Mundo Itália pagou preço alto ao resistir a medidas de isolamento social para conter coronavírus

01:11  26 março  2020
01:11  26 março  2020 Fonte:   brasil.elpais.com

Witzel deve prorrogar por mais 15 dias isolamento social no Rio de Janeiro

  Witzel deve prorrogar por mais 15 dias isolamento social no Rio de Janeiro Escolas e comércios estão fechados. Há proibição para frequentar praiasWitzel afirmou que é preciso manter o isolamento social. Disse que sabe que “empresários estão em dificuldades”, mas que o “momento é de cuidar da saúde” e que “não há outra alternativa”.

Presidente volta a chamar covid-19 de "gripezinha" e pede fim de medidas restritivas aplicadas por estados e municípios para conter pandemia. Venezuela declarou "quarentena social coletiva". Em 19 de março, o número de mortos pelo coronavírus na Itália superou o de mortos na China.

A Itália amanheceu com as ruas desertas nesta terça-feira (10) após o governo ampliar as medidas de restrição de deslocamento para todo o país em uma tentativa de conter o pior surto de coronavírus da Europa. O país tem o maior número de casos de Covid-19 fora da Ásia -- são 10.149 pessoas

Pombos e poucas pessoas na praça do Duomo, a principal de Milão, deserta devido ao coronavírus. © Matteo Corner (efe) Pombos e poucas pessoas na praça do Duomo, a principal de Milão, deserta devido ao coronavírus.

A Itália sentiu na pele as consequências de tratar a pandemia de coronavírus como se fosse uma “gripezinha”, como diz frequentemente o presidente Jair Bolsonaro. Em 28 de fevereiro deste ano, quando o país registrava 17 mortes pela Covid-19, prefeitos e governos regionais começaram a tomar uma série de medidas preventivas para proteger a população, tais como o fechamento de escolas e a proibição de aglomerações públicas. Algumas destas cidades ainda não haviam registrado casos da doença, e buscavam se antecipar ao pior. À época, apenas 11 regiões da Lombardia e Vêneto (ambas no norte), com uma população total de 50.000 pessoas, haviam sido isoladas pelo Governo —localidades onde o vírus, atualmente, foi praticamente contido.

OMS diz que avanço da covid-19 na Itália deve se estabilizar em breve

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"Faltam medidas claras de proteção aos pobres [pelo governo]. Sem confiança de que haverá Para conter o surto, as autoridades cancelaram muitos eventos, já que milhões de chineses viajam e Autoridades da Itália afirmaram em 25 de fevereiro que os casos de coronavírus no país cresceram

Trata-se do chamado isolamento social , que visa impedir a reunião de pessoas para conter a propagação do vírus. A Itália foi a principal origem dos primeiros viajantes infectados pelo novo coronavírus que chegaram ao Brasil entre fevereiro e o início de março deste ano, quando começou

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Preocupado com a repercussão negativa destas medidas no turismo e na debilitada economia do país, o primeiro-ministro Giuseppe Conte agiu para contestar estas decisões, que segundo ele contribuíam "para gerar o caos”. O premiê conseguiu derrubar na Justiça várias destas normas locais, como o fechamento dos bares na Lombardia durante a noite, escreveu à época a repórter Lorena Pacho, correspondente do EL PAÍS em Roma. Blindar a Lombardia, cuja capital, Milão, é o principal motor econômico do país, com cerca de um quinto do PIB nacional, era a decisão que ninguém queria tomar.

Em um esforço de manter o fluxo turístico e as receitas entrando, o ministro de Relações Exteriores, Luigi di Maio, chegou a criticar a decisão de alguns países, como Israel e Rússia, que haviam pedido a seus cidadãos que evitassem viagens à Itália. “Nossos filhos vão à escola na maioria das nossas cidades, e os turistas e investidores podem vir com tranquilidade”, afirmou em fevereiro, já com a crise em andamento. O chanceler também elogiou a política de testes no país: "Não podemos ser culpados de termos sido um dos países que mais fizeram controles [e consequentemente identificou mais casos]”. O ministro da Saúde, Roberto Speranza, e o diretor do hospital Spallanzani de Roma Giuseppe Ippolito, também entraram em campanha otimista, destacando em entrevista coletiva que 45 pessoas já haviam se curado da infecção pela Covid-19. “A Itália não é o foco de contágio, o vírus está circulando em todo o mundo”, disse Walter Ricciardi, membro da Organização Mundial da Saúde e assessor do ministro da Saúde.

