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Meio Ambiente Desmatamento já reduz chuvas e pode afetar safra no sul da Amazônia

20:10  16 novembro  2019
20:10  16 novembro  2019 Fonte:   dw.com

Alerta: ser humano está secando a água da Amazônia

  Alerta: ser humano está secando a água da Amazônia Desmatamento e obras de infra-estrutura afetam os recursos hídricos da maior floresta tropical do planeta Imagem: WWF/Michel Roggo Quando o tema é Amazônia, logo se pensa no desmatamento da floresta e, mais recentemente, no fogo que já queimou mais de 16 mil km2 – um aumento de 26% em relação ao mesmo período de 2018. Mas a perda de água é uma ameaça mais silenciosa à maior floresta tropical do planeta. Um estudo inédito do WWF-Brasil e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), publicado na revista científica Water/MDPI revelou dados extremamente preocupantes: em média foram perdidos 350 km2 de área coberta por ambientes aquáticos por ano desde a década de 1

A diferença de uma semana no ciclo de chuvas pode significar mais produtividade ou a perda de uma safra inteira para agricultores no sul da Amazônia . A principal conclusão é que um desmatamento de 50% a 60% da área florestal faz com que as chuvas se atrasem em pelo menos uma semana.

As principais fontes de desmatamento na Amazônia são assentamentos humanos e desenvolvimento da terra. Entre 1991 e 2000, a área total de floresta amazônica desmatada para a pecuárias e estradas aumentou de 415.000 km² para 587.000 km² - uma área mais que seis vezes maior do que Portugal

Estudo aponta que substituição em larga escala da floresta por pasto ou áreas de plantio tem provocado a redução do período de chuvas. Desmatamento indiscriminado pode colocar em risco prática de dupla safra na região.

Entre 1998 a 2012, região perdeu uma área de floresta equivalente ao tamanho da Áustria© Reuters Entre 1998 a 2012, região perdeu uma área de floresta equivalente ao tamanho da Áustria

Somado ao efeito das mudanças climáticas e outros fatores de larga escala, o período de chuvas na região, que compreende Rondônia, sul do Amazonas, norte do Mato Grosso e sul do Pará, foi encurtado em 27 dias no período de 1998 a 2012, com impacto na dupla safra, quando agricultores plantam no mesmo terreno soja e, depois, milho.

Desmatamento já reduz chuvas e pode afetar safra no sul da Amazônia

  Desmatamento já reduz chuvas e pode afetar safra no sul da Amazônia Motivo: substituição da floresta por pastoOs números estão em pesquisa realizada por dois pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e 1 da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, publicada em setembro pela Royal Meteorological Society.

Texto sobre o desmatamento da amazonia , quais são as consequencias desse desmatamento e o que está sendo feito para evita-lo. A Amazônia ocupa uma área de mais de 6,5 milhões de km² na parte norte da América do Sul , passando por nove países: o Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru

As principais causas do desmatamento da Amazônia podem -se destacar a impunidade a crimes ambientais, retrocessos em políticas ambientais e O desmatamento da Amazônia é desnecessário, prejudica o desenvolvimento da economia, da sociedade e a imagem do Brasil no exterior.

Os números estão em pesquisa realizada por dois pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e um da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, publicada em setembro pela Royal Meteorological Society.

O trabalho se baseou em dados de um satélite da Nasa dedicado a medir chuvas tropicais e em informações sobre o uso da terra na região, uma das fronteiras agrícolas que mais avançaram nos últimos anos no mundo. No período estudado, de 1998 a 2012, foram desmatados 82.260 km2 na área — 68% para pasto e os outros 32% para agricultura — equivalente ao tamanho da Áustria.

Um dos autores do estudo, Argemiro T. Leite-Filho afirmou à DW Brasil que a pesquisa comprova e mede a relação entre desmatamento e chuvas na região. Segundo ele, a cada 10% de uma determinada área desmatada, a estação chuvosa no mesmo local se encurta em 0,9 dias, em média, sem considerar o efeito das mudanças climáticas.

