Mundo Coronavírus: Nova York vive drama com necrotérios lotados e hospitais de campanha

23:51  08 abril  2020
23:51  08 abril  2020 Fonte:   bbc.com

Operários entram em campo para erguer hospital no Maracanã para vítimas do coronavírus

  Operários entram em campo para erguer hospital no Maracanã para vítimas do coronavírus Operários entram em campo para erguer hospital no Maracanã para vítimas do coronavírusO hospital temporário no Maracanã terá 400 leitos e será uma unidade de referência para receber pacientes com Covid-19, de acordo com o governo estadual do Rio de Janeiro, que vai erguer ainda outros sete hospitais de campanha espalhados por diferentes cidades, cada um deles com 200 leitos.

Os pedidos de serviços em cemitérios de Nova York dispararam devido à pandemia da covid-19 © Getty Images Os pedidos de serviços em cemitérios de Nova York dispararam devido à pandemia da covid-19

Philip Tassi adverte que o cemitério onde trabalha está cheio de solicitações de enterros e que não há tempo para descanso: o governo do Estado de Nova York acaba de anunciar que entre segunda e terça-feira houve 731 mortes por coronavírus registradas.

"O número de pedidos de enterro e cremação que temos provavelmente subiu 300%", diz Tassi, do cemitério Ferncliff em Westchester, poucos quilômetros ao norte de Manhattan.

Atualmente, até 20 corpos passam por este crematório em 16 horas de trabalho, sete dias por semana. Mas, mesmo assim, operando com capacidade máxima, o cronograma está completo até o final da próxima semana.

Ex-UFC que trabalha como enfermeiro revela ‘batalha horrível’ contra o coronavírus nos EUA

  Ex-UFC que trabalha como enfermeiro revela ‘batalha horrível’ contra o coronavírus nos EUA O lutador Phillipe Nover, que teve uma longa trajetória no UFC, contou os dramas vividos pelo sistema de saúde nos EUAA pandemia do coronavírus (COVID-19) se espalha pelo mundo a cada dia e um ex-UFC sente isso na pele. O norte-americano, que lutou no Ultimate entre 2008 e 2017, atualmente trabalha como enfermeiro em Nova York e relatou o drama vivido pela cidade mais populosa dos EUA.

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A história se repete em outros lugares de Nova York, o epicentro da pandemia de coronavírus nos Estados Unidos, o país com os casos mais confirmados de covid-19 no mundo.

"A maioria dos cemitérios não tem unidades de refrigeração para lidar com uma pandemia. Portanto, o maior problema agora é que não temos armazenamento refrigerado para manter os corpos aqui por longos períodos", diz Tassi, que preside a Associação dos Cemitérios do Estado de Nova York e trabalha no setor há 23 anos.

'Nunca vi algo assim'

As casas funerárias também estão sobrecarregadas, e as autoridades enviaram dezenas de necrotérios móveis ou caminhões refrigerados para hospitais.

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  Coronavírus: Jair e Tardelli, do Atlético, participam de ação para ajudar hospitais Atletas doaram camisas autografadas que serão vendidas. Verba será utilizada para comprar respiradores, luvas e máscaras .O Instituto da Criança será o parceiro social responsável pela gestão das doações, prestação de contas e apresentação de resultados do 'Desafio Corona'. O projeto também irá oferecer assistência às famílias economicamente afetadas pela crise, doando recursos necessários para o dia a dia, como alimentação e materiais de higiene e limpeza.

O objetivo é evitar que cadáveres se acumulem sem um local para recebê-los, como aconteceu em outros países atingidos pelo enfrentamento ao vírus.

"Eu nunca vi algo assim em toda a minha vida, tantas pessoas morrendo em um período tão curto", disse Tassi à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. "Nem no 11 de Setembro tivemos o número de corpos que temos agora com a pandemia", diz ele, referindo-se aos ataques de 2001 na cidade.

De fato, nos ataques que os Estados Unidos consideraram o maior ato terrorista em sua história, quase 3 mil pessoas morreram em Nova York.

Esse número de vítimas foi oficialmente ultrapassado nesta semana pelo coronavírus. Na cidade de Nova York, já morreram mais de 3.200 pessoas, enquanto em todo o Estado esse índice chegou a 5.489.

