Meio Ambiente Mar da África pode ser origem de óleo no litoral brasileiro, aponta Inpe

21:00  13 dezembro  2019
21:00  13 dezembro  2019 Fonte:   estadao.com.br

Sobe para 779 número de locais afetados por óleo no Nordeste

  Sobe para 779 número de locais afetados por óleo no Nordeste O número de locais afetados por óleo no Nordeste, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro subiu para 779, segundo levantamento divulgado na terça-feira, 26, pelo Ibama. Pelo menos 124 municípios foram atingidos. De acordo com o órgão ambiental, 23 locais ainda estão com manchas, outros 446 têm fragmentos e 310 já foram limpas. Em Alagoas, na Bahia, no Piauí e em Sergipe estão os pontos com mais de 10% de contaminação. Pelo menos 33 dos locais que ainda têm óleo estão localizados na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, maior unidade de conservação federal marinha costeira do Brasil, que abrange Pernambuco e Alagoas.

Óleo atingiu ao menos 494 localidades do Nordeste e do Espírito Santo © Tiago Queiroz/Estadão Óleo atingiu ao menos 494 localidades do Nordeste e do Espírito Santo

BRASÍLIA - Estudos realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que a origem do derramamento de petróleo no litoral brasileiro pode estar a milhares de quilômetros da costa brasileira. Mais precisamente, as avaliações indicam que o óleo teria se deslocado da região sul do mar da África, em abril, até chegar à costa brasileira, em setembro.

Essa hipótese refuta completamente a linha mais recente de investigações divulgadas pela Marinha e pela Polícia Federal, que apontaram, como principal suspeito da tragédia, o navio Bouboulina, da empresa grega Delta Tankers.

CPI levanta dúvidas sobre ações do Governo em conter óleo no Nordeste

  CPI levanta dúvidas sobre ações do Governo em conter óleo no Nordeste Os especialistas convocados afirmaram que o governo demorou para agir e ignorou procedimentos importantes para evitar o agravamento da situação , como demonstrou desconhecimento da validade de imagem de satélites para detectar a origem e o destino do petróleo cru vazado no Oceano Atlântico.Presidente da CPI, o deputado João Campos (PSB-PE) afirmou, ao fim do encontro, que a apresentação dos especialistas deixou claro que o avanço do óleo pelas praias do Nordeste era mais previsível do que o governo fez crer.

No início de novembro, o Ministério da Defesa, a Marinha e a PF declararam que, por meio de geointeligência, tinham identificado uma imagem de satélite do dia 29 de julho relacionada a uma mancha de óleo a 733,2 km da costa brasileira, na região leste do Estado da Paraíba. De um dia para o outro, essa mancha teria aparecido, na região por onde o navio passava.

A Delta Tankers negou qualquer tipo de incidente com a embarcação e se prontificou a auxiliar nas investigações. Nesta semana, a Marinha evitou falar sobre o assunto em audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Óleo, instalada na Câmara dos Deputados.

A nova hipótese de que o local de origem seria o mar na região sul da África é detalhada por Ronald Buss de Souza, pesquisador do Inpe que atua no Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) da crise do óleo. Oceanógrafo, Souza é chefe de gabinete e diretor substituto do Inpe.

Como os materiais magnéticos podem ajudar a remover o petróleo da água

  Como os materiais magnéticos podem ajudar a remover o petróleo da água Pesquisadores da Univerisdade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estão desenvolvendo um material magnético que possa auxiliar na remoção do petróleo da água. A solução seria de grande ajuda em casos de derramamento como o ocorrido no litoral brasileiro nos últimos meses. Tratam-se de materiais híbridos compostos por magnetita e biomassa de levedura resultante de resíduos da fermentação na indústria de etanol. Essa junção dá origem aos chamados bionanocompósitos, que podem ser usados para remover petróleo cru e outros tipos de óleos da água.

Segundo o especialista, modelos estatísticos que levam em consideração situações tecnicamente reconhecidas sobre as correntes marítimas, vento e ondas indicam que o óleo, que efetivamente chegou ao litoral de forma submersa, teria como origem a região sul da África. O pesquisador, no entanto, não detalhou se seria um acidente com embarcações ou um vazamento, por exemplo.

O Inpe considera ainda que, apesar de não terem surgido novas manchas no litoral brasileiro, há chances de que parte do óleo ainda possa estar estocado no fundo do mar, preso a sedimentos.

"A gente tem uma hipótese principal de que esse derrame aconteceu a partir de abril deste ano, e as manchas só chegaram ao País, em subsuperfície, de maneira difícil de ser detectada através de imagem de satélite, em setembro", comentou Souza, que participou da reunião da CPI do óleo, na quarta-feira, 11.

A Marinha tem reafirmado que o óleo seria uma mistura de petróleo com origem em poços da Venezuela. Passados mais de 100 dias desde a primeira ocorrência do derramamento no litoral da Paraíba, em 30 de agosto, uma faixa 3.600 quilômetros do litoral já foi atingida pelo óleo.

Manchas de óleo já atingem 900 locais; saiba quais são

  Manchas de óleo já atingem 900 locais; saiba quais são Espalham-se por 11 Estados. São 127 municípios no total. Há registros desde 30 de agostoSão 127 municípios afetados em 11 Estados.

Boletim desta quinta-feira, 12, do Ibama, registrava 997 localidades atingidas no Nordeste, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O levantamento das ações feitas pela Marinha, pelo Ibama e por demais órgãos que atuam na retirada do petróleo cru aponta que 5 mil toneladas de óleo foram coletadas.

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