Meio Ambiente: Em áudio, prefeito diz que APA Alter do Chão é 'área de invasores', com 'policial por trás' - - PressFrom - Brasil

Meio Ambiente Em áudio, prefeito diz que APA Alter do Chão é 'área de invasores', com 'policial por trás'

21:03  02 dezembro  2019
21:03  02 dezembro  2019 Fonte:   estadao.com.br

MPF questiona prisão de membros de ONG na Amazônia

  MPF questiona prisão de membros de ONG na Amazônia MPF questiona prisão de membros de ONG na AmazôniaO Ministério Público Federal (MPF) em Santarém (PA) pediu explicações à Polícia Civil do Pará sobre o motivo da prisão de membros da Brigada Alter do Chão, uma ONG que atua no combate a incêndios na região desde 2018. Eles foram acusados de provocar queimadas que destruíram em setembro parte de uma Área de Proteção Ambiental (APA) em Santarém, com o intuito de atrair doações de entidades ambientalistas.

BELÉM - Em uma gravação de áudio enviada em setembro ao governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar (DEM), diz que os incêndios na Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão ocorriam em uma "área de invasores" e que havia policial "por trás".

A região entrou no foco recente das atenções depois de uma operação policial que resultou em buscas nas sedes de organizações ambientais e na prisão de quatro brigadistas, acusados de provocar incêndios para obter recursos. Eles foram liberados na quinta-feira, 28.

O áudio, de 51 segundos, foi obtido pelo site Repórter Brasil e confirmado pelo governo do Estado. Na mensagem, que teria sido enviada em 15 de setembro, quando um incêndio de grandes proporções atingiu a APA, Aguiar diz que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santarém (Semma) já estava ciente dos incêndios e que a região seria uma área de invasão.

Brigadistas dizem que estavam longe quando área em Alter do Chão começou a pegar fogo

  Brigadistas dizem que estavam longe quando área em Alter do Chão começou a pegar fogo Brigadistas dizem que estavam longe quando área em Alter do Chão começou a pegar fogoDaniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner, membros da ONG Brigadas de Alter do Chão, foram presos na quarta-feira e soltos por determinação da Justiça na sexta-feira. Eles concederam entrevista à imprensa neste domingo e refutaram a acusação de que seriam os causadores das queimadas. Segundo afirmaram, vai "ser fácil" provar a inocência.

"A Polícia Militar, a companhia ambiental, tem que ir junto, armada, para identificar esses criminosos, isso é gente tocando fogo para depois querer fazer loteamento, vender terreno, prender uns líderes desses, esses criminosos aí e acabar com essa situação" afirmou o prefeito ao governador.

Aguiar diz ainda que "tem policial por trás".

"O povo lá anda armado, o bombeiro só está com a brigada, o bombeiro não está indo lá, já falei para o coronel Tito que precisa ir o bombeiro e combater o fogo, logo, imediatamente, está muito seco, muito sol e a Polícia Militar, a companhia ambiental, tem que ir junto, armada, para identificar esses criminosos."

Leia a íntegra da transcrição do áudio do prefeito de Santarém ao governador do Pará:

"Governador, bom dia. A Semma (Secretária Municipal de Meio Ambiente) municipal já tá envolvida, mas essa área é uma área de invasores... (ininteligível) Tem policial por trás, o povo lá anda armado, o bombeiro só tá com a brigada, o bombeiro não tá indo lá, já falei pro coronel Tito que precisa ir o bombeiro e combater o fogo, logo, imediatamente, tá muito seco, muito sol e a Polícia Militar, a companhia ambiental, tem que ir junto, armada, para identificar esses criminosos, isso é gente tocando fogo para depois querer fazer loteamento, vender terreno, prender uns líderes desses, esses criminosos aí e acabar com essa situação, mas a gente precisa de apoio do Corpo de Bombeiros?".

Governo do Pará troca chefe de investigação sobre brigadistas

  Governo do Pará troca chefe de investigação sobre brigadistas Governo do Pará troca chefe de investigação sobre brigadistasA presidência do inquérito, que estava a cargo da Polícia Civil de Santarém, agora terá o comando do diretor da Delegacia Especializada em Meio Ambiente, Waldir Freire. De acordo com Barbalho, a mudança é "para que tudo seja esclarecido da forma mais rápida e transparente possível". O governador disse ainda que "ninguém está acima da lei, mas também ninguém pode ser condenado antes de esclarecer os fatos".

Confirmação da veracidade do áudio

Em nota, o governo do Pará informou que, assim que recebeu a solicitação, Barbalho "determinou que o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar dessem suporte à operação de combate ao incêndio - o que foi feito".

"Todos os recursos foram disponibilizados, inclusive aeronave de combate a incêndios florestais. Não houve nenhum flagrante para que houvesse prisões", informou ainda. "O governo reafirma que a decisão de prisões e solturas são do juiz competente, não do governo do Estado."

A nota informou também que "o governo não se pronunciará sobre o conteúdo das investigações até que elas sejam finalizadas" e que é "fundamental" chegar aos autores das queimadas.

"Mas que isso ocorra nos marcos do Estado Democrático de Direito, sem espetáculo, pré-julgamentos ou ideologias."

Já a prefeitura de Santarém afirmou, também em nota, que não poupou esforços para apagar o incêndio, com a ajuda do governo do Pará, do Corpo de Bombeiros, do Exército e das demais entidades, e que a responsabilidade de apurar as causas do fogo não cabe ao prefeito, mas à Polícia Civil.

A gestão municipal também confirmou a veracidade do áudio e explicou que as informações contidas no arquivo e repassadas ao governador foram "recebidas de comunitários que moram na região".

"O objetivo foi manter o governador informado para repasse aos órgãos de segurança do estado e conseguir ajuda. Em nenhum momento houve a afirmação de condenar, acusar ou responsabilizar alguém", declarou a prefeitura de Santarém. "Por fim, a prefeitura reitera que não é parte integrante das investigações. Não está sendo citada no processo e aguarda a conclusão e espera que o responsável ou os responsáveis possam ser punidos, de acordo com o que determina a lei."

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Leonardo DiCaprio rebate acusação de Bolsonaro sobre incêndios na AmazôniaEm comunicado, DiCaprio disse que "embora certamente mereçam apoio", ele não financia as organizações "que estão atualmente sob ataque".

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