Vários mortos por coronavírus de Nova York são levados a necrotérios móveis © Getty Images Vários mortos por coronavírus de Nova York são levados a necrotérios móveis

O vírus e a cidade

A pandemia transformou Nova York: a cidade nunca esteve tão quieta e silenciosa por tanto tempo, a ponto de se poder atravessar avenidas sem esperar o semáforo ficar verde ou ouvir o barulho de uma moeda caindo na calçada deserta.

Plano de emergência prevê enterros temporários em parques de NY, diz vereador

  Plano de emergência prevê enterros temporários em parques de NY, diz vereador Plano de emergência prevê enterros temporários em parques de NY, diz vereador"Em breve começaremos os 'enterros temporários'. Provavelmente serão feitos usando um parque de Nova York para os enterros (sim, você leu certo)", tuitou o vereador, que preside a comissão de saúde da cidade.

O silêncio só é quebrado quando uma ambulância passa com a sirene ligada.

Isso também ocorre às 19h, todos os dias, quando os nova-iorquinos aplaudem, das janelas, os profissionais de saúde que combatem a pandemia. Nesse momento, a cidade parece recuperar seu espírito barulhento por alguns minutos.

As autoridades locais estenderam o fechamento de escolas e empresas que não se enquadrem na categoria de serviços essenciais, bem como a proibição de reuniões até 29 de abril — as multas aos infratores podem chegar a US$ 1.000.

Embora a polícia não controle ostensivamente o movimento de pessoas, os 8,6 milhões de nova-iorquinos atenderam amplamente ao pedido de que permaneçam em suas casas pelo maior tempo possível.

Um membro da tripulação do navio hospitalar enviado para Nova York testou positivo para coronavírus © AFP Um membro da tripulação do navio hospitalar enviado para Nova York testou positivo para coronavírus

Um hospital de campanha instalado no Central Park por uma organização religiosa humanitária recebe dezenas de pacientes de covid-19 diariamente , e ver aquelas tendas brancas no gramado desta cidade rica pode causar uma sensação de medo e estranhamento.

Nova York começa a cavar fossas comuns para vítimas de vírus

  Nova York começa a cavar fossas comuns para vítimas de vírus Nova York começa a cavar fossas comuns para vítimas de vírusImagens de um drone divulgadas pela rede britânica BBC mostram um enterro em massa de vítimas da Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, em uma fossa comum em Hart Island, no distrito do Bronx, um lugar tradicionalmente usado na cidade de Nova York para sepultar aqueles cujas famílias não podem arcar com um funeral ou um jazigo.

A catedral de São João, o Divino, em Manhattan, também está sendo convertida em um hospital. Ela é considerada a maior igreja gótica do mundo.

E os militares transformaram o Javits Convention Center, na mesma ilha, em outro hospital temporário com 2.500 leitos disponíveis.

O objetivo é aumentar a capacidade de assistência médica, que está no limite em um Estado com mais de 138.800 casos confirmados de coronavírus e mais de 17.400 pessoas hospitalizadas por causa da doença.

Nessa semana, o presidente Donald Trump autorizou que um navio-hospital militar comece a receber pacientes de covid-19 em Manhattan.

Mas, em outro sinal de que a doença está se espalhando incontrolavelmente, a Marinha dos Estados Unidos informou na terça-feira que um membro da tripulação do navio-hospital, o USNS Comfort, foi infectado pelo coronavírus — outros servidores foram isolados preventivamente.

Andrew Cuomo, governador de Nova York, indicou que as medidas de isolamento social parecem estar funcionando © AFP Andrew Cuomo, governador de Nova York, indicou que as medidas de isolamento social parecem estar funcionando

Apesar do recorde de 731 mortes no Estado de Nova York entre segunda e terça-feira, o governador Andrew Cuomo disse que as hospitalizações e a passagem de pacientes para tratamento intensivo diminuíram.

Luz de esperança

Cuomo indicou que, graças a medidas de isolamento social, Nova York pode estar atingindo uma tendência de queda em sua curva de hospitalização.

