizado na pavimentação de obras da empresa em todo o país.

  Economia circular, uma nova realidade para a indústria © Fornecido por IstoÉ Embalagens metálicas

Outro destaque da empresa é a unidade da Zempack, voltada para a produção de embalagens metálicas para aerossóis 100% recicláveis, tanto de aço quanto de alumínio, com um processo de produção permeado pela sustentabilidade de ponta a ponta. Com capacidade para produzir 220 milhões de latas anualmente, a fábrica tem toda a energia de sua produção proveniente da Biolins, unidade de produção de energia elétrica da JBS que utiliza 100% de matéria-prima de fontes renováveis.

A Zempack integra o Acordo Setorial de Embalagens e o Programa Prolata, iniciativa da Associação Brasileira de Embalagens de Aço (Abeaço). Segundo a JBS, todo o ciclo de produção das embalagens da Zempack segue o sistema de logística reversa, com 100% do material descartado destinado para a JBS Ambiental, que o coloca de volta no setor por meio de siderúrgicas. Com isso, assegura que o material não utilizado seja reaproveitado dentro da cadeia.

Entenda os impactos da compostagem e conheça a Casca, alternativa para quem não pode compostar em casa .
No Brasil, quem realiza a compostagem dos próprios resíduos orgânicos gera benefícios significativos para o meio ambiente. Além de reduzir o envio de quase metade (em peso) dos resíduos domésticos que seriam enviados para aterros, a compostagem evita a emissão de gases-estufa para a atmosfera. Porém, o país ainda não tem uma infraestrutura adequada para realizar a compostagem em grande escala, o que faz com que essa prática dependa da iniciativa de cada consumidor. © Fornecido por eCycle É possível realizar a compostagem caseira dos resíduos orgânicos até mesmo em apartamentos, com o uso de composteiras.

usr: 1
Isto é interessante!