Meio Ambiente Aumento das temperaturas tem acelerado redução do oxigênio nos oceanos, alertam cientistas

23:45  07 dezembro  2019
23:45  07 dezembro  2019 Fonte:   bbc.com

Baleia é encontrada morta com 100 kg de plástico no estômago

  Baleia é encontrada morta com 100 kg de plástico no estômago Uma terrível notícia para todos nós. Uma baleia cachalote foi encontrada na Escócia com mais de 100 quilos de plástico em seu estômago. Não está claro se existe uma correlação entre a morte do animal e a presença da poluição em seu organismo. A cachalote foi encontrada em uma praia ao norte da Escócia, chamada Seilebost. Quando os especialistas chegaram ao local, a baleia-macho, que estava em idade adulta e aparentemente saudável, já estava morta. Durante a autópsia, especialistas aharam mais de 100 quilos de plástico no aparelho digestivo do animal. Redes de pesca, copos plásticos, cordas e sacolas estavam dentro da cachalote.

Algumas espécies de tubarão e outros peixes com gasto energético elevado serão prejudicados pela menor disponibilidade de oxigênio dissolvido na água, aponta estudo © IUCN Algumas espécies de tubarão e outros peixes com gasto energético elevado serão prejudicados pela menor disponibilidade de oxigênio dissolvido na água, aponta estudo

As mudanças climáticas e a chamada "poluição por nutrientes" estão reduzindo a concentração de oxigênio nos oceanos e colocando a risco a existência de várias espécies marinhas.

Essa é a conclusão de um dos maiores estudos já realizados sobre esse tema, conduzido pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e divulgado neste sábado na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 25, que está sendo realizada em Madri, na Espanha.

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A poluição por nutrientes é conhecida há décadas e é apontada como um dos principais responsáveis pelo surgimento de "zonas mortas" nos oceanos - locais com concentrações tão baixas de oxigênio que praticamente inviabilizam a existência de vida.

Ela ocorre quando substâncias contendo elementos como fósforo e nitrogênio - usados em fertilizantes agrícolas, por exemplo - são arrastados da terra pela chuva para os rios e chegam ao mar. Ali, provocam o crescimento excessivo da população de algas, fenômeno batizado de eutrofização.

Quando esses organismos morrem, seu processo de decomposição consome oxigênio, diminuindo sua disponibilidade na água.

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A mudança climática, por sua vez, tem agravado o problema: o aumento da temperatura da água é outro fator que contribui para a redução dos níveis de oxigênio.

De acordo com o estudo, cerca de 700 pontos nos oceanos vêm sofrendo com a redução da concentração de oxigênio. Na década de 1960, esse número não passava de 45.

O aumento das concentrações de gás carbônico na atmosfera intensifica o efeito estufa - os gases absorvem uma parcela da radiação que deveria ser dissipada para o espaço e a mantém dentro do planeta.

Os oceanos, por sua vez, absorvem parte do calor. E a concentração de oxigênio na água é sensível à temperatura: quanto mais quente, menor a concentração desse gás, que é fundamental para a manutenção de boa parte da vida marinha.

Mares com menos oxigênio favorecem a proliferação de águas vivas, mas são um habitat hostil para espécie maiores e que se movimentam rápido, como o atum.

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Cientistas estimam que, entre 1960 e 2010, o volume de oxigênio dissolvido na água recuou em 2%. O percentual pode não parecer significativo, já que é uma média - em algumas regiões tropicais, entretanto, a queda chegou a 40%.

Peixes maiores têm maior gasto energético - e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver © IUCN Peixes maiores têm maior gasto energético - e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver

"Já conhecíamos o problema da redução da concentração de oxigênio, mas não sabíamos da ligação que ele tem com a mudança climática - o que é bastante preocupante", afirma Minna Epps, coordenadora da IUCN.

"E, mesmo no melhor cenário de redução de emissões (de gases de efeito estufa), o oxigênio nos oceanos vai continuar a diminuir."

Além do atum, algumas espécies de tubarão e o marlim-azul entram em risco nesse cenário.

Isso porque peixes maiores têm maior gasto energético - e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver.

De acordo com os autores do estudo, a situação atual tem feito com que esses animais se movimentem mais próximos da superfície do que de costume - onde há mais oxigênio dissolvido na água -, o que também os deixa mais vulneráveis para a pesca.

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A estimativa é que, no ritmo atual de emissões, os oceanos terão perdido em média entre 3% e 4% do oxigênio por volta de 2100. A maior parte da perda esperada se concentra a até mil metros de profundidade - faixa que concentra maior biodiversidade.

A tendência é que o quadro seja pior nas regiões tropicais, onde as águas são mais quentes.

O atum está entre as espécies que sofrem com a redução da concentração de oxigênio nos oceanos, conforme a IUCN © IUCN O atum está entre as espécies que sofrem com a redução da concentração de oxigênio nos oceanos, conforme a IUCN

"A redução do oxigênio significa perda de habitat e de biodiversidade - e uma ladeira perigosa rumo a um oceano com mais lodo e mais águas vivas", destaca Minna Epps.

"Ela também pode alterar o ciclo energético e bioquímico nos oceanos - e não sabemos exatamente o que uma mudança como essa pode provocar."

"A depleção de oxigênio [termo técnico usado para descrever o processo] está ameaçando ecossistemas marinhos que já estão sob pressão com a acidificação e o aquecimento dos oceanos", acrescentou Dan Laffoley, coeditor do estudo e também membro da IUCN.

"Para barrar a expansão dessas zonas com baixa concentração de oxigênio [nos mares], precisamos de uma vez por todas frear as emissões de gases de efeito estufa, assim como a poluição por nutrientes, causada pela agricultra e outras atividades."

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