Meio Ambiente Análise da Ufal indica que óleo veio de navio fantasma, não de embarcação grega

22:50  09 novembro  2019
22:50  09 novembro  2019 Fonte:   estadao.com.br

Greenpeace representa contra Ricardo Salles no STF por ‘difamação’

  Greenpeace representa contra Ricardo Salles no STF por ‘difamação’ Greenpeace representa contra Ricardo Salles no STF por ‘difamação’Em nota, a ONG afirma que as acusações de Salles são “levianas e irresponsáveis”. Por isso, “constituem fato grave e não podem ser normalizadas”.

RIO - Uma nova análise da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) indica que o recente vazamento de óleo bruto na costa do Nordeste teria sido causado por um navio fantasma - e não por um petroleiro grego, como aponta o governo brasileiro. Neste sábado, 9, o óleo chegou a mais duas praias do Espírito Santo, mostrando que se espalha agora pelo Sudeste.

A embarcação teria passado pela costa brasileira com o sistema de rastreamento por satélite, o transponder, desligado para não ser detectada pelas autoridades. Os dados de navegação usados na pesquisa são provenientes da plataforma Marine Traffic, provedora mundial de trajetórias de navios.

Óleo que contamina Nordeste pode vir de poço em alto-mar, aponta análise

  Óleo que contamina Nordeste pode vir de poço em alto-mar, aponta análise Óleo que contamina Nordeste pode vir de poço em alto-mar, aponta análiseHá semanas atrás de alguma pista que pudesse indicar a origem das misteriosas manchas de óleo que vêm atingindo praias do Nordeste desde o fim de agosto, o pesquisador Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), busca respostas em imagens de satélite.

A partir desses dados, o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis) rastreou e analisou os trajetos dos cinco petroleiros de bandeira grega que navegaram pela costa brasileira no período próximo à chegada de óleo nas praias do Nordeste e que foram notificados pela Marinha do Brasil.

Autoridades brasileiras acreditam que uma das cinco embarcações (Maran Apollo, Maran Libra, Bouboulina, Minerva Alexandra e Cap. Pembroke) seria responsável pelo vazamento e apontou o Bouboulina como principal suspeito. A empresa Delta Tankers, responsável pela embarcação, negou a responsabilidade.

Na semana passada, o Lapis já havia contestado a versão da Marinha, que associava a origem das manchas de óleo ao trajeto do Bouboulina. O laboratório encontrou uma significativa imagem de óleo do satélite Sentinel-1ª, em 24 de julho, dois dias antes da passagem do navio grego pelo local. Agora, o laboratório ampliou a análise para as outras quatro embarcações de bandeira grega e chegou a conclusão semelhante.

A trajetória do navio Bouboulina, suspeito de ser o responsável pelo vazamento de óleo no litoral brasileiro

  A trajetória do navio Bouboulina, suspeito de ser o responsável pelo vazamento de óleo no litoral brasileiro A trajetória do navio Bouboulina, suspeito de ser o responsável pelo vazamento de óleo no litoral brasileiroTrês dias depois, já carregado com cerca de 1 milhão de barris de petróleo tipo Merey 16 cru, deixou a costa venezuelana rumo ao sudeste. No dia 23 de julho chegou à costa brasileira, passando pelo Amapá. Entre os dias 28 e 29, segundo a investigação da Polícia Federal, teria dado início ao que é o maior desastre a atingir as praias do Brasil em termos de extensão.

"A partir da análise dos cinco navios gregos investigados pelas autoridades brasileiras, identificamos que há grande probabilidade de as rotas deles não terem relação com o derramamento de óleo no litoral do Nordeste", explicou o pesquisador Humberto Barbosa, coordenador do Lapis. "Algumas peças foram fundamentais para montar esse quebra-cabeças: as imagens de satélite, as informações de inteligência em navegação, a data do surgimento das manchas de óleo na região, a direção das correntes oceânicas e a procedência do petróleo."

De acordo com o Lapis, a imagem de satélite mais conclusiva da presença de óleo no litoral do Nordeste foi registrada no dia 24 de julho, na altura do Rio Grande do Norte. Ela identifica uma mancha de 86 quilômetros de extensão e um quilômetro de largura, a aproximadamente 40 quilômetros do município de São Miguel do Gostoso. A mancha varia de 40 a 1.200 metros de profundidade, dependendo do trecho. A mesma imagem registra também a presença de um navio, que não seria nenhum dos cinco petroleiros gregos.

Entenda o que se sabe até agora sobre o óleo no Nordeste

  Entenda o que se sabe até agora sobre o óleo no Nordeste Entenda o que se sabe até agora sobre o óleo no NordesteAs investigações apontam que a a embarcação foi a única a passar pela região onde a mancha da substância começou a se espalhar, entre 28 e 29 de julho, período compatível com o vazamento. Depois disso, correntes marítimas ajudaram a espalhar o produto.

"Na interpretação do sinal de óleo na imagem de satélite já foram descartados possíveis ruídos de fitoplâncton, topografia de fundo do oceano, correntes marítimas, nuvens ou brisas", explicou Barbosa. "A única interferência possível seria o rastro deixado pelo navio na água ter sido registrado pelo satélite. Porem, pela geometria, intensidade, espessura e tamanho da mancha, consideramos baixa essa possibilidade."

Óleo no Espírito Santo

Fragmentos de óleo foram encontrados neste sábado em mais duas praias do Espírito Santo: Urussuquara e Barra Nova. Na quinta-feira, 7, o óleo já chegara em Guriri, no Espírito Santo. Autoridades locais fecharam a foz de riachos que deságuam no mar para evitar que a poluição chegue aos rios e comprometa o abastecimento de água.

O Espírito Santo é o décimo Estado brasileiro a ser atingido pelo óleo, depois de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. De acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cerca de 4.300 toneladas de óleo já foram retiradas das praias nordestinas.

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Salles: esquerda usa vazamento de óleo para tirar ‘lasquinha’ na eleição .
Salles: esquerda usa vazamento de óleo para tirar ‘lasquinha’ na eleição“Todas as tentativas de politizar o debate foram rechaçadas por nós imediatamente. Tanto pelo presidente, pelos ministros e pelos órgãos federais”. Os governos da região são, em geral, de partidos políticos adversários de Bolsonaro. O militar foi eleito pelo PSL com 57,8 milhões de votos (55,13%) em todo o país. Conseguiu 8,8 milhões (30,3%) nos 9 Estados nordestinos, contra 20,3 milhões (69,7%) do petista Fernando Haddad. Atualmente o presidente cogita a criação de 1 partido para que seus aliados possam disputar a eleição de 2020.

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