Índice de desmatamento na Amazônia cresce 80% em setembro

  Índice de desmatamento na Amazônia cresce 80% em setembro Índice de desmatamento na Amazônia cresce 80% em setembro

A Amazônia é conhecida como o "pulmão do mundo", sendo a principal vegetação mundial e contendo a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. Estudos apontam que o desmatamento insustentável da floresta poderá ocasionar redução das chuvas e assim, o aumento da temperatura

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Ela está presente em oito países da América do Sul : Brasil, Suriname, Venezuela, Guiana, Colômbia Essa floresta tinha extensão superior a cinco milhões de quilômetros quadrados. Porém, o intenso processo de desmatamento tem reduzido a

Ele alerta que as mudanças provocadas pela substituição da floresta, somada a outras dinâmicas climáticas, podem inviabilizar o plantio do milho após a colheita da soja, prática hoje corrente na região.

DW Brasil: Como vocês mediram o período da estação chuvosa?

Argemiro T. Leite-Filho:

Usamos os dados coletados pelo satélite TRMM [Tropical Rainfall Measuring Mission, missão de medição de chuvas tropicais, em tradução livre], que entrou em órbita em 1998. Usamos imagens de setembro de 1998 até o final de 2012.

Processamos os dados pixel a pixel, cada um cobrindo uma área de 28 km por 28 km, para medir a chuva que ocorria diariamente e marcar o início e o fim da estação chuvosa, usando um método já consagrado e ideal para dados provenientes de satélites.

E como vocês mediram o desmatamento?

Usamos uma base de dados sobre o uso da terra na região, feita a partir de imagens de sensoriamento remoto e do censo agrícola realizado por IBGE e IPEA. E medimos o percentual de desmatamento em cada pixel, também de 28 km por 28 km, ano a ano.

Amazônia perdeu 10 mil km² de floresta em 2019, maior taxa desde 2008

  Amazônia perdeu 10 mil km² de floresta em 2019, maior taxa desde 2008 O desmatamento da Amazônia atingiu 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, segundo dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), divulgados nesta segunda-feira, 18, pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais). É a maior taxa desde 2008 e a terceira maior alta percentual da devastação na história, perdendo apenas para 1995 (95%) e 1998 (31%). Segundo o Greenpeace Brasil, esse panorama é resultado do que o governo de Jair Bolsonaro defendeu desde a campanha eleitoral.

Desmatamento Ilegal da Amazônia . Geografia do Brasil. A Amazônia , que antes era um terreno florestal que abrigava inúmeras espécies de animais, aves e índios; transformou-se em uma área destinada à agropecuária, produção de grãos e centro urbano.

Para conter o desmatamento da Amazônia , em 2004, foi criado o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal. A região também é monitorada por satélites para que as áreas desmatadas possam ser registradas e os responsáveis pela ação sejam punidos.

Por que vocês usaram essa metodologia?

Identificamos uma lacuna nos estudos sobre o tema, que em geral são baseados em modelagem [quando pesquisadores criam modelos matemáticos sobre o ciclo das chuvas e a ocupação do solo e simulam o efeito do desmatamento].

Nosso estudo foi feito com dados observados, pixel a pixel, para identificar como o desmatamento dentro de cada pixel afeta a estação chuvosa no mesmo pixel. Não avaliamos como o desmatamento em outras regiões influencia aquela área, pois para isso teríamos que rodar modelos climáticos.

Selecionamos a região do sul da Amazônia porque lá é possível notar um acoplamento forte entre o clima e a floresta, há uma estação seca e uma estação chuvosa bem marcadas, e é uma área onde o desmatamento agrícola avançou bastante nas últimas décadas.

O que vocês encontraram?

A mensagem principal é que o desmatamento afeta todas as métricas da estação chuvosa. Além de atrasar o início da estação, acelera seu fim e, consequentemente, reduz o período de chuvas.

Existem algumas suposições, não baseadas em dados científicos, de que esse efeito seria simplesmente resultado das mudanças climáticas, não relacionado ao desmatamento.

Bolsonaro: 'Você não vai acabar com desmatamentos nem queimadas. É cultural'

  Bolsonaro: 'Você não vai acabar com desmatamentos nem queimadas. É cultural' Bolsonaro: 'Você não vai acabar com desmatamentos nem queimadas. É cultural'BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira, 20, que queimadas e desmatamento não devem acabar nas florestas brasileiras, pois são culturais. "Você não vai acabar com o desmatamento nem com as queimadas. É cultural", disse.

Em um artigo publicado na revista Scientific Reports, físicos da USP, da Escola Normal Superior, em Paris, e do Instituto Postdam para Investigação do Impacto Climático, na Alemanha, apresentaram resultados de um modelo matemático simples que mostra como o desmatamento da floresta pode

O desmatamento é um dos mais graves problemas ambientais da atualidade, pois além de devastar as florestas e os recursos naturais, compromete o equilíbrio do planeta em seus diversos elementos, incluindo os ecossistemas, afetando gravemente também a economia e a sociedade.