No Rio, 70% dos leitos de UTI da rede estadual estão ocupados por pacientes com coronavírus

  No Rio, 70% dos leitos de UTI da rede estadual estão ocupados por pacientes com coronavírus No Rio, 70% dos leitos de UTI da rede estadual estão ocupados por pacientes com coronavírusNo caso dos leitos de enfermaria, a ocupação pelas vítimas da Covid-19 é de quase metade da rede: 49%.

No entanto, ainda é muito cedo para saber o que vai acontecer.

"Ainda não estamos fazendo o suficiente para saber quantas pessoas estão infectadas", diz Theodora Hatziioannou, professora associada de virologia da Universidade Rockefeller, em Manhattan.

"Então, prevendo que o pico é esta semana, dizer o que vai acontecer na próxima ou na seguinte é impossível no momento", disse Hatziioannou à BBC News Mundo.

'Nossas vidas vão mudar'

Por outro lado, também surgiram alertas de que o número de mortes por coronavírus em Nova York pode ser maior que os dados oficiais.

O vereador Mark Levine, presidente da comissão de saúde da cidade, disse que as mortes em residências aumentaram 10 vezes em relação ao período anterior à pandemia — hoje, elas estão entre 200 e 215 por dia.

"Tenho certeza de que quase todo esse aumento são pessoas com coronavírus. Mas nem todos são contados dessa maneira", escreveu no Twitter.

Levine também causou choque nesta semana ao afirmar que a cidade em breve poderia começar a enterrar os mortos provisoriamente em parques, embora mais tarde ele tenha esclarecido que esse é um plano de contingência que pode ser descartado se o número de mortes cair o suficiente.

Um hospital de campanha para pacientes com coronavírus foi instalado no Central Park, em Nova York © Getty Images Um hospital de campanha para pacientes com coronavírus foi instalado no Central Park, em Nova York

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, admitiu na segunda-feira que o plano de enterros temporários pode ser implantado, mas negou que eles iriam ocorrer em parques. E seu porta-voz indicou que os enterros poderiam acontecer na ilha Hart, no Bronx.

Hospitalizações por vírus em Nova York caem pelo 2º dia, diz governador

  Hospitalizações por vírus em Nova York caem pelo 2º dia, diz governador Hospitalizações por vírus em Nova York caem pelo 2º dia, diz governador(Reuters) - As hospitalizações de pessoas com o novo coronavírus apresentaram uma queda pelo segundo dia em Nova York e o Estado enviará ventiladores para Michigan e Maryland, ampliando sinais de que algum controle está sendo ganho sobre o surto, disse o governador Andrew Cuomo nesta quarta-feira.

A verdade é que o vírus traça uma paisagem nova e sombria nesta cidade opulenta, mas já marcada por momentos de grande dor.

"O 11 de Setembro foi um ato terrorista e isso nos amedronta, consome todos os dias, seja no trabalho ou em casa com nossas famílias: parece que ele fala conosco o tempo todo, que conversamos sobre isso o tempo todo", reflete Phil Suarez, um paramédico que colaborou nos esforços para resgatar vítimas dos ataques em 2001.

Suarez também tratou de feridos no Iraque em 2017 e trabalhou em desastres, mas diz que o coronavírus o tornou "muito mais cauteloso" em seu trabalho, que aumentou significativamente em Nova York.

"Antes, atendíamos um paciente sem luvas, óculos ou máscara, mas agora temos que nos proteger completamente", explica o paramédico.

"Nossas vidas mudaram drasticamente em um mês", diz.

  Coronavírus: Nova York vive drama com necrotérios lotados e hospitais de campanha © BBC
  • COMO SE PROTEGER: O que realmente funciona
  • COMO LAVAR AS MÃOS: Vídeo com o passo a passo
  • SINTOMAS E RISCOS: Características da doença
  • 25 PERGUNTAS E RESPOSTAS: Tudo que importa sobre o vírus
  • MAPA DA DOENÇA: O alcance global do novo coronavírus
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Doria prorroga quarentena em SP até 10 de maio e diz que há hospitais públicos perto do limite"A orientação da ciência foi para prorrogar a quarentena até o dia 10 de maio", disse o governador paulista em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

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