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Diretor de empresa líder em pesquisas para desenvolvimento de imunização à covid-19 diz que substância pode estar pronta no segundo semestre Isso não dá para simplesmente prever ou testar em seres humanos de maneira descontrolada. É por isso que as medidas que conduzem a isso são

Osmar Terra e Sérgio Camargo usaram as redes sociais para se manifestar contra as medidas de isolamento e quarentena. Médicos ouvidos pelo G1 apontam estratégia como a mais eficaz para conter transmissão.

As consequências desta política de desestimular o isolamento social e a quarentena voluntária logo se revelou desastrosa. Três dias após as manobras e declarações do premiê Conte para manter o clima de normalidade em meio à pandemia o número de mortos dobrou: em 1º março, a Itália tinha 34 mortos. O balanço de vítimas fatais continuou a crescer exponencialmente, com 79 mortes em 3 de março. E o número seguiu subindo, até tornar o país em recordista de óbitos por Covid-19 no mundo, com 7.503 vítimas anunciadas nesta quarta-feira, à frente da China, epicentro da doença no mundo.

As autoridades italianas tentaram retomar uma política de quarentena e isolamento em 9 de março, quando o número de mortos chegou a 463. Diante de uma emergência epidemiológica sem precedentes, Conte anunciou que todo o país ficaria em situação de isolamento, algo que já estava ocorrendo em maior ou menor escala na Lombardia, no norte do país, e em outras 14 províncias. "Estamos ficando sem tempo”, disse o primeiro-ministro, ao anunciar que o lema a transmitir aos cidadãos é “eu fico em casa”. “É a pior crise que vivemos desde o final da Segunda Guerra Mundial”, resumiu, quando decretou o fechamento de todas as fábricas e atividades produtivas que não sejam imprescindíveis para o funcionamento do país.

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Ao menos 13 estados instauraram medidas de distanciamento social para conter o avanço do novo coronavírus , cerca de 45% da população americana A coordenadora da Casa Branca à resposta ao coronavírus , Debbie Birx, disse que um novo protocolo foi instaurado para pessoas que visitaram a

Wuhan, epicentro do coronavírus , é isolada para conter disseminação. 22.jan.2020 - Funcionário de cassino em Macau mede temperatura de uma Detectores de febre foram instalados nas estações de embarque e no aeroporto. Nas estradas, a temperatura corporal é medida pelos postos de controle

A autocrítica veio de quem viu na prática os impactos da doença na população mais vulnerável. “Acho que durante todo esse tempo subestimamos a gravidade da situação”, contou por telefone Michele Lafrancesco, atendente em uma residência de idosos de Monza-Brianza, a 30 quilômetros de Milão, a repórteres do EL PAÍS.

Apesar de ter particularidade climáticas e sociais diferentes da Itália, o Brasil enfrenta uma situação semelhante, apesar de estar em outro estágio da evolução da pandemia, com 57 mortos pela doença segundo dados desta quarta-feira. O presidente Bolsonaro tem se esforçado para —contrariando a Organização Mundial de Saúde e recomendações iniciais de seu próprio Ministério da Saúde—minimizar a crise para evitar que a situação econômica se deteriore ainda mais. Ele chegou a criticar medidas “alarmistas” de alguns governadores do país e o fechamento de escolas, o que gerou um grave conflito com os políticos regionais. Os chefes dos Executivos estaduais e municipais, que lutam para conter o ímpeto do contágio e evitar a saturação do Sistema Único de Saúde, determinaram, em alguns casos, o fechamento de todos os estabelecimentos não essenciais, como foi feito por João Doria em São Paulo, o principal foco da doença no país.

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Bolsonaro critica governadores: 'Medidas extremas que não competem a eles' .
Presidente defende que sejam estabelecidas medidas ''equilibradas'' para conter a doença e para minimizar os impactos na economia . Afirmou que, apesar de o novo coronavírus ser letal, muitos podem morrer de fome por não terem condições de comprar alimentos. "A pessoa com a alimentação deficitária é mais propensa a pegar o vírus e complicar a situação sanitária", afirmou. Para ele, a situação é mais grave para o trabalhadores informais, sem vínculo empregatício. O mandatário afirmou que, por conta da redução de movimento nas ruas, muitos estão em casa sem conseguir vender.

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