Para provar que o desmatamento também afeta as chuvas na região, retiramos os efeitos de larga escala ligados às mudanças climáticas e fatores de larga escala e isolamos o efeito do desmatamento.

Quão menor ficou a estação chuvosa no sul da Amazônia?

Se somarmos o efeito do desmatamento às dinâmicas climáticas de larga escala, houve uma redução da estação chuvosa de, em média, 27 dias desde 1998. Ou seja, o produtor perdeu praticamente um mês de janela climática para plantar.

Se consideramos apenas o efeito do desmatamento, identificamos 0,9 dias de redução da estação chuvosa a cada 10% de área desmatada. Se um pixel tiver 80% de área desmatada, a estação chuvosa naquela área será, em média, 7,2 dias menor, com variação de 2,4 dias para mais ou para menos.

Isso pode parecer pouco, mas daí vem a importância de incluir também os mecanismos de larga escala. Somados, o resultado se torna ainda mais preocupante.

Como os efeitos do desmatamento e de larga escala se relacionam?

A estação chuvosa é controlada por fatores remotos, como a temperatura do mar, a umidade que vem do oceano e o El Niño, e fatores locais, como a evaporação de água da própria floresta, que depois se precipita na forma de chuva. O desmatamento reduz a injeção de vapor de água na atmosfera e altera o balanço de energia e, consequentemente, modifica os padrões de precipitação na região.

Brasil deve buscar recursos estrangeiros para política ambiental, diz Salles

  Brasil deve buscar recursos estrangeiros para política ambiental, diz Salles Brasil deve buscar recursos estrangeiros para política ambiental, diz Salles"Nós não concordamos que o Brasil não está indo bem nas suas metas, ao contrário. O Brasil está indo bem, já avançou muito na redução do desmatamento", disse Salles. "O que não está indo bem é receber os recursos que nos foram prometidos lá de fora e são essenciais aos governos estaduais que aqui estão e aos brasileiros em geral", afirmou.

Amazônia (português brasileiro) ou Amazónia (português europeu) (também chamada de Floresta Amazônica, Selva Amazônica, Floresta Equatorial da Amazônia , Floresta Pluvial ou Hileia Amazônica) é uma floresta latifoliada úmida que cobre a maior parte da Bacia Amazônica da América do Sul .

A principal causa do desmatamento da amazônia é a ocupação de áreas de reserva florestal por diversas empresas estrangeiras e nacionais que são Erosão, já que, em razão da exposição, o solo fica mais suscetível à ação da chuva e acaba sendo transportado com mais facilidade.

Em alguns anos, fenômenos globais como o El Niño já tendem a fazer as chuvas durarem menos. Se temos condições remotas desfavoráveis e a ocorrência do desmatamento, os efeitos se somam para reduzir a estação chuvosa.

O que esses resultados dizem sobre a legislação ambiental em vigor?

O Código Florestal exige que, na região da Amazônia, 80% da área das propriedades deve ser preservada como floresta. O objetivo do legislador foi, entre outros objetivos, proteger a biodiversidade, mas nossos resultados mostram que, se a lei for seguida, ela também ajuda a conter a modificação de chuvas na região.

Manter a floresta de pé não é só uma questão de seguir a legislação para não receber multa e não perder aceso ao crédito agrícola. Manter a floresta de pé é uma questão de sobrevivência para a agricultura praticada ali.

Qual é o impacto da redução da estação chuvosa na agricultura?

O mais comum na região é os agricultores plantarem a soja primeiro e, logo depois da colheita, plantarem o milho, que eles chamam de milho safrinha. Essa safrinha é tão comum que responde hoje por mais da metade do milho produzido no Brasil, e é fundamental para o agronegócio. Hoje os produtores conseguem plantar duas culturas na mesma estação chuvosa, mas quanto mais desmatar, mais prejudicamos a segunda.

No Mato Grosso, por exemplo, e estimativa é que são necessários no mínimo 200 dias de estação chuvosa para que a cultura da soja possa se desenvolver e ser colhida, e depois o produtor ainda plantar o milho e o milho se desenvolver. Um total de 27 dias a menos pode tornar inviável a segunda safra.

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Autor: Bruno Lupion

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